sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Sete vilões de Sidney Sheldon


Larry Douglas

Larry não valia nada, mas tinha seus encantos. Um belo piloto de guerra que cruzava continentes com todo seu esplendor, seduzindo as mulheres, mas fazendo com que elas pagassem um alto preço pela breve, e muitas vezes ilusória, felicidade que lhes proporcionava. Além disso, episódios mal explicados em sua carreira como piloto de guerra deixaram dúvidas sobre sua tão honrosa carreira profissional. Um canalha com C maiúsculo.



Ken Mallory

Quando o belo médico chegou ao Hospital Embarcadero, mexeu com o desejo das mulheres que trabalhavam ali. Porém, Kate não se deixou seduzir de imediato por seus encantos. O médico teve de suar muito para conquistar a misteriosa jovem que nunca demonstrou interesse por nenhum homem do hospital. O problema é que o que o motivou não foi nenhum sentimento especial pela doutora e sim algo bem mais sórdido. Ken desceu a um dos mais baixos níveis que um homem pode descer, não só por fazer de Kate a peça de um jogo, mas por erros bem mais graves conforme ele ia se enrolando em sua própria armadilha.


Daniel Cooper

Um investigador de uma empresa de seguros aparentemente inofensivo foi a pedra no sapato de Tracy Withney. Sua obsessão pela bela vigarista aumentava à cada novo golpe perpetrado por ela. Atormentado pela culpa por um crime atroz cometido no passado, ele tentava punir Tracy para se redimir. Uma figura patética, mas extremamente inteligente, sagaz e perigosa.



George Mellis

"De perto, era ainda mais atraente. De um metro e noventa de altura, com feições bronzeadas perfeitamente modeladas, olhos negros e corpo escultural,quando sorriu revelou dentes brancos e regulares." Foi tudo isso que Eve Blackwell viu quando foi apresentada a ele. Mas por baixo de tanta beleza, se escondia um homem sem nenhum escrúpulo. Igualzinho a ela. George era um alpinista social que não media esforços para por as mãos na fortuna dos Blackwell. Mas tinha uma fraqueza: era impulsivo demais. Seus acessos de extrema violência era assustadores e deixavam uma trilha por onde ele passava.



Coronel Ramon Acoca

Este deu um grande trabalho para os terroristas e para as freiras que os acompanhavam. Caçava-os incansavelmente, sempre chegando perto, mas não o suficiente para alcançá-los. Mas apesar de toda a pose era apenas um pau mandado que seguia ordens de pessoas bem mais influentes. Um personagem com um passado trágico, mas que ao invés do sofrimento tê-lo tornado mais tolerante, o tornou uma pessoa ainda mais cruel.




Michael Moretti

Ele teve uma origem pobre, mas conseguiu vencer na vida, mesmo que por meios escusos. Aos poucos foi se tornando uma figura importante dentro da máfia, até se tornar um dos mais temidos chefões dos Estados Unidos. Era capaz de ordenar execuções com a maior frieza, mas sabia ser encantador quando queria. E, foi seu lado sedutor que atraiu a talentosa advogada Jennifer Parker. Um homem que emanava sensualidade com seu jeito violento, misterioso e implacável.




Constantin Demiris

Dono de uma incalculável fortuna, conquistador de dezenas de mulheres, um homem que se fez sozinho e que tem um senso de ética muito particular. Ele presenteia os que lhe deram uma mão e é impiedoso com quem o prejudicou. Cruzar o caminho de Constantin Demiris é pisar em ovos. Pois basta a mínima ofensa para ele destruí-lo sem o menor esforço.

domingo, 20 de novembro de 2016

O Órfão de Hitler - Paul Dowswell



Sinopse

Piotr é um menino polonês quando os nazistas invadem seu país e matam seus pais. Seu destino parece traçado: viver num orfanato, sendo depois oferecido para trabalho escravo. Mas seus olhos azuis, seu cabelo loiro e sua pele clara fazem dele um exemplo da raça pura, um modelo para a Juventude Hitlerista. Então, os alemães o entregam a uma família nazista. Só que Piotr, que nunca deixa de se sentir estrangeiro junto a sua nova família, começa a formar seus próprios conceitos sobre o que vê e o que lhe é dito. Ele não quer ser um nazista. E então assume um risco – o mais perigoso que poderia escolher na Berlim de 1942.

Resenha

A Segunda Guerra é um dos assuntos que mais me fascinam, principalmente quando se fala nos horrores do nazismo, uma mancha tão repugnante na História da humanidade que não dá para ficar impassível. Porém, diferente de todos os livros que li sobre o assunto, este mostra não o ponto de vista das vítimas ou dos oponentes do nazismo, mas dos cidadãos alemães que simpatizavam com a ideologia do terceiro reich. A narrativa é uma espécie de crônica da Alemanha nazista, retratando o cotidiano de uma sociedade mobilizada nos esforços de guerra e convicta de que os ideais defendidos por Hitler eram uma verdade absoluta. Fiquei abismado com a intensidade com a qual aquelas pessoas acreditavam estar fazendo a coisa certa seguindo os princípios de superioridade ariana que o ditador lhes incutia. Eles realmente acreditavam que faziam parte de uma raça superior e que os judeus deveriam ser exterminados da face da Terra para manter a pureza de sua espécie. O ódio que sentiam desse povo era irracional e a adoração por Hitler chegava a ser bizarra. O autor chega a mencionar uma versão da música Noite Feliz cantada pelos alemães naquela época, onde o nome de Hitler foi incluso na letra, de modo a exaltá-lo. Era uma crença cega em um homem que cometia crimes horrendos, mas que para eles estava salvando a Alemanha.

Mas é claro que nem todos partilhavam desse fanatismo, porém dizer qualquer coisa contra o Reich era correr o risco de ser deletado e mandado para um campo de concentração. O autor reproduziu muito bem todo clima de terror que havia na época, onde demonstrar compaixão por um judeu era praticamente assinar a própria sentença de morte. Porém, mesmo sabendo disso havia pessoas que se arriscavam em perigosas missões para tentar sanar um pouco do mal que era disseminado pelo nazismo. E uma delas é o protagonista Piotr, um órfão polonês que, retirado de um orfanato onde vivia em condições degradantes, é acolhido por uma família alemã e passa a viver como um deles. E isso significa ser um adepto fanático do nazismo. Porém, sua personalidade forte, sua coragem e boa índole entram em conflito com o que está acontecendo ao seu redor. Enquanto ele ainda é criança esses conflitos são interiores. Ao mesmo tempo que ele é apegado às suas origens polonesas, também é leal à família que o acolheu. Por isso, além da guerra que acontece lá fora, há uma grande guerra em seu interior, com sua compaixão pelos judeus se confrontando com sua vontade de ser um herói de guerra alemão e assim retribuir a hospitalidade do país que o recebeu e da família que o adotou. Mas conforme ele cresce, sua nobreza de caráter começa a falar mais alto, fazendo com que questione se ser um herói nos campos de batalha é mais importante que ajudar as vítimas indefesas que se esgueiram pela sua cidade.

Muita coisa no livro me deixou chocado, tanto em relação à hipnose coletiva que o povo alemão parecia estar sofrendo, idolatrando um monstro, quanto à maneira como os judeus eram tratados, mas o que me deixou enojado foi saber o que médicos alemães faziam com as crianças que sofriam de algum tipo do que eles chamavam de anormalidade. É doloroso saber que há apenas setenta e poucos anos as pessoas poderiam acreditar em algo tão absurdo e cometer crimes tão bárbaros em nome disso.

O livro tem uma bela reconstituição de época, mencionando muitos personagens reais, embora haja algumas discrepâncias cronológicas que o próprio autor justifica no final.
Personagens cativantes, embora um tanto superficiais. E uma tensão crescente que vai se intensificando, conforme o cerco vai se fechando tanto para a Alemanha, quanto para os personagens. Uma história que mostra que heróis de guerra não são apenas aqueles que são condecorados. Podem ser qualquer um. E criminosos de guerra não são apenas aqueles execrados publicamente. Podem ser cidadãos aparentemente inofensivos.





sábado, 12 de novembro de 2016

A Garota no Gelo - Robert Bryndza



Sinopse 

Quando um jovem rapaz encontra o corpo de uma mulher debaixo de uma grossa placa de gelo em um parque ao sul de Londres, a detetive Erika Foster é chamada para liderar a investigação de assassinato. A vítima, uma jovem e bela socialite, parecia ter a vida perfeita. Mas quando Erika começa a cavar mais fundo, vai ligando os pontos entre esse crime e a morte de três prostitutas. Que segredos obscuros a garota no gelo esconde? Quanto mais Erika está perto de descobrir a verdade, mais o asassassino se aproxima dela. Com a carreira pendurada por um fio Erika enfrenta várias dificuldadea no caminho, inclusive o assassino mais letal do que qualquer outro que já enfrentou antes.

Resenha

Antes de tudo, desconsiderem todo o marketing envolvendo comparações com Garota Exemplar e A Garota no Trem. A única semelhança desse livro com as obras de Gillian Flynn e Paula Hawkins é esse já batido "garota" do título. Apesar de todos os três compartilharem o mesmo gênero, que é o suspense, não há nenhuma semelhança entre o estilo de Robert e o das outras escritoras. Afastando-se das abordagens pouco convencionais muito em voga ultimamente, o autor faz o caminho inverso e nos oferece um clássico romance policial, que remete muito ao estilo de Agatha Christie do que aos ousados romances atuais. E embora muita gente possa dizer que o autor tenha caído no clichê, eu acredito que vale muito mais um clichê bem escrito do que um livro inovador onde o autor meta os pés pelas mãos.

Erika Foster, a protagonista foi o primeiro grande acerto do livro. Uma mulher com um passado trágico, que aos poucos vai nos sendo revelado. Apesar de ser uma mulher amarga, criei uma grande empatia por ela, devido à tragédia em sua vida pessoal e por sua ânsia em se agarrar ao trabalho como forma de manter a sanidade. Erika é uma profissional e tanto, perspicaz, dedicada e com muita coragem de defender suas convicções, mesmo que isso lhe custe consequências sérias. Por vezes impulsiva demais, ela acaba tomando atitudes radicais para provar que está na trilha certa, mostrando que apesar de muito intuitiva, tem pouca inteligência emocional para lidar com toda a politicagem na polícia.

Quanto à investigação em si, esperava um pouco mais de detalhes sobre perícia criminal. Achei que o autor fosse seguir pelo caminho de Tess Gerritsen, mas, apesar de haver um pouco de medicina forense no enredo, através da qual Erika obtém pistas importantes para chegar à verdade, a investigação se baseia muito mais nos interrogatórios dos envolvidos com a vítima do que em pistas científicas. E é nisso que o livro mais se assemelha aos clássicos policiais. Tem até mesmo uma família da alta sociedade inglesa, cheia de conflitos, onde alguns dos membros são suspeitos do assassinato da garota do título. O autor explora muito bem a personalidade de cada um, faz um excelente retrato dos bastidores do poder, onde investigações podem ser prejudicadas pela intervenção de gente poderosa e mostra a hipocrisia que há entre os muito ricos.

Mas a cereja do bolo foi a inclusão do ponto de vista do assassino. Quando a investigação já está num momento avançado e Erika demonstra estar no caminho da verdade, passamos a ter acesso à voz do criminoso, que circula pelos acontecimentos de modo incógnito, fazendo com que o suspense só aumente. Foi sensacional acompanhar seus pensamentos, ações e reações, sem conhecer sua identidade. Confesso que achei a revelação do culpado previsível, pois bem antes do final eu já tinha quase certeza de que era realmente aquela pessoa, mas o livro teve alguns desdobramentos tão desconcertantes que fiquei curioso em saber o real motivo dos crimes, pois há várias mortes. Quanto à detetive, gostaria de ter conhecido um pouco mais sobre o seu passado, mas como se trata de uma série, isso será certamente abordado nos próximos volumes, que espero serem logo publicados. Por ora foi um ótimo começo de uma série que promete.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

A Traição do Sapato Novo - Jeremias Bimbatti Filho





Sinopse

Uma relação de muitos anos, a celebração magnífica preparada, ele aguarda no quarto enquanto ela arruma-se no banheiro. Ao despir-se percebe um inesperado problema: um simples nó de cadarço o impede de tirar sua roupa. Apertadíssimo! Como nosso ilustre homem resolverá esta traição de um sapato num momento crucial deste? Uma história sobre os obstáculos que nos amedrontam quando o universo parece conspirar contra nossos planos. Este enredo faz parte da obra "O Livro das Identidades" (ainda em andamento). Entretanto, funciona também de maneira separada tendo começo, desenvolvimento, e fim. É possível encontrar revelações nos extras, um complemento adicional para quem deseja saber mais. Com três capítulos e um desfecho envolvente, será irresistível não ler novamente! Ah, os mistérios desta capa serão desvendados apenas por aqueles mais atentos.

Resenha

Não sou adepto da leitura digital, mesmo sabendo que essa plataforma tem uma imporância cada vez maior no mercado editorial e beneficia muito tanto os leitores quanto os autores, ainda tenho muito apego aos livros físicos e motivos pra isso não me faltam. Um deles é o próprio título desse blog. Por isso, só aceitei a parceria com o autor Jheremias Bimbatti por se tratar de um livro curto. São apenas quatorze páginas, mas fiquei impressionado com a capacidade do autor em compactar tanto conteúdo num texto tão curto.

A começar pelo estilo. Ao invés de optar uma escrita mais direta e coloquial, Bimbatti usa um texto rebuscado, que à primeira vista pode até parecer um tanto pedante, mas logo se percebe o tom de ironia em cada frase. O texto é carregado de sarcasmo, com um personagem pretensioso que à todo momento deixa claro o quanto se superestima. É muito divertida a maneira como ele fala sobre si mesmo.

E é por isso que a situação em que ele se encontra, com calça e cueca arriadas, impedido por um malfadado cadarço de tirar o sapato, se torna tão engraçada. Sem falar nos embaraços que essa situação pode causar. Um cara cheio de pose, surpreendido por algo tão trivial quanto um nó intrincado.

Mas o mais sensacional é o intuito dessa pequena história, pois no final é proposto um enigma tão instigante, que eu reli o conto várias vezes tentando encontrar as pistas para a solução. Até mesmo a capa pode esconder pistas. Apesar de muito curta, a história dá margem a diversas interpretações e por isso criei várias teorias sobre a solução do enigma. Uma leitura de poucos minutos, mas que me fez ficar horas atrás de pistas para desvendar o mistério. Quem se aventurar, não vai se arrepender. O livro está à venda na Amazon, no momento dessa postagem pelo valor de R$ 1,99.