terça-feira, 15 de agosto de 2017

Ninféias Negras - Michel Bussi



Sinopse

Giverny é uma cidadezinha mundialmente conhecida, que atrai multidões de turistas todos os anos. Afinal, Claude Monet, um dos maiores nomes do Impressionismo, a imortalizou em seus quadros, com seus jardins, a ponte japonesa e as ninfeias no laguinho. É nesse cenário que um respeitado médico é encontrado morto, e os investigadores encarregados do crime se veem enredados numa trama em que nada é o que parece. Como numa tela impressionista, as pinceladas da narrativa se confundem para, enfim, darem forma a uma história envolvente de morte e mistério em que cada personagem é um enigma à parte - principalmente as protagonistas. Três mulheres intensas, ligadas pelo mistério. Uma menina prodígio que deseja se tornar uma grande pintora. A professora da única escola local, que deseja uma paixão verdadeira e vida nova, mas está presa num casamento sem amor. E, no centro de tudo, uma senhora idosa que observa o mundo do alto de sua janela.

Resenha

Uma das coisas que mais me encantou nesse livro foi o texto sublime de Michel Bussi. Cada frase tem uma cadência delicada, cada sentença cuidadosamente elaborada, uma elegância na escrita que se tornou rara na literatura policial ultimamente. E mesmo sendo um texto bem elaborado a leitura é muito fluída. Sem falar na ambientação, deu muita vontade de conhecer a cidade de Giverny, e olhem que não entendo nada de arte. Mas se a escrita é primorosa, não posso dizer o mesmo do desenvolvimento do enredo. O livro é arrastado, não porque a narrativa seja lenta, mas porque é tudo muito desconexo o que me fez apreciar o texto, mas não me conectar muito com a história.

Temos três protagonistas muito peculiares: uma senhora de oitenta anos, amargurada com a vida, uma mulher de trinta e poucos anos vivendo um casamento infeliz e uma menina de onze anos que é um prodígio na pintura. Cada uma delas tem uma importância vital nos acontecimentos e o que cria uma grande expectativa no livro é saber qual a ligação entre as três. Ligação essa, que parece ser a chave de um crime perpetrado nos jardins de Monet. Além das três protagonistas vivendo cada uma seus conflitos, há também umas dupla de investigadores, só que essa me irritou aos extremos. Os caras parecem dois patetas andando em volta do próprio rabo. No início até curti o humor inocente que havia em suas cenas, mas quando percebi que iam ficar naquilo, se comportando como dois idiotas e não fazendo nenhum avanço na investigação, perdi a paciência.

Das três mulheres, embora todas tenham sido bem era retratadas, a senhora idosa foi a única que me conquistou, com sua visão cítrica da vida, acompanhando de longe a vida dos moradores. Seu texto era em primeira pessoa e eu adorei cada cena em que ela apareceu. Achei-a uma personagem extremamente rica, tanto que ela praticamente não interagia com ninguém o livro todo, exceto com seu pastor alemão, mas sua narrativa era a mais profunda. E outro personagem apaixonante foi o cachorro, que vivia perambulando pelo vilarejo e servindo de elo entre os núcleos de personagens. Ele parecia estar em todas.

Mas mesmo com alguns atrativos a leitura foi muito irregular, me entediando muito mais do que me prendendo. Até que faltando umas cinquenta páginas para o final é feita uma revelação tão inesperada que eu fiquei atordoado. Fiquei tão perplexo que minha vontade era voltar a leitura do início para entender como aquilo poderia ser possível. Num primeiro momento alguns acontecimentos não se encaixavam, mas pouco a pouco o autor foi explicando cada detalhe e quando o quebra cabeças foi montado fiquei em êxtase com o brilhantismo da história. Não me refiro à identidade do assassino, isso não me surpreendeu, foi uma solução até medíocre, mas sim a ligação que havia entre as protagonistas. Foi um final original, lindo e talvez o mais surpreendente que eu li na minha vida. Até hoje, mais de uma semana após o término da leitura, ainda estou maravilhado com a originalidade de Bussi. E se não estivesse com muitas leituras pendentes, começaria a relê-lo imediatamente, para me atentar à cada detalhe e encarar essa história por uma perspectiva diferente. E a última cena é até covardia de tão comovente. Apesar de alguns pontos negativos, recomendo demais a leitura, pois quero que outras pessoas tenham a mesma sensação que eu tive.



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