terça-feira, 28 de março de 2017

Max - Sarah Cohen - Scali


Sinopse

Max é o protótipo perfeito do programa "Lebensborn" iniciado por Himmler, o comandante supremo da temível SS. Mulheres selecionadas pelos nazistas dão à luz os primeiros representantes puros da raça ariana, destinados a regenerar a Alemanha depois que a Europa estiver ocupada pelo Terceiro Reich. Konrad, como ele é rebatizado, cresce sem mãe, sem afeição ou ternura, de acordo com os preceitos educacionais nazistas. Aos 6 anos ele é levado para Kalish, uma "escola" para crianças polonesas que passaram pelo filtro racial SS. É ali que conhece Lukas, um judeu polonês rebelde, mas com todas as características físicas de um ariano e pela primeira vez na vida se sente ligado a outro ser humano. A partir desse momento, suas crenças nazistas começam lentamente a desmoronar. Max sofrerá muitas provações e passará a ver o mundo de uma forma diferente, até o final apocalíptico da Segunda Guerra Mundial.

Resenha

Quem me acompanha sabe o quanto gosto se ler sobre a Segunda Guerra Mundial, principalmente quando o enfoque é o nazismo. E fuçando num prateleira da Saraiva dedicada a esse assunto, acabei encontrando essa joia da qual nunca havia ouvido falar, mas que me fascinou pela sinopse. Como há muitos livros escritos sobre essa horrível passagem da história da humanidade, é difícil encontrar alguma obra que traga algo de realmente novo. Porém Max me surpreendeu por apresentar a história de uma criança do Reich de maneira totalmente inusitada. A começar pela abordagem nada convencional. O livro é narrado pelo próprio Max, desde antes de seu nascimento, até a idade de nove anos. 

No início o livro é uma espécie de crônica da vida no lar das crianças Lebensborn, o local onde seriam criados os representantes da raça ariana pura, preparada desde o nsscimento para servirem ao Terceiro Reich. A autora explora o drama das mães que são levadas a gerar bebês dos quais terão de se separar assim que a amamentação não for mais necessária. Expõe a crueldade daqueles que comandam o lugar, o rigor com o qual doutrinam as crianças, punindo com castigos físicos qualquer sinal de fraqueza dos futuros soldados de Hitler. Mostra a frieza com a qual eles dispõe de vidas humanas.

Max foi um personagem que em alguns momentos eu odiei, mas que muitas vezes me divertiu com sua narrativa. Na maioria das vezes com um ridículo tom de superioridade, em alguns momentos repleta de humor negro, em outras de uma inocência tocante. Uma criança condicionada a acreditar nos ideais do terceiro reich, e que acabou por se tornar uma caricatura dessa própria ideologia. Max se achava superior não apenas aos judeus, mas aos seus próprios colegas arianos. Acreditava ser o filho de Hitler. Tripudiava sobre a fraqueza de seus companheiros. Mas no fundo era uma criança sedenta de afeto, que nunca soube o que era ter um vínculo com outro ser humano, que usava sua couraça de arrogância para impedir que sua solidão abrisse uma brecha em sua alma. 

Até que com a chegada de Lukas, ao internato sua vida tem uma grande virada. O pequeno judeu, que tem as caracteristicas físicas de um ariano, opera uma grande mudança em Max. Nesse ponto, a narrativa também ganha um novo ritmo, deixando de ser um relato sobre a vida na "escola", para se desenvolver e ganhar mais ação. Pontuado por diversos acontecimentos históricos, o livro fica mais empolgante à cada capítulo, revelando os horrores da Alemanha nazista através dos olhos de uma criança que aos poucos vai perdendo a inocência. A saga de crianças perdidas num mundo despedaçado. Um livro que merece ser lido e que, acredito, seja capaz de agradar qualquer público.