quarta-feira, 1 de março de 2017

Valsa Maldita - Tess Gerritsen


Sinopse  

No ambiente frio e sombrio de um antiquário em Roma, a violinista americana Julia Ansdell depara com uma partitura intrigante — a valsa Incendio — e é imediatamente atraída pela peculiar composição. Determinada a dominar a obra complexa, Julia decide ser o instrumento que fará com que sua melodia seja ouvida. Já de volta à Boston, no instante em que o arco de Julia começa a ser deslocado pelas cordas do violino, a música parece exercer um efeito inexplicável e macabro sobre sua filha pequena, que se mostra drasticamente transformada. Convencida de que a melodia hipnótica de Incêndio está desencadeando uma maldição, Julia decide investigar a história por trás da partitura e encontrar a pessoa que a compôs. Suas buscas a levam à milenar cidade de Veneza, onde Julia descobre um segredo sinistro de várias décadas envolvendo uma família perigosamente poderosa que fará de tudo para impedir que ela revele a verdade ao mundo.

Resenha

O livro é dividido em duas épocas. No presente, a história de Julia, e todo seu drama envolvendo a descoberta de uma partitura antiga, o comportamento estranho de sua filha e todas as implicações que isso traz. No passado, a história é ambientada na Itália da Segunda Grande Guerra, tendo protagonista o jovem Lorenzo, um violonista judeu que vive o início de um romance com a voluntariosa Laura, abortado pela súbita perseguição ao seu povo em Veneza. Ou seja, o livro trata de dois dos temas que mais gosto de ler: a maldade infantil e os horrores do nazismo. Sem falar na música, que é o denominador comum entre as duas narrativas.

Eu simpatizei de cara com a protagonista. Uma mulher talentosa, apaixonada pela música e acima de tudo prática. Assim que desconfia de que sua filha apresenta um desvio de personalidade, ela encara a situação de frente, não fica de mimimi, tapando o sol com a peneira como é comum com as mães nesse tipo de livro. Ela assume que a filha é um perigo para todos ao redor, sofre com isso é claro, mas toma logo uma atitude e procura um psiquiatra. Quanto à suas suspeitas em relação à partitura que adquiriu em Veneza, ela também enfrenta a situação e se lança numa investigação sobre a origem da  misteriosa valsa.

Mas se a narrativa atual é repleta de um irresistível suspense psicológico, com uma heroína travando uma batalha solitária para provar aquilo em que só ela acredita, a história de Lorenzo é uma tocante história de amor que aos poucos vai sendo sufocada pela coerção aos judeus na Itália de Mussolini. Como sempre acontece nesse tipo de narrativa, o terror vai surgindo aos poucos, com os judeus sofrendo pequenas restrições, até o inferno se instalar em suas vidas. A autora explora muito bem o drama de famílias separadas, sofri muito com os personagens, arrastados para toda aquela miséria humana. Para quem está acostumado com livros sobre o nazismo, há poucos elementos novos, mas os relatos não deixam de ser dramáticos.

Já na narrativa do presente, achei o livro corrido demais em alguns trechos. Algumas cenas deveriam ser mais bem trabalhadas. O livro é muito curto, duzentas e cinquenta páginas. Se tivesse umas cinquenta a mais, daria para saborear melhor o clima de suspense. Mas, por outro lado, não há enrolação. Tanto no passado quanto no presente a ação é ininterrupta. Durante toda a narrativa fiquei curioso para saber qual a relação que havia entre as duas histórias, além da música, que era a paixão dos protagonistas. Esse é um dos trunfos do livro, te deixar intrigado em saber como narrativas tão diversas, em épocas tão distantes uma da outra, vão convergir.

A explicação sobre um dos mistérios do livro, envolvendo a perturbação da filha de Julia me deixou de queixo caído tamanha a sua simplicidade. Em poucos parágrafos Tess arrematou algo que parecia muito complexo e de uma maneira muito convincente. Tudo bem que a solução é algo batido em alguns tipos de livros de suspense, mas eu fui pego desprevenido. Sofri tanto com as desventuras de Julia, estava tão imerso em sua busca pela verdade, que nem cogitei uma solução daquela. Terminei o livro já sentindo saudade dos personagens. O suspense é muito bom, mas o que me impressionou mesmo foi a linda e dilacerante história de amor e separação envolvendo Lorenzo, sua família e sua amada Laura. Um relato de extrema poesia em meio a um dos mais sombrios episódios da história da humanidade.

Curiosidade 

A valsa Incendio, mencionada no livro foi composta pela própria Tess Gerritsen (sim, ela também é musicista, além de médica e escritora) e dá pra ouvir uma parte no site da autora, o problema é que p trecho é só de um minuto e não dá pra ouvir as arrepiantes notas finais que são citadas no livro. Mas encontrei-a inteira no youtube, executada pela própria Tess. Confesso que fiquei com um pouco de medo de ouvir, mas valeu pena, traduz toda a melancolia do livro. Segue o link para a valsa Incendio.













2 comentários:

  1. Esse livro é excelente, um dos melhores da autora. Se tivesse que apontar um defeito seria exatamente que merecia ter sido um pouco mais longo. :)

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    1. Difícil ela me decepcionar,mas não esperava que fosse tão bom.

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