terça-feira, 5 de setembro de 2017

Um Estranho no Espelho - Sidney Sheldon


Sinopse 

Hollywood, a grande fábrica de ilusões. É na capital mundial do cinema que o jovem comediante Toby Temple faz de tudo para conseguir colocar seu nome no lugar mais alto dos letreiros luminosos. Uma posição que não se alcança apenas com talento, mas à custa de muito trabalho sujo, sexo por interesse e intrigas nos bastidores. Bem-sucedido, mas solitário, ele se apaixona por Jill Castle, uma candidata a estrela que se submetia aos desejos mais pervertidos dos produtores em troca de pequenos papéis. Porém, ele não pode saber do passado da amada, e ela lutará com todo o afinco para se manter como a esposa do famoso comediante.

Resenha

Sidney Sheldon é um dos meus autores preferidos, seus livros marcaram minha juventude e de vez em quando eu releio suas obras pra sentir aquele sabor nostálgico de uma época em que estava descobrindo a leitura. Não costumo fazer resenhas de todas as minhas releituras e no caso de Sheldon, essa será a primeira. E decidi fazê-la porque revisitar Um Estranho no Espelho quase vinte anos depois da última leitura foi uma experiência das mais gratificantes. O livro se inicia num navio, onde estranhos acontecimentos são o prenúncio de uma grande tragédia envolvendo os ilustres passageiros. O autor cria uma aura de mistério, soltando detalhes bizarros aqui e ali, pintando um quadro de terror. E após atiçar nossa curiosidade, volta no tempo, para contar a história de Toby Temple, um garoto pobre que deseja se tornar uma estrela do humor.

Um dos maiores trunfos do autor é a construção dos personagens. Sheldon conseguiu aprofundá-los sem ser prolixo. É fácil detestar Toby, com seu humor perverso, sua arrogância e seu egoísmo. Em alguns momentos ele parece apenas uma criança mimada, em outras um monstro capaz das piores crueldades quando alguém ousa ferir sua vaidade. Acredito que muitas estrelas da vida real sejam assim. Mas há também o outro lado de Toby. O garoto frágil, o amigo generoso e o homem triste e solitário que se esconde por trás do palhaço. O amor por sua mãe é um dos traços mais comoventes do protagonista.

Jill Castle também é uma personagem fascinante. Uma jovem que após uma grande decepção parte para Hollywood em busca da fama e ali só encontra mais miséria humana. Uma garota que sempre foi um fantoche do destino, sofrendo os mais diversos tipos de desilusões, até que quando conhece o já então famoso Toby Temple, finalmente dá a volta por cima e toma as rédeas de sua vida. Adorei a maneira como ela se vingou das pessoas que a feriram, amei a maneira como cuidou de Toby no momento em que ele mais precisou e me choquei com o gesto que cometeu na reta final. Jill me conduziu pelas mais diversas emoções, só o que não consegui foi julgá-la. Tantos anos depois e ainda não sou capaz de avaliar se sua conduta a transformou numa vilã ou se seu crime foi mais um golpe do destino.

Foi uma releitura que me deixou impressionado. Há coisas que não tinha experiência de vida o suficiente para compreender quando o li da primeira vez. A maneira como ele mostra que cada ruga, cada marca de expressão em sua imagem no espelho é um sinal de alerta do quanto o tempo é implacável. Que algumas oportunidades passam e não voltam, que por mais que lutemos é sempre o tempo quem vence no final. Coisas que com vinte anos ninguém compreende. Personagens muitos bem construídos, desenvolvidos com todo o cuidado, extremamente humanos, sem nenhum estereótipo. Uma trama impecável, sem furos, muito bem planejada. Que fala com propriedade sobre os bastidores do show bizz, área que o autor conhecia muito bem, pois foi um grande roteirista de cinema. E que nos presenteia com um tema que eu amo que é a vingança. Pois além da vingança de Jill, há outra, muito mais magistral. Do tipo, quem ri por último ri melhor. Tudo isso num texto incisivo, mas em alguns momentos muito delicado e reflexivo. Sem dúvida um dos livros mais bem escritos do autor. Não era um dos meus preferidos, mas passou a ser.

5 comentários:

  1. Li ele há bastante tempo, não tenho certeza sobre a história. É neste que a protagonista é dopada para fazer um filme sexual?

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    1. Me intrometendo na pergunta que você fez ao Ronaldo...rsrs Foi neste livro sim. A Jill sofre bastante. E isso volta para atormentá-la depois.

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    2. A Luna já respondeu, é esse mesmo.

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  2. Resenha maravilhosa, Ronaldo!

    Li este livro alguns anos atrás e lembro do quanto ele me marcou. Não sei dizer bem o que sinto pela Jill, mas também fiquei muito chocada com o que ela fez. E o final... bem parecido mesmo com uma tragédia grega. Nunca esqueci uma conversa que o Toby teve com a Jill em que ele confessou que tinha medo da água. Isso me causou um impacto enorme. Não o medo dele, mas o que você sabe que aconteceu no final. Isso foi imperdoável. Uma das piores traições. Porque ela não apenas o traiu, ela usou o medo dele.

    Bjs!

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    1. Verdade, se achou que era algo que devesse ser feito, poderia ter encontrado outra maneira.

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