quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Silenciadas - Kristina Ohlsson


Sinopse

Quinze anos atrás: uma adolescente é surpreendida enquanto colhia flores e brutalmente violentada. No presente, um homem é morto em um atropelamento. Ele não tem nenhuma identificação e não é reportado como desaparecido. Ao mesmo tempo, um sacerdote e sua esposa são encontrados mortos em um aparente duplo suicídio. Fredrika Bergman, juntamente com a equipe de investigação de Alex Recht, é encarregada de investigar esses casos aparentemente desconexos. A investigação leva a uma rede de contrabando de pessoas: um novo agente a operar rotas de imigração ilegal a partir de Bangkok, Tailândia. À medida que a polícia desmantela o esquema, começa a se revelar uma trilha que remonta à década de 1980, a um crime não denunciado, mas cujas consequências irão muito além do que qualquer um poderia esperar.

Resenha

Comprei esse livro apenas pela sinopse. Não sabia que se tratava de uma autora sueca e nem que fazia parte de uma série com uma detetive como protagonista. Depois disso, é claro que fiquei com muito mais vontade de ler, pois gostei de quase todos os romances policiais escandinavos que já li e amo séries protagonizadas por detetives femininas. No início fiquei espantado com a enorme quantidade de personagens que a autora jogou em cima de mim. Como na sinopse diz que se trata da investigação de três crimes aparentemente sem ligação, já esperava que os capitulos se alternassem entre cada um dos assassinatos, porém são muitos os personagens, não apenas as testemunhas e suspeitos de cada crime, mas também entre o núcleo policial da história. A equipe é formada por quatro investigadores e cada um tem sua história, seus conflitos que se desenvolvem paralelamente à investigação.

De todos, o que menos gostei foi da protagonista Fredrika. Apesar de no seu lado profissional ela ser bastante competente, sua vida pessoal é um grande melodrama e sua atitude conformista em relação a alguns problemas me cansaram. Entendo que ela estivesse passando por uma gravidez complicada, mas seu tom lamentoso não despertou nenhuma empatia em mim. Gostei mais dos personagens masculinos. Alex, líder da equipe, cuja esposa guarda um segredo que ameaça a harmonia de seu casamento. E os detetives Joar e Peder, o primeiro um cara tranquilo e misterioso, o outro um homem de pavio curto, que antipatiza com o companheiro.

Mas apesar da imensa quantidade de personagens, a autora soube conduzir a trama com habilidade. Mesmo com tantas implicações, não fiquei perdido na história. A trama é bem intrincada, mas a complexidade de toda aquela rede de crimes ao invés de torná-la confusa, só a tornou intrigante o suficiente para que eu ficasse afoito pra chegar logo no final e desvendar todo aquele mistério. Seu texto é bem fluído, sem se demorar em descrições excessivas. Como é comum nos romances policiais escandinavos, não há nenhum enfoque em perícia criminal, as pistas são adquiridas basicamente através dos interrogatorios das testemunhas.

O livro aborda como tema principal a questão dos refugiados e embora tratado com superficialidade, achei curiosos alguns detalhes sobre o tráfico humano, um negócio milionário que explora o desespero de pessoas que dão todas as suas economias pela chance, ou ilusão, de uma vida melhor num outro país.  O final não me surpreendeu, em alguns aspectos foi até previsível, mas fiquei curioso pra saber como determinados acontecimentos se sucederam e a autora não me decepcionou com as explicações. Conforme o livro se encaminha para o desfecho fica claro quem está envolvido nos crimes, mas os motivos são mais chocantes do que aquele que eu havia suposto. Até aí a narrativa segue muito bem, os crimes são todos esclarecidos, mas a autora resolveu estragar seu bom trabalho, deixando em aberto o final de alguns personagens. Sei que é uma série e muitas situações serão retomadas nos próximos volumes, mas outras não, pois os detetives são personagens recorrentes, mas aqueles relacionados com os crimes não. Eu não tenho muito interesse em saber o destino dos personagens após os esclarecimentos dos crimes, mas custava a autora escrever um parágrafo que fosse dizendo de fulano morreu ou não? Isso diminuiu o entusiasmo que eu tive no início da leitura em acompanhar a série. Não quero passar por essa sensação de ficar no vácuo novamente.




2 comentários:

  1. Olá, Ronaldo!

    Acho que já li quase todos os seus posts, mas quase nunca consigo comentar. Estou tentando remediar isso.rs

    A sinopse é realmente instigante! Nos faz desejar ir atrás do livro imediatamente para lê-lo. Foi assim com o livro A Lista do Nunca. Só a sinopse me deixou louca e não sosseguei enquanto não encontrei a história e a li. E não me arrependi! A história é incrível, apesar de pesada.

    Fiquei muito interessada pelo livro, embora não goste de histórias com tantos personagens assim.

    Olha, eu também detesto quando os autores resolvem deixar os finais dos livros tão em aberto, sem que saibamos o que aconteceu com determinados personagens. Mas isso é tão comum que já estou até acostumada.rs

    Bjs!

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    1. Obrigado pelas visitas e mais ainda pelo comentário. É ótimo quando vocês participam. Fui procurar a sinopse do livro que você mencionou e adorei. Há está entre meus desejados.

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