quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Entre Quatro Paredes - B. A. Paris


Sinopse

Grace é a esposa perfeita. Ela abriu mão do emprego para se dedicar ao marido e à casa. Agora prepara jantares maravilhosos, cuida do jardim, costura e pinta quadros fantásticos. Grace mal tem tempo de sentir falta de sua antiga vida. Ela é casada com Jack, o marido perfeito. Ele é um advogado especializado em casos de mulheres vítimas de violência e nunca perdeu uma ação no tribunal. Rico, charmoso e bonito, todos se perguntavam por que havia demorado tanto a se casar. Os dois formam um casal perfeito. Eles estão sempre juntos. Grace não comparece a um almoço sem que Jack a acompanhe. Também não tem celular, que ela diz ser uma perda de tempo. E seu e-mail é compartilhado com Jack, afinal, os dois não guardam segredos um do outro. Parece ser o casamento perfeito. Mas por que Grace não abre a porta quando a campainha toca e não atende o telefone de casa? E por que há grades na sua janela? Às vezes o casamento perfeito é a mentira perfeita.

Resenha 

Sabe aquela sensação de dinheiro bem gasto? Foi o que senti lendo esse livro. Um livro despretensioso, mas que me prendeu de um jeito que eu não sosseguei enquanto não terminou. Em muito devido à situação desesperadora da protagonista e sua luta solitária contra um inimigo cruel, sádico, dotado de uma inteligência perversa e quase onipotente: seu proprio marido.

Pisarei em ovos pra fazer essa resenha, pois um dos grandes lances dessa leitura é descobrir o enredo aos poucos. É notar que há algo de errado com os personagens, mas não saber exatamente o quê, ser pego pela mão da autora e levado ao passado, onde aquele relacionamento começou e acompanhar a trajetória de Grace, que achava ter encontrado o príncipe encantado, mas viu rapidamente seu adorável marido se transformar em seu carcereiro.

Apesar de numa primeira impressão a situação da personagem parecer forçada, pois em alguns momentos não dá pra acreditar que uma pessoa possa cair numa armadilha daquelas, se tornando refém de alguém sem reagir, aos poucos a autora vai mostrando o quanto o medo pode nos paralisar e nos transformar numa marionete nas mãos de uma pessoa mal intencionada. A maneira como Jack, o marido, manipula os acontecimentos fazendo com que a esposa sempre caia em suas armadilhas, ficando sempre em desvantagem e se emaranhado cada vez mais na teia que ele criou é desesperadora. Comprei a briga da protagonista e queria entrar na história para ajudá-la a encontrar uma saída para o tormento que se tornou a sua vida. Fiquei muito aflito em grande parte do livro, querendo chegar logo ao final para saber como tudo se resolveria. Senti muita raiva do marido, que levava sempre a melhor. Ele sempre estava um passo à frente e eu ficava desolado sempre que as tentativas de Grace de escapar eram frustradas. Sem falar nas torturas psicológicas, que nunca eram gratuitas. Cada humilhação, privação ou ameaça que a protagonista sofria tinha um propósito dentro do objetivo final do psicopata com quem havia se casado.

Só achei que faltou mais emoção no final. Não que tenha sido corrido, mas senti falta de sobressaltos, reviravoltas, imprevistos. Mas ainda assim gostei muito do desfecho, que foi redondinho, com o suspense permanecendo até as ultimas linhas e com uma atitude linda de uma certa personagem que me surpreendeu pela sua inteligência. Um livro que fala sobre o quanto as pessoas são capazes dos maiores sacrifícios para proteger aqueles que amam, mas há também o outro lado da moeda: pessoas capazes de usar esse sentimento em proveito próprio da maneira mais torpe.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Ninféias Negras - Michel Bussi



Sinopse

Giverny é uma cidadezinha mundialmente conhecida, que atrai multidões de turistas todos os anos. Afinal, Claude Monet, um dos maiores nomes do Impressionismo, a imortalizou em seus quadros, com seus jardins, a ponte japonesa e as ninfeias no laguinho. É nesse cenário que um respeitado médico é encontrado morto, e os investigadores encarregados do crime se veem enredados numa trama em que nada é o que parece. Como numa tela impressionista, as pinceladas da narrativa se confundem para, enfim, darem forma a uma história envolvente de morte e mistério em que cada personagem é um enigma à parte - principalmente as protagonistas. Três mulheres intensas, ligadas pelo mistério. Uma menina prodígio que deseja se tornar uma grande pintora. A professora da única escola local, que deseja uma paixão verdadeira e vida nova, mas está presa num casamento sem amor. E, no centro de tudo, uma senhora idosa que observa o mundo do alto de sua janela.

Resenha

Uma das coisas que mais me encantou nesse livro foi o texto sublime de Michel Bussi. Cada frase tem uma cadência delicada, cada sentença cuidadosamente elaborada, uma elegância na escrita que se tornou rara na literatura policial ultimamente. E mesmo sendo um texto bem elaborado a leitura é muito fluída. Sem falar na ambientação, deu muita vontade de conhecer a cidade de Giverny, e olhem que não entendo nada de arte. Mas se a escrita é primorosa, não posso dizer o mesmo do desenvolvimento do enredo. O livro é arrastado, não porque a narrativa seja lenta, mas porque é tudo muito desconexo o que me fez apreciar o texto, mas não me conectar muito com a história.

Temos três protagonistas muito peculiares: uma senhora de oitenta anos, amargurada com a vida, uma mulher de trinta e poucos anos vivendo um casamento infeliz e uma menina de onze anos que é um prodígio na pintura. Cada uma delas tem uma importância vital nos acontecimentos e o que cria uma grande expectativa no livro é saber qual a ligação entre as três. Ligação essa, que parece ser a chave de um crime perpetrado nos jardins de Monet. Além das três protagonistas vivendo cada uma seus conflitos, há também umas dupla de investigadores, só que essa me irritou aos extremos. Os caras parecem dois patetas andando em volta do próprio rabo. No início até curti o humor inocente que havia em suas cenas, mas quando percebi que iam ficar naquilo, se comportando como dois idiotas e não fazendo nenhum avanço na investigação, perdi a paciência.

Das três mulheres, embora todas tenham sido bem era retratadas, a senhora idosa foi a única que me conquistou, com sua visão cítrica da vida, acompanhando de longe a vida dos moradores. Seu texto era em primeira pessoa e eu adorei cada cena em que ela apareceu. Achei-a uma personagem extremamente rica, tanto que ela praticamente não interagia com ninguém o livro todo, exceto com seu pastor alemão, mas sua narrativa era a mais profunda. E outro personagem apaixonante foi o cachorro, que vivia perambulando pelo vilarejo e servindo de elo entre os núcleos de personagens. Ele parecia estar em todas.

Mas mesmo com alguns atrativos a leitura foi muito irregular, me entediando muito mais do que me prendendo. Até que faltando umas cinquenta páginas para o final é feita uma revelação tão inesperada que eu fiquei atordoado. Fiquei tão perplexo que minha vontade era voltar a leitura do início para entender como aquilo poderia ser possível. Num primeiro momento alguns acontecimentos não se encaixavam, mas pouco a pouco o autor foi explicando cada detalhe e quando o quebra cabeças foi montado fiquei em êxtase com o brilhantismo da história. Não me refiro à identidade do assassino, isso não me surpreendeu, foi uma solução até medíocre, mas sim a ligação que havia entre as protagonistas. Foi um final original, lindo e talvez o mais surpreendente que eu li na minha vida. Até hoje, mais de uma semana após o término da leitura, ainda estou maravilhado com a originalidade de Bussi. E se não estivesse com muitas leituras pendentes, começaria a relê-lo imediatamente, para me atentar à cada detalhe e encarar essa história por uma perspectiva diferente. E a última cena é até covardia de tão comovente. Apesar de alguns pontos negativos, recomendo demais a leitura, pois quero que outras pessoas tenham a mesma sensação que eu tive.



quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Indesejadas - Kristina Ohlsson


Sinopse

Uma garotinha desaparece de um trem com destino ao centro de Estocolmo. Parece ser um caso clássico de disputa familiar pela guarda de uma criança. No entanto, quando a menina é encontrada morta no extremo norte da Suécia, com a palavra “indesejada” escrita na testa, o caso toma proporções críticas. Em outra parte da Suécia, uma jovem vive oprimida pelo homem que um dia pensou ser seu príncipe encantado – e ela sabe melhor do que ninguém o motivo pelo qual a menina sumiu. A analista criminal Fredrika Bergman, a única com formação acadêmica entre os policiais, trava uma difícil batalha para conduzir o caso por uma linha de investigação diferente daquela escolhida pelo restante da equipe. O caso ganha contornos dramáticos, e o que todos temiam não pode ser evitado. A equipe deve se apressar para chegar ao agressor antes que mais vidas sejam perdidas.

Resenha

Ultimamente tem sido difícil encontrar uma série policial que realmente me dê gana de acompanhar. Há muito que procuro uma série que me faça me apaixonar pelos personagens e aguardar ansiosamente pelo próximo volume. E quando soube do trabalho de Kristina Ohlsson, tive esperança de que me encontraria novamente numa série policial. Comecei a série pelo segundo livro, do qual gostei bastante, só um pequeno detalhe no final que me incomodou e parti então para o início de tudo, lendo esse primeiro volume.

Há um grande destaque para a equipe policial que investiga os crimes, a autora explora a fundo a vida pessoal dos três detetives e acho isso bacana quando os personagens são interessantes, o que não é bem o caso. Fredrika, que seria a protagonista tem um passado traumático, uma paixão pela música que não pôde ser plenamente realizada e um relacionamento não muito convencional. Ou seja, tinha tudo para ser uma grande personagem, mas não tem carisma. Não consegui me conectar com os dramas da heroína, achei-a apática demais. Como detetive a achei competente, com uma mente analítica, chegando à conclusões muito antes de seus parceiros. Mas mesmo assim, faltou paixão em seu trabalho. Alex, seu chefe, até que é um cara legal, mas sua vida pessoal não tem conflitos. Pelo menos não no primeiro livro. Só Peder, o detetive esquentadinho, foi quem conseguiu me cativar, com seu temperamento forte e seus problemas matrimoniais. É o único da equipe que parece ter sangue nas veias.

A trama policial é boa, mas também não é tão empolgante assim. O início é bem intrigante, o desaparecimento da criança e a maneira como ela é encontrada, com a palavra "indesejada" escrita na testa tem um apelo dramático muito forte. A motivação do crime é um grande mistério e à medida que fica claro que a chave do segredo está na mãe e não na criança, esmiuçamos seu passado junto dos detetives, procurando pistas em cada interrogatório que fazem com seus parentes, amigos e conhecidos. O livro tem muitos personagens. São diversos pontos de vista, inclusive o da cúmplice do criminoso, que sofre um relacionamento abusivo com ele. Mas, apesar de sua narrativa aos poucos esclarecer ao leitor alguns detalhes de como os crimes foram cometidos, sua real identidade permanece oculta até quase o final.

O final me frustrou bastante no que se refere à identidade do assassino. Esperava uma surpresa, que não aconteceu. Mas teve bastante emoção, com uma situação bem tensa nas páginas finais. O texto de Kristina é bem fluído, as páginas voam sem que se perceba, e talvez tenha sido por isso que terminei a leitura tão rápido. Não pela trama ser envolvente, mas pela escrita fluída, dinâmica, alternando os pontos de vista. A autora dosa muito bem as cenas de investigação com a vida pessoal dos personagens, além das rixas entre os investigadores. Por ter havido um desenvolvimento maior das tramas pessoais de cada um dos investigadores no segundo livro, vou prosseguir com a série e ler o terceiro, Desaparecidas, que parece bem sombrio e conto pra vocês se vale a pena continuar acompanhando a série.