quinta-feira, 31 de julho de 2014

Sete super heróis da literatura

 Eles não têm nenhum poder sobre humano, mas nem por isso deixam de ser super heróis. Nem sempre agem como bons moços, às vezes fogem do politicamente correto, mas defendem nobres causas. Homens destemidos que salvam o mundo mesmo que isso signifique pôr em risco suas próprias vidas.


James Bond

O indefectível 007 conquistou a maior parte de seu público através do cinema, mas ele surgiu pela primeira vez nos livros de Ian Fleming. As diferenças entre os livros e os filmes são gritantes, porém o personagem é basicamente o mesmo. Bond é um homem alto, atlético, de cabelos escuros e um olhar sedutor. As mulheres se derretem por ele como manteiga sob o sol, mas nenhuma conseguiu segurá-lo. Seu maior inimigo é a União Soviética com a qual se engalfinhou em muitas rinhas, levando sempre a melhor. Apresenta-se com a célebre frase: "Meu nome é Bond, James Bond".
Super poderes: Exímio atirador com licença para matar, um charme irresistível e o privilégio de ser o agente secreto mais famoso do mundo.
                               




Myron Bolitar

O mais charmoso detetive de todos os tempos. Myron tem um senso de humor irresistível e não há como não se apaixonar pelo seu jeito bonachão e sua cara de pau. Mente com a maior desfaçatez em nome de uma investigação, chegando ao cúmulo de se fazer passar por Bruce Willis para interrogar uma testemunha. Atleta aposentado, dá muita pena em descobrir o motivo que o levou a deixar o basquete e muito mais pena ao saber que ele foi abandonado pelo amor de sua vida. Tudo bem que eles se acertaram, mas que tipo de mulher é capaz de abandonar Myron Bolitar?
Super poderes: Super persistente, super persuasivo e tem um super gancho de direita.


John Snow   
                               
Filho bastardo de Stark, John se sente deslocado em sua própria família. Por isso decide abandonar sua casa e se juntar à Patrulha da Noite, onde aprende as artes da guerra e consegue conquistar a amizade de seus companheiros, mesmo sendo um nobre no meio de plebeus. Como um verdadeiro herói, defende Samwell Tarly do bullyng que sofre por ser gordo e sensível, chega a sofrer uma queimadura para salvar seu comandante e liberta uma prisioneira, livrando-a assim de sua execução. Um nobre de sentimentos nobres.
Super poderes: Humildade, grande senso moral, lealdade e esbanja destreza com sua espada.




Peri                                                                               

Devotado à sua Ceci, o índio Peri buscaria as estrelas se ela pedisse. Como ela não pediu, ele ainda não precisou aprender a voar, mas é só isso o que falta para transformá-lo num super homem. Defende a família de sua amada com unhas e dentes, mesmo que para isso tenha de enfrentar sua própria raça e chega a capturar uma onça que rondava a região, só para que ela pudesse fazer seus passeios com tranquilidade. Um grande guerreiro com um coração puro.
Super poderes: Domina o arco e flecha, conhece a floresta como a palma de sua mão e sobe em árvores com a agilidade de um macaco.



         
         
                                                         
  Jason Bourne
                                                              
 A Identidade Bourne é um dos mais vibrantes livros de suspense e espionagem de todos os tempos, com ação vertiginosa incessante. E quem nos conduz nessa corrida cheia de adrenalina é Jason Bourne. Resgatado do mar com o corpo crivado de balas, marcas de uma cirurgia plástica e sem nenhuma lembrança de seu passado, Bourne dá início a uma cruzada em busca de respostas, envolvendo-se numa intrincada trama em que cada passo é uma decisão de vida e morte.
Super poderes:
Raciocínio rápido, sangue frio e é fera em artes marciais.





 Dom Quixote                                                                      

É daqueles leitores que mergulham tanto nas histórias que acredita fazer parte delas. Dom Quixote é tão apaixonado por livros de aventura que passa a imitar seus heróis e ao lado de seu amigo Sancho Pança, desbrava novas terras vivendo momentos impagáveis. Um herói sonhador, cujo maior inimigo é a realidade, com a qual ele luta bravamente.
Super poderes:
Super imaginação, super autoconfiança e uma vontade inquebrantável de mudar o mundo.





 Robert Bellamy

Incumbido de localizar as testemunhas da queda de um balão meteorológico com informações secretas, o agente Robert  Bellamy percorre diversos países utilizando de seu talento de caçador para cumprir a sua missão. É impressionante como o agente consegue localizar essas pessoas a partir de pistas mínimas. Um bravo guerreiro que enfrenta seus inimigos com muita perspicácia e um homem apaixonado, que debaixo de todos aqueles músculos guarda uma amor mal resolvido.
Super poderes:
Pode despistar qualquer pessoa, tem um super faro e uma longa folha de serviços nas Forças Armadas.









sexta-feira, 25 de julho de 2014

Chasing Tomorrow, Tilly Bagshawe traz a continuação de Se Houver Amanhã



                                                         Sinopse

 Tracy Whitney, a mais popular heroína do escritor número 1 do mundo retorna em uma  sequência sensacional cheia de paixão, suspense e reviravoltas de tirar o fôlego.
Tracy Whitney nunca pensou  que teria uma vida tranquila. Com seu audacioso parceiro Jeff Stevens, tinha sido responsável por alguns dos assaltos mais impressionantes do mundo, saboreando o perigo e aumentando sua fortuna. Mas ainda há uma coisa que falta para tornar sua vida perfeita: um bebê.
À medida que os meses passam e a gravidez tão desejada não acontece, Tracy vê-se ansiando novamente pela adrenalina dos velhos tempos. Quando um belo e misterioso estranho entra em suas vidas, a sua serena rotina  se quebra. Jeff  subitamente acorda uma manhã e descobre que Tracy se foi sem deixar vestígios.
Por mais de uma década ele  busca por respostas, certo de que Tracy continua viva, impedida de se comunicar. Mas o resto do mundo acredita que ela está morta.
Até que uma série de assassinatos leva um detetive francês à sua porta. Onze vítimas, em dez cidades diferentes, em todas as cidades onde Tracy praticou seus golpes. Alguém retorna ao local de seus crimes, despertando fantasmas que Jeff  acreditava terem se esvanecido.
E mais uma vez essa impressionante mulher descobre-se vivendo no limite, jogando as mais arriscadas cartadas sem nenhuma garantia de vitória. E desta vez ela tem  algo muito mais precioso a perder: seu amado Jeff Stevens.
O amanhã finalmente chegou, mas não é o futuro que Tracy esperava.


Paperback: 400 páginas

Lançamento Previsto: 14/10/2014

Capa do e-book em pré venda na Amazon. 


Expectativa

 Escrever a continuação de uma obra prima como Se Houver Amanhã é mexer num vespeiro. Tilly Bagshawe recebeu da viúva do autor a  incumbência de terminar uma obra inacabada de Sheldon, reproduzindo seu estilo e transformando seu nome numa marca. O livro em questão foi A Senhora do Jogo, segundo Tilly, baseado em rascunhos de Sidney Sheldon, no qual ela mandou bem. A obra seguinte foi uma espécie de homenagem a Se Houver Amanhã, intitulada Depois da Escuridão. Criou uma trama impressionante em Anjo da Escuridão, mas no seu último lançamento, Sombras de Um verão, perdeu a mão e escreveu uma trama complicada, previsível e cansativa.
Quando eu achava que essa brincadeira tinha acabado, chega  Chasing Tomorrow, a sequência tão temida de Se Houver Amanhã. Digo temida porque dá um frio na barriga imaginar a possibilidade dessa sequência descaracterizar personagens tão amados e criar um destino infeliz para o casal mais querido entre os fãs de Sheldon.
A sinopse já dá uma ideia de que o livro foge completamente ao ritmo de aventura de Se Houver Amanhã. Parece mais um livro sombrio, com crimes misteriosos sendo perpretados por um serial killer, mais ao estilo de A outra face e Conte-me seus Sonhos. Ótimos livros do mestre Sheldon, mas dentro de seu próprio contexto. Além do que, dá uma tristeza imaginar Jeff separado de Tracy por dez longos anos.
Mas sejamos otimistas. É claro que lerei Chasing Tomorrow assim quer for lançado e não nego que junto do receio, há também muita expectativa. Esse livro será decisivo na carreira de Tilly como herdeira dos fãs de Sidney Sheldon. Se agradar, acredito que novas sequências virão por aí, mas se o livro for um fiasco, se prepare Tilly, pois terá de conquistar seus leitores por seus próprios méritos.

O lançamento está previsto para novembro de 2015, portanto, aguardem que compartilharei minhas impressões com vocês.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Sete livros que viraram séries de TV

  Se as adaptações de livros para o Cinema na maioria das vezes transformam uma obra prima em algo de qualidade questionável, com as séries de TV o resultado é mais variável.  Devido à duração bem mais longa do programa, os roteiristas tem oportunidade de manterem-se fiéis aos livros, desenvolver melhor os personagens e criar outras tramas, enriquecendo a história original. Bons livros podem dar origem a ótimas séries e em alguns casos, o seriado pode superar a obra original. Mas também pode destruir um bom livro.  Eis aqui  sete exemplos.

A Guerra Dos Tronos
 Quem se assustar com o tamanho dos livros saiba que as páginas correm pelos olhos sem que se perceba. O texto de Martin é fluído, saboroso e simples, sem muitos floreios. É impressionante a quantidade de personagens que ele consegue desenvolver sem torná-los superficiais. São personagens muito bem retratados, cada um  com seu conflito interno e suas motivações a justificar suas ações. É difícil se identificar com apenas um deles. Ao mesmo tempo que torcemos por um personagem também nos cativamos pelo seu adversário e esse conflito torna a leitura apaixonante.









Game Of Thrones

 A HBO caprichou na produção em todos os sentidos. Figurinos, locações, fotografia, cenografia, tudo é trabalhado com um cuidado minucioso e o resultado é a perfeição. A desvantagem do seriado é que pode se tornar confuso caso se perca algum trecho, pois são tantas casas, tantas disputas, tantos meandros que cada palavra é importante para a evolução da série. Por outro lado, a série é tão boa que rever um episódio por ter deixado passar alguma informação é sempre um prazer. Longa vida a Game Of Thrones. 




Ossos
 Apenas três livros de Kathy Reichs chegaram ao Brasil, mas em alguns casos é possível avaliar um escritor sem precisar conhecer muito sua obra. A personagem Temperance Brennan é uma antropóloga forense que presta seus amplos conhecimentos à polícia não só para identificar cadáveres, mas também para desvendar os crimes. O problema é que Brennan é pedante demais. Ela vomita tantos detalhes técnicos que a leitura torna-se maçante. Na verdade o pedantismo vem da própria autora que descreve cada movimento, cada cenário, cada pensamento, de modo minucioso, o que atrasa demais a evolução dos acontecimentos. Apesar das tramas instigantes, sua narrativa é muito cansativa. São tantos detalhes que a atenção se dispersa.



Bones 
É difícil acreditar que a Brennan da série foi inspirada na cientista dos livros, pois ela é uma fofa. É super inteligente e também vive soltando termos técnicos, mas o faz de modo natural, sem o mínimo resquício de pedantismo. Ela é meio avoada, sem malícia, sem senso de humor e por isso mesmo muito engraçada, pois não entende quando alguém está fazendo uma piada. Sem falar que seus colgas de trabalho formam uma equipe muito divertida, com personagens bem interessantes que vivem seus dilemas com muita leveza. Equipe essa que não faz parte dos livros.



       



Dexter, A Mão Esquerda de Deus
 Uma leitura leve, apesar do tema. É fascinante a maneira como o autor descreve como funciona a mente de um psicopata. Mesmo não tendo sentimentos, ele consegue racionalizar sua importância. Por exemplo: não é necessário Dexter amar sua irmã para ser leal a ela. 
A história até que tem algum ritmo, com boas doses de sangue e um suspense razoável, mas não é uma leitura compulsiva. A tentativa de humor é sofrível, com tiradas sarcásticas sem nenhuma graça, que em alguns momentos chegam a esfriar a trama. Se estivéssemos falando de um livro pesado, seria justificável lançar umas piadinhas para amenizar a atmosfera densa, mas não é o caso.




   Dexter

O seriado tem esse humor negro, mas nesse caso é muito bem elaborado. Faz parte da atmosfera da série. Até a abertura é irônica, com as atividades matutinas do protagonista sugerindo algo bem mais sinistro. Michael C. Hall dá um banho de interpretação e à cada temporada se torna mais humano. Na oitava temporada, Dexter ainda não se desgastou e tem seu lugar garantido entre os ícones cult.









Psicose 
Morria de vontade de ler esse livro, mas não encontrava nenhuma edição em  português. Foi lançado no Brasil, mas há muitos anos. Porém, não sei se devido ao filme sobre Hitchcock ou ao seriado, a Dark Side o relançou e pude então conhecer a obra que deu origem ao melhor filme de suspense de todos os tempos. Robert Bloch escrevia muito bem. O livro tem uma atmosfera densa, cheia de expectativa, um clima de terror iminente que nos suga e nos coloca naquele motelzinho sombrio, onde coisas muito estranhas acontecem.






  
Bates Motel
A série retrata a adolescência de Norman Bates e sua relação com a mãe. Tem um suspense vertiginoso, com momentos em que é difícil não roer as unhas. Vera Farmiga arrebenta no papel de Norma, uma mulher egoísta, possessiva e impulsiva, que se apoia no filho sem levar em conta que o garoto está numa fase difícil, tentando se ajustar numa nova cidade, apaixonado por uma menina fútil e tentando refrear seu lado psicótico que quando vem à tona, as consequências são desastrosas. Excelente série que mantém viva uma das histórias mais arrepiantes do Cinema.






A Zona Morta


Foi um dos primeiros livros que li de Stephen King e o achei vibrante. A história de um cara que após um acidente desenvolve o dom de prever o futuro ao tocar nas pessoas rendeu muito mais do que eu esperava. A dificuldade de Johnny Smith em se adaptar ao mundo após sair do coma, a reaproximação de sua noiva, o choque de ver outro cara tomando seu lugar, a aflição de prever fatos catastróficos e não saber como impedir, tudo torna o livro uma montanha russa de emoções.



The Dead Zone
Apesar do filme de sucesso, a série fugiu da categoria drama e terror e tomou o caminho policial, com uma pitada de humor. É uma série bem simpática. As primeiras temporadas até que deram um gás, mesmo sem a  dramaticidade que tornou o livro tão intenso. Porém, um dos pontos altos do livro é a trajetória de Gregg, antagonista de Johnny e que, segundo as suas previsões, após se tornar presidente dos Estados Unidos será o responsável por uma catástrofe nuclear. O personagem demora a aparecer na série e não o achei tão bem explorado quanto no livro. Além disso as últimas temporadas exageraram no humor, descaracterizando o seriado.

  

                           
O Silêncio Dos Inocentes 
 Thomas Harris criou em O Silêncio dos Inocentes, um dos personagens mais primorosos  da literatura moderna. Hanibbal Lecter, um psiquiatra brilhante, um homem refinado, acostumado ao melhor da gastronomia, os pratos mais sofisticados feitos com ingredientes exóticos como, por exemplo, carne humana. Protagonizando quatro livros, conhecemos muito sobre esse psicopata de aparência inofensiva, mas com um apetite voraz. 

                                    

     
                
Hannibal
E na série voltamos no tempo, quando Dr. Lecter ainda era apenas um colaborador da polícia, usando seu conhecimento sobre psicologia para auxiliar um atormentado detetive na solução de crimes. O Lecter da série não é tão carismático quanto o de Hopkins ou mesmo o de Gaspard Ulliel, é um esnobe que paira entre os meros mortais como um arrogante especialista da mente humana e engana a todos com seus modos refinados. Mas a estrela da série é na verdade  Jack Crawford, o profiler que se associa ao canibal sem ter a menor ideia de que está dançando com o demônio. Um personagem intenso, que tem a agoniante capacidade de mergulhar na mente de assassinos.






O Dominador
 À cada novo livro me apaixono mais pela série. É delicioso acompanhar a vida dos personagens, presenciar suas vitórias, suas derrotas, sua evolução. Ver Rizzoli saindo do casulo, se transformando de uma lagarta não em uma borboleta, aí seria demais, mas em uma mariposa que voa deixando para trás seus complexos, sua insegurança e seu sentimento de rejeição. Tanta dificuldade em se adequar a um mundo ao qual acredita não pertencer, mas no qual tenta conquistar um espaço, nem que seja à força. E Maura, uma mulher que tinha tudo para ser feliz no amor, mas é atraída para as piores ciladas. 




Rizzoli and Isles 
A série é focada na diferença entre as duas personagens e na amizade que as une. Rizzoli não é feia e mal vestida como a dos livros. Pelo contrário, é belíssima. Porém pouco feminina, estourada e corajosa. Já Maura é delicada, intelectual, fina e distraída. Trata-se de um programa leve, uma comédia policial sem muitas pretensões, com um clima ameno, bem diferente dos livros eletrizantes em que foi inspirada. Mas apesar da diferença, é um seriado agradável de se ver de vez em quando.



quinta-feira, 10 de julho de 2014

Sete mulheres que tocaram o terror

Elas fizeram a maldita, aprontaram horrores e tripudiaram em cima da tragédia alheia. Pobres daqueles que se deixaram iludir pela aparência delicada. Sexo frágil, mas a alma venenosa. 


Eve Blackwell
  Perversa, pervertida, perigosa e muitos outros pes a definem. Não nutria sentimentos por ninguém, via as pessoas ou como pontes para alcançar um objetivo, ou como obstáculos que atravessavam seu caminho. Não tinha remorsos, era movida pela ganância e destilava veneno de seus poros, contaminando tudo o que tocava. Foi o flagelo dos Blackwell, o castigo de Kate, mas seu final foi de lavar a alma. (Spoiler) Além de se tornar uma aberração após ter prejudicado tanta gente, inclusive sua irmã gêmea, sofreria a tortura de olhar para o semblante de Alexandra ano a ano e ver a aparência que teria caso seu destino não houvesse sido tão irônico. 





                                         Amy
Antes de tudo advirto que quem não leu Garota Exemplar deve pular essa personagem. O fato dela estar na lista já é um spoiler, mas não tinha como não mencioná-la. Até hoje não consegui entender porque Amy ganhou tantos defensores. Uma psicopata desprezível, que enganou todo mundo, inclusive os leitores e que só espalhou a maldade por onde passou. Sem ser machista, não concordo que uma traição justifique uma vingança tão cruel contra seu marido, sem falar que sua fúria atingiu outras pessoas que não tinham nada a ver com o caso. Amy não é o retrato da mulher moderna e sim um exemplo de quanto um ser humano pode descer e perder a razão quando se dedica a uma vingança mesquinha. 


 Juliana
Às vezes criamos uma cobra dentro de casa sem saber. É o caso de Juliana. A invejosa e amargurada empregada descobre o adultério de sua patroa Luísa e a partir daí passa a chantageá-la. Mas ela não se satisfaz exigindo apenas dinheiro. Usa desse trunfo que tem em mãos para tripudiar em cima de Luísa e assim se vinga da jovem, que além do adultério, cometeu o pecado de ser jovem, bonita e rica. Mesmo não sendo uma personagem das mais carismáticas, é revoltante ver Luísa sofrendo tanto nas mãos de uma mulher tão vil e a falta de empatia de Juliana com o sufoco pelo qual sua patroa tem de passar, numa época em que uma traição justificaria até a morte da esposa adúltera, reduz Juliana a um parasita desprezível aos olhos do leitor. 


Akahsa
Uma vampira milenar que se auto intitula o flagelo da humanidade e resolve aniquilar os homens da face da Terra, a quem responsabiliza por toda a violência do mundo. Para Akasha, o mundo ideal deve ser habitado apenas por mulheres, uns poucos homens a servirem de reprodutores e seu querido Lestat, vampiro mais famoso da obra de Anne Rice, reinando ao seu lado. Os momentos em que a Rainha Dos Condenados corre o mundo massacrando a população masculinas é de causar enjoo tamanho o seu poder de destruição. Com a força que séculos de existência lhe proporcionou ela passa por cima de todos que cruzam o seu caminho como um trator. Tanto poder conduzido por uma mente insana só poderia render um livro vibrante, no qual torcemos alucinadamente para que alguém detenha essa praga em forma de mulher.





Miranda
Depois de conhecer Miranda, você nunca mais vai reclamar de seu chefe. Com seu coração de gelo, a modista não sente nenhum remorso em trucidar as pobres secretárias que passam por suas garras. Especialista em humilhar seus subalternos e qualquer um que esteja numa posição inferior, é daquelas mulheres que fazem as pessoas chorarem de tanta raiva. E o que a torna mais detestável, diz as coisas mais horríveis sem perder a elegância. 

Annie Wilkes
Louca é apelido. Após sofrer um acidente de carro o escritor Paul Sheldon vai parar na casa de Annie Wilkes, uma fã ardorosa de seus livros, que tem um“ carinho especial” pela sua personagem Misery. Porém, o que parecia apenas uma situação desconfortável, com o escritor debilitado, preso por uma nevasca na casa de uma estranha, se transforma numa interminável agonia. Aos poucos Sheldon percebe que a aparentemente bem intencionada enfermeira não tem nada de inofensiva e que a paixão por sua obra é na verdade uma obssessão. Ao descobrir que Paul Sheldon pretende matar sua personagem favorita, Annie mostra seu pior lado e, mesmo não sendo uma personagem sobrenatural, como é comum nos livros de Stephen King, não deixa nada a dever para seus vilões fantasiosos, como A Coisa, Christine e os vampiros de Salem’s Lot. Annie Wilkes representa o lado mais sombrio do ser humano, um poço de escuridão que parece não ter fundo e que está sempre pronto a tragar o incauto que se aproximar.


Sra. Danvers
 Sra. Danvers é a governanta que, devotada à Rebecca, esposa falecida de seu patrão, não vê com bons olhos a chegada de sua nova mulher e atormenta sua vida dentro da mansão. Como num bom romance gótico, nada é feito de modo direto, mas com dissimulação, malícia e frieza. Ela atormenta a nova patroa, mantendo viva a lembrança de Rebecca. Para Danvers, qualquer falha de nova esposa (cujo nome nunca é citado no livro, narrado na primeira pessoa), é colocada em evidência, nenhum defeito passa despercebido e tudo é motivo para enaltecer os predicados da antiga dona da casa. Todo essa hostilidade velada torna a vida da jovem esposa um martírio e em muitos momentos torcemos para que ela se revolte e expulse  a governanta daquela casa. Sra Danvers é daquelas raras vilãs que infernizam a vida do protagonista sem derramar uma gota de suor.



quarta-feira, 2 de julho de 2014

Sete médicas que amamos




Kay Scarpetta 


 A consagrada personagem de Patrícia Cornwell talvez seja a médica mais conhecida da literatura. De ascendência italiana, a legista e advogada Kay Scarpetta usa a culinária como terapia após dissecar corpos e correr atrás de assassinos. Entre massas, molhos e vinho, divide a mesa com seus companheiros de trabalho e é o ponto de união entre o amigo boca suja Marino, a sobrinha lésbica Lucy e o namorado Benton. Apesar da premiada personagem ser um ícone da ficção polical moderna e à cada livro ter ganho um espaço maior em nosso coração,  Patrícia Cornwell a descaracterizou  a partir do momento em que passou a narrar suas  aventuras na terceira pessoa. Do escatológico Mosca Varejeira em diante, Kay Scarpetta perdeu grande parte de seu charme e à cada lançamento suas marcantes qualidades vem se dissolvendo. Porém isso não muda em nada o que ficou para trás. De Post Mortem até A ùltima Delegacia, temos 11 maravilhosos livros para nos deleitarmos com Kay Scarpetta no melhor de sua forma.


Paige Taylor

 Médica talentosa, dotada de uma verdadeira vocação, Paige passou poucas e boas até ter o reconhecimento por seu trabalho. Inspirada  a seguir essa nobre profissão pelo pai, um missionário que viajava o mundo prestando assistência a populações carentes, a jovem doutora à contra gosto foi para os Estados Unidos, onde se formou e fez sua residência, sendo a personagem central de um dos mais eletrizantes livros de Sidney Sheldon. Paige representou um belo retrato da correria que é um plantão médico, onde os residentes mal conseguem pregar os olhos devido aos ininterruptos chamados à emergência, tem de tomar decisões de vida e morte em questão de segundos e praticam malabarismos para driblar as picuinhas políticas de um grande hospital. Além disso, Paige teve de enfrentar o preconceito contra  as médicas. Só achei que Sheldon forçou um pouco nesse ponto. Apenas três médicas num hospital imenso como o Embarcadero e toda aquela estranheza das pessoas ao se depararem com mulheres formadas em Medicina seria compreensível se o livro se passasse na década de 50 e não na de 90. Mas isso não tira a magia dessa obra e acrescenta mais um mérito a essa personagem, o de conquistar seu espaço num mundo dominado pelo machismo.

Dana Scully
  Sim, Arquivo X também é livro. Em 1999 foi lançada uma coleção nas bancas de revistas, com alguns dos roteiros mais empolgantes adaptados para a linguagem literária. Houve também uma outra série de livros, com texto um pouco mais elaborado, incluindo episódios nunca filmados e que foi vendida nas livrarias. São obras bem interessantes, não alienando os que não acompanharam a série e descrevendo os pensamentos, impressões e sentimentos dos personagens, o que não é possível num roteiro de TV. A parceira de Fox Mulder é uma médica que trabalha para o FBI desvendando casos misteriosos com um toque de sobrenatural. Uma mulher que apesar de discordar das teorias de conspiração de seu colega de trabalho, intimamente nutre por ele uma grande simpatia que com a convivência acabou  se tornando algo bem mais intenso. Uma das mais famosas personagens das telinhas, que não só teve seu sucesso estendido às páginas dos livros, mas também aos quadrinhos e ao Cinema.




Sarah Linton           
                                                       
 É uma pena que essa série não tenha vingado no Brasil. Houve apenas dois lançamentos e ainda fora da ordem. A personagem principal, Sarah Linton, tem uma combinação inusitada de especialidades na Medicina: é legista e pediatra. Áreas bem incompatíveis, principalmente pelo fato de que alguns legistas tem certa dificuldade em lidar com a tarefa de fazer autópsias em crianças. Mas esse detalhe não fica tão esquisito dentro do contexto do livro, pois achei Cega, o romance de estreia da série, um tanto surreal. Quanto à Sarah, é uma personagem simpática, enrolada com seu ex-marido por quem ainda é apaixonada, mas com quem não consegue se entender e uma médica bastante passional, que não deixa a frieza profissional afastá-la emocionalmente dos casos em que trabalha.





Laurie Montgomery

 Heroína recorrente nos romances de Robin Cook, a legista de cabelos cor de marmelada viveu aventuras dignas de um James Bond. Casada com o carismático Jack Stapleton, brindou-nos com deliciosos momentos de muito suspense, aventura e humor. Mas há também um lado dramático na vida desta personagem. Devido a um crancro, a vida de seu filho fica em risco e é com muita emoção que esse difícil momento da vida do casal é narrado. Uma personagem que aos poucos foi ganhando espaço e hoje é uma das mais queridas entre os amantes de suspense médico.

                   







Maura Isles

 Conhecida pela mídia como a Rainha dos Mortos, a legista Maura Isles é exatamente o oposto de sua parceira de trabalho, a detetive Jane Rizzoli. Delicada, sofisticada e muito bonita, a médica tinha tudo para, além de ser uma profissional de sucesso, ser também realizada em sua vida amorosa. Porém, Maura não dá uma dentro. Depois de um casamento desastroso com um empresário a legista fez diversas escolhas erradas, principalmente em relação ao seu grande amor, um padre. À cada novo livro da série, conhecemos mais sobre essa fascinante personagem, que se refugia das dificuldades de seu trabalho e de sua vida amorosa num hobbye que é um perfeito contraponto do lado sombrio de sua vida: a jardinagem. É entre as flores que ela recupera suas forças e sua esperança na humanidade.






 Jane Whitcomb

 Vocês não tem ideia de como lamentei o destino da Dra. Jane em Amante Liberto. Achei que uma mulher forte e corajosa como ela merecia um final mais feliz com seu amado Vishous. E a solução de J. R Ward para mantê-la “viva” também não me agradou. Porém, reconheço o quanto é inusitado ver uma médica fantasma na literatura. Esvoaçando entre os corredores da mansão da Irmandade, Dra. Jane segura as pontas dos guerreiros sempre que eles retornam avariados de suas lutas pelas ruas de Caldwell.