sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Um balanço das metas literárias


No início do ano estabeleci algumas metas literárias e agora chegou o momento de fazer um balanço do que consegui ou não alcançar nesse período. Foi a primeira vez que tracei objetivos como leitor, pois sempre fiquei em dúvida se isso ajuda ou apenas te deixa pilhado. Ler é algo bom demais pra ficarmos nos policiando, nos obrigando a ler aquilo que não estamos na vibe só pra alcançar alguma meta. Mas a disciplina também nos dá aquela sensação boa de organização. Só fui me focar mais em minhas metas a partir do segundo semestre, por isso cumpri bem pouco do que havia me proposto. Mas mesmo assim, consegui colocar um pouco de ordem no meu caos literário.


Zerar meus Stephen King

A primeira proposta era zerar meus Stephen King. E posso dizer com orgulho que consegui. Foram cinco livros do mestre do terror. Achei que não cumpriria essa meta porque cheguei em dezembro sem nem começar a ler Duma Key, mas o passei na frente pra logo depois abandoná-lo. Não consegui me conectar com o livro de modo algum. Muita gente me motivou para continuar, dizendo que o livro é ótimo, e até parecia mesmo, mas foi algo pessoal. Cheguei a quase um terço do livro e ele não me cativou. E como é muito raro eu retornar a um livro que tenha abandonado, já me desfiz dele. Uma pena, mas a vida é curta demais pra perder tempo lendo o que não te agrada.



Séries

Outra meta era dar continuidade às séries. Meu problema é que inicio várias séries literárias e não dou sequência. Me atualizar com tantas seria impossível, mas me propus a ler pelo menos um livro de algumas delas. Queria muito seguir com a série Arquivos Bower de Steven James, mas não rolou. Ainda estou no primeiro livro. Mas li o segundo da série Mortal de J.D.Robb (Nora Roberts). Outro da pentalogia Fuga de Furnace, que coloquei sem querer no carrinho da Estante Virtual e só descobri quando recebi o livro. Também me atualizei com a série Bolitar de Harlan Coben, lendo O Medo Mais Profundo. Agora é só aguardar a editora preencher a lacuna para eu ler os mais recentes que tenho. Li o segundo de Robert Bryndza, Uma Sombra na Escuridão, que é uma série policial bem promissora. Estreei com a série de Kristina Ohlsosn com os livros Indesejadas e Silenciadas. Essa já é uma série que não curti muito, mas pretendo ler o terceiro. E li o novo livro da série Rizzolli, Segredo de Sangue, mas os livros dessa série não costumam esperar mesmo. Assim que são lançados, corro pra comprar.


Releituras 

Me propus a fazer pelo menos uma releitura por mês. Meta sem noção. Não teria como. Mas reli quatro livros esse ano e a única decepção foi 79 Park Avenue de Harold Robbins. Amei lê-lo em minha juventude e era um dos meus favoritos do autor. Mas ao revisitá-lo, descobri que não era tudo isso.


Comprar Menos Livros 

E a meta mais difícil era comprar menos livros. E digo isso porque comprar livros é bom demais. É até melhor do que ler, porque comprar sempre é um momento agradável e ler nem sempre. Há muitos livros que nos decepcionam. Por isso, essa foi a meta que menos cheguei perto de alcançar. Sou daquelas pessoas que tem o dom de voltar de um sebo com  mais livros do que levou. Os sebos são minha perdição, mas não dá pra resistir a um lugar onde você corre o "risco" de encontrar qualquer livro. Não tenho ideia de quantos livros comprei esse ano, mas acredito que não foi muito menos que nos anos anteriores.

Mas, de qualquer forma, fico feliz de ter alcançado pelo menos parte das metas. Talvez isso me discipline, fazendo com que eu seja mais seletivo na aquisição de livros e realize meu desejo de um dia ir a uma livraria porque não tenho nada novo pra ler. Não sei o que isso há muito tempo. Mas o que importa é continuar me entregando à leitura e a tudo de bom que ela nos proporciona.

Um feliz ano novo a todos!

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Sete melhores leituras de 2017




O ano termina com um saldo de ótimas leituras. Tive a sorte de Pegar poucos livros ruins. Mas mesmo entre dezenas de acertos, sempre tem aqueles que se sobressaem. E aqui vão as minhas sete melhores leituras de 2017. Todos já foram resenhados aqui no blog, por isso só falarei por alto sobre o motivo de tê-los eleitos os melhores do ano.


Eu Sou o Peregrino 

Já comecei o ano lendo essa verdadeira obra prima. O problema é que custou muito para eu descobrir isso. O autor faz tantos rodeios no início do livro, com cenas que parecem não levar à nada, que quase abandonei a leitura. Só lá pela pela página 130 é que o livro ganha ritmo e no final todos aqueles momentos que pareciam sem importância são justificados. Uma trama grandiosa, que me fez viajar mundo afora e me proporcionou grandes emoções. E Peregrino, o protagonista, entrou para a lista dos meus heróis favoritos.


Sob a Redoma 

Esse estava na minha estante há mais de um ano, mas devido às suas quase mil páginas, fui adiando a leitura. Não porque calhamaços como esse me assustem, mas porque como tenho sempre muitas leituras pendentes, é mais prático passar os mais finos na frente e assim fazer a fila andar. O livro é empolgante desde o início, com a ação acontecendo desde a primeira página. Por quatorze dias vivi em Chester's Mills, entre intrigas, traições, explosões de violências e um grande mistério que era a origem do domo. Tudo bem que a explicação ridícula do autor foi decepcionante, mas foi só um detalhe nessa leitura alucinante.


Entre Quatro Paredes

Esse eu não quis largar até que terminasse. A trama claustrofóbica fez com que eu entrasse numa agonia para que a heroína se livrasse daquela situação terrível criada por seu próprio marido. Por mais que que a trama pudesse parecer inverossímil, as motivações da protagonista mostravam o quanto é possível sim cair numa armadilha daquelas. Leitura intensa que valeu muito a pena.


Jane Precisa de Ajuda

Comprei esse livro sem indicação alguma. A sinopse prometia um bom suspense, mas o enredo despretensioso se revelou uma leitura irresistível. Como torci por Jane! A personagem com quem cheguei a antipatizar no início me conquistou em sua busca pela verdade. O suspense alcança um nível que chega a ser insuportável, dá vontade de pular as páginas pra saber logo o que vai acontecer. Autora da qual nunca tinha ouvido falar mas que me deixou encantado. Quero ler seus outros livros.


Valsa Maldita 

Entre as autoras da atualidade, Tess Gerritsen é a minha favorita, sem sombra de dúvida. Mas, apesar de ficar empolgado com cada lançamento seu, demorei pra comprar esse aqui. O folheava na livraria, mas sempre deixava pra comprar depois. Não sei porquê.  Mas assim que comecei a ler caí no velho clichê do " por que demorei tanto? A narrativa é alternada entre passado e presente e amei ambas. É muito intrigante tentar descobrir o que unia essas duas histórias. Um suspense psicólogo incrível com um final  surpreendente. Pena que seja um livro tão curto.


Um Estranho no Espelho

Essa foi a melhor releitura do ano. A última vez que o li foi há quase vinte anos e dessa vez, com mais maturidade, o livro me causou um impacto tão grande que foi como se fosse uma leitura inédita. É um dos livros mais profundos de Sidney Sheldon, que apesar de ambientado no mundo do showbizz, fala basicamente sobre relações humanas e seus conflitos. Foi uma aventura redescobrir esse livro maravilhoso do autor de minha juventude.


Irmãs em Awschiwitz 

Essa lista não é um ranking, mas nesse caso coincidentemente o melhor ficou para o final. Esse livro acabou comigo. Nunca conseguirei compreender o que leva alguém a cometer certas atrocidades com outro ser humano, mas também nunca quero deixar de me chocar com horrores como os que aconteceram no Holocausto. Rena ganhou minha admiração com sua coragem, resiliência e lealdade. Apesar do livro ter arrancado mais um pedacinho da minha fé na raça humana, também mostrou que há pessoas como Rena, dotadas de sentimentos tão nobres.


Esses livros foram os melhores momentos como leitor nesse ano. Autores renomados e novatos, leituras rápidas e longas, histórias reais e fictícias e diversos gêneros. O que tem em comum é que, por algum motivo, se tornaram especiais pra mim.


quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

O Garanhão - Harold Robbins



Sinopse

Angelo Perino é um audacioso piloto de corridas, que atrai as mulheres sem o menor esforço e é muito respeitado na indústria automobilística. É ele o narrador do conflito de poder entre o autoritário e libertino Loren Hardeman I, magnata do automobilismo, e seu neto, herdeiro das mesmas disposições. Uma trama cheia de carros, ação e sexo.

Resenha

Esse pode ser considerado um dos livros da fase de ouro de Harold Robbins. Nessa época, apesar de seus livros discorrerem sobre os bastidores do mundo dos negócios, com suas disputas de poder, falcatruas e personagens ambiciosos, também tinham um grande enfoque humano, com romances, intrigas e desilusões. Nos anos seguintes o autor pareceu perder a criatividade, escrevendo livros repetitivos, com enredos fracos e cenas de sexo gratuitas. Por isso tive altas expectativas em ler O Garanhão e assim, reencontrar o velho Robbins.

O autor divide o livro entre passado e presente, tendo como enfoque principal a amizade e parceria entre o ex piloto de provas Angelo Perino
e o velho empresário da indústria automobilística Loren, que sonha em criar um novo modelo de carro. É tocante a relação entre os dois. Homens de diferentes gerações que se respeitam, se complementam e acreditam nos mesmos ideais.
Angelo é o típico protagonista de Robbins. Um homem forte, implacável nos negócios, cercado por belas mulheres, dispondo de cada uma delas de acordo com suas proprias necessidades, mas cujo comportamento machista às vezes entra em conflito com seu senso moral. Angelo pode ser odiável por sua frieza, mas em alguns momentos demonstra um cuidado em preservar a dignidade de suas amantes.

No presente acompanhamos a aventura desses dois homens na construção desse veículo, tendo de enfrentar vários obstáculos, entre eles a oposição do neto de Loren, que guarda um grande ressentimento do avô devido a uma tragédia na família. E é nos flashbacks que vamos descobrir o que de fato aconteceu. Achei as cenas do passado muito mais interessantes. Uma família cheia de segredos podres, cujos ressentimentos se estendem por gerações, desencadeando conflitos que tomam proporções trágicas. Em meio a tantas baixezas, o que mais me causou repulsa foi a traição que o velho Loren e sua nora cometeram em relação ao filho do empresário. A atitude desse casal é algo até banal na obra do autor, mas nem por isso me impediu de me chocar.

Essas intrigas são o ponto alto do livro e é por isso que fico tão contrariado com uma mania do autor. Sempre que uma situação se encaminha para seu clímax, a narrativa no passado é interrompida e quando é retomada, tudo já passou e o autor dá uma explicação apressada sobre o que aconteceu. A impressão que dá é que Robbins não tinha capacidade de escrever essas cenas mais tensas e fugisse delas, retornando para a área que dominava que era o mundo dos negócios. Mas, de qualquer forma é dos bastidores de uma indústria automobilística que o livro trata e isso o autor retrata muito bem. Uma verdadeira selva onde não há escrúpulos para se alcançar um objetivo. Foi muito bom retornar ao universo desse escritor que foi tão importante pra mim durante uma fase da minha vida de leitor e que essa nova geração deveria conhecer.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Irmãs em Awschiwitz - Rena Kornreich Gelissen / Heather Dune Macadam



Sinopse 

Uma das poucas pessoas a se entregar voluntariamente para o exército alemão e ir a um campo de concentração quando ainda se acreditava que eram apenas campos de trabalho Rena Kornreich fez parte do primeiro transporte em massa de judeus para Auschwitz e sobreviveu ao campo nazista por mais de três anos, junto a sua irmã mais nova Danka. Juntas, ambas tiveram de ser resilientes a cada a perversidade vivenciada durante o período de aprisionamento. E, a despeito da iminência da morte, das doenças, das surras e do trabalho forçado, os relatos de Rena a respeito da convivência entre as prisioneiras nos garantem que a empatia emergida dentro de cada dormitório e de cada grupo de trabalho encorajou essas mulheres a permanecerem unidas até que Auschwitz fosse libertado e suas vidas fossem devolvidas.

Resenha

Rena conta de modo simples, todo o sofrimento dos três anos que passou dentro de um campo de concentração. Uma mulher admirável por sua lealdade, integridade, senso de liderança e, principalmente pela alma forte, que a manteve em pé quando o próprio corpo não se sustentava, flagelado pela fome, pela dor e pelo medo constante. Numa prosa simples, transcrita por Heather Dune Macadam, ela relata a sua dura rotina no inferno que era Awschiwitz. Um lugar onde cada novo dia era uma nova história de horror. Onde seres humanos perdiam o direito à sua própria humanidade, onde números tatuados roubavam a identidade de cada um, e os que morriam cedo podiam se considerar afortunados.

O esforço que Rena fazia para proteger a irmã era de uma nobreza sem igual. Rena fazia um milagre à cada dia para manter a promessa de que ambas permaneceriam juntas até o final, fosse este qual fosse, tirando forças não se sabia de onde para levantar o ânimo da frágil Danka. Rena vivia numa constante vigília para que a irmã não se entregasse, não demonstrasse fraqueza e, principalmente, não adoecesse, o que significaria uma sentença de morte dentro daquele campo, onde o único motivo para estarem vivas era porque representavam mão de obra gratuita.

O texto singelo de Heather, acentua ainda mais toda a brutalidade da vida em Awschiwitz, evidenciando o quanto eram absurdos os desmandos dos alemães sobre pessoas totalmente indefesas. Fiquei horrorizado com tanto sadismo. Sempre que achava que nada mais me chocaria, um novo episódio mais horrendo se sucedia. E aí você se pergunta o porquê de tanto ódio, tantos abusos, tanta crueldade. Simplesmente porque os alemãs podiam, porque ninguém os impediria. Apenas porque não havendo consequências, não há limites para a maldade.

Um livro que me deixou sem chão, que mesmo após terminar, permaneceu comigo durante dias. Por mais que tenha lido muitas histórias sobre a Alemanha nazista, ter acesso ao relato de alguém que esteve lá, que viveu aquela realidade pavorosa durante anos, é muito mais impactante. Mesmo sofrendo, me emocionando, me indignando, guardei minhas lágrimas para o final. Um livro sublime, que prova que mesmo sob o poder de um exercito implacável, às vezes é o amor quem prevalece.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

A Hora do Lobisomem - Stephen King


Sinopse

O primeiro grito veio de um trabalhador da ferrovia isolado pela neve. No mês seguinte, a agonia vem de uma mulher atacada no próprio quarto. Agora,a cada vez que a lua cheia brilha sobre a cidade de Tarker’sMill, surgem novas cenas de terror inimaginável. Quem será o próximo? Quando a lua cresce no céu,um terror paralisante toma os moradores da cidade. Uivos quase humanos ecoam no vento. E por todo lado as pegadas de um monstro cuja fome nunca é saciada.

Resenha

Li esse livro há muitos anos, um exemplar da biblioteca pública e, apesar de ter gostado, não me marcou. Até que se tornou uma raridade e, finalmente teve seu relancamento esse ano pela Suma das Letras numa edição esplêndida, com capa dura e novas ilustrações, dentro do projeto Biblioteca Stephen King, que pretende relançar alguns de seus títulos em edições de luxo. Foi mais pelo aspecto gráfico da edição do que pelo enredo que decidi comprar essa nova edição, mas não é que depois de tantos anos a história me pegou de jeito!

É uma narrativa simples e bem curta, 140 páginas, sem a costumeira prolixidade de King. Não há aprofundamento psicológico dos personagens nem excesso de descrições, muito menos flashbacks. É uma novela com um enredo conciso, um texto enxuto, mas bem escrito, com um clima de terror que permeia toda a narrativa através dos ataques extremamente violentos da misteriosa criatura que assombra a cidade de Takers Mill. O bicho realmente é assustador. E as belíssimas ilustrações serviram para  me envomver ainda mais dentro daquele clima de terror.

Brady, o garoto na cadeira de rodas é um dos personagens infantis mais adoráveis de Stephen, com seu otimismo, sua independência e seu pragmatismo. Apesar de sua condição, ele nunca passa a imagem de coitadinho, pelo contrário, é um menino corajoso, às vezez até imprudente. Achei o personagem fantástico e, curiosamente, o vi como uma representação do próprio povo americano, em seu espírito confiante. Tanto que seu primeiro confronto com o lobisomem se dá no dia quatro de julho, data da independência dos Estados Unidos e a arma utilizada para atacar a fera são os fogos que o garoto pretendia estourar para celebrar a data.

O livro é dividio em doze capítulos, que representam os meses do ano e seus ciclos lunares. A história não tem muitas reviravoltas, mas nunca fica monótona. Cada novo ataque do lobisomem é muito bem orquestrado, com o monstro entrando em cena das maneiras mais inusitadas. Eu ficava apreensivo com cada ataque iminente, pois o bicho realmente mete medo. Sem falar no confronto final que é explosivo. É um livro que se destaca justamente pela simplicidade do enredo, do desenvolvimento e da caracterização dos personagens. Desta vez gostei mais do que quando o li na minha adolescência. Leitura rápida, mas muito agradável. E essa edição tão bem acabada é uma obra de arte.





segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Quem Era Ela - JP Delaney


Sinopse 

É preciso responder a uma série de perguntas, passar por um criterioso processo de seleção e se comprometer a seguir inúmeras regras para morar no nº 1 da Folgate Street, uma obra-prima da arquitetura em Londres. Jane é incapaz de resistir aos encantos da casa, mas pouco depois de se mudar descobre a morte trágica da inquilina anterior. Com tantas regras a cumprir, tantos fatos estranhos acontecendo ao seu redor e uma sensação constante de estar sendo observada, o que parecia um ambiente tranquilo na verdade se mostra ameaçador. Enquanto tenta descobrir quem era aquela mulher que habitou o mesmo espaço que o seu, Jane vê sua vida se entrelaçar à da outra garota e sente que precisa se apressar para descobrir a verdade ou corre o risco de ter o mesmo destino.

Resenha

O livro se divide em duas épocas, cada uma tendo como protagonista uma inquilina de uma casa ultramoderna, projetada por um excêntrico arquiteto. No início fiquei bastante confuso com as duas personagens ao ponto de confundi-las. Mas aos poucos vamos conhecendo melhor cada uma delas e as diferenças entre as protagonistas se acentuam.

Se no início elas parecem apenas duas jovens se recuperando de experiências traumáticas que viveram recentemente, logo se constata que nem tudo é o que parece. Se uma delas se mostra uma jovem bem intencionada, decidida a recomeçar sua vida, a outra aos poucos revela um traço de sua personalidade bastante peculiar. Se a primeira é uma protagonista até um pouco tediosa, a outra me provocou vários tipos de sentimentos. Raiva, curiosidade, indignação, surpresa. E entre essas duas mulheres há uma figura masculina enigmática, cujas intenções não conhecemos, cuja índole é duvidosa e cujo passado esconde acontecimentos nebulosos.

Temos no livro outro personagem inusitado: a casa. Não gosto de livros que falem sobre tecnologia, por isso achei que os detalhes sobre o funcionamento ultra moderno da casa me aborreceriam, mas foi o contrário. A casa serve de alter ego do arquiteto que a projetou, por isso se torna quase tão interessante quanto seu criador.

Gostei muito da narrativa, que é bem dinâmica, com duas histórias paralelas, dois relacionamentos amorosos complicados, que se cruzam numa trama investigativa. O autor, brinca a todo momento com o leitor, revelando facetas sombrias de seus personagens, intensificando nossas dúvidas, nos confundindo e assim nos instigando. O final foi de certo modo previsível, mas gostei da maneira como os acontecimentos foram conduzidos, com muita emoção nas páginas finais. Um bom suspense, que cumpre o que promete.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Noturno - Scott Sigler


Sinopse

Você já teve um sonho que jurou ser real? Ou até mesmo aquela sensação de déjà-vu ao passar por um lugar em que com certeza nunca esteve? E se esse local for uma cena de crime e você, um detetive de homicídios? Para piorar, e se você encontrar no mundo real o mesmo cenário com uma vítima a seus pés? É exatamente essa a situação em que o policial Bryan Clauser se encontra. Como aconteceria a qualquer um de nós, ele pensa que está perdendo o juízo, mas tudo aquilo é muito realpesadelos. Junto com o parceiro Pookie Chang e a ex-namorada Robin, Bryan começa a investigar os crimes que, de alguma forma, ele vê em primeiríssima mão, no momento em que estão sendo cometidos. A questão que não quer calar é: quem está cometendo esses assassinatos? Quando as investigações levam Bryan e Pookie a um adolescente chamado Rex Deprovdechuck e ao fato de que todas as vítimas mortas faziam bullying com ele no colégio, os dois acham que o mistério está praticamente no fim — e que Bryan será inocentado. No entanto, quanto mais o detetive explora esse mistério, mais ele descobre sobre uma conspiração e um estranho culto que opera na cidade praticamente desde a sua fundação. Existe uma cidade viva e faminta nas sombras — e ela pode colocar todo o mundo em risco.

Resenha

Quando li a sinopse e percebi a diversidade de gêneros nos quais o autor se enveredaria, num enredo pretensamente grandioso, achei que o livro deveria ser uma obra prima ou um desastre total. E ao encerrar as mais de quinhentas páginas de sua aventura policial fantástica, concluí que ele ficou no meio termo. É uma leitura fluída, agradável, com alguns picos de ação febril, mas prejudicada pelos exageros do autor. A tentativa de criar uma obra imponente, criativa e singular comprometeu a leitura.

O livro começa como um romance policial com toques de sobrenatural, com os investigadores Bryan e Pookie diante de uma série de assassinatos brutais sem ligação aparente entre as vítimas. Eles contam com a ajuda da legista Robbie, ex-namorada de Bryan, personagem que dá uma suavidade bem vinda ao ambiente tenso do livro, e encontram como obstáculo uma grande conspiração da própria polícia que se esforça em abafar os casos. A trama policial se segura muito mais pelo carisma dos personagens e pela interação entre eles do que pela investigação em si, que não é muito empolgante. Como o leitor tem acesso a diversos pontos de vista, fica fácil presumir o motivo dos crimes e a ligação entre as vítimas, por isso o mistério não instiga tanto.

Somente quando os diferentes núcleos de personagens se chocam, após um drástico acontecimento, é que o livro assume um ritmo furioso. A partir daí a parte fantástica do enredo prevalece, mas sem deixar de lado o  enfoque policial, que se torna mais envolvente devido a vários desdobramentos na trama. Muitas respostas são dadas, mas novas perguntas vão surgindo, mostrando que aquela realidade que presumíamos é mais complexa do que parecia.

Mas assim como a parte policial pecou no início por ser pouco intrigante, o enfoque fantástico erra pelo excesso. Achei os "monstros" bizarros demais. O autor se esforça em dar explicações científicas para a natureza dessas criaturas, para logo depois nos apresentar criaturas com poderes e aparência absurdas, sem uma explicação para tanta diversidade dentro de uma mesma espécie. Há também algumas cenas excessivamente longas, narrando detalhes grotescos sobre os costumes dos "monstros" que ele criou, que apesar de pertinentes, são exageradas. Foi muito realismo de um lado e muita "viagem" de outro. Mas no geral, o autor até que conduziu bem essa diversidade de gêneros, se esgueirando entre o policial, a fantasia urbana e o horror, criando alguns contrastes desagradáveis, mas mantendo o contole da situação. O livro tinha muito mais potencial,  mas não chega a ser uma leitura ruim. Me chocou, me divertiu, me emocionou e também me cansou. Mas valeu a pena.



domingo, 19 de novembro de 2017

As curiosas traduções de títulos de livros em Portugal


Apesar de falarmos o mesmo idioma, pelo menos oficialmente, alguns maneirismos dos lusitanos fazem com que a tradução de alguns títulos soem engracadas, estranhas e curiosas aos nossos ouvidos.

 A Garota no Trem


O Guia do Mochileiro das Galáxias 


 Cinquenta Tons de Cinza

Garota Exemplar


A Menina que Brincava com Fogo


O Caçador de Pipas


Conte-me Seus Sonhos 


Jogos Vorazes 


O Homem do Terno Marrom


O Pacto


Harry Potter e o Enigma do Príncipe


Querido John


O Inocente 


A Garota Silenciosa


Tudo é Eventual 


A Menina que Roubava Livros















domingo, 29 de outubro de 2017

Por Trás de Seus Olhos - Sarah Pinborough



Sinopse

Louise é mãe solteira, trabalha como secretária e está presa à rotina da vida moderna. Em uma rara saída à noite, ela conhece um homem no bar e se deixa envolver. Embora ele se vá logo depois de um beijo, Louise fica muito animada por ter encontrado alguém. Ela só não esperava que seu novo e casadíssimo chefe seria o homem do bar. Apesar de ele fazer questão de logo esclarecer que o beijo foi um equívoco, em pouco tempo os dois passam a ter um caso. Em uma terrível sequência de erros, Louise acaba ficando amiga da esposa do amante. E, se você acha que sabe para onde esta história vai, pense de novo, porque Por trás de seus olhos não se parece com nenhum livro que já tenha passado por suas mãos. À medida que é arrastada para a história do casal, Louise acaba com mais perguntas que respostas e a única coisa certa é que algo naquele casamento está muito, muito errado.

Resenha

Esse é o tipo de livro em que a sinopse fala muito pouco, mas é tão provocativa que dá muita curiosidade em ler. Curiosidade essa aumentada pela polêmica que envolve o surpreendente desfecho. Foi o que mais me motivou a priorizar a leitura, pois adoro esses desfechos que deixam o leitor desnorteado. E foi o que aconteceu comigo. Temos duas protagonistas completamente diferentes uma da outra, extremos opostos ligados por uma trama repleta de segredos, malícia e paixão. Louise é uma mulher simples, acima do peso, separada e com um filho pequeno, levando uma vida vazia da qual se ressente muito. Adele é uma beldade, herdeira de uma grande fortuna, casada com um médico que administra seus bens e, aparentemente, a mantêm numa redoma de vidro.

O primeiro elemento que me intrigou no enredo foi o mistério envolvendo essa relação. Logo no início do livro percebe-se algo de muito estranho naquele casamento, mas é difícil afirmar o quê. Alguns indícios apontam para um relacionamento abusivo por parte do marido, outros sugerem uma superproteção, como se o isolamento fosse necessário para preservá-la de algo. Talvez de si mesma.

Mas a relação de suposta amizade entre Adele, a esposa, e Louisie, a amante, é o que dá ritmo ao livro, nos instigando à cada página. Enquanto Adele é um incógnita, uma mulher inteligente e fria, Louise, é simplória, passional, atrapalhada, tanto que toma algumas atitudes estúpidas que me deixavam exasperado. Fica claro que uma está manipulando a outra, porém não sabemos o motivo. E conforme esse jogo psicológico se intensifica, alimentado por intrigas, dúvidas, suspeitas e possiveis crimes do passado, começamos a nos questionar quem é o verdadeiro manipulador na história. Nesse triângulo amoroso à todo momento você é jogado contra um vórtice, fazendo com que o jogo vire à cada revelação e você reveja suas próprias conclusões. Quem é a verdadeira vítima ali?

E quanto ao controverso final, achei inusitado demais, mas gostei bastante. Muita gente o criticou por achá-lo surreal demais, como se fosse incoerente com o resto do livro, mas discordo. Desde o início a narrativa é permeada por um elemento fantástico, por isso este não destoou do restante do enredo. A autora foi honesta e não tirou uma solução absurda da cartola. A revelação final foi totalmente inesperada pra mim e tive as variadas reações. Fiquei perplexo, achei engraçado, bizarro, revoltante, tudo num único capítulo e adorei que a leitura tenha me proporcionado todas essas emoções ao invés de um final previsível que me deixasse apático. Adorei a leitura, o quanto a autora me passou pra trás, me fazendo constatar que eu não sabia é nada, me iludindo bonito.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Minha Irmã Rosa - Justine Larbalestier



Sinopse

Muitas pessoas já chamaram seu irmão ou irmã de "mau". Mas o novo thriller de Justine Larbalestier sobre o verdadeiro mal na infância trata disso da forma mais literal – e perturbadora – possível. O ponto de vista do livro, do irmão mais velho, só colabora para tornar a narrativa ainda mais sufocante, impossível de abandonar. Afinal, como você se sentiria se a pessoa mais aterrorizante que você conhece fosse sua irmã de dez anos? Che Taylor tem dezessete anos e ama sua irmã mais nova, Rosa. Mas ele também tem certeza de que ela é uma psicopata – clinicamente ameaçadora e perigosa. Recentemente, Rosa tem causado alguns problemas, machucado coisas. Che é o único que sabe; ele é a única pessoa em quem sua irmã confia. Rosa é inteligente, talentosa, bonita e muito boa em esconder o que ela é e a manipulação de que ela é capaz.
Che sempre foi o porto seguro.

Resenha

Esse livro é apresentado como uma releitura do clássico Menina Má de Willian March, obra que fala sobre a psicopatia infantil, porém diferente de seu predecessor, é voltado para o público juvenil. Não curto livros desse estilo "jovem adulto", acho tudo muito bobo, mas recentemente li alguns que gostei bastante e, como costumo ler tudo o que sai sobre esse tema da maldade infantil, não podia deixar esse passar, apesar de ser um livro juvenil. Mas me ferrei legal com isso.

Assim como em Menina Má, o livro é narrado em primeira pessoa por um parente que desconfia de que um ente querido é um psicopata. Nesse caso o narrador é Che, um adolescente de 17 anos, praticante de boxe, cuja família vive sempre se mudando, o que o impede de criar raízes. Desde muito cedo Che tem notado que sua irmã Rosa tem um comportamento estranho para uma criança. Fria, sádica e manipuladora, à cada nova maldade que comete, a garota aumenta a convicção que seu irmão tem de que ela é uma psicopata.

O livro já começa me irritando com a mania do protagonista de se referir aos pais, que são todos metidos a progressistas, como "parentais". Que frescura é essa? À cada vez que eu lia esse termo, meu sangue subia. Além disso, logo fui constatando que o enredo era muito mais sobre um adolescente se adaptando a uma nova cidade do que sobre a psicopatia de Rosa. Fala-se muito sobre seu namoro, sobre a família da namorada, sobre seus amigos e sobre os amigos de seus amigos. Há inclusive um capítulo inteiro narrando a visita do rapaz a uma loja de grife, que achei totalmente desnecessário. Tudo bem que a maioria dos acontecimentos acabam sempre convergindo para Rosa, que representa uma ameaça constante a todos que cercam Che, mas é enrolação demais. Sem falar que os personagens são insuportáveis. Dos pais negligentes, à namorada insossa, da amiga cheia de querer dar alfinetadas, à própria Rosa, que atormenta o irmão com seus questionamentos sobre conduta, cujas explicações ela sempre distorce.

Como pontos positivos ressalto o enfoque científico. Não sabia, por exemplo, que uma ressonância magnética pode indicar pela morfologia do cérebro se alguém tem predisposição para apresentar psicopatia. As conclusões a que Che, como estudante de neurologia, chega ao analisar as ações da irmã, observando seus atos e identificando neles sinais de que seu comportamento apresenta um desvio de caráter patológico também são bem curiosos. E reconheço que nas 70 últimas o livro alcança um ritmo febril de thriller e revela uma grande surpresa. Mas nada disso salva a leitura, com seus dilemas adolescentes que não me despertaram nenhum interesse, diálogos idiotas e muito rodeio pra pouca ação. Se quiserem um bom livro sobre psicopatas infantis que remetam a Menina Má, há opções muito melhores como O Anjo Mau de Taylor Caldwell. Sei que o livro foi muito elogiado lá fora e até recebeu um prêmio, mas pra mim foi uma péssima leitura.

domingo, 15 de outubro de 2017

Segredo de Sangue - Tess Gerritsen


Sinopse 

Um crime volta para cobrar mais vítimas no novo caso da detetive Jane Rizzoli e da legista Maura Isles. Cassandra Coyle, 26 anos, roteirista e produtora executiva de filmes de terror independentes, encontrada morta com os dois globos oculares arrancados e deixados na palma de sua mão esquerda. Timothy McDougal, 25 anos, contador, encontrado morto na véspera do Natal num píer com três flechas enfiadas em seu peito. Dois homicídios completamente distintos com uma única relação: a causa da morte é uma incógnita. Resta à detetive Jane Rizzoli e à legista Maura Isles solucionar o mistério antes que o assassino faça sua próxima vítima.

Resenha 

Essa é a série policial que mais amo no momento e fiquei muito feliz pela Record não ter demorado em publicar esse lançamento no Brasil, como geralmente acontece. O livro saiu lá fora em agosto e chegou aqui um mês depois. Tess continua em plena forma. É impressionante como ela tem mantido a qualidade mesmo doze livros depois. Um título ou outro mais fraquinho, mas a autora não demorou a reencontrar seu caminho e nesse livro traz todos os elementos que eu amo em seu estilo. Cenas de autópsia, perícia criminal, humor e os dramas pessoais dos personagens fixos que eu curto tanto, tudo na dose certa.

Encontramos Maura tendo de encarar situações não resolvidas em sua vida, como a aversão pela mãe biológica Amalthea e tudo o que ela representa, levando-a mais uma vez a questionar se o fato de ter escolhido lidar com a morte como profissão tem a ver com às suas origens infames. E o reencontro com Padre Brophy que a leva a avaliar se vale a pena insistir nessa relação proibida. Adoro a Maura e torci muito para que dessa vez ela tomasse uma decisão que a fizesse feliz. Enquanto isso, Rizzoli está mais burra do que nunca, tropeçando em indícios, mas incapaz de saber como encaixá-los. Admiro demais a personagem, pela sua força, coragem, ética e, principalmente, pelo quanto ela evoluiu no decorrer da série, mas muitas vezes ela age como uma toupeira. Não fosse a perspicácia de Maura, a investigação não andaria.

A trama policial é ótima. Com exceção de algumas cenas desnecessárias no início, como longos discursos no velório de uma vítima, coisa que acho um tédio, o ritmo é muito bom. Os crimes são brutais e conforme os investigadores vão fazendo as conexões entre eles e, com a ajuda de Padre Brophy, encontrando as referências religiosas nos assassinatos, a trama fica irresistível. Quanto mais se descobre sobre as ligações entre as vítimas, novos temas vem à baila, entre eles um escândalo sexual do passado, além de uma personagem bastante controversa que vive rondando as cenas de crime e me deixou o livro todo em dúvida sobre sua verdadeira índole.

O enredo é tão capcioso e escrito com tanta habilidade que sempre que eu começava a criar uma suspeita a autora me dava uma rasteira e virava o jogo. Talvez o mistério nem seja tão difícil de solucionar assim para quem fizer uma pausa na leitura e analisar as pistas, mas a leitura é tão contagiante que eu não queria parar. Pela impetuosidade como os acontecimentos foram se precipitando nas páginas finais, achei que a autora não nos daria todas as respostas, deixando algumas coisas a serem presumidas pelo leitor, mas tudo é muito bem explicado, inclusive os detalhes sobre um crime do passado. Só fiquei um pouco triste com a maneira como a autora se esforçou para dar um final conclusivo aos personagens fixos da série. Tess aparou tão bem as pontas soltas que não ficou nenhuma pendência para um próximo volume. O que me deixou com uma leve impressão de que esse seria o último livro da série. Espero que não, que a autora crie novos conflitos para seus personagens, porque não quero ficar órfão desse pessoal que aprendi amar.










sábado, 14 de outubro de 2017

A Grande Ilusão - Harlan Coben


Sinopse

Maya Stern é uma ex-piloto de operações especiais que voltou recentemente da guerra. Um dia, ela vê uma imagem impensável capturada pela câmera escondida em sua casa: a filha pequena brincando com Joe, seu falecido marido, brutalmente assassinado duas semanas antes. Tentando manter a sanidade, Maya começa a investigar, mas todas as descobertas só levantam mais dúvidas. Conforme os dias passam, ela percebe que não sabe mais em quem confiar, até que se vê diante da mais importante pergunta: é possível acreditar em tudo o que vemos? Para encontrar a resposta, Maya precisará lidar com os segredos profundos e as mentiras de seu passado antes de encarar a inacreditável verdade sobre seu marido – e sobre si mesma.

Resenha

Demorei pra me envolver com a trama porque achei o autor muito evasivo em narrar alguns acontecimentos do passado recente da protagonista. Pouco antes de perder o marido houve outra morte na família da protagonista, que apesar de tê-la abalado profundamente, não é muito bem explicada ao leitor. Maya também foi uma personagem que não me cativou. Se os protagonistas masculinos de Harlan esbanjam carisma, o mesmo não aconteceu com sua heroína. Acheia-a fria demais. Muito disso se deve ao fato dela ser uma soldado de guerra, lidando com situações tensas e por isso uma pessoa pouco sensível. Mas a achei racional demais. O autor deveria ter dado um toque mais humano à personagem.

O mote principal do livro, a imagem do marido dado como morto na filmagem de uma câmera de segurança, é muito intrigante, pena que é pouco explorado. Logo que Maya vê a filmagem, ela parte para uma investigação, mas logo a trama se desvia para outros assuntos e a "aparição" do marido fica em segundo plano, embora tudo esteja interligado.

Mas quando o livro está alcançando a sua metade, a narrativa ganha mais força. Segredos do passado são revisitados, aumentando o suspense. Adoro livros onde crimes há muito enterrados vem à tona e cobram seu preço. Não consegui me decidir quem seria meu suspeito, pois há muitas subtramas e descobertas que ao invés de lançar uma luz, só dificultavam a resolução do mistério, deixando tudo mais instigante, o que só aguçava mais minha vontade de chegar ao final.

E por falar em final, é diferente de tudo o que já li de Harlan. Tanto em relação à elucidação dos crimes, quanto ao epílogo que é emocionante. Fiquei muito surpreso com a revelação do culpado, não só pela identidade da pessoa, mas pelo modo como tudo aconteceu. E fiquei abismado com o destino dessa pessoa, uma cena genial. E quanto ao epílogo que mencionei, é lindo demais e compensou toda a emoção que Maya não conseguiu me transmitir durante a leitura. Um livro que pode até seguir a fórmula mais do mesmo do autor, mas que tem um desfecho muito especial.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

O Segredo do Meu Marido - Liane Moriarty



Sinopse

Cecilia Fitzpatrick é uma mulher realizada. É bem-sucedida no trabalho, um pilar de sua pequena comunidade, uma esposa devotada. Uma mulher que mantém uma vida rigidamente organizada. Mas uma carta encontrada por acaso no sotão, escrita por seu marido, com instruções para ser lida somente após a sua morte, pode mudar tudo. E não apenas para ela: Rachel e Tess mal conhecem Cecilia - ou uma à outra -, mas também estão prestes a sentir as repercussões do segredo do marido dela. Emocionante, O Segredo do Meu marido é um livro que nos faz indagar até onde conhecemos nossos companheiros - e, em última instância, a nós mesmos.

Resenha

O que mais me impressionou nesse livro foi o texto, extremamente introspectivo, mas fluído, de leitura muito agradável. Mesmo narrado em terceira pessoa, conhecemos profundamente a alma de cada uma das três protagonistas, que dividem conosco seus dilemas, seus temores e suas lembranças. O livro é uma longa conversa com essas mulheres tão comuns e por isso tão verdadeiras e a habilidade da autora em nos conduzir por suas divagações sem perder o foco é algo raro de se encontrar nos livros atuais. É inevitável não se identificar com os personagens, volta e meia sentia como se elas encontrassem palavras para descrever sentimentos que já tive. Por isso a conexão com eles foi muito forte.

Cada uma delas está passando por uma situação difícil. Tess sofre uma grande traição; Rachel está desolada com a separação iminente de seu neto, que mudará de país e Cecile descobre que o marido guarda um grande segredo. Segredo esse cuja revelação não é tão surpreendente assim. Logo no início dá para supor o que Richard esconde, mas como o livro é um drama psicológico e não uma obra policial, isso não chega a ser frustrante. O enfoque é o dilema de Cecília, que por boa parte do livro se pergunta se deve ler a carta que guarda esse segredo e durante o restante da trama tem de lidar com o impacto que essa revelação tem em sua vida.

E, justamente por se tratar de um drama psicológico, eu não esperava aquele final tão impactante. A autora seguiu por um caminho, que pelo menos pra mim, foi muito inesperado. A narrativa gostosa, calma, sem sobressaltos, que discorre sem pressa pelos acontecimentos do cotidiano não deu nenhum prenúncio de que a autora escolheria uma maneira tão brusca de resolver os conflitos dos personagens. Fiquei chocado com o desfecho de todos aqueles dilemas, mas gostei do fato de Liane não ter pudor em colocar o dedo na ferida. Quero ler seus outros livros pois agora sei que posso esperar de tudo dessa autora.

Outro ponto curioso da narrativa são as referências à queda do muro de Berlin. A autora traça um paralelo entre esse fato histórico e os conflitos de Cecília, usando o acontecimento como uma metáfora para falar dos diferentes tipos de prisão em que as pessoas vivem. Dos riscos de romper essas barreiras, mas também sobre o tormento que é viver isolado dentro de nossas prisões, sejam ela na forma de culpa, mágoa, tristeza ou de uma mentira. É um livro que nos faz refletir sobre os segredos que cada um guarda e que tanto mantê-los em silêncio ou revelá-los pode ter consequências desastrosas. Livro bem diferente do que costumo ler, mas que me proporcionou uma belíssima experiência.



segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Trocas Macabras - Stephen King


Sinopse

Castle Rock, na Nova Inglaterra, é um lugar tranquilo para se viver. Mas a chegada de Leland Gaunt desestabiliza a cidade através do preconceito, ódio, fraqueza e cobiça, provocando mortes e sofrimentos. Gaunt consegue isto através de uma loja de utilidades, que sempre tem algo especial para cada morador, que para conseguirem o que desejam pagam um preço simbólico para Leland, além de conceder a ele um simples favor, que consiste em pregar uma brincadeira em um de seus vizinhos. Mas o que parece algo inocente, pode ter consequências desastrosas.

Resenha

Trocas Macabras é uma das raridades de Stephen King, livro esgotado que raramente aparece nos sebos virtuais e quando isso acontece, é vendido por valores absurdos, coisa de R$ 300,00. Por isso me senti um afortunado por ter encontrado essa joia num sebo físico por apenas R$ 20,00. Ao passar no caixa morri de medo de que o dono dissesse que havia algum erro, que não era R$ 20,00, mas R$ 200,00, que o livro estava reservado, mas realmente o livreiro, numa loja não informatizada, não tinha ideia da relíquia que tinha em seu acervo. Apesar da felicidade em conseguir mais uma raridade sem gastar muito, o livro ficou dois anos na estante para ser lido, até que resolvi dar uma limada nas leituras pendentes e, finalmente chegou a hora de ler uma das obras primas do mestre do terror.

O livro é dividido em três partes, sendo a primeira delas bastante lenta. O autor descreve de forma minuciosa a vida na cidade de Castle Rock, mostrando a curiosidade que se instala entre os habitantes com a inauguração de uma nova loja chamada Coisas Necessárias, nos apresentando seu misterioso proprietário Sr. Leland, uma figura desconcertante e com o autor explorando os anseios e rancores de cada morador que por ali passa. Ele trabalha cuidadosamente cada personagem e as relações entre cada um deles, as mágoas e paixões guardadas, os segredos sórdidos, os traumas do passado que vão servindo como peças de uma bomba que a qualquer momento pode explodir. O curioso é que, apesar dos tratos faustianos que o Sr. Leland faz com cada cliente, oferecendo artigos que cada um deles deseja muito em troca de que preguem uma peça em seus vizinhos, o comerciante não obriga ninguém a fazer nada. Leland simplesmente usa as fraquezas humanas para desestabilizar toda uma cidade. Ele apenas dá um impulso para que sentimentos como cobiça, ira, ciúme, medo, lascívia, venham à tona e os próprios habitantes se encarregam de atacarem uns aos outros.

A partir da segunda parte a narrativa vai ganhando força. Os conflitos, que antes eram casos isolados vão causando efeitos colaterais, atingindo outras pessoas e assim dando início a um efeito dominó. Ao mesmo tempo em que as suspeitas do xerife Alan de que há alguém por trás de todos aqueles acontecimentos bizarros vai se tornando mais sólida, o que deixa cada vez mais definido o antagonismo entre o herói e o vilão da trama. E é na terceira parte que o livro alcança todo seu potencial de horror. King cria mais uma de suas famosas "cenas de banheiro", numa seqüência aterrorizante. Os personagens principais entram em conflito direto com os antagonistas, fazendo com que o bem e o mal entrem num confronto explosivo. E as caóticas imagens finais criadas pelo autor são de um impacto estarrecedor.

A despeito o início lento, de em muitos momentos ter achado a leitura cansativa, da quantidade enorme de personagens e de muitas vezes o autor perder o foco em suas longas dissertações, chega um momento em que o livro te arrebata e a leitura dessas 558 páginas é agradavelmente justificada. Trocas Macabras é leitura obrigatória para os fãs de Stephen King e gostaria muito que ele fosse reeditado para que todos pudessem ter acesso a esse livro fundamental para quem deseja conhecer a fundo a cidade de Castle Rock. Espero que a Suma o relance com uma edição digna de sua importância. Nem me importo se com isso essa minha preciosa edição fique desvalorizada. Nem paguei muito nela mesmo.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Gênese - Karin Slaughter


Sinopse

Uma caçada a uma mente doentia que está prestes a dar vazão a toda a crueldade de que a natureza humana é capaz. Quando uma paciente chega à emergência do hospital Grady gravemente ferida, a médica Sara Linton se depara com um mundo de violência e terror. A mulher foi atropelada por um carro, mas, completamente nua, com marcas de tortura pelo corpo, ela parece ter sido vítima de uma mente muito perturbada.
A polícia começa a investigação e o detetive Will Trent logo descobre uma câmara subterrânea que esconde uma revelação macabra: a mulher que deu entrada no hospital não foi a única vítima desse sádico.
Com a ajuda da Dra. Linton, Will e a sua parceira, Faith Mitchell, mergulham na caça ao assassino. Quando outra mulher desaparece sem deixar vestígios, a verdade os atinge como um golpe brutal: o esconderijo do assassino foi descoberto, mas ele continua em ação. Agora os três são o único obstáculo entre um louco e sua próxima vítima.

Resenha

Nesse livro Karin Slaughter une suas duas séries, a de Granty Count, iniciada no livro Cega, com a médica Sara Linton como protagonista e a série de Will Trent, iniciada em Tríptico. Já li ambos os livros mencionados, mas nem todos os volumes das séries, mas isso não prejudicou minha leitura. Foi bacana reencontrar Will, o tira disléxico. No primeiro livro não gostei muito do personagem, mas dessa vez ele me conquistou. Um policial que além de desempenhar uma profissão arriscada, ainda tem de esconder sua deficiência dos colegas. Will tem um senso de ética muito grande, é sensível e polido a ponto de nem parecer um policial. Sem falar da infância sofrida, crescendo num orfanato. Quanto à Sara Linton, achei-a bem diferente da personagem que havia conhecido. Após a grande tragédia que a fez mudar de cidade para começar uma nova vida, a médica tornou-se uma pessoa fechada, deprimida e antisocial, dedicando-se apenas ao trabalho. Mas, nesse quesito, Sara não mudou. Quando suas habilidades de clínica e legista são necessárias, ela age com a mesma paixão, competência e precisão de antes.

O livro já começa tenso, com a vítima de um maníaco escapando do cativeiro e dando entrada na emergência do hospital. Logo seu cativeiro é encontrado e quando a polícia chega lá a visão do local é um cenário de puro horror. Só o que Will encontra dentro daquele buraco já vale a leitura. E à cada nova pista, à cada nova vítima encontrada nos é revelado um detalhe mais chocante que o outro. Parece não haver limites para o sadismo do assassino. Além disso, seus atos são repletos de simbolismo, aumentando a curiosidade sobre o que ele quer dizer com seus crimes.

E as vítimas também são um atrativo à parte. Mulheres com vidas envoltas em mistério, com um passado sofrido e com um estilo de vida muito peculiar. Foi muito instigante acompanhar a investigação que os detetives fizeram sobre a vida de cada uma delas, esmiuçando sua intimidade, desvendando os segredos que a transformaram naquele tipo de pessoas e procurando pistas que as ligassem. Adoro livros onde as vítimas são investigadas, onde cada interrogatório com as pessoas que as conheceram vai fornecendo pistas sobre o que possa tê-las tornado um alvo.

Só gostaria que houvesse mais foco na investigação do que nos dramas particulares dos protagonistas. Não que a parte policial fique em segundo plano. Mesmo quando a narrativa se desloca para os dramas pessoais dos investigadores, para as lamentações de Sara e para a politicagem da polícia, há sempre alguma menção aos crimes. Mas geralmente são alusões repetitivas, remoendo as mesmas pistas sem que a investigação progrida rápido o suficiente pra tornar a leitura vibrante. Muitas vezes a polícia fica dando voltas sobre o mesmo assunto sem chegar a uma conclusão. Karin coloca uma lente de aumento sobre cada aspecto do enredo, principalmente sobre os problemas pessoais de seus heróis, o que os torna à cada página mais próximos do leitor, gerando uma grande empatia, mas atrasando a evolução da investigação, que é o que mais interessa. Preferia mais ritmo no parte policial, o que não quer dizer que esta seja tediosa. Muito pelo contrário. Mas é um livro muito bem escrito, que cria um vínculo forte com leitor a ponto de me deixar alucinado para ler os próximos e saber os próximos lances que ocorrerão em suas vidas tão complicadas.



sexta-feira, 8 de setembro de 2017

O Casal que Mora ao Lado - Shari Lapena


Sinopse 

É aniversário de Graham, e sua esposa, Cynthia, convida os vizinhos, Anne e Marco Conti, para um jantar. Marco acha que isso será bom para a esposa, afinal, ela dificilmente sai desde o nascimento da filha e da depressão pós-parto. Porém, Cynthia pediu que não levassem a bebê. Ela simplesmente não suporta crianças chorando.
Mas como a distância é mínima,  levam a babá eletrônica e se revezam para dar uma olhada na filha. Tudo vai dar certo. Porém, ao voltarem da festa, a porta da frente está aberta e Cora desapareceu. Logo o rapto da filha faz Anne e Marco se envolverem em uma teia de mentiras, que traz à tona segredos aterradores.

Resenha

No início não estava dando nada pelo livro. Achei a escrita desleixada, os personagens superficiais demais e nem mesmo o mistério de quem sequestrou a criança me deixou curioso. Além da narrariva no presente, que é algo que me incomoda. Por mais que a investigação andasse, que novas pistas fossem surgindo a todo momento, que acontecimentos intrigantes dessem uma aquecida na narrativa, não conseguia me conectar com o livro de modo algum.

Mas de repente, um pouco antes da metade, a história dá uma guinada tão inesperada que não conseguia mais interromper a leitura. Parte do mistério é revelada e então o enredo passa a focar mais nas consequências daquele sequestro do que na descoberta do criminoso. A vida de um personagem vira do avesso. Um erro vai levando a outro até que essa pessoa se vê totalmente emaranhada numa trama que ela própria armou. As coisas vão se complicando à cada página, o que me deixava cada vez mais curioso pra saber qual seria o fim daquela comédia de erros.

A partir daí os personagens se tornaram mais interessantes. Aos poucos a autora os aprofunda, tornando-os cada vez mais humanos, cheios de conflitos e dramas do passado. Anne, a protagonista se afunda cada vez mais no desespero, com suas estruturas ruindo com a falta de respostas sobre o destino da filha, tendo de lidar com as suspeitas da polícia e com o assédio da imprensa. Michael, o marido, além de passar por tudo o que a esposa passa ainda sofre humilhações do sogro, que nunca aprovou o casamento deles, sentindo-se excluído de sua própria família num momento de crise, quando todos deveriam estar unidos. Somente o deterive é quem não evolui dentro do livro, sendo apenas o cara que investiga, sem uma personalidade, sem maneirismos e sem vida pessoal.

O final foi até certo ponto previsível devido a uma macete que aprendi lendo livros policiais. Não dá pra falar qual é a pista que me levou a desconfiar de que essa pessoa estava envolvida no sequestro, porque senão vocês matam a charada. Mas mesmo antecipando a revelação da identidade do grande culpado, queria saber de cada detalhe e tudo foi explicado minuciosamente. Além disso houve outra revelação, não ligada diretamente ao sequestro, que me pegou de surpresa e fiquei admirado com a capacidade da autora de ligar todos os núcleos de personagens no final. Só o acontecimento da última página é que achei desnecessário. A pessoa em questão sofreu demais no livro pra que acontecesse mais aquilo. Entre tropeços e acertos, o saldo final é que não é um bom livro, mas é uma ótima leitura. Leiam e entendam.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Sete grandes escritores abandonados pelas editoras brasileiras


Dean R. Koontz

Considerado um dos mestres do terror, chegando a bater de frente com Stephen King, Dean Koontz tem uma legião de fãs no Brasil e é lamentável o descaso das editoras em relação a seus livros. O autor chegou a ser publicado por várias editoras do nosso país. Record, Prumo, Círculo do Livro publicaram juntas mais de vinte obras do autor. Não é pouco, mas se levarmos em conta que Dean tem mais de cinquenta livros publicados, que muitos de seus clássicos viraram raridades em sebos porque não tiveram reedições e que suas séries no Brasil não tiveram segmento e uma delas nem chegou a ser lançada aqui, há de se convir que ele foi abandonado por nossas editoras. Seu último lançamento em terras tupiniquins foi Seu Coração Me Pertence em 2014.


Michael Palmer

Grande nome do suspense médico, Michael Palmer seguiu os passos de Robin Cook. Praticamente ignorado no Brasil, o médico tem poucos livros traduzidos aqui. Uma injustiça, pois Michael não deixa a desejar. Um dos temas recorrentes em sua obra é a distorção da ética na Medicina. Fraudes em hospitais, pessoas que praticam eutanásia por dinheiro, uso indevido de material biológico, sacrifício de pessoas socialmente desprivilegiadas em prol de outras com poder aquisitivo maior, é esse o conteúdo da maioria de seus livros. Seu último livro publicado no Brasil foi O Quinto Frasco, pela Prumo em 2008.


F. Paul Wilson

A série Ciclo do Inimigo é um dos ícones do terror moderno, leitura obrigatória para os fãs do gênero e un grande sucesso de vendas. A tetralogia teve seus três primeiros livros lançados no Brasil, todos excelentes e muito bem recebidos pelo público. Porém, no melhor da festa a editora Record nos deixou na mão. O tão esperado quarto volume da tetralogia nunca foi lançado por aqui, nos deixando apenas na vontade de saber o final dessa saga que começou na Alemanha Nazista e é encerrada na década de 90. A Record até lançou alguns títulos avulsos do autor, inclusive ótimos livros de suspense e até relançou O Fortim, primeiro volume da série em formato de bolso, mas isso não resolve nosso problema.


Kathy Reichs

Não sei se os livros de Kathy Reichs foram sucesso de vendas no Brasil, mas só o fato de serem a base da série Bones, muito querida pelo público brasileiro, é motivo mais do que suficiente para que a autora receba um pouco mais de consideração das editoras. Deja Morta, seu primeiro livro foi lançado em 1993 pela Record. Desde então tivemos apenas 5 lancamentos aqui  em mais de vinte anos. Em 2015 duas editoras lançaram dois de seus livros simultaneamente e até achei que daí em diante a coisa engatava, mas não rolou. Até agora nada mais da autora foi lançado no Brasil.


Jonathan Kellerman

Jonathan Kellrman é mais um daqueles casos de autores que são publicados com regularidade e de um momento para o outro são abandonados pelas editoras. Comecei a ler o autor nas edições da Mandarim. Me encantei com sua escrita, com o enfoque psicológico e com a inusitada amizade entre o psicólogo Alex Delaware e o tira homossexual Milo Sturgis. Foram muitos os títulos publicados por essa editora, até que a Record adquiriu os direitos e incluiu-o em sua bela coleção negra, com varios títulos inéditos numa cuidadosa edição. Mas subitamente pararam de publicá-lo, o que é inexplicável, pois o autor tem um público fiel no Brasil que acompanha a série, mesmo lançada fora da ordem. O último livro do autor publicado aqui foi Desaparecidos, de 2010.


Lisa Gardner

Lisa Gardner causou muito furor entre os brasileiros e três livros depois desapareceu sem dar mais notícias. Seu primeiro livro Viva Pra Contar fez muito sucesso entre os fãs de thrillers psicológicos e logo foi seguido de Sangue na Neve e Esconda-se, todos da série da detetive D.D Warren e recebidos com entusiasmo. Mas a publicação, além de estar fora de ordem, não teve segmento. Uma pena, pois o estilo vigoroso da autora faz falta entre tantas séries que não empolgam.


John Saul

Embora nunca tenha sido uma grande estrela do terror, como Stephen King, Dean Koontz e Peter Straub, John Saul é uma referência no gênero. Seus livros geralmente são protagonizados por crianças, mas não há nada de lúdico em seus enredos. O autor despontou na década de 80, época em que o gênero bombou, mas mesmo tendo escrito uma vasta obra por três décadas, só teve três livros lançados no Brasil. Tanto que hoje  estão em estado de raridade. Fúria Cega, por exemplo, desapareceu dos sebos virtuais e quando voltar, certamente estará num valor absurdo.