terça-feira, 12 de setembro de 2017

Gênese - Karin Slaughter


Sinopse

Uma caçada a uma mente doentia que está prestes a dar vazão a toda a crueldade de que a natureza humana é capaz. Quando uma paciente chega à emergência do hospital Grady gravemente ferida, a médica Sara Linton se depara com um mundo de violência e terror. A mulher foi atropelada por um carro, mas, completamente nua, com marcas de tortura pelo corpo, ela parece ter sido vítima de uma mente muito perturbada.
A polícia começa a investigação e o detetive Will Trent logo descobre uma câmara subterrânea que esconde uma revelação macabra: a mulher que deu entrada no hospital não foi a única vítima desse sádico.
Com a ajuda da Dra. Linton, Will e a sua parceira, Faith Mitchell, mergulham na caça ao assassino. Quando outra mulher desaparece sem deixar vestígios, a verdade os atinge como um golpe brutal: o esconderijo do assassino foi descoberto, mas ele continua em ação. Agora os três são o único obstáculo entre um louco e sua próxima vítima.

Resenha

Nesse livro Karin Slaughter une suas duas séries, a de Granty Count, iniciada no livro Cega, com a médica Sara Linton como protagonista e a série de Will Trent, iniciada em Tríptico. Já li ambos os livros mencionados, mas nem todos os volumes das séries, mas isso não prejudicou minha leitura. Foi bacana reencontrar Will, o tira disléxico. No primeiro livro não gostei muito do personagem, mas dessa vez ele me conquistou. Um policial que além de desempenhar uma profissão arriscada, ainda tem de esconder sua deficiência dos colegas. Will tem um senso de ética muito grande, é sensível e polido a ponto de nem parecer um policial. Sem falar da infância sofrida, crescendo num orfanato. Quanto à Sara Linton, achei-a bem diferente da personagem que havia conhecido. Após a grande tragédia que a fez mudar de cidade para começar uma nova vida, a médica tornou-se uma pessoa fechada, deprimida e antisocial, dedicando-se apenas ao trabalho. Mas, nesse quesito, Sara não mudou. Quando suas habilidades de clínica e legista são necessárias, ela age com a mesma paixão, competência e precisão de antes.

O livro já começa tenso, com a vítima de um maníaco escapando do cativeiro e dando entrada na emergência do hospital. Logo seu cativeiro é encontrado e quando a polícia chega lá a visão do local é um cenário de puro horror. Só o que Will encontra dentro daquele buraco já vale a leitura. E à cada nova pista, à cada nova vítima encontrada nos é revelado um detalhe mais chocante que o outro. Parece não haver limites para o sadismo do assassino. Além disso, seus atos são repletos de simbolismo, aumentando a curiosidade sobre o que ele quer dizer com seus crimes.

E as vítimas também são um atrativo à parte. Mulheres com vidas envoltas em mistério, com um passado sofrido e com um estilo de vida muito peculiar. Foi muito instigante acompanhar a investigação que os detetives fizeram sobre a vida de cada uma delas, esmiuçando sua intimidade, desvendando os segredos que a transformaram naquele tipo de pessoas e procurando pistas que as ligassem. Adoro livros onde as vítimas são investigadas, onde cada interrogatório com as pessoas que as conheceram vai fornecendo pistas sobre o que possa tê-las tornado um alvo.

Só gostaria que houvesse mais foco na investigação do que nos dramas particulares dos protagonistas. Não que a parte policial fique em segundo plano. Mesmo quando a narrativa se desloca para os dramas pessoais dos investigadores, para as lamentações de Sara e para a politicagem da polícia, há sempre alguma menção aos crimes. Mas geralmente são alusões repetitivas, remoendo as mesmas pistas sem que a investigação progrida rápido o suficiente pra tornar a leitura vibrante. Muitas vezes a polícia fica dando voltas sobre o mesmo assunto sem chegar a uma conclusão. Karin coloca uma lente de aumento sobre cada aspecto do enredo, principalmente sobre os problemas pessoais de seus heróis, o que os torna à cada página mais próximos do leitor, gerando uma grande empatia, mas atrasando a evolução da investigação, que é o que mais interessa. Preferia mais ritmo no parte policial, o que não quer dizer que esta seja tediosa. Muito pelo contrário. Mas é um livro muito bem escrito, que cria um vínculo forte com leitor a ponto de me deixar alucinado para ler os próximos e saber os próximos lances que ocorrerão em suas vidas tão complicadas.



Nenhum comentário:

Postar um comentário