sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Minha Irmã Rosa - Justine Larbalestier



Sinopse

Muitas pessoas já chamaram seu irmão ou irmã de "mau". Mas o novo thriller de Justine Larbalestier sobre o verdadeiro mal na infância trata disso da forma mais literal – e perturbadora – possível. O ponto de vista do livro, do irmão mais velho, só colabora para tornar a narrativa ainda mais sufocante, impossível de abandonar. Afinal, como você se sentiria se a pessoa mais aterrorizante que você conhece fosse sua irmã de dez anos? Che Taylor tem dezessete anos e ama sua irmã mais nova, Rosa. Mas ele também tem certeza de que ela é uma psicopata – clinicamente ameaçadora e perigosa. Recentemente, Rosa tem causado alguns problemas, machucado coisas. Che é o único que sabe; ele é a única pessoa em quem sua irmã confia. Rosa é inteligente, talentosa, bonita e muito boa em esconder o que ela é e a manipulação de que ela é capaz.
Che sempre foi o porto seguro.

Resenha

Esse livro é apresentado como uma releitura do clássico Menina Má de Willian March, obra que fala sobre a psicopatia infantil, porém diferente de seu predecessor, é voltado para o público juvenil. Não curto livros desse estilo "jovem adulto", acho tudo muito bobo, mas recentemente li alguns que gostei bastante e, como costumo ler tudo o que sai sobre esse tema da maldade infantil, não podia deixar esse passar, apesar de ser um livro juvenil. Mas me ferrei legal com isso.

Assim como em Menina Má, o livro é narrado em primeira pessoa por um parente que desconfia de que um ente querido é um psicopata. Nesse caso o narrador é Che, um adolescente de 17 anos, praticante de boxe, cuja família vive sempre se mudando, o que o impede de criar raízes. Desde muito cedo Che tem notado que sua irmã Rosa tem um comportamento estranho para uma criança. Fria, sádica e manipuladora, à cada nova maldade que comete, a garota aumenta a convicção que seu irmão tem de que ela é uma psicopata.

O livro já começa me irritando com a mania do protagonista de se referir aos pais, que são todos metidos a progressistas, como "parentais". Que frescura é essa? À cada vez que eu lia esse termo, meu sangue subia. Além disso, logo fui constatando que o enredo era muito mais sobre um adolescente se adaptando a uma nova cidade do que sobre a psicopatia de Rosa. Fala-se muito sobre seu namoro, sobre a família da namorada, sobre seus amigos e sobre os amigos de seus amigos. Há inclusive um capítulo inteiro narrando a visita do rapaz a uma loja de grife, que achei totalmente desnecessário. Tudo bem que a maioria dos acontecimentos acabam sempre convergindo para Rosa, que representa uma ameaça constante a todos que cercam Che, mas é enrolação demais. Sem falar que os personagens são insuportáveis. Dos pais negligentes, à namorada insossa, da amiga cheia de querer dar alfinetadas, à própria Rosa, que atormenta o irmão com seus questionamentos sobre conduta, cujas explicações ela sempre distorce.

Como pontos positivos ressalto o enfoque científico. Não sabia, por exemplo, que uma ressonância magnética pode indicar pela morfologia do cérebro se alguém tem predisposição para apresentar psicopatia. As conclusões a que Che, como estudante de neurologia, chega ao analisar as ações da irmã, observando seus atos e identificando neles sinais de que seu comportamento apresenta um desvio de caráter patológico também são bem curiosos. E reconheço que nas 70 últimas o livro alcança um ritmo febril de thriller e revela uma grande surpresa. Mas nada disso salva a leitura, com seus dilemas adolescentes que não me despertaram nenhum interesse, diálogos idiotas e muito rodeio pra pouca ação. Se quiserem um bom livro sobre psicopatas infantis que remetam a Menina Má, há opções muito melhores como O Anjo Mau de Taylor Caldwell. Sei que o livro foi muito elogiado lá fora e até recebeu um prêmio, mas pra mim foi uma péssima leitura.

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