sexta-feira, 21 de julho de 2017

Eu Sei Onde Você Está - Claire Kendall


Sinopse

Rafe está em todos os lugares. E Clarissa vai encontrá-lo, mesmo sendo a última coisa que gostaria que acontecesse. Vai encontrá-lo na universidade onde ambos trabalham, na estação de trem, no portão de seu predio. Desde a noite traumática que passaram juntos alguns meses antes, ela se vê em uma armadilha da qual não consegue escapar. E ele se recusa a aceitar um não como resposta. A única saída de Clarissa são as sete semanas que passará em um tribunal, onde foi escalada para compor um júri popular. A vítima em questão viveu experiências que revelam uma similaridade macabra com a vida da jurada. Conforme o julgamento se desenrola, Clarissa percebe que, para sobreviver às investidas obcecadas de Rafe, será necessário se arriscar. Começa então a reunir evidências da insanidade do perseguidor para usá-las contra ele e relata todo o terror psicológico e físico a que é submetida, o que a obriga a reviver cada momento doloroso. Um retrato perturbador de uma mulher perseguida, determinada a sobreviver.

Resenha

Esse livro é narrado de uma maneira inusitada. Parte dela é escrita em segunda pessoa, num passado recente. O ponto de vista é o de uma mulher que se dirige a um homem que passou a persegui-la após uma noite de sexo. É como se ela estivesse escrevendo uma carta a ele, relatando tudo o que ele lhe fez, desabafando sua angústia diante de seu assédio incessante. E há também a narrativa em terceira pessoa, já no tempo presente, onde essa mesma mulher atua como jurada num caso de estupro coletivo. No início fiquei um pouco confuso com essa alternância. Livros divididos entre primeira e terceira pessoa são comuns, mas em segunda é novidade pra mim. Mas a história é tão instigante que logo me vi mergulhado na narrativa.

Minha empatia com Clarissa foi quase imediata. Uma heroína nada idealizada, humana, com defeitos e qualidades que se vê de repente perseguida por um cara que mal conhece. É um livro claustrofóbico, a autora consegue transmitir de modo visceral todo o desespero de uma mulher indefesa diante de um homem inteligente, astuto e sádico. É assustadora a maneira como ele invade a vida da jovem, atormentando-a com jogos psicológicos e também usando de violência física com uma naturalidade absurda. E é revoltante constatar o quanto ela se encontra impotente diante desse assédio que aos olhos das outras pessoas pode parecer algo inofensivo. A autora explora com muita competência a fragilidade de uma mulher sozinha diante de uma situação como essa, sua insegurança em pedir ajuda e se sentir julgada pela sociedade. Clarissa trava uma luta solitária contra um inimigo que guarda trunfos inesperados contra ela, mas sobre quem ela não sabe quase nada.

O livro tem um suspense crescente, com uma tensão que se intensifica à cada novo ataque que Clarissa sofre de seu perseguidor. Dá muita aflição vê-la se esquivando como um animal acuado, se escondendo na segurança do tribunal onde atua como jurada, buscando a companhia de outras pessoas e até se refugiando nos braços de um outro homem, mas sempre guardando o segredo de sua situação.

A autora tem um texto muito rebuscado, mas bem fluído. Há muitas referências literárias usadas das maneiras mais oportunas, comparando algumas situações que a protagonista vivia a de personagens de livros famosos. Às vezes a apatia da protagonista me irrritava um pouco, torcia para que ela pedisse ajuda, que se abrisse com o cara que conheceu no tribunal, um bombeiro que é a própria imagem da segurança de que ela tanto necessita. Mas levando em conta o que seu perseguidor fez com ela deu para entender a sua relutância em confiar em outro homem. Foi um livro que mexeu bastante comigo e adoro leituras assim. Fiquei apreensivo, sofri, me surpreendi com as atitudes de alguns personagens, tive esperanças e decepções ao lado da protagonista. Mais do que um thriller o livro é um pedido de socorro.

2 comentários: