domingo, 30 de outubro de 2016

Sete meninas más da literatura

Sete crianças que tocaram o terror foi um dos primeiros posts do blog, publicado há mais de dois anos e até hoje está entre os mais vistos. Afinal a maldade infantil é um dos temas mais controversos da literatura. E muitos leitores tem me cobrado a presença de Rhoda, personagem da obra de Willian March, entre a criançada do mal. Porém, como disse, o post foi publicado em 2014, muito antes da publicação do livro aqui no Brasil. Por isso, fiz uma nova lista, desta vez dedicada apenas às meninas que tocaram o terror na literatura.


Rhoda

Abrindo essa lista, ninguém menos que ela, Rhoda, uma das precursoras das crianças malvadas da literatura. Uma menina dócil, educada, que deixa todos admirados com sua maturidade, seu comportamento exemplar, mas que esconde debaixo dessa fachada uma índole que a transforma num perigo potencial para aqueles que cruzam seu caminho. Basta você ter algo que Rhoda deseja, para se transformar em seu alvo.



Theres

Ainda bebê ela foi encontrada numa floresta por um casal de músicos e acolhida por eles. Logo, descobriu-se que ela tinha um dom especial relacionado à música e por isso se tornou valiosa demais para que cogitassem a possibilidade de perdê-la. Mas a garota guardava segredos muito mais profundos e esse casal não sabia o perigo que corria tendo-a sob sua guarda. Um prova de que por trás do talento artístico, beleza e inocência pode haver uma maldade de proporções apocalípticas.



Vonda

No livro de Raphael Montes, onde cada conto se refere a um pecado capital, Vonda representa a inveja. Aos 13 anos, sua maior diversão é inventar histórias junto de sua irmã gêmea. Porém, essa brincadeira ingênua começa a ter contornos macabros quando Volda começa a cobiçar o namorado da irmã mais velha das gêmeas. As histórias lúdicas se transformam em um plano muito mais sinistro e para colocá-lo em prática basta um passo.


Claudia 

Transformada em vampira ainda na infância, a francesa Claudia foi amaldiçoada a viver eternamente no corpo de uma criança. E essa condição faz com que ela se rebele contra sua realidade. A criança que não pode envelhecer contempla amargamente as belas mulheres nas quais ela nunca se tornará e direciona sua fúria tanto contra suas vítimas, quanto contra os responsáveis por sua criação.


Eve

Aos cinco anos ela quase colocou fogo em sua irmã gêmea. E esse não foi o único atentado contra a doce Alexandra. Era só deixá-las sozinhas com que a menina sofria algum tipo de acidente. Eve odiava a irmã desde a mais tenra idade. Qualquer presente, carinho ou elogio que a garota ganhava era para ela uma ofensa pessoal. Para Eve, Alexandra estava tomando um lugar que deveria ser só seu. E essa rivalidade era só o prelúdio para um jogo de intrigas que se desenrolou até a sua vida adulta.


Camille

Irritiante, cruel, dissimulada e muito, mas muito chata. Todas essas características são as mais sutis em relação à Camille. Pois ela tem defeitos muito piores que esses. Ela faz parte daquele gênero de meninas muito comuns nas escolas, a garota popular que controla as outras e abusa de seu poder, cometendo assim os maiores desmando. Uma jovem sádica, que assim que vê o menor sinal de fraqueza ataca sem piedade.

Dhiane

Trata-se da história de uma babá que é presa por um grupo de “ crianças” e sofre uma série de torturas.  Na verdade as idades aí variam, dos 10 aos 17 anos, portanto, alguns são adolescentes.
Dianne é a mais velha, com 17 anos, é a líder do grupo e possívelmente a mente mais cruel entre as crianças. Em alguns momentos ela até se mostra amável com sua vítima, mas em outras atitudes demonstra ser a mais fria, cruel e manipuladora do grupo. Uma garota que não demonstra a menor piedade com o sofrimento alheio e só quer levar aquela brincadeira macabra até o fim.





quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Os Pássaros - Frank Baker




Sinopse 

Pássaros. Milhares, talvez milhões, sobrevoam Londres, de forma aparentemente inexplicável e sem sentido, onde parecem observar os habitantes da capital, que os consideram divertidos, se tanto um pouco estranhos. Enquanto as pessoas ainda tentavam entender o que faziam ali, eles começam a atacar, ferindo e até mesmo matando com tremenda brutalidade e violência. Seriam eles uma força da natureza ou uma manifestação sobrenatural? Ninguém sabe. A única certeza é que o objetivo dos pássaros é a destruição da humanidade e ninguém tem ideia de como impedi-los.

Resenha

Em 1963 entrou em cartaz o filme Os Pássaros, dirigido por Alfred Hitchcock e, segundo ele, baseado livremente no conto de Daphne du Maurier. Porém assim que a fita foi anunciada, Frank Baker, um escritor inglês mandou uma carta ao famoso diretor de cinema alegando ser sua a autoria da obra original e reivindicando uma compensação financeira. Essa nunca veio, mas após o lançamento do filme o livro de Baker foi reeditado e possivelmente vendeu bem mais que as trezentas cópias da primeira edição. Além de eu amar a obra de Hitchcock, toda essa polêmica aumentou minha vontade de conhecer a obra de Frank Baker, que chegou aqui pela Dark Side.

Narrado em primeira pessoa, o livro é um relato de um pai contando fatos ocorridos em sua juventude para sua filha. Logo no início sabemos que o mundo não é mais o mesmo depois da passagem devastadora dos pássaros e acompanhamos a prosa melódica do narrador contando como tudo aconteceu. O protagonista é um jovem de classe média, que tem um emprego burocrático e vive com a mãe viúva. Ele tem uma visão crítica da sociedade, descrevendo seus hábitos com um sarcasmo que denota o quanto acha fútil o modo de vida do europeu moderno. Seu desdém pelas convenções sociais, pelos avanços tecnológicos, pela futilidade do consumismo, pela hipocrisia da sociedade são alardeados sem reticências em sua narrativa. Porém, sendo um membro dessa mesma sociedade, ele é obrigado a ceder, a muitas vezes dançar conforme a música, a se submeter aos desmandos de um chefe arrogante por necessitar do emprego, a esconder sua bissexualidade, apesar de não negá-la a si mesmo. E, sendo uma pessoa com uma percepção incomum, vivendo uma vida comum, isso parece sufocá-lo. Tanto que seu texto, apesar de conter um humor irônico, tem um toque de amargura. É somente em contato com a natureza que ele se torna pleno. É entre a erma vegetação que ele encontra a sua paz e se despe do personagem que mascara seu verdadeiro eu.

E eis que surgem os pássaros. Eles surgem de modo esporádico, primeiro despertando a curiosidade da população que fica desconcertada com aqueles grupos de aves que do nada começam a se reunir e se aproximar das pessoas. Mas não tarda para que o inusitado logo se transforme em ameaça, com os primeiros ataques contra os humanos. Os pássaros zombam da população, fazem cocô em Hitler durante um de seus discursos, atacam o Rei da Inglaterra, matam um executivo e até mesmo pertubam o Papa em uma de suas aparições públicas. Como se assim  tripudiassem das convenções da sociedade. O livro também dá muita ênfase a relação urbanidade versus natureza. Há uma grande exaltação à pureza da vida campestre, tanto que quando o protagonista sai de férias para uma temporada no campo, descobre que aquele é um lugar do qual os pássaros nunca se aproximaram.

Quanto à polêmica envolvendo o filme, como não conheço o conto de Daphne, não tenho como afirmar se há algum plágio da obra de Frank Baker. Mas o filme de Hitchcock tem muitas semelhanças com esse livro. O protagonista que se envolve com uma estrangeira, a cena onde uma mulher é atacada na cabine telefônica e o horror catastrófico que vem do céu. Mas, apesar de ter uma atmosfera de terror, Os Pássaros é um livro que não se enquadra apenas nessa categoria. É uma obra ampla demais para ser definida num único gênero. Tanto que o livro não tem o ritmo de um thriller. Há muita ação, porém esta é psicológica. O autor nos conduz com maestria através de uma viagem pela alma de um protagonista admiravelmente bem construído, fazendo com que vivamos seus dilemas mais profundos. Mas também há muito suspense. Sem falar nas cenas de um horror apocalíptico em que os pássaros fazem as suas investidas. As trinta últimas páginas são uma leitura espetacular com cenas épicas de catástrofe. Tudo isso num texto rebuscado, por vezes melancólico, mas de uma fluência que te faz virar as páginas sem nem perceber.









terça-feira, 25 de outubro de 2016

Homem-Aranha - Entre Trovões - Christopher L. Bennett



Sinopse

Nunca foi segredo para ninguém que J. Jonah Jameson usasse o Clarim Diário para seus ataques ao Homem-Aranha; e, por mais que o Amigão da Vizinhança se esforce, sempre será uma ameaça segundo a opinião pública. Mas as coisas tomam novas proporções a partir do momento em que a vida de Peter Parker vira do avesso e pessoas muito próximas sofrem as consequências. Enquanto Manhattan é devastada por frequentes ataques, o herói tem de enfrentar a engenhosidade de robôs movidos por um só intuito: acabar com sua vida. Como se não bastasse, o sentido-aranha alerta que o aracnídeo não pode confiar nem mesmo em Mary Jane e na adorável tia May, e tudo aponta somente em uma direção: JJJ.
A busca por respostas pode custar a vida do herói, e vilões como Electro estão dispostos a garantir isso.


Resenha

Cada vez curto mais essa coleção da Marvel publicada pela Novo Século. Cada livro tem um estilo diferente, mas todos os que li me agradaram muito, seja pela escolha das histórias, pela qualidade da escrita, pela profundidade que dá aos personagens dos quadrinhos, algo que só a literatura pode proporcionar, e também pelos aspectos gráficos. A narrativa se alterna entre a vida doméstica de Peter Parker, com Mary Jane e Tia May, as intrigas do mundo jornalístico, na qual JJJ destila seu ódio contra o Homem Aranha e muitas cenas de ação, nas quais o nosso super herói trava uma batalha solitária contra um exército de robôs que surgem do nada e causam os maiores estragos por onde passam. Homem Aranha não sabe quem está por trás desses ataques e começa a investigar, tendo como suspeitos seus arqui inimigos.

Encontramos um Peter Parker mais amadurecido, trabalhando como professor de biologia e casado com Mary Jane. É curioso acompanhar a intimidade do casal, a maneira como eles conciliam suas vidas com suas outras atividades. Mary Jane com sua carreira artística e Peter com sua vida complicada vida de super herói. Um casal que leva essa realidade nada convencional com muita boa vontade, apesar dos atritos ocasionais que ela pode gerar. Mas o melhor são as cenas com Tia May, que nos presenteia com toda a sua sabedoria em diálogos edificantes e muito bem escritos.

Mas, apesar de mais amadurecido, o Homem Aranha não perde seu bom humor. O autor conseguiu reproduzir com eficácia toda a irreverência do herói, com suas deliciosas tiradas. JJJ também está impagável nesse livro. Sua rivalidade com o Homem Aranha rende ótimos momentos. O editor está mais neurastênico do que nunca, fazendo de sua rabugice um perfeito contraponto com o bom humor do super herói.

Os únicos momentos chatos do livro são, ironicamente, as cenas de ação nas quais o Aranha enfrenta os robôs. Como o próprio herói diz, é tedioso enfrentar máquinas, pois não dá para provocá-las com piadinhas durante o combate. Os maçantes detalhes técnicos sobre robótica, também colaboram para dar uma empacada na leitura. Sem falar nas constantes disgressões sobre o funcionamento do sistema de teias do Homem Aranha. Porém são pequenos detalhes que não prejudicam o livro como um todo. Excelente opção para uma leitura leve, cheia de referências à saga do Aranha, o que é o deleite para quem acompanha os quadrinhos, mas que não aliena quem conhece o personagem apenas através dos filmes. Mais um título da coleção que me encantou.



domingo, 9 de outubro de 2016

Sete heroínas nada convencionais



Raquel

Raquel é uma heroína nada convencional. Uma bêbada, que foi mandada embora de seu trabalho após chegar no serviço embriagada e desde então perambula pela cidade para preencher seu tempo e também para fingir para a amiga com quem divide o apartamento, que continua trabalhando. Seu estado físico e psicológico são lamentáveis. É alvo de deboche das pessoas, percebe isso, mas não consegue fazer nada para mudar. Sua autoestima é zero. Raquel muitas vezes me tirou do sério com suas atitudes desastrosas. A moça não dá uma dentro, tudo o que ela faz acaba se virando contra ela e isso faz com que ela fique cada vez mais emaranhada em sua autopiedade.


Annabel Hayer

Annabel é uma personagem bem diferente das que costumam protagonizar livros de suspense. Apesar de num trecho alguém se referir a ela como dona de "um belo rosto", ela não é descrita como uma mulher bonita. Gorda, já perto da meia idade e sem vaidade nem carisma, Annabel é uma pessoa sozinha, desesperançosa e sem nenhuma autoestima. Vive com seu gato, personificando o velho clichê da solteirona encalhada. Mas os clichês param por aí. Annabel é uma personagem extremamente aprofundada pela autora, uma mulher que convive há tanto tempo com a solidão, que está tão habituada em ser vista como a esquisitona, a ser menosprezada e muitas vezes nem mesmo ser vista como um ser humano, que passou a acreditar em sua insignificância.


Capitu

Uma mulher de personalidade forte, que criou o maior enigma da literatura brasileira: traiu ou não traiu? As ações de Capitu brincam a todo momento com as convicções do leitor, fazendo com que ora duvide, ora acredite na sua inocência. Ela, à primeira vista, pode parecer apenas mais uma mocinha da época do romantismo, subjugada pela opressão masculina, onde tem de se submeter à desconfiança e ao pré julgamento apenas por ser uma mulher bonita. Mas ela é muito mais que isso. Capitu, com sua beleza insidiosa representa a insegurança masculina diante daquilo que ama, mas não consegue controlar. Conforme seu próprio acusador diz: "Capitu era mais mulher do que eu homem".


Noelle Page

Noelle começa o livro como uma típica mocinha romântica, que sai de uma cidade pequena e se aventura na cidade grande, fica deslumbrada com todas as promessas que Paris lhe oferece, encontra um grande amor e sofre uma decepção. A partir daí um outro lado da jovem veio à tona. Um lado mais forte, mais decidido, mas também muito mais sombrio. Noelle nos choca com suas atitudes, abre caminho para conquistar seus desejos das maneiras mais questionáveis, para lá na frente, nos surpreender novamente. Uma mulher movida pela vingança, capaz de terríveis atos em nome do ódio e de pecados mortais em nome do amor.


Jane Rizzoli

Única filha mulher com dois irmãos brutamontes que eram o orgulho do pai, Rizzoli desde cedo aprendeu que seu lugar era ficar em segundo plano. Rabugenta, sem vaidades, sem auto estima, Rizzoli representava a antítese das heroínas. Uma mulher toda complexada, que não faz questão de agradar, impopular em seu ambiente de trabalho e que tem muita dificuldade em conquistar seu espaço na corporação. Mas aos poucos, Rizzoli vai provando seu valor e ganhando o respeito de seus colegas. E ao encontrar um grande amor sua vida tem um novo rumo. É curioso acompanhar a evolução da personagem conforme a série avança. Muitas outras Rizzolis vão surgindo dentro dessa mulher que conquistou o público mesmo com todos os seus defeitos.


Amy

Quem não leu Garota Exemplar deve pular essa personagem, pois é quase impossível falar de Amy sem soltar spoilers. Na minha opinião ela não se enquadra muito na categoria de heroínas, mas o público a aclamou tanto que não dá para deixá-la de fora. Amy é uma das protagonistas mais controversas da literatura moderna, surpreendendo o público ao revelar que não era a vitima inocente que a gente acreditava, mas pelo contrário, era a algoz. Mesmo tendo tomado uma atitude tão mesquinha, imatura e egoísta de simular a morte para incriminar o marido infiel, a personagem se tornou um grande sucesso, principalmente entre o público feminino. Talvez por representar a desforra de uma mulher numa sociedade onde a infidelidade masculina é tratada como um erro insignificante. Os motivos podem ser os mais diversos, mas, por incrível que pareça muitas pessoas dizem que amam a Amy. Enquanto também há quem a despreze. Para mim, ela nada mais é que uma mulher fraca, insana, mentirosa e egocêntrica incapaz de superar uma traição. As opiniões sobre Amy podem variar, mas ninguém fica impassível diante dela.



Lisbeth Salander

Desde a infância Lisbeth teve de lidar com a violência masculina. E desde muito cedo aprendeu a revidar da mesma forma. No início através de atos impetuosos, mas com o passar dos anos, sua maneira de se vingar se tornou mais bem planejada. Adulta, Lisbeth é uma figura que estampa em sua aparência seu passado conturbado, uma figura pálida, anoréxica, de cabelos bagunçados e com o corpo coberto por tatuagens. Lisbeth Salander se torna uma hacker de capacidade excepcional. Porém não é isso o que a torna tão especial. Lisbeth é considerada por alguns a maior personagem que surgiu no século 21. Isso porque ela representa  a nossa era de uma maneira visceral. Ela carrega as marcas que o Estado lhe impôs, mas sua independência é um eco da liberdade de pensar, de viver, de amar e de nos expressar que tanto lutamos pra preservar.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Uni-Duni-tê - M.J.Arlidge



Sinopse

Um assassino está à solta. Sua mente doentia criou um jogo macabro no qual duas pessoas são submetidas a uma situação extrema: viver ou morrer. Só um deverá sobreviver. Amy e Sam, um jovem casal, foram dopados, capturados, presos e privados de água e comida. E não há como escapar. De repente, um celular toca com uma mensagem que diz que no chão há uma arma, carregada com uma única bala. Juntos, eles precisam decidir quem morre e quem sobrevive. Em poucos dias, outros pares de vítimas são sequestrados e confrontados com esta terrível escolha. À frente da investigação está a detetive Helen Grace, que, na tentativa de descobrir a identidade desse misterioso e cruel serial killer, é obrigada a encarar seu passado. Em uma trama violenta que traz à tona o pior da natureza humana, ela percebe que a chave para resolver este enigma está nos sobreviventes. E ela precisa correr contra o tempo, antes que mais inocentes morram.

Resenha

Comecei a leitura desse livro com desconfiança. Parecia bom demais pra ser verdade e achei que o autor não daria conta do recado. Ou seria um livro muito bom ou muito ruim, sem meio termo. Mas, por incrível que pareça esse livro conseguiu ser as duas coisas. A trama é muito boa. Uma história de assassinatos em série com alguns elementos curiosos. A ideia de usar as vítimas como peças de um jogo mortal. As vítimas sendo assassinadas, não pelas mãos de um serial killer, mas pelo seu companheiro de cárcere. A dificuldade do sobrevivente em lidar com a culpa. Tudo isso faz com que a história seja envolvente.

O livro tem um ritmo febril, não há nenhum momento tedioso e, com um texto fluído, as páginas correm sem que se perceba. O autor sabe muito bem conduzir a trama. Cada sequestro gera uma nova pista, que desencadeia um novo desdobramento na história, fazendo com que se veja com cada vez mais clareza o padrão entre os crimes.

Porém, apesar da excelente trama, o livro me decepcionou em vários aspectos. As cenas nas quais as vítimas estão presas são mal exploradas. Momentos que poderiam nos proporcionar um grande jogo psicológico se tornam banais, tanto pela superficialidade com que são narradas, quanto pela frequência com que ocorrem. Ao invés do autor colocar um par de vítimas em cativeiro e mostrar seu desespero se intensificando quanto mais tempo elas ficam presas, ele faz com que tudo aconteça rápido demais e parte logo para as vitimas seguintes. Além do livro ser muito mal escrito. Os personagens são apáticos e a tentativa do autor de dar-lhes profundidade os tornou patéticos. Tudo é muito corrido, os capítulos não tem mais que cinco páginas, pois o autor não sabe desenvolver as situações. Falta clima, faltam personagens convincentes, falta segurança na escrita. Os detalhes forenses são muito evasivos, evidenciando a falta de um trabalho de pesquisa da parte do autor sobre o assunto.

Porém, apesar de todos os defeitos foi uma boa leitura. Uma história com cara de lenda urbana que manteve meu interesse à cada capítulo. Mesmo com os diálogos ridículos, o melodrama de alguns personagens e os absurdos, que na verdade até me divertiram. Poderia ter sido um livro muito melhor, claro, mas mesmo assim valeu.

sábado, 1 de outubro de 2016

Resultado Top Comentarista de Setembro




Pessoal, aqui vai o resultado do Top Comentarista de setembro. O prêmio é o livro Flores Partidas, de Karin Slaughter. Conforme o combinado, o vencedor seria aquele que seguisse todas as regras e tivesse a maior quantidade de comentários nos posts de setembro. Em caso de empate, como ocorreu com cinco participantes, seria decidido por sorteio e o vencedor foi João Soares.

Parabéns, aguardo seus dados de entrega no e-mail rsetembro@hotmail.com em até três dias.

As regras podem ser conferidas aqui.

Muito obrigado a todos, foi muito legal a interação e espero poder fazer novas premiações.