sexta-feira, 8 de setembro de 2017

O Casal que Mora ao Lado - Shari Lapena


Sinopse 

É aniversário de Graham, e sua esposa, Cynthia, convida os vizinhos, Anne e Marco Conti, para um jantar. Marco acha que isso será bom para a esposa, afinal, ela dificilmente sai desde o nascimento da filha e da depressão pós-parto. Porém, Cynthia pediu que não levassem a bebê. Ela simplesmente não suporta crianças chorando.
Mas como a distância é mínima,  levam a babá eletrônica e se revezam para dar uma olhada na filha. Tudo vai dar certo. Porém, ao voltarem da festa, a porta da frente está aberta e Cora desapareceu. Logo o rapto da filha faz Anne e Marco se envolverem em uma teia de mentiras, que traz à tona segredos aterradores.

Resenha

No início não estava dando nada pelo livro. Achei a escrita desleixada, os personagens superficiais demais e nem mesmo o mistério de quem sequestrou a criança me deixou curioso. Além da narrariva no presente, que é algo que me incomoda. Por mais que a investigação andasse, que novas pistas fossem surgindo a todo momento, que acontecimentos intrigantes dessem uma aquecida na narrativa, não conseguia me conectar com o livro de modo algum.

Mas de repente, um pouco antes da metade, a história dá uma guinada tão inesperada que não conseguia mais interromper a leitura. Parte do mistério é revelada e então o enredo passa a focar mais nas consequências daquele sequestro do que na descoberta do criminoso. A vida de um personagem vira do avesso. Um erro vai levando a outro até que essa pessoa se vê totalmente emaranhada numa trama que ela própria armou. As coisas vão se complicando à cada página, o que me deixava cada vez mais curioso pra saber qual seria o fim daquela comédia de erros.

A partir daí os personagens se tornaram mais interessantes. Aos poucos a autora os aprofunda, tornando-os cada vez mais humanos, cheios de conflitos e dramas do passado. Anne, a protagonista se afunda cada vez mais no desespero, com suas estruturas ruindo com a falta de respostas sobre o destino da filha, tendo de lidar com as suspeitas da polícia e com o assédio da imprensa. Michael, o marido, além de passar por tudo o que a esposa passa ainda sofre humilhações do sogro, que nunca aprovou o casamento deles, sentindo-se excluído de sua própria família num momento de crise, quando todos deveriam estar unidos. Somente o deterive é quem não evolui dentro do livro, sendo apenas o cara que investiga, sem uma personalidade, sem maneirismos e sem vida pessoal.

O final foi até certo ponto previsível devido a uma macete que aprendi lendo livros policiais. Não dá pra falar qual é a pista que me levou a desconfiar de que essa pessoa estava envolvida no sequestro, porque senão vocês matam a charada. Mas mesmo antecipando a revelação da identidade do grande culpado, queria saber de cada detalhe e tudo foi explicado minuciosamente. Além disso houve outra revelação, não ligada diretamente ao sequestro, que me pegou de surpresa e fiquei admirado com a capacidade da autora de ligar todos os núcleos de personagens no final. Só o acontecimento da última página é que achei desnecessário. A pessoa em questão sofreu demais no livro pra que acontecesse mais aquilo. Entre tropeços e acertos, o saldo final é que não é um bom livro, mas é uma ótima leitura. Leiam e entendam.

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