quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Sob a Redoma - Stephen King


Sinopse

Num dia como outro qualquer a pequena cidade de Chester’s Mill, no Maine, é subitamente isolada do resto do mundo por um campo de de força invisível. Para piorar a situação, James “Big Jim” Rennie, político dissimulado e um dos três membros do conselho executivo da cidade, usa a redoma como um meio de dominar a cidade. O isolamento expõe os medos e as ambições de cada um, até os sentimentos mais reprimidos. Assim, enquanto correm contra o pouco tempo que têm para descobrir a origem da redoma e uma forma de desfazê-la, ainda terão de combater a crueldade humana em sua forma mais primitiva.

Resenha

Como já comentei com vocês em outro post, Sob a Redoma é o livro não lido mais antigo que tenho na estante. Comprei-o há quase dois anos e fui sempre fui deixando-o pra depois, colocando os livros mais finos na frente. Resultado: demorei muito a conhecer essa fantástica criação de Stephen King. Assisti às duas primeiras temporadas da série e um pouquinho da terceira e as comparações são inevitáveis, mas é difícil dizer o que é melhor, livro ou o seriado, pois é a mesma base para historias muito diferentes. Enquanto a série se foca mais em explorar os mistérios do domo, o livro dá maior ênfase aos conflitos humanos. O livro é empolgante desde o início, com a ação acontecendo desde a primeira página. Diferente da maioria de suas obras, King não se demora na construção de seus personagens, salvo raras exceções como o vilão Big Jim. Até porque se o fizesse o livro teria pelo menos quinhentas páginas a mais, pois são muitos. Mas mesmo pouco aprofundados, são personagens muito vívidos, sólidos e apaixonantes.

Barbie é um protagonista que me conquistou logo de cara. No livro ele não é tão ambíguo quanto na série. É claramente um herói. Descolado, corajoso e íntegro, Barbie não se intimida em confrontar Big Jim, um politico megalomaníaco, que se aproveita da situação crítica para se tornar o ditador de Chester's Mill. Big Jim é o personagem mais detestável de Stephen King. Perto do original o da série é um aprendiz. É impossível manter-se impassível diante de seu oportunismo, arrogância e crueldade. Mas sua soberba era também a sua fraqueza. Bastava algo sair fora de seus planos que ele perdia as estribeiras e era delicioso acompanhar seus acessos de fúria. Já Junior, seu filho, é um psicótico tão repugnante como o da série, porém bem menos depressivo. E é claro, Julia. Esperava encontrar no livro a mesma heroína da série, jovem, linda, correndo de um lado a outro com seus cabelos esvoaçantes, mas encontrei uma solteirona com mais de quarenta anos, cujo único companheiro era Horace, seu cachorro. Mais clichê, só se o bicho de estimação fosse um gato. Julia é uma das personagens menos trabalhadas no livro. Apesar de audaciosa e uma peça fundamental na guerra contra Big Jim, quase nada se falou sobre sua vida pessoal. Mas mesmo assim ela me conquistou.

É impressionante como o autor expõe o quanto os seres humanos podem mostrar a sua verdadeira natureza em momentos de crise. Pessoas aparentemente inofensivas se revelam capazes das piores atrocidades simplesmente por estarem protegidos pela impunidade e armados pela autoridade. Assim como há pessoas que não se deixam intimidar por essa nova ordem estabelecida e arriscam a vida numa espécie de movimento de resistência. Além de pessoas abnegadas que se dedicam em ajudar os mais debilitados, descobrindo serem muito mais fortes do que acreditavam.

O livro segue um ritmo cíclico com acontecimentos que vão se intensificando até explodir em atos de extrema de violência, com um breve momento de calmaria, onde os personagens se refazem de um grande choque, se reagrupam e fazem novas alianças, para logo depois outra série de incidentes desembocar numa nova catástrofe. O livro é viciante do início ao fim. Algumas coisas me decepcionaram no final, como por exemplo a explicação sobre a origem da redoma, que achei boba demais, mas foram meros detalhes. E o fato de King dar uma explicação já é lucro, coisa que ele não costuma fazer. Até porque a redoma foi apenas um pretexto para falar sobre o comportamento humano, do que somos capazez, pro bem e pro mal, em momentos de tensão e isso ele fez com tanta malícia, que me seduziu, me horrorizou e muitas vezes me surpreendeu. Foi uma grande aventura estar preso sob a redoma durante esses quatorze dias de leitura. Mais um livro de Stephen King que entra para os meus favoritos.



6 comentários:

  1. Olá Ronaldo!
    Também não sou muito fã do final, mas todo o resto antes foi tão mas tão legal que ele se tornou um mero detalhe e não estragou toda a fantástica jornada. Acho que por ter lido primeiro não suportei a série. Vi só o primeiro episódio e bastou. Mas do livro sou mega fã.
    Bjs

    EntreLinhas Fantásticas - SORTEIO DE 4 LIVROS + SACOLA DO SKOOB

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    1. Apesar de eu preferir uma explicação melhor, ele compensou com o resto.

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  2. eu acompanhei minha amiga lendo esse livros anos atrás e morri de rir com a revelação da redoma kkkkkkkk ela quase queimou o livro kkkkkkkkk...

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    1. Também não é pra tanto, kkkkk, o livro tem muitas qualidades.

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  3. Esse é um dos meus livros favoritos entre os mais recentes do SK (que eu considero diferente dos antigos, mais focados nas interações humanas).
    Eu tenho que fazer minha defesa do final do livro, haha. Acho ele claramente escrito para remeter a um daqueles episódios antigos de Além da Imaginação (série que o autor sempre disse ser fã). Além disso, no geral, a explicação da redoma nem chega a ser muito importante como você mesmo disse. Achei válido e até coerente com o tipo de final que o autor costuma fazer - ele já escreveu coisas mais absurdas (um oi para O Apanhador de Sonhos).
    Excelente resenha. :)

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    1. Muito legal sua colocação, a verdade sobre a redoma tem bem esse estilo mesmo.

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