quarta-feira, 11 de outubro de 2017

O Segredo do Meu Marido - Liane Moriarty



Sinopse

Cecilia Fitzpatrick é uma mulher realizada. É bem-sucedida no trabalho, um pilar de sua pequena comunidade, uma esposa devotada. Uma mulher que mantém uma vida rigidamente organizada. Mas uma carta encontrada por acaso no sotão, escrita por seu marido, com instruções para ser lida somente após a sua morte, pode mudar tudo. E não apenas para ela: Rachel e Tess mal conhecem Cecilia - ou uma à outra -, mas também estão prestes a sentir as repercussões do segredo do marido dela. Emocionante, O Segredo do Meu marido é um livro que nos faz indagar até onde conhecemos nossos companheiros - e, em última instância, a nós mesmos.

Resenha

O que mais me impressionou nesse livro foi o texto, extremamente introspectivo, mas fluído, de leitura muito agradável. Mesmo narrado em terceira pessoa, conhecemos profundamente a alma de cada uma das três protagonistas, que dividem conosco seus dilemas, seus temores e suas lembranças. O livro é uma longa conversa com essas mulheres tão comuns e por isso tão verdadeiras e a habilidade da autora em nos conduzir por suas divagações sem perder o foco é algo raro de se encontrar nos livros atuais. É inevitável não se identificar com os personagens, volta e meia sentia como se elas encontrassem palavras para descrever sentimentos que já tive. Por isso a conexão com eles foi muito forte.

Cada uma delas está passando por uma situação difícil. Tess sofre uma grande traição; Rachel está desolada com a separação iminente de seu neto, que mudará de país e Cecile descobre que o marido guarda um grande segredo. Segredo esse cuja revelação não é tão surpreendente assim. Logo no início dá para supor o que Richard esconde, mas como o livro é um drama psicológico e não uma obra policial, isso não chega a ser frustrante. O enfoque é o dilema de Cecília, que por boa parte do livro se pergunta se deve ler a carta que guarda esse segredo e durante o restante da trama tem de lidar com o impacto que essa revelação tem em sua vida.

E, justamente por se tratar de um drama psicológico, eu não esperava aquele final tão impactante. A autora seguiu por um caminho, que pelo menos pra mim, foi muito inesperado. A narrativa gostosa, calma, sem sobressaltos, que discorre sem pressa pelos acontecimentos do cotidiano não deu nenhum prenúncio de que a autora escolheria uma maneira tão brusca de resolver os conflitos dos personagens. Fiquei chocado com o desfecho de todos aqueles dilemas, mas gostei do fato de Liane não ter pudor em colocar o dedo na ferida. Quero ler seus outros livros pois agora sei que posso esperar de tudo dessa autora.

Outro ponto curioso da narrativa são as referências à queda do muro de Berlin. A autora traça um paralelo entre esse fato histórico e os conflitos de Cecília, usando o acontecimento como uma metáfora para falar dos diferentes tipos de prisão em que as pessoas vivem. Dos riscos de romper essas barreiras, mas também sobre o tormento que é viver isolado dentro de nossas prisões, sejam ela na forma de culpa, mágoa, tristeza ou de uma mentira. É um livro que nos faz refletir sobre os segredos que cada um guarda e que tanto mantê-los em silêncio ou revelá-los pode ter consequências desastrosas. Livro bem diferente do que costumo ler, mas que me proporcionou uma belíssima experiência.



Nenhum comentário:

Postar um comentário