quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Eu Sou o Peregrino - Terry Hayes


Sinopse

Uma mulher é brutalmente assassinada em um hotel decadente de Manhattan, seus traços dissolvidos em ácido. Um pai é decapitado em praça pública sob o sol escaldante da Arábia Saudita. Na Síria, um especialista em biotecnologia tem os olhos arrancados ainda vivo. Restos humanos ardem em brasas na cordilheira Hindu Kush, no Afeganistão. Uma conspiração perfeita, arquitetada para cometer um crime terrível contra a humanidade, e apenas uma pessoa é capaz de descobrir o ponto exato em que todas essas histórias se cruzam, o Peregrino.

Resenha 

Essa foi uma das leituras mais complicadas que fiz nos últimos tempos. Travei uma grande batalha com esse livro, foi uma leitura com altos e baixos, que muitas vezes quis abandonar, mas me rendi à grandiosidade desse enredo complexo e o resultado foi uma das melhores leituras da minha vida. Mas sofri até descobrir isso. Apesar do início promissor, onde o autor nos insere na cena de um crime violento e lança uma grande charada que envolve o corpo não identificado de uma mulher, não tarda para que a trama se disperse, com o protagonista narrando sua biografia, o que abrange uma infindável seqüência de acontecimentos que cada vez mais me cansavam. Adoro personagens bem construídos, de conhecer suas biografias, suas motivações, suas ambições e decepções. Mas, se por um lado, foi fascinante e relevante conhecer a vida do Peregrino, um agente secreto das altas esferas do serviço de inteligência americano, por outro o autor se demorou demais contando as aventuras do protagonista, que só fazia divagar sobre seu passado. Queria logo que o livro retornasse ao ponto de partida para saber mais sobre o assassinato. Tanto que chegou um ponto em que eu considerei seriamente abandonar a leitura, pois são quase setecentas páginas e eu não estava a fim de aturar aquelas divagações do protagonista por dezenas de capítulos. Porém, chega um ponto, ainda no início, em que a narrativa se desloca para o Oriente Médio, onde nos é apresentado o Sarraceno, o grande antagonista do Peregrino e sua sofrida história de vida. O livro então me prendeu um pouco mais, pois gosto de ler sobre a cultura do povo muçulmano, mas mesmo assim a leitura ainda estava bem cansativa. Pra piorar fiquei doente. Até hoje não sei exatamente o que eu tinha, acredito que foi alguma virose, mas era um mal estar tão grande que fiquei quase uma semana sem ler. Não tinha ânimo pra sequer abrir o livro e quando me recuperei foi preciso muita coragem pra prosseguir com aquele calhamaço.

Mas a partir de então o livro tomou outro rumo e, mesmo não se focando naquele crime das páginas iniciais, um outro tema começou a tomar forma: o planejamento de um ataque terrorista concebido pelo Sarraceno. Tanto pela sinopse, quanto pelo desenrolar dos acontecimentos dá pra saber de antemão que se trata de um atentado de terrorismo biológico, mas os detalhes sobre o potencial devastador do vírus, a maneira como ele o desenvolveu e como o testou me deixaram horrorizado. O que ele faz para alcançar seus objetivos é algo repugnante, e o que mais terrível é a sua frieza ao cometer crimes tão brutais. O Sarraceno não é um sádico, o que ele faz é em nome de seus ideais.

Nesse ponto eu já estava capturado pelo livro e grato por não tê-lo abandonado. As cenas envolvendo O Peregrino também se tornaram mais interessantes, e mesmo com ocasionais imersões no passado, a história começou a andar para a frente. Sem falar que à cada capítulo eu gostava mais do personagem. O livro é permeado por personagens fascinantes, mas o agente ganhou meu coração como poucos heróis da literatura conseguiram. Um homem que, apesar dos crimes que cometeu no exercício de seu trabalho, tem um senso moral muito forte, o que faz com que a culpa o remoa. Alguém com uma admirável nobreza de caráter, que tem de conviver com a sujeira de um mundo que ele despreza. Mas que, apesar de tudo, tinha um senso de humor que não o deixava transparecer sua amargura, exceto para as pessoas mais íntimas.

Tem início uma corrida contra o tempo, com os acontecimentos se precipitando rumo a um desfecho espetacular. E de repente fui tomado por aquele conflito de querer saber como tudo aquilo ia acabar, mas triste porque o livro ia terminar. Todos aqueles fatos narrados desde o início que desviaram a narrativa do foco principal tiveram relevância, cada personagem mencionado tem um papel importante na conclusão do livro, tudo se encaixando de modo magistral. Cada peça em seu devido lugar, cada pergunta sendo respondida no momento certo. Não há nenhuma ponta solta em relação ao esclarecimento dos acontecimentos. Encerrar o livro me deixou com uma sensação de vazio, pois me afeiçoei demais a ele. Um romance inteligente, escrito de modo vigoroso, rico em personagens e com uma força épica impressionante.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Os Meninos - Juan José Plans




Sinopse

A Ilha de Tha, na costa da Espanha, é uma réplica do paraíso. Sol, mar, gaivotas, pescadores e paz. Malco, um escritor de contos infantis, conheceu-a há muitos anos, ainda menino. Agora resolve voltar, de férias, em companhia de Nona, sua mulher, grávida do terceiro filho. A ilha continua linda, com seu casario branco da arquitetura mediterrânea. O mesmo sol, o mesmo mar, a mesma paz. Mas há alguma coisa estranha naquele local. Onde estão os adultos?

Resenha

Crianças malvadas é um tema que sempre me fascina, pelo inusitado, pelas discussões que são geradas a respeito das causas da violência e pelo potencial que essas histórias guardam. Fico sempre curioso em saber qual será a abordagem e no caso desse livro a premissa me surpreendeu bastante, principalmente em relação aos motivos que levavam essas crianças a agirem com tamanha agressividade. Algo bem diferente de tudo o que já li em relação a esse tema.

Apesar do livro se iniciar com várias cenas aparentemente desconexas, temos como fio condutor Malco e Nona, um casal que decide passar uma temporada numa ilha onde o marido viveu parte de sua infância. Eles já tem um casal de filhos, que ficaram na cidade, e ela se encontra novamente grávida. O autor vai dosando o terror aos poucos, de maneira bastante habilidosa com vestígios da violência surgindo ao redor do casal protagonista até que os acontecimentos se precipitam e eles têm de encarar uma realidade terrível. Surgem então várias situações inusitadas e à cada capítulo a tensão aumenta. E mesmo com o texto pomposo e os diálogos ridículos a leitura alcança um ritmo contagiante.

Porém se teve algo que me incomodou demais foi o machismo implícito no livro. Enquanto o marido era retratado como o fodão, que nos momentos críticos agia com sangue frio e escapava das situações mais difíceis sempre tomando as melhores decisões, a esposa era descrita como uma verdadeira toupeira. Tanto que num descuido ela quase causa uma explosão num posto de gasolina. Sem falar que a pobre coitada era tratada como um estorvo pelo marido, que demonstrava uma impaciência cada vez maior com ela, sem nem levar em consideração o fato da coitada estar grávida. Apesar de escrito nos anos setenta e por isso relativamente recente, o livro passa uma misoginia atroz, principalmente pelo fato de retratar um casal jovem, instruído, que vivia numa grande cidade e portanto deveria ser menos estereoripado.

Mas com exceção desses detalhes, é uma leitura gostosa, envolvente e ágil. Conforme é mencionado no prefácio, o livro já foi concebido com a intenção de se tornar um roteiro, tanto que virou filme, por isso a linguagem é cinematográfica. As cenas se desenrolam numa sequência bem dinâmica, fazendo com que as páginas voem sem que se perceba até chegar a um final impactante. Não é uma obra excepcional, mas para quem gosta do tema de crianças malvadas, vale a pena incluir mais essa curiosidade na coleção.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Em Um Bosque Muito Escuro - Ruth Ware




Sinopse 

A britânica Ruth Ware alcançou as listas dos mais vendidos do The New York Times, USA Today e Los Angeles Times com este surpreendente romance de estreia que chega ao Brasil pela coleção de suspense Luz Negra. Em um bosque muito escuro é narrado por uma escritora reclusa que aceita o convite para a despedida de solteira de uma amiga de escola com a qual não tinha contato há anos. Quarenta e oito horas depois de chegar ao local da festa, uma casa de campo isolada, ela desperta numa cama de hospital, com a devastadora certeza de que alguém está morto. E mais do que tentar lembrar o que aconteceu no fatídico fim de semana, precisa descobrir o que fez. Com uma atmosfera inquietante, em que segredos do passado são revelados aos poucos e as relações se constroem pelo entrelaçamento de admiração, carinho, inveja e ressentimentos.

Resenha

O livro é dividido em dois períodos. No presente, encontramos Nora, uma escritora de suspense internada num hospital, com uma amnésia pós traumática e a única coisa que é capaz de supor é que algo de terrível aconteceu. No passado recente, Nora recebendo o convite para a despedida de solteira de uma amiga que não vê há dez anos e partindo para o local combinado, uma casa de vidro num local isolado, onde até mesmo o sinal de celular é precário.

Isso foi o que mais gostei no livro. Eu simplesmente sou fissurado em histórias com pessoas confinadas num lugar isolado. A tensão da convivência forçada, os conflitos psicológicos, a ameaça de algum perigo iminente. A autora soube explorar muito bem essa situação, colocando um grupo heterogêneo de pessoas numa casa de vidro, onde poderiam ser observados por quem quer que se escondesse na floresta ao redor. O suspense psicológico é muito envolvente, pois você sabe que há algo errado naquele lugar, que algo de ruim está para acontecer, mas não sabe de onde virá a facada. Sem falar nos diálogos e na interação entre os personagens, que deixa muita coisa nas entrelinhas, fazendo você se perguntar o que cada um tem a esconder. É claro que é tudo muito clichê, que o livro não traz nada que de novo nesse sentido, mas o efeito é um clima de mistério muito instigante.

Quando a narrativa se deslocou em definitivo para o período presente, já na reta final, perdi um pouco do entusiasmo, pois preferia muito mais a atmosfera de quando os personagens se encontravam isolados. Mas nem por isso o livro perdeu o foco. Pelo contrário, muitos mistérios surgem e, junto da protagonista, vamos reconstituindo os fatos que a levaram até aquele hospital.

O livro tem muitos defeitos, como o texto fraco, os personagens sem carisma, as situações bizarras que a autora criou, como uma despedida de solteira no meio do nada, a atitude da totalmente sem noção da protagonista nas páginas finais e o final previsível. Mas vale pela atmosfera de mistério. Um livro despretensioso, mas que me rendeu bons momentos de leitura, que me fizeram dar um desconto ao estlio desajeitado da autora. Espero que, diferente do que costuma acontecer no Brasil, onde as editoras a abandonam suas coleções no caminho, a Rocco leve adiante essa série Luz Negra e possamos conhecer muitos outras revelações da literatura de suspense.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Metas literárias para 2017



Feliz ano novo pra vocês! Espero que tenham passado bem. E comecemos 2017 já fazendo planos. Esse ano pra mim será corrido, mas como já pude comprovar por experiência própria, quanto mais ocupados estamos, maior é a nossa capacidade de administrar nosso tempo. Por isso, quero continuar com o blog e organizar minhas leituras. Nunca estipulei nenhuma meta literária pois achava que não iria cumprir, mas no final desse ano que passou consegui reduzir em muito os livros não lidos da minha estante e com isso me animei pra me planejar melhor nesse ano. Aí vão então minhas metas literárias para 2017.

Reduzir ao máximo meus não lidos

Pra mim, comprar livros é algo tão prazeroso quanto ler. Não consigo passar na frente de um sebo sem entrar e mais difícil ainda é sair sem levar nada. Por isso compro muito mais livros do que eu consigo ler e chega um momento em que o acúmulo de volumes não lidos me dá aflição. Mas esse ano quero reduzir ao máximo possível minhas leituras pendentes. São cerca de trinta livros acumulados e, descontando aqueles que certamente vou abandonar, lendo pelo menos dois por mês eu bato minha meta.


Retomar minhas séries

Em 2015 li o primeiro livro dos Arquivos Bower, série de Steven James, e achei fabuloso. Mas até agora não li mais nenhum volume. Preciso corrigir isso. Tenho O Bispo, quarto livro da serie, mas preciso adquirir os anteriores. A série Mortal de J.D Robb é outra que empaquei no primeiro volume. Quero continuar com a série Myron Bolitar e espero que a Arqueiro continue publicando até fechar a coleção e eu poder ler na ordem, pois parei em Detalhe Final. Darei mais uma chance à J. R. Ward e sua Irmandade da Adaga Negra, lendo O Rei. A série está pior à cada volume e não sei se vale a pena continuar. Preciso também me atualizar com Dan Brown, autor que não leio há muitos anos. Em setembro será lançado Origin, nova aventura de Robert Langdon e quero estar em dia com o personagem.


Releituras

Reler um livro é sempre uma emoção. Mas com tanta coisa nova sendo lançada fica difícil reler tudo o que eu quero. Compro muitos livros que já li há muito tempo e é frustrante deixá-los esperando. Mas esse ano pretendo fazer pelo menos uma releitura por mês. Em 2017 fará dez anos que li meu primeiro livro de Tess Gerritsen, que foi O Cirurgião e já está na hora de fazer uma retrospectiva da série Rizzoli e Isles. Quero muito reler os livros de Robin Cook da série Jack Staplenton e Laurie Montgomery. Muitas obras de Dean Koontz também estão implorando uma releitura. E é claro, Sidney Sheldon, autor por quem tenho um imenso carinho. Revisitar suas obras sempre me dá uma sensação reconfortante.


Stephen King

Esse ano quero zerar meus livros do Stephen King (calma, já li a maioria dos livros dessa foto) para assim poder comprar outros. Desde o lançamento de Cujo que o estou namorando, mas não quero deixar os antigos encostados por mais tempo. Comprei Sob a Redoma e Trocas Macabras em 2015 e ainda não consegui ler. Sem falar em Duma Key, que comprei ano passado. E adoraria começar a série A Torre Negra, mas acho que não vai rolar.

Comprar menos livros

Mas nada disso que planejei será possível se eu continuar comprando livros como se não houvesse amanhã. Compro em média cinco livros por mês, o que não é muito, mas em 2015 cheguei a comprar mais de dez de uma vez só, aproveitando ofertas e por isso a leitura pendente se acumulou assustadoramente. Esse ano não quero comprar mais de três por mês, até porque tem os livros da parceria com a Record, caso esta continue vigente, ainda não sei. Dessa forma será matematicamente impossível eu não deixar a leitura em dia. Pois, apesar de ser muito gostoso ter uma estante cheia de livros inéditos pra você escolher, sinto falta daquela sensação de comprar um livro novo quando não se tem nada de bom pra ler.

E são essas minhas metas, pessoal. Não parece ser difícil, mas só tentando pra saber. Espero que no final do ano voltemos a conversar sobre esse assunto e eu tenha cumprido pelo menos grande parte do que planejei.