terça-feira, 12 de setembro de 2017

Gênese - Karin Slaughter


Sinopse

Uma caçada a uma mente doentia que está prestes a dar vazão a toda a crueldade de que a natureza humana é capaz. Quando uma paciente chega à emergência do hospital Grady gravemente ferida, a médica Sara Linton se depara com um mundo de violência e terror. A mulher foi atropelada por um carro, mas, completamente nua, com marcas de tortura pelo corpo, ela parece ter sido vítima de uma mente muito perturbada.
A polícia começa a investigação e o detetive Will Trent logo descobre uma câmara subterrânea que esconde uma revelação macabra: a mulher que deu entrada no hospital não foi a única vítima desse sádico.
Com a ajuda da Dra. Linton, Will e a sua parceira, Faith Mitchell, mergulham na caça ao assassino. Quando outra mulher desaparece sem deixar vestígios, a verdade os atinge como um golpe brutal: o esconderijo do assassino foi descoberto, mas ele continua em ação. Agora os três são o único obstáculo entre um louco e sua próxima vítima.

Resenha

Nesse livro Karin Slaughter une suas duas séries, a de Granty Count, iniciada no livro Cega, com a médica Sara Linton como protagonista e a série de Will Trent, iniciada em Tríptico. Já li ambos os livros mencionados, mas nem todos os volumes das séries, mas isso não prejudicou minha leitura. Foi bacana reencontrar Will, o tira disléxico. No primeiro livro não gostei muito do personagem, mas dessa vez ele me conquistou. Um policial que além de desempenhar uma profissão arriscada, ainda tem de esconder sua deficiência dos colegas. Will tem um senso de ética muito grande, é sensível e polido a ponto de nem parecer um policial. Sem falar da infância sofrida, crescendo num orfanato. Quanto à Sara Linton, achei-a bem diferente da personagem que havia conhecido. Após a grande tragédia que a fez mudar de cidade para começar uma nova vida, a médica tornou-se uma pessoa fechada, deprimida e antisocial, dedicando-se apenas ao trabalho. Mas, nesse quesito, Sara não mudou. Quando suas habilidades de clínica e legista são necessárias, ela age com a mesma paixão, competência e precisão de antes.

O livro já começa tenso, com a vítima de um maníaco escapando do cativeiro e dando entrada na emergência do hospital. Logo seu cativeiro é encontrado e quando a polícia chega lá a visão do local é um cenário de puro horror. Só o que Will encontra dentro daquele buraco já vale a leitura. E à cada nova pista, à cada nova vítima encontrada nos é revelado um detalhe mais chocante que o outro. Parece não haver limites para o sadismo do assassino. Além disso, seus atos são repletos de simbolismo, aumentando a curiosidade sobre o que ele quer dizer com seus crimes.

E as vítimas também são um atrativo à parte. Mulheres com vidas envoltas em mistério, com um passado sofrido e com um estilo de vida muito peculiar. Foi muito instigante acompanhar a investigação que os detetives fizeram sobre a vida de cada uma delas, esmiuçando sua intimidade, desvendando os segredos que a transformaram naquele tipo de pessoas e procurando pistas que as ligassem. Adoro livros onde as vítimas são investigadas, onde cada interrogatório com as pessoas que as conheceram vai fornecendo pistas sobre o que possa tê-las tornado um alvo.

Só gostaria que houvesse mais foco na investigação do que nos dramas particulares dos protagonistas. Não que a parte policial fique em segundo plano. Mesmo quando a narrativa se desloca para os dramas pessoais dos investigadores, para as lamentações de Sara e para a politicagem da polícia, há sempre alguma menção aos crimes. Mas geralmente são alusões repetitivas, remoendo as mesmas pistas sem que a investigação progrida rápido o suficiente pra tornar a leitura vibrante. Muitas vezes a polícia fica dando voltas sobre o mesmo assunto sem chegar a uma conclusão. Karin coloca uma lente de aumento sobre cada aspecto do enredo, principalmente sobre os problemas pessoais de seus heróis, o que os torna à cada página mais próximos do leitor, gerando uma grande empatia, mas atrasando a evolução da investigação, que é o que mais interessa. Preferia mais ritmo no parte policial, o que não quer dizer que esta seja tediosa. Muito pelo contrário. Mas é um livro muito bem escrito, que cria um vínculo forte com leitor a ponto de me deixar alucinado para ler os próximos e saber os próximos lances que ocorrerão em suas vidas tão complicadas.



sexta-feira, 8 de setembro de 2017

O Casal que Mora ao Lado - Shari Lapena


Sinopse 

É aniversário de Graham, e sua esposa, Cynthia, convida os vizinhos, Anne e Marco Conti, para um jantar. Marco acha que isso será bom para a esposa, afinal, ela dificilmente sai desde o nascimento da filha e da depressão pós-parto. Porém, Cynthia pediu que não levassem a bebê. Ela simplesmente não suporta crianças chorando.
Mas como a distância é mínima,  levam a babá eletrônica e se revezam para dar uma olhada na filha. Tudo vai dar certo. Porém, ao voltarem da festa, a porta da frente está aberta e Cora desapareceu. Logo o rapto da filha faz Anne e Marco se envolverem em uma teia de mentiras, que traz à tona segredos aterradores.

Resenha

No início não estava dando nada pelo livro. Achei a escrita desleixada, os personagens superficiais demais e nem mesmo o mistério de quem sequestrou a criança me deixou curioso. Além da narrariva no presente, que é algo que me incomoda. Por mais que a investigação andasse, que novas pistas fossem surgindo a todo momento, que acontecimentos intrigantes dessem uma aquecida na narrativa, não conseguia me conectar com o livro de modo algum.

Mas de repente, um pouco antes da metade, a história dá uma guinada tão inesperada que não conseguia mais interromper a leitura. Parte do mistério é revelada e então o enredo passa a focar mais nas consequências daquele sequestro do que na descoberta do criminoso. A vida de um personagem vira do avesso. Um erro vai levando a outro até que essa pessoa se vê totalmente emaranhada numa trama que ela própria armou. As coisas vão se complicando à cada página, o que me deixava cada vez mais curioso pra saber qual seria o fim daquela comédia de erros.

A partir daí os personagens se tornaram mais interessantes. Aos poucos a autora os aprofunda, tornando-os cada vez mais humanos, cheios de conflitos e dramas do passado. Anne, a protagonista se afunda cada vez mais no desespero, com suas estruturas ruindo com a falta de respostas sobre o destino da filha, tendo de lidar com as suspeitas da polícia e com o assédio da imprensa. Michael, o marido, além de passar por tudo o que a esposa passa ainda sofre humilhações do sogro, que nunca aprovou o casamento deles, sentindo-se excluído de sua própria família num momento de crise, quando todos deveriam estar unidos. Somente o deterive é quem não evolui dentro do livro, sendo apenas o cara que investiga, sem uma personalidade, sem maneirismos e sem vida pessoal.

O final foi até certo ponto previsível devido a uma macete que aprendi lendo livros policiais. Não dá pra falar qual é a pista que me levou a desconfiar de que essa pessoa estava envolvida no sequestro, porque senão vocês matam a charada. Mas mesmo antecipando a revelação da identidade do grande culpado, queria saber de cada detalhe e tudo foi explicado minuciosamente. Além disso houve outra revelação, não ligada diretamente ao sequestro, que me pegou de surpresa e fiquei admirado com a capacidade da autora de ligar todos os núcleos de personagens no final. Só o acontecimento da última página é que achei desnecessário. A pessoa em questão sofreu demais no livro pra que acontecesse mais aquilo. Entre tropeços e acertos, o saldo final é que não é um bom livro, mas é uma ótima leitura. Leiam e entendam.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Sete grandes escritores abandonados pelas editoras brasileiras


Dean R. Koontz

Considerado um dos mestres do terror, chegando a bater de frente com Stephen King, Dean Koontz tem uma legião de fãs no Brasil e é lamentável o descaso das editoras em relação a seus livros. O autor chegou a ser publicado por várias editoras do nosso país. Record, Prumo, Círculo do Livro publicaram juntas mais de vinte obras do autor. Não é pouco, mas se levarmos em conta que Dean tem mais de cinquenta livros publicados, que muitos de seus clássicos viraram raridades em sebos porque não tiveram reedições e que suas séries no Brasil não tiveram segmento e uma delas nem chegou a ser lançada aqui, há de se convir que ele foi abandonado por nossas editoras. Seu último lançamento em terras tupiniquins foi Seu Coração Me Pertence em 2014.


Michael Palmer

Grande nome do suspense médico, Michael Palmer seguiu os passos de Robin Cook. Praticamente ignorado no Brasil, o médico tem poucos livros traduzidos aqui. Uma injustiça, pois Michael não deixa a desejar. Um dos temas recorrentes em sua obra é a distorção da ética na Medicina. Fraudes em hospitais, pessoas que praticam eutanásia por dinheiro, uso indevido de material biológico, sacrifício de pessoas socialmente desprivilegiadas em prol de outras com poder aquisitivo maior, é esse o conteúdo da maioria de seus livros. Seu último livro publicado no Brasil foi O Quinto Frasco, pela Prumo em 2008.


F. Paul Wilson

A série Ciclo do Inimigo é um dos ícones do terror moderno, leitura obrigatória para os fãs do gênero e un grande sucesso de vendas. A tetralogia teve seus três primeiros livros lançados no Brasil, todos excelentes e muito bem recebidos pelo público. Porém, no melhor da festa a editora Record nos deixou na mão. O tão esperado quarto volume da tetralogia nunca foi lançado por aqui, nos deixando apenas na vontade de saber o final dessa saga que começou na Alemanha Nazista e é encerrada na década de 90. A Record até lançou alguns títulos avulsos do autor, inclusive ótimos livros de suspense e até relançou O Fortim, primeiro volume da série em formato de bolso, mas isso não resolve nosso problema.


Kathy Reichs

Não sei se os livros de Kathy Reichs foram sucesso de vendas no Brasil, mas só o fato de serem a base da série Bones, muito querida pelo público brasileiro, é motivo mais do que suficiente para que a autora receba um pouco mais de consideração das editoras. Deja Morta, seu primeiro livro foi lançado em 1993 pela Record. Desde então tivemos apenas 5 lancamentos aqui  em mais de vinte anos. Em 2015 duas editoras lançaram dois de seus livros simultaneamente e até achei que daí em diante a coisa engatava, mas não rolou. Até agora nada mais da autora foi lançado no Brasil.


Jonathan Kellerman

Jonathan Kellrman é mais um daqueles casos de autores que são publicados com regularidade e de um momento para o outro são abandonados pelas editoras. Comecei a ler o autor nas edições da Mandarim. Me encantei com sua escrita, com o enfoque psicológico e com a inusitada amizade entre o psicólogo Alex Delaware e o tira homossexual Milo Sturgis. Foram muitos os títulos publicados por essa editora, até que a Record adquiriu os direitos e incluiu-o em sua bela coleção negra, com varios títulos inéditos numa cuidadosa edição. Mas subitamente pararam de publicá-lo, o que é inexplicável, pois o autor tem um público fiel no Brasil que acompanha a série, mesmo lançada fora da ordem. O último livro do autor publicado aqui foi Desaparecidos, de 2010.


Lisa Gardner

Lisa Gardner causou muito furor entre os brasileiros e três livros depois desapareceu sem dar mais notícias. Seu primeiro livro Viva Pra Contar fez muito sucesso entre os fãs de thrillers psicológicos e logo foi seguido de Sangue na Neve e Esconda-se, todos da série da detetive D.D Warren e recebidos com entusiasmo. Mas a publicação, além de estar fora de ordem, não teve segmento. Uma pena, pois o estilo vigoroso da autora faz falta entre tantas séries que não empolgam.


John Saul

Embora nunca tenha sido uma grande estrela do terror, como Stephen King, Dean Koontz e Peter Straub, John Saul é uma referência no gênero. Seus livros geralmente são protagonizados por crianças, mas não há nada de lúdico em seus enredos. O autor despontou na década de 80, época em que o gênero bombou, mas mesmo tendo escrito uma vasta obra por três décadas, só teve três livros lançados no Brasil. Tanto que hoje  estão em estado de raridade. Fúria Cega, por exemplo, desapareceu dos sebos virtuais e quando voltar, certamente estará num valor absurdo.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Um Estranho no Espelho - Sidney Sheldon


Sinopse 

Hollywood, a grande fábrica de ilusões. É na capital mundial do cinema que o jovem comediante Toby Temple faz de tudo para conseguir colocar seu nome no lugar mais alto dos letreiros luminosos. Uma posição que não se alcança apenas com talento, mas à custa de muito trabalho sujo, sexo por interesse e intrigas nos bastidores. Bem-sucedido, mas solitário, ele se apaixona por Jill Castle, uma candidata a estrela que se submetia aos desejos mais pervertidos dos produtores em troca de pequenos papéis. Porém, ele não pode saber do passado da amada, e ela lutará com todo o afinco para se manter como a esposa do famoso comediante.

Resenha

Sidney Sheldon é um dos meus autores preferidos, seus livros marcaram minha juventude e de vez em quando eu releio suas obras pra sentir aquele sabor nostálgico de uma época em que estava descobrindo a leitura. Não costumo fazer resenhas de todas as minhas releituras e no caso de Sheldon, essa será a primeira. E decidi fazê-la porque revisitar Um Estranho no Espelho quase vinte anos depois da última leitura foi uma experiência das mais gratificantes. O livro se inicia num navio, onde estranhos acontecimentos são o prenúncio de uma grande tragédia envolvendo os ilustres passageiros. O autor cria uma aura de mistério, soltando detalhes bizarros aqui e ali, pintando um quadro de terror. E após atiçar nossa curiosidade, volta no tempo, para contar a história de Toby Temple, um garoto pobre que deseja se tornar uma estrela do humor.

Um dos maiores trunfos do autor é a construção dos personagens. Sheldon conseguiu aprofundá-los sem ser prolixo. É fácil detestar Toby, com seu humor perverso, sua arrogância e seu egoísmo. Em alguns momentos ele parece apenas uma criança mimada, em outras um monstro capaz das piores crueldades quando alguém ousa ferir sua vaidade. Acredito que muitas estrelas da vida real sejam assim. Mas há também o outro lado de Toby. O garoto frágil, o amigo generoso e o homem triste e solitário que se esconde por trás do palhaço. O amor por sua mãe é um dos traços mais comoventes do protagonista.

Jill Castle também é uma personagem fascinante. Uma jovem que após uma grande decepção parte para Hollywood em busca da fama e ali só encontra mais miséria humana. Uma garota que sempre foi um fantoche do destino, sofrendo os mais diversos tipos de desilusões, até que quando conhece o já então famoso Toby Temple, finalmente dá a volta por cima e toma as rédeas de sua vida. Adorei a maneira como ela se vingou das pessoas que a feriram, amei a maneira como cuidou de Toby no momento em que ele mais precisou e me choquei com o gesto que cometeu na reta final. Jill me conduziu pelas mais diversas emoções, só o que não consegui foi julgá-la. Tantos anos depois e ainda não sou capaz de avaliar se sua conduta a transformou numa vilã ou se seu crime foi mais um golpe do destino.

Foi uma releitura que me deixou impressionado. Há coisas que não tinha experiência de vida o suficiente para compreender quando o li da primeira vez. A maneira como ele mostra que cada ruga, cada marca de expressão em sua imagem no espelho é um sinal de alerta do quanto o tempo é implacável. Que algumas oportunidades passam e não voltam, que por mais que lutemos é sempre o tempo quem vence no final. Coisas que com vinte anos ninguém compreende. Personagens muitos bem construídos, desenvolvidos com todo o cuidado, extremamente humanos, sem nenhum estereótipo. Uma trama impecável, sem furos, muito bem planejada. Que fala com propriedade sobre os bastidores do show bizz, área que o autor conhecia muito bem, pois foi um grande roteirista de cinema. E que nos presenteia com um tema que eu amo que é a vingança. Pois além da vingança de Jill, há outra, muito mais magistral. Do tipo, quem ri por último ri melhor. Tudo isso num texto incisivo, mas em alguns momentos muito delicado e reflexivo. Sem dúvida um dos livros mais bem escritos do autor. Não era um dos meus preferidos, mas passou a ser.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Entre Quatro Paredes - B. A. Paris


Sinopse

Grace é a esposa perfeita. Ela abriu mão do emprego para se dedicar ao marido e à casa. Agora prepara jantares maravilhosos, cuida do jardim, costura e pinta quadros fantásticos. Grace mal tem tempo de sentir falta de sua antiga vida. Ela é casada com Jack, o marido perfeito. Ele é um advogado especializado em casos de mulheres vítimas de violência e nunca perdeu uma ação no tribunal. Rico, charmoso e bonito, todos se perguntavam por que havia demorado tanto a se casar. Os dois formam um casal perfeito. Eles estão sempre juntos. Grace não comparece a um almoço sem que Jack a acompanhe. Também não tem celular, que ela diz ser uma perda de tempo. E seu e-mail é compartilhado com Jack, afinal, os dois não guardam segredos um do outro. Parece ser o casamento perfeito. Mas por que Grace não abre a porta quando a campainha toca e não atende o telefone de casa? E por que há grades na sua janela? Às vezes o casamento perfeito é a mentira perfeita.

Resenha 

Sabe aquela sensação de dinheiro bem gasto? Foi o que senti lendo esse livro. Um livro despretensioso, mas que me prendeu de um jeito que eu não sosseguei enquanto não terminou. Em muito devido à situação desesperadora da protagonista e sua luta solitária contra um inimigo cruel, sádico, dotado de uma inteligência perversa e quase onipotente: seu proprio marido.

Pisarei em ovos pra fazer essa resenha, pois um dos grandes lances dessa leitura é descobrir o enredo aos poucos. É notar que há algo de errado com os personagens, mas não saber exatamente o quê, ser pego pela mão da autora e levado ao passado, onde aquele relacionamento começou e acompanhar a trajetória de Grace, que achava ter encontrado o príncipe encantado, mas viu rapidamente seu adorável marido se transformar em seu carcereiro.

Apesar de numa primeira impressão a situação da personagem parecer forçada, pois em alguns momentos não dá pra acreditar que uma pessoa possa cair numa armadilha daquelas, se tornando refém de alguém sem reagir, aos poucos a autora vai mostrando o quanto o medo pode nos paralisar e nos transformar numa marionete nas mãos de uma pessoa mal intencionada. A maneira como Jack, o marido, manipula os acontecimentos fazendo com que a esposa sempre caia em suas armadilhas, ficando sempre em desvantagem e se emaranhado cada vez mais na teia que ele criou é desesperadora. Comprei a briga da protagonista e queria entrar na história para ajudá-la a encontrar uma saída para o tormento que se tornou a sua vida. Fiquei muito aflito em grande parte do livro, querendo chegar logo ao final para saber como tudo se resolveria. Senti muita raiva do marido, que levava sempre a melhor. Ele sempre estava um passo à frente e eu ficava desolado sempre que as tentativas de Grace de escapar eram frustradas. Sem falar nas torturas psicológicas, que nunca eram gratuitas. Cada humilhação, privação ou ameaça que a protagonista sofria tinha um propósito dentro do objetivo final do psicopata com quem havia se casado.

Só achei que faltou mais emoção no final. Não que tenha sido corrido, mas senti falta de sobressaltos, reviravoltas, imprevistos. Mas ainda assim gostei muito do desfecho, que foi redondinho, com o suspense permanecendo até as ultimas linhas e com uma atitude linda de uma certa personagem que me surpreendeu pela sua inteligência. Um livro que fala sobre o quanto as pessoas são capazes dos maiores sacrifícios para proteger aqueles que amam, mas há também o outro lado da moeda: pessoas capazes de usar esse sentimento em proveito próprio da maneira mais torpe.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Ninféias Negras - Michel Bussi



Sinopse

Giverny é uma cidadezinha mundialmente conhecida, que atrai multidões de turistas todos os anos. Afinal, Claude Monet, um dos maiores nomes do Impressionismo, a imortalizou em seus quadros, com seus jardins, a ponte japonesa e as ninfeias no laguinho. É nesse cenário que um respeitado médico é encontrado morto, e os investigadores encarregados do crime se veem enredados numa trama em que nada é o que parece. Como numa tela impressionista, as pinceladas da narrativa se confundem para, enfim, darem forma a uma história envolvente de morte e mistério em que cada personagem é um enigma à parte - principalmente as protagonistas. Três mulheres intensas, ligadas pelo mistério. Uma menina prodígio que deseja se tornar uma grande pintora. A professora da única escola local, que deseja uma paixão verdadeira e vida nova, mas está presa num casamento sem amor. E, no centro de tudo, uma senhora idosa que observa o mundo do alto de sua janela.

Resenha

Uma das coisas que mais me encantou nesse livro foi o texto sublime de Michel Bussi. Cada frase tem uma cadência delicada, cada sentença cuidadosamente elaborada, uma elegância na escrita que se tornou rara na literatura policial ultimamente. E mesmo sendo um texto bem elaborado a leitura é muito fluída. Sem falar na ambientação, deu muita vontade de conhecer a cidade de Giverny, e olhem que não entendo nada de arte. Mas se a escrita é primorosa, não posso dizer o mesmo do desenvolvimento do enredo. O livro é arrastado, não porque a narrativa seja lenta, mas porque é tudo muito desconexo o que me fez apreciar o texto, mas não me conectar muito com a história.

Temos três protagonistas muito peculiares: uma senhora de oitenta anos, amargurada com a vida, uma mulher de trinta e poucos anos vivendo um casamento infeliz e uma menina de onze anos que é um prodígio na pintura. Cada uma delas tem uma importância vital nos acontecimentos e o que cria uma grande expectativa no livro é saber qual a ligação entre as três. Ligação essa, que parece ser a chave de um crime perpetrado nos jardins de Monet. Além das três protagonistas vivendo cada uma seus conflitos, há também umas dupla de investigadores, só que essa me irritou aos extremos. Os caras parecem dois patetas andando em volta do próprio rabo. No início até curti o humor inocente que havia em suas cenas, mas quando percebi que iam ficar naquilo, se comportando como dois idiotas e não fazendo nenhum avanço na investigação, perdi a paciência.

Das três mulheres, embora todas tenham sido bem era retratadas, a senhora idosa foi a única que me conquistou, com sua visão cítrica da vida, acompanhando de longe a vida dos moradores. Seu texto era em primeira pessoa e eu adorei cada cena em que ela apareceu. Achei-a uma personagem extremamente rica, tanto que ela praticamente não interagia com ninguém o livro todo, exceto com seu pastor alemão, mas sua narrativa era a mais profunda. E outro personagem apaixonante foi o cachorro, que vivia perambulando pelo vilarejo e servindo de elo entre os núcleos de personagens. Ele parecia estar em todas.

Mas mesmo com alguns atrativos a leitura foi muito irregular, me entediando muito mais do que me prendendo. Até que faltando umas cinquenta páginas para o final é feita uma revelação tão inesperada que eu fiquei atordoado. Fiquei tão perplexo que minha vontade era voltar a leitura do início para entender como aquilo poderia ser possível. Num primeiro momento alguns acontecimentos não se encaixavam, mas pouco a pouco o autor foi explicando cada detalhe e quando o quebra cabeças foi montado fiquei em êxtase com o brilhantismo da história. Não me refiro à identidade do assassino, isso não me surpreendeu, foi uma solução até medíocre, mas sim a ligação que havia entre as protagonistas. Foi um final original, lindo e talvez o mais surpreendente que eu li na minha vida. Até hoje, mais de uma semana após o término da leitura, ainda estou maravilhado com a originalidade de Bussi. E se não estivesse com muitas leituras pendentes, começaria a relê-lo imediatamente, para me atentar à cada detalhe e encarar essa história por uma perspectiva diferente. E a última cena é até covardia de tão comovente. Apesar de alguns pontos negativos, recomendo demais a leitura, pois quero que outras pessoas tenham a mesma sensação que eu tive.



quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Indesejadas - Kristina Ohlsson


Sinopse

Uma garotinha desaparece de um trem com destino ao centro de Estocolmo. Parece ser um caso clássico de disputa familiar pela guarda de uma criança. No entanto, quando a menina é encontrada morta no extremo norte da Suécia, com a palavra “indesejada” escrita na testa, o caso toma proporções críticas. Em outra parte da Suécia, uma jovem vive oprimida pelo homem que um dia pensou ser seu príncipe encantado – e ela sabe melhor do que ninguém o motivo pelo qual a menina sumiu. A analista criminal Fredrika Bergman, a única com formação acadêmica entre os policiais, trava uma difícil batalha para conduzir o caso por uma linha de investigação diferente daquela escolhida pelo restante da equipe. O caso ganha contornos dramáticos, e o que todos temiam não pode ser evitado. A equipe deve se apressar para chegar ao agressor antes que mais vidas sejam perdidas.

Resenha

Ultimamente tem sido difícil encontrar uma série policial que realmente me dê gana de acompanhar. Há muito que procuro uma série que me faça me apaixonar pelos personagens e aguardar ansiosamente pelo próximo volume. E quando soube do trabalho de Kristina Ohlsson, tive esperança de que me encontraria novamente numa série policial. Comecei a série pelo segundo livro, do qual gostei bastante, só um pequeno detalhe no final que me incomodou e parti então para o início de tudo, lendo esse primeiro volume.

Há um grande destaque para a equipe policial que investiga os crimes, a autora explora a fundo a vida pessoal dos três detetives e acho isso bacana quando os personagens são interessantes, o que não é bem o caso. Fredrika, que seria a protagonista tem um passado traumático, uma paixão pela música que não pôde ser plenamente realizada e um relacionamento não muito convencional. Ou seja, tinha tudo para ser uma grande personagem, mas não tem carisma. Não consegui me conectar com os dramas da heroína, achei-a apática demais. Como detetive a achei competente, com uma mente analítica, chegando à conclusões muito antes de seus parceiros. Mas mesmo assim, faltou paixão em seu trabalho. Alex, seu chefe, até que é um cara legal, mas sua vida pessoal não tem conflitos. Pelo menos não no primeiro livro. Só Peder, o detetive esquentadinho, foi quem conseguiu me cativar, com seu temperamento forte e seus problemas matrimoniais. É o único da equipe que parece ter sangue nas veias.

A trama policial é boa, mas também não é tão empolgante assim. O início é bem intrigante, o desaparecimento da criança e a maneira como ela é encontrada, com a palavra "indesejada" escrita na testa tem um apelo dramático muito forte. A motivação do crime é um grande mistério e à medida que fica claro que a chave do segredo está na mãe e não na criança, esmiuçamos seu passado junto dos detetives, procurando pistas em cada interrogatório que fazem com seus parentes, amigos e conhecidos. O livro tem muitos personagens. São diversos pontos de vista, inclusive o da cúmplice do criminoso, que sofre um relacionamento abusivo com ele. Mas, apesar de sua narrativa aos poucos esclarecer ao leitor alguns detalhes de como os crimes foram cometidos, sua real identidade permanece oculta até quase o final.

O final me frustrou bastante no que se refere à identidade do assassino. Esperava uma surpresa, que não aconteceu. Mas teve bastante emoção, com uma situação bem tensa nas páginas finais. O texto de Kristina é bem fluído, as páginas voam sem que se perceba, e talvez tenha sido por isso que terminei a leitura tão rápido. Não pela trama ser envolvente, mas pela escrita fluída, dinâmica, alternando os pontos de vista. A autora dosa muito bem as cenas de investigação com a vida pessoal dos personagens, além das rixas entre os investigadores. Por ter havido um desenvolvimento maior das tramas pessoais de cada um dos investigadores no segundo livro, vou prosseguir com a série e ler o terceiro, Desaparecidas, que parece bem sombrio e conto pra vocês se vale a pena continuar acompanhando a série.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Eu Sei Onde Você Está - Claire Kendall


Sinopse

Rafe está em todos os lugares. E Clarissa vai encontrá-lo, mesmo sendo a última coisa que gostaria que acontecesse. Vai encontrá-lo na universidade onde ambos trabalham, na estação de trem, no portão de seu predio. Desde a noite traumática que passaram juntos alguns meses antes, ela se vê em uma armadilha da qual não consegue escapar. E ele se recusa a aceitar um não como resposta. A única saída de Clarissa são as sete semanas que passará em um tribunal, onde foi escalada para compor um júri popular. A vítima em questão viveu experiências que revelam uma similaridade macabra com a vida da jurada. Conforme o julgamento se desenrola, Clarissa percebe que, para sobreviver às investidas obcecadas de Rafe, será necessário se arriscar. Começa então a reunir evidências da insanidade do perseguidor para usá-las contra ele e relata todo o terror psicológico e físico a que é submetida, o que a obriga a reviver cada momento doloroso. Um retrato perturbador de uma mulher perseguida, determinada a sobreviver.

Resenha

Esse livro é narrado de uma maneira inusitada. Parte dela é escrita em segunda pessoa, num passado recente. O ponto de vista é o de uma mulher que se dirige a um homem que passou a persegui-la após uma noite de sexo. É como se ela estivesse escrevendo uma carta a ele, relatando tudo o que ele lhe fez, desabafando sua angústia diante de seu assédio incessante. E há também a narrativa em terceira pessoa, já no tempo presente, onde essa mesma mulher atua como jurada num caso de estupro coletivo. No início fiquei um pouco confuso com essa alternância. Livros divididos entre primeira e terceira pessoa são comuns, mas em segunda é novidade pra mim. Mas a história é tão instigante que logo me vi mergulhado na narrativa.

Minha empatia com Clarissa foi quase imediata. Uma heroína nada idealizada, humana, com defeitos e qualidades que se vê de repente perseguida por um cara que mal conhece. É um livro claustrofóbico, a autora consegue transmitir de modo visceral todo o desespero de uma mulher indefesa diante de um homem inteligente, astuto e sádico. É assustadora a maneira como ele invade a vida da jovem, atormentando-a com jogos psicológicos e também usando de violência física com uma naturalidade absurda. E é revoltante constatar o quanto ela se encontra impotente diante desse assédio que aos olhos das outras pessoas pode parecer algo inofensivo. A autora explora com muita competência a fragilidade de uma mulher sozinha diante de uma situação como essa, sua insegurança em pedir ajuda e se sentir julgada pela sociedade. Clarissa trava uma luta solitária contra um inimigo que guarda trunfos inesperados contra ela, mas sobre quem ela não sabe quase nada.

O livro tem um suspense crescente, com uma tensão que se intensifica à cada novo ataque que Clarissa sofre de seu perseguidor. Dá muita aflição vê-la se esquivando como um animal acuado, se escondendo na segurança do tribunal onde atua como jurada, buscando a companhia de outras pessoas e até se refugiando nos braços de um outro homem, mas sempre guardando o segredo de sua situação.

A autora tem um texto muito rebuscado, mas bem fluído. Há muitas referências literárias usadas das maneiras mais oportunas, comparando algumas situações que a protagonista vivia a de personagens de livros famosos. Às vezes a apatia da protagonista me irrritava um pouco, torcia para que ela pedisse ajuda, que se abrisse com o cara que conheceu no tribunal, um bombeiro que é a própria imagem da segurança de que ela tanto necessita. Mas levando em conta o que seu perseguidor fez com ela deu para entender a sua relutância em confiar em outro homem. Foi um livro que mexeu bastante comigo e adoro leituras assim. Fiquei apreensivo, sofri, me surpreendi com as atitudes de alguns personagens, tive esperanças e decepções ao lado da protagonista. Mais do que um thriller o livro é um pedido de socorro.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Escrita Maldita - Ben Oliveira


Sinopse

Após se tornar um best-seller com seu romance de terror de estreia, Daniel Luckman está prestes a realizar um grande desejo: escrever um livro com Laurence Loud, um dos melhores escritores de horror dos últimos tempos. Mas quando eles se encontram, coisas estranhas começam acontecer. A linha entre a ficção e a realidade, a loucura e a sanidade. Uma história de mistérios, passados sombrios e amor. Quando dois escritores de terror se juntam para escrever uma história, tudo pode acontecer. O processo de criação pode ser intenso, as emoções podem ficar confusas. Você estaria disposto a sacrificar tudo pelos seus sonhos?

Resenha

Ler esse livro é como se alguém estivesse o tempo todo
com um dedo no gatilho tamanha é a tensão que percorre a narrativa do início ao fim. Três pessoas confinadas numa casa de campo, entre elas dois escritores escrevendo um livro de terror em parceria. Dois homens talentosos, um debutando no mercado editorial, outro já consagrado, que se admiram mutuamente, mas que não tardam a demonstrar uma estranha animosidade. E como terceiro vórtice desse triângulo, a esposa de um deles, que serve como um ponto de equilíbrio na história, sempre abrandando os conflitos com sua diplomacia.

Logo que os dois autores se encontram percebe-se que algo de estranho paira no ambiente. Sentimos que há algo de errado, que há uma intenção maliciosa naquela pequena reunião, que a parceria é apenas um pretexto para algo muito mais macabro, mas não dá pra se definir o que é. O autor nos faz procurar pistas nos diálogos ácidos dos protagonistas, nas referências ao passado de cada um, nos pensamentos que eles compartilham conosco. Fiquei impressionado com sua habilidade de usar uma linguagem subliminar, deixando-nos inquietos com as atitudes mais banais dos personagens. Ben tem uma escrita provocativa, não dá pra fingir que não temos nada com aquilo pois ele nos cutuca a todo instante, mexendo com nossa curiosidade, nossa expectativa e, principalmente nossos medos.

Tenho de ressaltar alguns defeitos na obra. Há muitos erros de revisão, principalmente de concordância. Não sou formado em Letras nem nada pra ficar procurando pêlo em ovo, mas são coisas muito elementares e por isso fiquei admirado pelo autor ter deixado passar batido. Há também um assassinato que é tratado com total banalidade. Uma pessoa é morta por alguém famoso, tudo bem que em legítima defesa, e não há nenhuma comoção, nenhuma visita da polícia, nenhuma menção dos personagens à uma investigação. Eles simplesmente voltam aos seus afazeres como se a vítima tivesse apenas evaporado. Uma leve explicação sobre a repercussão desse crime não teria tirado o foco da trama. E há também o excesso de metáforas, que na verdade é mais uma chatice minha do que um erro propriamente dito. Metáforas quando bem elaboradas enriquecem muito o texto e é o caso de Ben, que é muito assertivo no uso da figura de linguagem. Mas quando usadas em demasia elas deixam a leitura pesada e às vezes acaba servindo de muleta para o escritor. Prefiro um texto mais enxuto. Mas é gosto pessoal. E todos esses "defeitos" não comprometem a qualidade da obra como um todo.

Ben nos tira da nossa zona de conforto, criando uma trama imprevisível, onde cada tentativa do leitor de antecipar os acontecimentos é suplantada pela habilidade do autor em nos surpreender, levando sua história por caminhos inesperados, mas sempre mantendo a rédea dos acontecimentos. O livro tem um suspense psicológico dos mais refinados, onde o terror parece espreitar em cada gesto, cada atitude e cada palavra dos personagens. Mas o autor também abusa do terror explícito. Um texto elegante e conciso, repleto de referências pop lançadas nos instantes mais pertinentes, mexendo com nossa memória afetiva e com isso criando um vínculo com o leitor. Informações sobre como adquirir é só contatar o autor pela pela página do Ben Oliveira no Facebook.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Capas de livros estranhamente parecidas

O nível de semelhança pode variar, mas que pode causar confusão, isso é verdade.  Os motivos para de vez em quando surgirem capas tão parecidas podem ser muitos. Uso de bancos de imagens, falta de criatividade ou simplesmente coincidência. O fato é que há muitas capas parecidas por aí e nem parentes são.




























 























 








sexta-feira, 30 de junho de 2017

A Desconhecida - Mary Kubika


Sinopse 

Todos os dias, a humanitária Heidi pega o trem suspenso de Chicago e se dirige ao trabalho, uma ONG que atende refugiados e pessoas com dificuldades. Em uma dessas viagens diárias ela se compadece de uma adolescente, que vive zanzando pelas estações com um bebê. As duas vivem nas ruas e estão sofrendo com a fome, a umidade e o frio intenso que castigam Chicago. Num ímpeto, Heidi resolve acolher Willow, a garota, e Ruby, a criança, em sua casa, provocando incômodo em seu marido e sua filha pré-adolescente. Arredia e taciturna, Willow não se abre e parece esconder algo sério ou estar fugindo de alguém. Mas Heidi segue alheia ao perigo de abrigar uma total estranha em casa. Porém Chris, seu marido, e Zoe, sua filha, têm plena convicção de que Willow é um foco de problemas e se mantêm alertas. Em um crescente de tensão, capítulo após capítulo a verdade é revelada e o leitor irá descobrir quem tem razão.

Resenha

É um livro com um ritmo bastante lento. A autora é bastante descritiva, não na ambientação, mas mergulhando na mente de cada personagem, dissecando suas almas, explorando seus anseios, preconceitos, frustrações e medos. E com um texto vívido ela narra a rotina de uma família e o impacto que a chegada de uma estranha causa sobre cada um dos membros e à maneira como se relacionam.

A narrativa se divide entre três personagens, sempre na primeira pessoa. Não caí de amores por nenhum deles, mas a autora é tão minuciosa na construção de cada um, que isso os torna muito convincentes e não há como não criar uma certa empatia por seus dilemas. Heidi, com sua mania de salvar o mundo como que para preencher um grande vazio deixado por uma tragédia do passado. Chris, o marido, que se sente incomodado com a presença de uma desconhecida em sua casa, temendo todos os perigos que implicam em acolher uma completa estranha. E Willow, a própria desconhecida do título, que narra sua história desde a infância. O fato de conhecermos o ponto de vista da jovem e seu passado tirou muito de meu entusiasmo pelo livro, pois achei que a história era sobre uma mulher misteriosa causando a discórdia numa família, guardando segredos sobre sua origem e suas intenções. Mas não é nada disso. Mesmo assim o livro guarda alguns mistérios.

Faltando umas cem páginas para terminar, o livro dá uma grande virada e só então assume o ritmo de um verdadeiro thriller. Fiquei estupefato ao descobrir um aspecto na personalidade de um personagem que, apesar de várias pistas, não havia notado. Estava tão absorto olhando para um lado e não percebi o que estava acontecendo no outro. A partir daí dá vontade de ler o restante do livro numa tacada só.

Apesar de alguns detalhes não terem me agradado no final, de ter achado uma informação ao bebê de Willow forçada demais, sua história muito clichê, achei uma boa leitura. Os personagens são pessoas comuns, com qualidades e defeitos e não heróis idealizados. Os conflitos internos de cada um deles fazem com que você se envolva com cada situação. Um texto muito fluído, apesar da ação ser quase toda psicológica. Uma leitura bem intrigante, curti muito o estilo da autora, principalmente a maneira como ela explorou a degradação mental de uma pessoa, mostrando o quanto a sanidade pode ser frágil, bastando um elemento catalisador para que a loucura domine.

domingo, 25 de junho de 2017

O que o Amor Esconde - Dorothy Koomson


Sinopse

Libby Rabvena tem uma vida confortável ao lado de Jack, seu amável marido. Mas ele parece ainda não ter superado a perda de Eve, sua primeira mulher, que morreu de forma trágica e misteriosa. Depois de sofrerem um horrível acidente de carro, do qual Jack sai praticamente ileso e Libby se fere gravemente, ela encontra os diários de Eve escondidos no porão. Disposta a procurar pistas sobre Jack e conhecer melhor a mulher que ele amava, Libby decide lê-los e descobre que alguns segredos são difíceis de suportar... e que a morte de Eve pode não ter sido acidental.

 Resenha

Um livro que por pouco não abandonei, mas que acabou por se tornar um dos meus favoritos. O tom de chick lit no início não me atraiu. Achei um texto muito voltado para o público feminino, com frequentes alusões a estética, maquiagem e roupas. Os personagens também não me cativaram. Achei Jack, o mocinho um cara mimado, que não dava sossego à protagonista, tentando convencê-la a sair com ele a todo custo. E Libby uma heroína sem graça, com a auto estima no chão, cheia de dilemas, se sentindo culpada por ter transado com um cara sem beijá-lo, frustrada porque não conseguiu fazer a faculdade que desejava, embora fosse bem-sucedida na profissão que escolheu. E, principalmente, sentindo-se inferior à primeira esposa de Jack, a tão falada Eve.

E é justamente quando Libby encontra o diário de Eve e começamos a ler sua história é que o livro dá uma virada sensacional. Eve toma conta da narrativa e sua história é apaixonante. Uma verdadeira saga que retrata a vida de uma jovem inocente jogada de repente num mundo inóspito e que é levada a fazer as mais difíceis escolhas para sobreviver. À cada golpe que ela levava da vida eu gostava mais da personagem, por não perder sua inocência, pelo seu enorme coração e pela força interior que ela própria não sabia que possuía. Usada pelos homens das maneiras mais vis, mas mantendo sua dignidade. Uma vida cheia de desilusões, humilhações, enganos, desamor, mas também um grande amor.

A narrativa se alterna entre passado e presente. Com o desenrolar da trama fui compreendendo melhor os personagens e passei a gostar mais deles. Libby ganhou meu respeito com algumas atitudes que tomou. Jack também mostrou outras nuances que mudaram minha opinião a seu respeito, um lado frágil que me tocou, apesar de manter minhas suspeitas sobre ele a respeito da morte de Eve até o final.

É um livro difícil de se classificar, pois não se prende a um único gênero. Há um mistério que só é esclarecido nas páginas finais. Há mais drama do que suspense psicológico. E também uma história de amor rocambolesca, cheia de encontros e desencontros. Uma leitura que, apesar do início confuso, prende,  emociona e te faz mergulhar fundo na alma de cada um dos personagens. Sofri com eles, me choquei com suas atitudes, suspeitei de muitos deles e fui arrebatado pelo final redentor.


sexta-feira, 23 de junho de 2017

Coração de Aço - Brandon Sanderson


Sinopse

Tudo começou com Calamidade, que surgiu nos céus como uma estrela de fogo, e que ninguém sabe o que é realmente. Seus efeitos, entretanto, podem ser sentidos algum tempo após seu surgimento: pessoas comuns passam a ter poderes que desafiam as leis da física e da lógica. E surge: os nomeados Épicos não apenas se tornam poderosos, mas parecem perder toda sua humanidade no processo, deixando o resto da população à mercê de suas vontades. Dentre eles o mais poderoso é Coração de Aço, um ser invulnerável a qualquer tipo de ataque e com capacidade de manipular e transformar objetos inorgânicos em metal, que decide tomar a cidade de Chicago e ali estabelecer seu império. Dez anos se passam e os Épicos governam com poder absoluto. Não existe nada e ninguém que possa impedi-los. A exceção a essa regra são os Executores, humanos normais, munidos de tecnologia de ponta que se utilizam de táticas de guerrilha para derrubar e matar o maior número possível de Épicos. E o grande objetivo de David, um jovem criado em um orfanato de Nova Chicago é juntar-se aos Executores e destruir Coração de Aço, o homem que matou seu pai e mudou sua vida para sempre.

Resenha 

O autor usou um elemento clássico das histórias em quadrinhos, mas ao invés de seguir por um caminho lúdico, onde o poder é usado de maneira nobre, mandou a real usando aquela tão conhecida máxima de que se o poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente. Brandon nos apresenta um mundo assolado pelo desmandos dos Épicos, pessoas que ganharam super poderes e passaram a oprimir os seres humanos comuns. As pessoas vivem escondidas como que em estado de sítio, esgueirando-se pelos subterrâneos da cidade, tentando sobreviver num mundo onde até mesmo a luz do sol lhes foi roubada.

Mas nem todos se curvam pacificamente ao poder implacável dos Épicos. Há seres humanos que resistem e, mesmo sem nenhum poder especial, se dedicam a levar esse reinado de super humanos à ruína. Eles são os Executores. E é planejando se tornar um deles para vingar a morte de seu pai que David passa sua vida estudando essas criaturas. Achei o protagonista um garoto adorável. Mesmo em sua obsessão em encontrar a fraqueza de seu inimigo ele não perde sua boa índole, sua ética e muito menos seu humor. Sua mania de criar metáforas é impagável e muito mais divertida ainda é sua reacão quando alguém faz uma metáfora melhor que a dele. Já Megan, que seria seu par romântico na história, é um verdadeiro porre. Garota chata, mal humorada, que se ressente de cada atitude de David, principalmente ao perceber que ele está ganhando a confiança de Professor, o líder dos Executores. Não consegui torcer pelo casal.

É muito bacana acompanhar o convívio entre os Executores, seus pequenos conflitos, os maneirismos de cada personagem e desvendar pouco a pouco seu passado. Mas fantástica mesmo é a maneira como eles descobrem a fraqueza de cada Épico, na maioria das vezes através das anotações de David. O grande trunfo do livro é justamente o mistério que há em torno do ponto fraco de cada Épico e a maneira engenhosa como os Executores usam essa fraqueza para destruí-los assim que as descobrem. Cada cena de ação é um turbilhão de adrenalina.

Uma decepção foi descobrir que Coração de Aço tem uma participação bem pequena no livro. Ele é mencionado durante toda a narrativa, conhecemos através dos diálogos dos personagens as histórias de horror que envolvem o Épico, mas como a narrativa é em primeira pessoa pelo ponto de vista de David, o vilão quase não aparece. Porém, compreendo que o mistério envolvendo o vilão, principalmente qual é sua fraqueza, é o maior atrativo do livro e, conhecê-lo com mais intimidade poderia tirar seu fascínio. E um ponto que me incomodou bastante foi uma informação sobre os Executores que é revelada nas páginas finais. Não posso dar detalhes sob risco de spoilers, mas foi algo que contrariou a premissa do livro. Tirando esses pequenos detalhes o livro é incrível, com um confronto final espetacular, sem falar na revelação genial sobre a tão intrigante fraqueza de Coração de Aço. Quero muito ler toda a trilogia.





quinta-feira, 22 de junho de 2017

A Vida em Tons de Cinza - Ruta Sepetys


Sinopse

1941. A União Soviética anexa os países bálticos. Desde então, a história de horror vivida por aqueles povos raras vezes foi contada. Aos 15 anos, Lina Vilkas vê seu sonho de estudar artes e sua liberdade serem brutalmente ceifados. Filha de um professor universitário lituano, ela é deportada com a mãe e o irmão para um campo de trabalho forçado na Sibéria. Lá, passam fome, enfrentam doenças, são humilhados e violentados. No entanto, aquele ainda não seria seu destino final. Mais tarde, Lina e sua família, assim como muitas outras pessoas com quem estabeleceram laços estreitos, são mandadas, literalmente, para o fim do mundo: um lugar perdido no Círculo Polar Ártico, onde o frio é implacável, a noite dura 180 dias e o amor e a esperança talvez não sejam suficientes para mantê-los vivos.

Resenha

Diferente da maioria dos livros sobre a Segunda Guerra, que se focam mais na Alemanha e nos horrores do nazismo, A Vida em Tons de Cinza fala sobre a invasão da Rússia aos países bálticos, o que deu início à União Soviética. Através da tocante história de uma família lituana deportada para a Sibéria, a autora relata toda a violência que serviu de prólogo para uma era de horror que tomou conta desses países.

Lina é uma adolescente de quinze anos, apaixonada pela arte, que retrata seus sonhos, anseios e paixões através de seus desenhos. Até que a brutal chegada dos russos interrompe sua vida até então perfeita. O livro já se inicia com a casa de Lina sendo invadida pelos soldados, que sem nenhuma explicação, arrastam sua família como animais para a carroceria de um caminhão, 
lançando-a numa verdadeira jornada rumo ao inferno.

A narrativa se divide em três partes. A viagem de trem que os prisioneiros de guerra fazem rumo a um campo de trabalho. A chegada e instalação deles nesse campo. E sua expatriação para a Sibéria, ou seja, para o fim do mundo. De todas as fases do livro, a melhor, mais dramática e envolvente é quando eles estão no campo de trabalho. Lá as relações entre os personagens se consolidam. Os prisioneiros criam fortes laços de amizade e essa é a única arma que eles têm contra os russos. A união lhes dá força para enfrentarem o frio, a fome e o desespero. Cada personagem reage de modo diferente diante das adversidades. O " Careca", com seu pessimismo; Jonas, no início uma criança inocente, mas que em pouco tempo amadurece e enfrenta com resiliência um sofrimento que parece não ter fim; Andrew com sua integridade, coragem e força; Elena
com sua dignidade inabalável. E a própria protagonista Lina, com sua inesgotável esperança, a despeito da realidade lhe dizer a todo instante que deve desistir. Uma artista que busca refúgio em seus desenhos, nos quais retrata toda aquela miséria humana.

A autora tem um texto sensível, transmitindo uma profunda melancolia conforme narra diversos tipos de violência que os personagens sofrem. Não é um livro deprimente, mas comovente. É difícil segurar o choro ao ler sobre as condições sub humanas nas quais aquele povo vivia. O livro faz refletir muito sobre a natureza humana. Será que a guerra, as adversidades e, principalmente, a impunidade nos transformam em monstros ou apenas revela quem somos de verdade? Afinal os russos são considerados os mocinhos na Segunda Guerra, são quem ajudaram os aliados a derrotarem a Alemanha. E no entanto seus soldados invadiam propriedades e escravizavam os cidadãos, agindo com uma crueldade repugnante. Mas assim como a autora explora esse lado vil da humanidade, também exalta a nobreza de sentimentos, falando de fraternidade, amor e perdão. Uma triste, mas linda homenagem a esse povo que mesmo após o fim da guerra teve de guardar silêncio durante décadas sobre esse episódio tenebroso.


segunda-feira, 19 de junho de 2017

Sete livros que me assombraram

Alguns livros fazem mais do que nos emocionar, intrigar, desafiar ou mesmo nos horrorizar. Eles causam reações quase físicas tamanho o impacto que tem sobre nós. E mesmo que sejam passageiras (graças a Deus), essas sensações tornam a leitura marcante em nossas vidas.


Quando os Adams Saíram de Férias

O livro conta a história de uma babá que ao acordar se descobre amarrada à cama por um grupo de crianças, aquelas que ela cuida e seus amigos. Até então isso não parece nada assustador, apenas uma brincadeira inocente. Mas conforme o tempo vai passando e a brincadeira de mau gosto vai dando lugar à torturas físicas eles percebem que foram longe demais e o medo das consequências os impede de soltar a jovem. O que me causou mal estar durante a leitura foi a frieza dessas crianças, principalmente da mais velha, que na verdade era uma adolescente. O livro transmite uma desesperança tão grande na raça humama, que fiquei deprimido durante dias e me desfiz da edição que eu tinha. É um livro que, apesar de entreter, te faz mal, parece que rouba sua fé na humanidade. Não leria de novo.


Fábrica de Vespas

É a história de um garoto que apresenta sinais de psicopatia e uma de suas primeiras vítimas é justamente uma criança de cinco anos. A execução desse crime foi a cena mais dolorosa que li nos últimos tempos. À medida que os planos do jovem assassino progrediam e eu via aquela criança se encaminhar para uma armadilha, entrei em desespero, pois não queria ler aquilo. E o que torna aquele ato tão repulsivo é a maneira como o psicopata se usa da inocência dessa criança para cometer sua atrocidade.


Represália

Outra história de horror envolvendo uma criança. Esse livro faz parte da quadrilogia O Ciclo do inimigo, que fala sobre uma criatura maligna que eventualmente surge na Terra para cometer suas terríveis atrocidades. Apenas o último não chegou ao Brasil, mas de todos os que li Represália é o que mais me impressionou. O livro tem um suspense psicológico dos mais bem elaborados e explora com  perversidade um relacionamento sadomasoquista entre uma solteirona e um rapaz misterioso. Quando falo em sadomasoquismo, não é no sentido sexual, mas psicológico. Essa relação doentia torna a leitura fascinante, mas o que me assombrou no livro foi um episódio que não tem muita relação com o tema principal: a cena de uma criança sendo enterrada viva. A atmosfera de terror que cerca esse momento do livro é de causar arrepios e entre tantas maldades cometidas pelo vilão ao longo da saga, foi a que mais me marcou.


Misery

Sei que Stephen King tem livros muito mais assustadores do que esse, mas o que, na minha opinião, torna Anne Wilkes muito mais temível que qualquer vilão sobrenatural de King é que ela é real. Ela existe sob muitos nomes diferentes por aí. É possivel que tenhamos cruzado com dezenas dela ao longo da vida sem perceber. Pessoas sádicas, mergulhadas tão profunfamente em seu egocentrismo que são capazes de de torturar outro ser humano para conseguirem o que querem. Traduzido no Brasil nos anos oitenta como Angústia, teve nesse título o mais apropriado, pois o livro passa essa exata sensação, ao narrar os momentos de tortura que uma vítima indefesa passava nas mãos de um calamidade em forma humana. Leitura maravilhosa, mas fiquei aliviado quando terminou.


Os Condenados

É uma história de fantasma, na qual o jovem Danny Orchar escapa vivo de um incêndio, mas sua irmã gêmea Ash não tem a mesma sorte e retorna do mundo dos mortos para infernizar a vida de seu irmão. Livros com temas sobrenaturais costumam me assustar menos do que histórias realistas, essa lista é um bom exemplo disso. Mas ocasionalmente me deparo com exceções e foi o caso da obra de Andrew.  Ash é uma garota perversa, que emana maldade e de maneira sutil manipula as pessoas para satisfazer seu sadismo. E se viva ela já era assustadora, depois de morta ela se torna uma praga. Ela não dá trégua às suas vítimas, perturbando-os a todo instante, causando pequenos acidentes que tiram a paz de toda uma família. Sem falar em suas aparições, que são terrificantes. Apesar do autor não se importar muito com estilo, em criar atmosferas, a naturalidade de seu texto, a assertividade em suas descrições, ele usa de poucas palavras pra descrever um cenário, mas é muito preciso, são arrebatadores o suficiente. Uma leirura que me deixou apreensivo.


Tannöd

Baseado num fato real, conhecido pela imprensa como o misterioso caso dos “Assassinatos de Hinterkaifeck”, o livro fala sobre uma família  que é encontrada morta numa fazenda na Alemanha, a Tannöd do título. Não há qualquer indício do assassino e muito menos do motivo. Os moradores da região se perguntam o que aconteceu naquele lugar e o enredo se desenvolve através do ponto de vista de diversos personagens ligados de alguma forma à vítimas da tragédia. Foi um livro que me deu arrepios. O texto direto, como se algum conhecido estivesse lhe contando a história dá um tom de realidade muito forte à leitura, como se todo aquele horror houvesse acontecido bem próximo de você. E a ideia de uma família inteira ser dizimada, e ainda mais de maneira tão violenta, é muito desoladora. A atmosfera do livro é densa, um clima de terror, como se algo de sobrenatural pairasse sobre os acontecimentos, mesmo que saibamos que não se trata de uma obra de fantasia. Sempre tem alguém vislumbrando algum vulto, ouvindo sons estranhos, percebendo que há algo errado. Alguns trechos são de gelar o sangue. Uma leitura rápida, mas dilacerante.


A Invasão dos Ratos

Uma grande metrópole é atingida por milhares de ratos, que organizam um ataque orquestrado contra a população que fica à mercê de um inimigo que tem a vantagem de estar por toda parte. Ratazanas enormes, que não poupam ninguém em seus ataques de ferocidade. Essas criaturas estão por toda a parte e logo a cidade se torna refém desses roedores. Essa premissa já é o suficiente pra deixar qualquer leitor aterrorizado. E pra mim que tenho verfadeira ojeriza a esses bichos foi pior. As cenas em que as pessoas são encurraladas por essas criaturas e devoradas sem chance de defesa são de embrulhar o estômago. Um livro de horror explícito, cuja trama é de uma simplicidade genial, usando nada mais que o medo que nós temos de que essa praga urbana com a qual convivemos se transforme em nosso predador.