quinta-feira, 22 de junho de 2017

A Vida em Tons de Cinza - Ruta Sepetys


Sinopse

1941. A União Soviética anexa os países bálticos. Desde então, a história de horror vivida por aqueles povos raras vezes foi contada. Aos 15 anos, Lina Vilkas vê seu sonho de estudar artes e sua liberdade serem brutalmente ceifados. Filha de um professor universitário lituano, ela é deportada com a mãe e o irmão para um campo de trabalho forçado na Sibéria. Lá, passam fome, enfrentam doenças, são humilhados e violentados. No entanto, aquele ainda não seria seu destino final. Mais tarde, Lina e sua família, assim como muitas outras pessoas com quem estabeleceram laços estreitos, são mandadas, literalmente, para o fim do mundo: um lugar perdido no Círculo Polar Ártico, onde o frio é implacável, a noite dura 180 dias e o amor e a esperança talvez não sejam suficientes para mantê-los vivos.

Resenha

Diferente da maioria dos livros sobre a Segunda Guerra, que se focam mais na Alemanha e nos horrores do nazismo, A Vida em Tons de Cinza fala sobre a invasão da Rússia aos países bálticos, o que deu início à União Soviética. Através da tocante história de uma família lituana deportada para a Sibéria, a autora relata toda a violência que serviu de prólogo para uma era de horror que tomou conta desses países.

Lina é uma adolescente de quinze anos, apaixonada pela arte, que retrata seus sonhos, anseios e paixões através de seus desenhos. Até que a brutal chegada dos russos interrompe sua vida até então perfeita. O livro já se inicia com a casa de Lina sendo invadida pelos soldados, que sem nenhuma explicação, arrastam sua família como animais para a carroceria de um caminhão, 
lançando-a numa verdadeira jornada rumo ao inferno.

A narrativa se divide em três partes. A viagem de trem que os prisioneiros de guerra fazem rumo a um campo de trabalho. A chegada e instalação deles nesse campo. E sua expatriação para a Sibéria, ou seja, para o fim do mundo. De todas as fases do livro, a melhor, mais dramática e envolvente é quando eles estão no campo de trabalho. Lá as relações entre os personagens se consolidam. Os prisioneiros criam fortes laços de amizade e essa é a única arma que eles têm contra os russos. A união lhes dá força para enfrentarem o frio, a fome e o desespero. Cada personagem reage de modo diferente diante das adversidades. O " Careca", com seu pessimismo; Jonas, no início uma criança inocente, mas que em pouco tempo amadurece e enfrenta com resiliência um sofrimento que parece não ter fim; Andrew com sua integridade, coragem e força; Elena
com sua dignidade inabalável. E a própria protagonista Lina, com sua inesgotável esperança, a despeito da realidade lhe dizer a todo instante que deve desistir. Uma artista que busca refúgio em seus desenhos, nos quais retrata toda aquela miséria humana.

A autora tem um texto sensível, transmitindo uma profunda melancolia conforme narra diversos tipos de violência que os personagens sofrem. Não é um livro deprimente, mas comovente. É difícil segurar o choro ao ler sobre as condições sub humanas nas quais aquele povo vivia. O livro faz refletir muito sobre a natureza humana. Será que a guerra, as adversidades e, principalmente, a impunidade nos transformam em monstros ou apenas revela quem somos de verdade? Afinal os russos são considerados os mocinhos na Segunda Guerra, são quem ajudaram os aliados a derrotarem a Alemanha. E no entanto seus soldados invadiam propriedades e escravizavam os cidadãos, agindo com uma crueldade repugnante. Mas assim como a autora explora esse lado vil da humanidade, também exalta a nobreza de sentimentos, falando de fraternidade, amor e perdão. Uma triste, mas linda homenagem a esse povo que mesmo após o fim da guerra teve de guardar silêncio durante décadas sobre esse episódio tenebroso.


Nenhum comentário:

Postar um comentário