segunda-feira, 19 de junho de 2017

Sete livros que me assombraram

Alguns livros fazem mais do que nos emocionar, intrigar, desafiar ou mesmo nos horrorizar. Eles causam reações quase físicas tamanho o impacto que tem sobre nós. E mesmo que sejam passageiras (graças a Deus), essas sensações tornam a leitura marcante em nossas vidas.


Quando os Adams Saíram de Férias

O livro conta a história de uma babá que ao acordar se descobre amarrada à cama por um grupo de crianças, aquelas que ela cuida e seus amigos. Até então isso não parece nada assustador, apenas uma brincadeira inocente. Mas conforme o tempo vai passando e a brincadeira de mau gosto vai dando lugar à torturas físicas eles percebem que foram longe demais e o medo das consequências os impede de soltar a jovem. O que me causou mal estar durante a leitura foi a frieza dessas crianças, principalmente da mais velha, que na verdade era uma adolescente. O livro transmite uma desesperança tão grande na raça humama, que fiquei deprimido durante dias e me desfiz da edição que eu tinha. É um livro que, apesar de entreter, te faz mal, parece que rouba sua fé na humanidade. Não leria de novo.


Fábrica de Vespas

É a história de um garoto que apresenta sinais de psicopatia e uma de suas primeiras vítimas é justamente uma criança de cinco anos. A execução desse crime foi a cena mais dolorosa que li nos últimos tempos. À medida que os planos do jovem assassino progrediam e eu via aquela criança se encaminhar para uma armadilha, entrei em desespero, pois não queria ler aquilo. E o que torna aquele ato tão repulsivo é a maneira como o psicopata se usa da inocência dessa criança para cometer sua atrocidade.


Represália

Outra história de horror envolvendo uma criança. Esse livro faz parte da quadrilogia O Ciclo do inimigo, que fala sobre uma criatura maligna que eventualmente surge na Terra para cometer suas terríveis atrocidades. Apenas o último não chegou ao Brasil, mas de todos os que li Represália é o que mais me impressionou. O livro tem um suspense psicológico dos mais bem elaborados e explora com  perversidade um relacionamento sadomasoquista entre uma solteirona e um rapaz misterioso. Quando falo em sadomasoquismo, não é no sentido sexual, mas psicológico. Essa relação doentia torna a leitura fascinante, mas o que me assombrou no livro foi um episódio que não tem muita relação com o tema principal: a cena de uma criança sendo enterrada viva. A atmosfera de terror que cerca esse momento do livro é de causar arrepios e entre tantas maldades cometidas pelo vilão ao longo da saga, foi a que mais me marcou.


Misery

Sei que Stephen King tem livros muito mais assustadores do que esse, mas o que, na minha opinião, torna Anne Wilkes muito mais temível que qualquer vilão sobrenatural de King é que ela é real. Ela existe sob muitos nomes diferentes por aí. É possivel que tenhamos cruzado com dezenas dela ao longo da vida sem perceber. Pessoas sádicas, mergulhadas tão profunfamente em seu egocentrismo que são capazes de de torturar outro ser humano para conseguirem o que querem. Traduzido no Brasil nos anos oitenta como Angústia, teve nesse título o mais apropriado, pois o livro passa essa exata sensação, ao narrar os momentos de tortura que uma vítima indefesa passava nas mãos de um calamidade em forma humana. Leitura maravilhosa, mas fiquei aliviado quando terminou.


Os Condenados

É uma história de fantasma, na qual o jovem Danny Orchar escapa vivo de um incêndio, mas sua irmã gêmea Ash não tem a mesma sorte e retorna do mundo dos mortos para infernizar a vida de seu irmão. Livros com temas sobrenaturais costumam me assustar menos do que histórias realistas, essa lista é um bom exemplo disso. Mas ocasionalmente me deparo com exceções e foi o caso da obra de Andrew.  Ash é uma garota perversa, que emana maldade e de maneira sutil manipula as pessoas para satisfazer seu sadismo. E se viva ela já era assustadora, depois de morta ela se torna uma praga. Ela não dá trégua às suas vítimas, perturbando-os a todo instante, causando pequenos acidentes que tiram a paz de toda uma família. Sem falar em suas aparições, que são terrificantes. Apesar do autor não se importar muito com estilo, em criar atmosferas, a naturalidade de seu texto, a assertividade em suas descrições, ele usa de poucas palavras pra descrever um cenário, mas é muito preciso, são arrebatadores o suficiente. Uma leirura que me deixou apreensivo.


Tannöd

Baseado num fato real, conhecido pela imprensa como o misterioso caso dos “Assassinatos de Hinterkaifeck”, o livro fala sobre uma família  que é encontrada morta numa fazenda na Alemanha, a Tannöd do título. Não há qualquer indício do assassino e muito menos do motivo. Os moradores da região se perguntam o que aconteceu naquele lugar e o enredo se desenvolve através do ponto de vista de diversos personagens ligados de alguma forma à vítimas da tragédia. Foi um livro que me deu arrepios. O texto direto, como se algum conhecido estivesse lhe contando a história dá um tom de realidade muito forte à leitura, como se todo aquele horror houvesse acontecido bem próximo de você. E a ideia de uma família inteira ser dizimada, e ainda mais de maneira tão violenta, é muito desoladora. A atmosfera do livro é densa, um clima de terror, como se algo de sobrenatural pairasse sobre os acontecimentos, mesmo que saibamos que não se trata de uma obra de fantasia. Sempre tem alguém vislumbrando algum vulto, ouvindo sons estranhos, percebendo que há algo errado. Alguns trechos são de gelar o sangue. Uma leitura rápida, mas dilacerante.


A Invasão dos Ratos

Uma grande metrópole é atingida por milhares de ratos, que organizam um ataque orquestrado contra a população que fica à mercê de um inimigo que tem a vantagem de estar por toda parte. Ratazanas enormes, que não poupam ninguém em seus ataques de ferocidade. Essas criaturas estão por toda a parte e logo a cidade se torna refém desses roedores. Essa premissa já é o suficiente pra deixar qualquer leitor aterrorizado. E pra mim que tenho verfadeira ojeriza a esses bichos foi pior. As cenas em que as pessoas são encurraladas por essas criaturas e devoradas sem chance de defesa são de embrulhar o estômago. Um livro de horror explícito, cuja trama é de uma simplicidade genial, usando nada mais que o medo que nós temos de que essa praga urbana com a qual convivemos se transforme em nosso predador.







8 comentários:

  1. Oii, tudo bem?
    Eu não conhecia a maioria desses livros, mas gostei muito das dicas. Há um tempo tenhonprocurado obras assim e acho que posso gostar muito. Já li "o demonologista", do Andrew, e achei a escrita muito bacana, apesar do final.
    Louca pra ler <3

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    1. Mesmo com tantos comentários negativos sobre o final quero muito lê-lo.

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  2. Já li "Quando os Adams saíram de férias ", o livro é realmente perturbador, concordo com o que você escreveu, a frieza das crianças é chocante! Nunca vou reler esse livro!

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  3. Olá Ronaldo! Nunca li nenhum desses livros mas todos me pareceram bem interessantes, mas tenho que estar com o psicológico muito bem preparado para começar a leitura.

    aboutbooksandmore.blogspot.com.br

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    1. Pra quem gosta desse estilo são todos bem recomendáveis.

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