sexta-feira, 30 de junho de 2017

A Desconhecida - Mary Kubika


Sinopse 

Todos os dias, a humanitária Heidi pega o trem suspenso de Chicago e se dirige ao trabalho, uma ONG que atende refugiados e pessoas com dificuldades. Em uma dessas viagens diárias ela se compadece de uma adolescente, que vive zanzando pelas estações com um bebê. As duas vivem nas ruas e estão sofrendo com a fome, a umidade e o frio intenso que castigam Chicago. Num ímpeto, Heidi resolve acolher Willow, a garota, e Ruby, a criança, em sua casa, provocando incômodo em seu marido e sua filha pré-adolescente. Arredia e taciturna, Willow não se abre e parece esconder algo sério ou estar fugindo de alguém. Mas Heidi segue alheia ao perigo de abrigar uma total estranha em casa. Porém Chris, seu marido, e Zoe, sua filha, têm plena convicção de que Willow é um foco de problemas e se mantêm alertas. Em um crescente de tensão, capítulo após capítulo a verdade é revelada e o leitor irá descobrir quem tem razão.

Resenha

É um livro com um ritmo bastante lento. A autora é bastante descritiva, não na ambientação, mas mergulhando na mente de cada personagem, dissecando suas almas, explorando seus anseios, preconceitos, frustrações e medos. E com um texto vívido ela narra a rotina de uma família e o impacto que a chegada de uma estranha causa sobre cada um dos membros e à maneira como se relacionam.

A narrativa se divide entre três personagens, sempre na primeira pessoa. Não caí de amores por nenhum deles, mas a autora é tão minuciosa na construção de cada um, que isso os torna muito convincentes e não há como não criar uma certa empatia por seus dilemas. Heidi, com sua mania de salvar o mundo como que para preencher um grande vazio deixado por uma tragédia do passado. Chris, o marido, que se sente incomodado com a presença de uma desconhecida em sua casa, temendo todos os perigos que implicam em acolher uma completa estranha. E Willow, a própria desconhecida do título, que narra sua história desde a infância. O fato de conhecermos o ponto de vista da jovem e seu passado tirou muito de meu entusiasmo pelo livro, pois achei que a história era sobre uma mulher misteriosa causando a discórdia numa família, guardando segredos sobre sua origem e suas intenções. Mas não é nada disso. Mesmo assim o livro guarda alguns mistérios.

Faltando umas cem páginas para terminar, o livro dá uma grande virada e só então assume o ritmo de um verdadeiro thriller. Fiquei estupefato ao descobrir um aspecto na personalidade de um personagem que, apesar de várias pistas, não havia notado. Estava tão absorto olhando para um lado e não percebi o que estava acontecendo no outro. A partir daí dá vontade de ler o restante do livro numa tacada só.

Apesar de alguns detalhes não terem me agradado no final, de ter achado uma informação ao bebê de Willow forçada demais, sua história muito clichê, achei uma boa leitura. Os personagens são pessoas comuns, com qualidades e defeitos e não heróis idealizados. Os conflitos internos de cada um deles fazem com que você se envolva com cada situação. Um texto muito fluído, apesar da ação ser quase toda psicológica. Uma leitura bem intrigante, curti muito o estilo da autora, principalmente a maneira como ela explorou a degradação mental de uma pessoa, mostrando o quanto a sanidade pode ser frágil, bastando um elemento catalisador para que a loucura domine.

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