terça-feira, 16 de maio de 2017

O Bazar dos Sonhos Ruins - Stephen King


Sinopse

Mestre das histórias curtas, o que Stephen King oferece neste livro é uma coleção generosa de contos – muitos deles inéditos no Brasil.
Temas eletrizantes interligam os contos; moralidade, vida após a morte, culpa, os erros que consertaríamos se pudéssemos voltar no tempo. Uma generosa coletânea para os fãs pra quem busca terror e um pouco mais.

Resenha

O lançamento de um livro de contos de King pra mim é sempre um acontecimento especial. Apesar de não ser muito fã de histórias curtas, King é uma exceção. Gosto da maneira como ele consegue desenvolver narrativas tão bem estruturadas num espaço tão curto. Mesmo nos menores contos nada é corrido, os personagens se projetam de maneira incrível e com poucas palavras ele consegue nos sacudir.

Li alguns comentários negativos sobre esse livro, mas isso não me desanimou em nada, pois as opiniões sobre a obra do autor geralmente são muito controversas. É claro que há alguns contos ruins, mas isso acontece em praticamente todas as suas coletâneas. Em vinte historias é difícil mandar bem em todas.

Alguns temas como culpa, ética e a dificuldade em aceitar a morte, seja a própria ou a de um ente querido, surgem com bastante frequência no decorrer da leitura e é interessante acompanhar as diferentes abordagens de King. Geralmente suas coletâneas não trazem apenas contos de terror, mas achei esse livro bem mais versátil que os demais. King envereda por diversos outros gêneros como suspense, drama, humor e até mesmo poesia. Mas sempre com seu estilo marcante, nunca se descaracterizando.

Vou comentar sobre os contos que mais se destacaram, é claro que sem revelar nada sobre o enredo de nenhum deles, pois o legal de ler essas compilações é descobrir as histórias uma a uma.

O livro já começa com um conto incrível que é o "Milha 81", que traz uma deliciosa referência ao filme Christine. Uma história bem sangrenta de terror explícito, com uma suspense crescente. Mas o que mais me maravilhou nesse conto é a facilidade com que o autor traduz o universo infantil.

"A Duna" é um conto no qual King nos pega pela mão e nos conduz por uma história que nos intriga, nos choca e por fim nos surpreende. Achei o final genial.

"Garotinho Malvado" é, sem a menor dúvida, o meu conto favorito nesse livro. Traz um tema que eu adoro, embora por uma perspectiva diferente da que estou habituado a ler, e é uma história grandiosa, com humor, melodrama e muito terror. Um conto que merece uma adaptação. E desconfio de que esse garotinho tem algum parentesco com Pennywise.

" Uma morte" é um conto com o qual antipatizei no início, achei surtado demais, mas o final quase anedótico compensa.

" Moralidade" é um conto tenso, mostra o quanto a culpa pode transformar a vida de uma pessoa, corroendo a alma até que ela se esvazie.

"UR" é outro conto pelo qual fiquei fascinado. Uma história alucinante, que de um momento para o outro toma um ritmo febril, com uma corrida contra o tempo. Me deu até vontade de comprar um kindle. Quem ler entenderá o motivo.

"Indisposta", conto prositalmente previsível, como o próprio autor diz, mas presumir o que aconteceu sem que o próprio personagem admita é o que torna a história tão peculiar. Um dos muitos contos que discorre sobre a negação da morte. E apesar do tom cômico, achei-o bem triste.

Achei que não fosse gostar de "Blockade Billy" por se tratar do mundo do beisebol, mas o conto não demorou a me conquistar, me deixando cada vez mais intrigado com o mistério que envolvia um dos personagens.

"Obituários" é uma daquelas tramas que só King consegue escrever, com uma premissa que poderia ser desastrosa, mas em sua prosa se torna convincente.

Ufa, consegui falar de todos os contos que me impressionaram sem revelar nada. O livro traz contos para todos os gostos e por isso a leitura é tão emocionante, pois você não sabe o que vai encontrar na narrativa seguinte. Todos tem uma nota do autor no início, geralmente falando sobre de onde surgiu cada ideia. Uma bela coletânea, recheada de contos dramaticos, chocantes, divertidos e, é claro, assustadores.



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