sexta-feira, 30 de setembro de 2016

À Sombra de uma Mentira - Alex Marwood


Sinopse

Poucas horas depois de se conhecerem, Jade e Bel, ambas com 11 anos, veem-se envolvidas na morte de uma garotinha e tachadas de assassinas. As duas meninas são enviadas a diferentes reformatórios, onde recebem novas identidades e são instruídas a nunca mais entrar em contato uma com a outra. Agora elas são Kirsty, uma respeitável jornalista freelancer de Londres, e Amber, gerente de um parque de diversões no sul da Inglaterra. Quando Amber encontra um corpo em uma das atrações do parque, a mídia fica em polvorosa, e Kirsty, enviada para cobrir os assassinatos, acaba cruzando o caminho de sua velha conhecida. Com medo de que seu passado seja descoberto e exposto pelo frenesi da imprensa, Kirsty e Amber lutam para manter o segredo a salvo.

Resenha

Quando vi esse livro entre os lançamentos da Record, fiquei fascinado pela sinopse. E quando recebi o exemplar fiquei ainda mais entusiasmado com os elogios de Stephen King e até de Jojo Moyes (que não tenho em tão alta conta, mas é uma grande referência atual). O prólogo foi bem impactante, dando a impressão de que um livro vibrante me aguardava. Mas bastaram algumas páginas pra eu sentir exatamente o contrário.

Sabemos que as meninas foram condenadas ao reformatório por estarem envolvidas na morte de outra criança, mas não sabemos como isso aconteceu. O livro então intercala passado e presente, reconstituindo o fatídico dia em que o crime ocorreu e, nos dias atuais, apresenta as protagonistas já adultas. Ambers é a administradora de um parque de diversões, sem filhos e que vive com um namorado atraente e enigmático. É uma pessoa que se importa com seus colegas de trabalho, tentando ajudá-los em suas dificuldades das mais diversas formas. Porém, achei-a ingênua demais para uma pessoa que passou por tanta coisa ruim. Kirstie, por sua vez, é uma jornalista desconhecida, casada e com um casal de filhos, passando por dificuldades financeiras devido ao fato do marido se encontrar desempregado.

Apesar do início chato, das longas e maçantes cenas do cotidiano, do excesso de personagens e da falta de empatia por cada um deles, criei uma certa expectativa com o momento em que as heroínas se reencontrariam. Acreditei que a partir daí o livro decolaria, mas nada mudou. A história dá voltas e mais voltas sem sair do lugar. As páginas avançavam e eu não conseguia enxergar uma trama, apenas um emaranhado de acontecimentos desconexos. E nem mesmo a série de crimes que permeia o livro, com jovens aparecendo mortas pela cidade me instigaram.

Só me animei a continuar lendo por causa de um elemento ou outro que surgia na história e dava alguma emoção, porém eram situações que não davam em nada. Rendiam alguns bons momentos, mas logo o livro caía novamente no marasmo. Quanto ao final, foi totalmente previsível. A autora usou recursos tão amadores para escrever um enredo policial que não enganariam nem mesmo os leitores mais inexperientes. Se é que se pode dizer que o livro tinha um enredo. Não gosto de fazer resenhas depreciativas, tento sempre encontrar pontos positivos, pois sei que escrever um livro não é tarefa fácil, mas nesse caso, tive de me esforçar muito para encontrar algo bom pra dizer. Foi uma grande decepção.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Como Eu Era Antes de Você - Jojo Moyes



Sinopse

Aos 26 anos, Louisa Clark não tem muitas ambições. Ela mora com os pais, a irmã mãe solteira, o sobrinho pequeno e um avô que precisa de cuidados constantes desde que sofreu um derrame. Quando o café onde trabalha fecha as portas, Lou é obrigada a procurar outro emprego. Sem muitas qualificações, consegue trabalho como cuidadora de um tetraplégico. Will Traynor tem 35 anos, é inteligente, rico e mal-humorado. Preso a uma cadeira de rodas depois de ter sido atropelado por uma moto, o antes ativo e esportivo Will agora desconta toda a sua amargura em quem estiver por perto. Sua vida parece sem sentido e dolorosa demais para ser levada adiante. Obstinado, ele planeja com cuidado uma forma de acabar com esse sofrimento. Só não esperava que Lou aparecesse e se empenhasse tanto para convencê-lo do contrário.


Resenha

Há muito tempo não lia um livro desse gênero, mas foram tantas as opiniões positivas que o encarei com muita boa vontade. Louisa não demorou a me conquistar com seu jeito despretensioso, seu humor autodepreciativo, sua transparência. Também me irritou com sua passividade em relação ao menosprezo que recebia da família. Aqueles pais me tiraram do sério, sempre colocando Louisa pra baixo e enchendo a bola de Katreena, sua irmã egoísta.

Achei Will um personagem apaixonante, mesmo com sua ranzinzice totalmente justificada. Adorei sua inteligência, seu sarcasmo e as alfinetadas que dava em Louisa. Era linda a maneira como ele, mesmo naquela cadeira de rodas, conseguia lhe apresentar um mundo novo, através da música, da literatura, dos filmes, mas, principalmente, de suas experiências.

A autora conseguiu criar cenas muito divertidas, narrando as tentativas, às vezes desastrosas, de Lou tirar Will de sua apatia. Mostrava também seus acertos, que criavam um vínculo cada vez maior entre os dois. Os momentos de Louisa com Patrick, seu namorado super atleta, também foram ótimos, um cara obcecado pelo próprio fisico, mas ridiculamente insensível, um contraponto perfeito para Will.

Mas chegou um ponto em que descobri que, apesar da linda história, dos bons personagens, mesmo sendo bastante estereotipados, da trama bem conduzida, o texto da autora é muito fraco. Esperava uma escrita mais madura, diálogos mais consistentes. Conforme eu lia, mais ficava enjoativa a leitura, tanto que levei sete dias para terminar um livro de 319 páginas. Quanto ao final, não esperava nada diferente, as coisas tinham realmente de terminar daquele modo, porém senti falta de mais emoção. Uma história tão dramática merecia um final mais bem trabalhado. Achei que aconteceu tudo muito rápido. Gostei da história, me envolvi com o drama de cada personagem, me emocionei em algumas cenas, mas muitas dessas qualidades se diluíram num texto tedioso. Ou seja, gostei da história, mas esperava mais. Me decepcionei com sua escrita. Dessa forma, até pretendo ler outros livros da autora, mas com uma expectativa bem menor.

domingo, 25 de setembro de 2016

O Intruso - Peter Blauner



Sinopse

O Intruso te leva psicologicamente fundo na vida dos deserdados, dos sem-teto, dos que vivem à margem de uma grande sociedade capitalista que ensina a triste arte de animalizar seres humanos. Um livro político e policial, poético e violento, denunciador e verdadeiro, emocional e crítico. Uma história na qual pessoas dos mais diversos circulos entram numa colisão com consequências desastrosas.

Resenha

Li esse livro muitos anos atrás e foi uma das melhores leituras da minha vida. E após encontrar uma resenha dele no blog Biblioteca do Terror, resolvi ir atrás de um exemplar para uma releitura. Não me recordava de praticamente nada do enredo, mesmo tendo sido o livro tão especial para mim, apenas que tinha um morador de rua rondando uma família. A própria sinopse não revela muito sobre a história e por isso também revelarei o mínimo, pois é aquele tipo de livro que deve ser descoberto página à página.

John G é um maquinista de metrô, que devido a um drama pessoal, perde a vontade de viver e, após um incidente em seu trabalho mergulha num poço de degradação humana. De cidadão digno, funcionário competente, em cujas mãos diariamente eram colocadas as vidas de milhares de pessoas, que ele conduzia através da cidade, ele se torna um morador de rua. É triste a maneira como o autor descreve a gradual decadência de um homem de bem, que primeiro perde o emprego, depois o lar e finalmente a dignidade. Como qualquer ser humano, John G reluta em descer cada passo, sentindo-se humilhado com cada grau de degradação, até se ver privado de tudo, misturando-se a turba de sem tetos que se esgueiram pelas ruas de Nova York.

O caminho de John G cruza com o de Jake, um advogado de classe média, a quem passa a atormentar, rondando sua família, cobrando deles uma dívida que, segundo ele parece acreditar, a sociedade lhe deve. O que mais impressiona no livro é o quanto seus personagens não nos deixa impassíveis. Eu me envolvia com seus dramas, torcia para que cada um encontrasse seu caminho e, principalmente, brigava muito com eles. Ficava indignado com a maneira como John G, o morador de rua, se aproximava da família do advogado e lhes roubava a paz. Revoltado com a falta de atitude de Jake em defender sua família, com seu excesso de diplomacia. E me exasperava até mesmo com Dana, assistente social, esposa de Jake, por não ter tido inteligência emocional o suficiente ao lidar com um de seus assistidos, permitindo que este passasse dos limites profissionais. Mas da mesma maneira que eles me tiravam do sério, eu compreendia o lado de cada um. Essa é a vantagem de um escritor que constrói muito bem seus personagens. Eles se tornam humanos demais.

Com o aparecimento de um novo personagem, o verdadeiro intruso do título, que se aproxima sutilmente da familia de Jake com intenções não muito claras, os acontecimentos se precipitam para um ato de violência que muda totalmente o rumo dos acontecimentos. A partir daí a história se torna ainda mais tensa, ganhando contornos de um vibrante suspense de tribunal. Mesmo que na releitura o livro não tenha tido o mesmo impacto de que quando o li pela primeira vez, ainda o considero uma obra excepcional. O autor retrata de modo pungente as angústias, frustrações e a desigualdade de uma grande metrópole. Mostra o quanto cada um de nós está vulnerável diante de um sistema que pode te desprover até mesmo da pessoa que você é. E com rara sensibilidade nos apresenta de maneira comovente uma realidade com a qual tropeçamos em cada esquina.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Fábrica de Vespas - Iain Banks



Sinopse

Frank, um garoto de 17 anos bastante incomum, vive com seu pai em um vilarejo afastado, em uma ilha escocesa. A vida deles, para dizer o mínimo, não é nada convencional. Para aliviar suas angústias e frustrações, Frank começa a praticar estranhos atos de violência, criando bizarros rituais diários onde encontra algum alívio e consolo. Suas únicas tentativas de contato com o mundo exterior são Jamie, seu amigo anão, com quem bebe no pub local, e os animais que persegue ao redor da ilha. Abandonado à própria sorte, ele observa a natureza e inventa sua própria teologia. Para ele, a natureza humana seria boa a princípio, mas corrompida pela civilização. Quando descobre que Eric, seu irmão, fugiu do hospital, onde foi internado após um surto de violência, Frank tem que preparar o terreno para seu inevitável retorno, um acontecimento que implode os mistérios do passado.

Resenha

O livro é narrado em primeira pessoa pelo ponto de vista de Frank, um adolescente que vive num lar assombrado pela insanidade. Um pai obsessivo compulsivo, que tem o peculiar hábito de medir todos os objetos da casa. Um irmão foragido da polícia, que fora preso por sua compulsão por colocar fogo em cães. E ele próprio, um garoto antissocial, que sofre de uma deficiência em seu órgão sexual e possui uma índole assassina. Frank divaga pelos fatos do presente e do passado, narrando suas experiências mórbidas com animais, sua rotina deprimente, as lembranças difusas que tem da mãe e sobre seus assassinatos.

O autor conduz a narrativa com muita habilidade, dosando a revelação de cada acontecimento com parcimonia, aguçando nossa curiosidade. A criatividade com a qual Frank mata cada uma de suas vitimas, além do simbolismo implícito em cada morte, me deixou abismado. Frank não tortura suas vítimas humanas, não tem nenhum contato direto com elas durante a execução de seus planos, não se esbalda em sangue como seria de se esperar de um assassino patológico, mas prepara armadilhas engenhosas para suas presas que são pegas desprevenidas. Uma das mortes, envolvendo uma criança de cinco anos me perturbou de modo particular. A maneira como Frank se aproveitou de sua inocência para levá-la a cair numa armadilha foi repugnante. À medida que a cena avançava menos eu queria ler aquilo.

Frank é um personagem intenso e cheio de nuances, apesar de sua aparência exterior ser a de um rapaz retraído, de aspecto pesado e até mesmo passar uma imagem de estúpido. Fiquei fascinado pela clareza com que ele enxergava o mundo à sua volta, distinguindo o bem do mal com nitidez. Ele sabe das implicações morais de seus atos, sabe o que é certo e errado, mas sua maior preocupação antes de cometer um crime é a de ser cuidadoso para não ser pego. Além disso, a auto análise que Frank faz de seus instintos perversos é de um discernimento impressionante. Mas, por incrível que pareça a narrativa de Frank nem sempre é fria. Pelo contrário, em muitos momentos é carregada de emoção, de desespero e de pesar. Frank é um personagem complexo demais para ser enquadrado numa definição tão simplista e até mesmo estereotipada. Ele é sim um psicopata, mas o que o impulsiona a cometer crimes é muito mais do que a ausência de remorso ou o sadismo. Além do assassino que nos horroriza com seus atos, há também um enfoque alegórico em Frank, que representa a angústia de uma pessoa que se ressente de algo que a vida lhe tirou e se vinga de modo covarde nos mais indefesos. Do homem misógino que despreza as mulheres, julgando-as seres inferiores, para esconder de si mesmo sua insegurança. Do ser inteligente que é capaz de se analisar profundamente, que usufrui do autoconhecimento, mas morre de medo do desconhecido. E do quanto esse autoconhecimento pode ser enganoso, pois no fundo não sabemos de verdade quem somos.

O livro tem um bom ritmo, o autor mantém o interesse do leitor soltando as revelações no momento certo, sem segurar os lances por tempo demasiado, mas também não entregando tudo de uma vez. As passagens em que Frank relata suas experiências bizarras com animais são bem chatas, mas o autor nunca perde o foco. Ele sempre desvia essas cenas cuidadosamente para o que mais interessa, que é o passado de Frank. E nas últimas páginas há uma revelação tão impactante que fiquei atordoado. Eu esperava alguma surpresa no final, mas a verdade sobre Frank foi um baque. Quanto ao que é a fábrica de vespas, só lendo para saber. Excelente livro, com um conteúdo reflexivo, um texto fluído e uma obra de grande relevância para a literatura, que após 34 anos, finalmente chegou ao Brasil. Parabéns à DarkSide pela publicação.


quinta-feira, 15 de setembro de 2016

O Adulto - Gillian Flynn



Sinopse

Uma jovem ganha a vida praticando pequenas fraudes. Sua mais recente ocupação consiste em se passar por vidente. Certo dia, ela atende uma mulher rica, que se mudou há pouco tempo para a cidade com o marido, o filho pequeno e o enteado adolescente e logo enxerga nesta cliente uma oportunidade de tirar vantagem da situação. No entanto, quando visita a impressionante mansão dos Burke, que Susan acredita ser a causa de seus problemas, e se depara com acontecimentos aterrorizantes, a jovem se convence de que há algo tenebroso à espreita.

Resenha

Mesmo em se tratando de um conto de 59 páginas, a autora tem cuidado em construir sua protagonista, retratando-a com a competência pela qual já é conhecida. Uma jovem vigarista, cujo nome nunca é citado na narrativa em primeira pessoa, que sobrevive de pequenos golpes, criada sem nenhuma estrutura, o que a tornou uma criatura sem raízes. Uma mulher livre, sem pudores que, apesar de não ter recebido uma educação formal, se sente intensamente atraída pela leitura. Adorei a maneira como a autora introduziu a literatura de terror no enredo, através da paixão da heroína por esses livros. Há várias referências a varios títulos, o que nos coloca diante de um belo exemplo de metalinguagem.

No que se refere ao terror na trama, a autora, tão conhecida por sua habilidade em conduzir tramas fugindo dos lugares comuns, dessa vez abusa dos clichês. Para criar uma atmosfera de sombria ela recorre aos maiores chavões do gênero. Não tenho nada contra esse tipo de recurso dependendo do contexto e em se tratando de uma trama de terror nos moldes clássicos, não tinha muito como fugir disso.

Porém, nas últimas páginas fui pego de surpresa, pois o que eu acreditava ser apenas uma história clássica de terror tem um novo desdobramento e então reconheci o estilo de Gillian em ação. A autora joga conosco, fazendo com que não se saiba em que acreditar. Você se coloca no lugar da personagem, sem saber que posição tomar.

Um bom conto, que me deixou impressionado pela quantidade de reviravoltas em tão poucas páginas e que rende uma leitura rápida, intrigante e gostosa. Não é nada fora de série, muito caro para a quantidade de páginas, acho que R$ 10,00 seria um preço razoável, mas uma boa opção para quem quiser sentir o gosto de uma velha história de terror. Quem tiver a oportunidade de lê-lo, vá em frente, seja comprando numa grande oferta, arrumando emprestado, pedindo de presente ou como for.



quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Compras da Bienal 2016


A Bienal é o momento mais esperado por nós, que amamos ler. Depois da primeira a gente vicia, tanto que no ano passado não aguentei esperar e fui também na do Rio. Mas, apesar de tão aguardada, achei a bienal meio caída esse ano. Nem mesmo peguei fila pra comprar o ingresso. Por um lado foi bom, pois a quantidade reduzida de pessoas tornou o trânsito lá dentro mais fácil. Detesto lugares lotados, com gente empacando na minha frente, pessoas que não olham para a frente, esbarram em você e ainda te xingam. Mas dessa vez não teve nada disso, pelo menos nos dias que eu fui.

Ir à bienal em busca de preços baixos é uma furada. Além dos absurdos R$ 25,00 de ingresso, os preços dos livros não são nada especiais. Com exceção da Record, que deu até 30 % de desconto em vários livros, inclusive lançamentos, os estandes estavam enfiando a faca no nosso bolso. A salvação foram aqueles saldões, pois apesar de numa primeira olhada você só ver aqueles livros encalhados, fuçando bem encontra-se muita coisa boa. 

Achei O Bispo de Steven James numa super oferta. Os livros desse autor são bem caros, por isso compensou, mesmo eu sabendo que esse volume vai ficar um bom tempo na fila, já que é o penúltimo da série e eu até agora só li o primeiro. 

Sou muito fã da Irmandade da Adaga Negra, apesar daquelas cenas hot ridículas, mas havia desistido da série pelo fato desta ter se tornado cada vez mais chata a partir do nono volume. Mas não resisti ao chamado do rei, nem ao ótimo preço e decidi dar mais uma chance aos irmãos.

Preces e Mentiras era um livro que eu já namorava há tempos e paguei um preço que nem nos sebos eu encontraria. Só foi difícil achar uma edição bonitinha, pois a maioria estava com as capas manchadas por algum defeito de impressão.


Mas não é só no fim de feira que passei a bienal. Visitei praticamente todos os estandes e me permiti um pouco de ostentação. A começar por pagar R$ 19,90 em O Adulto. Nem sei porque gastei essa grana num livro tão fino, comprei num impulso. Achei bacana a Intrínseca ter lançado esse conto individualmente, para que os fãs da Gillian Flyinn possam reunir a coleção completa de sua obra toda padronizada, mas deveria. comercializa-lo num valor menor.

A Novo Século arrebentou com uma promoção de seus títulos de novelizações da Marvel. Estou curtindo muito essa coleção e escolhi Homem Aranha, Entre Trovões. A Novo Século também estava com marcadores transbordando das prateleiras, coisa que não vi nos outros estandes.

Depois de ouvir muita gente se debulhar com a Jojo Moyes, meu amigo Guto do blog Consumindo Sagas é um que enche o saco falando dessa autora, resolvi conhecer seu texto. E como quero ler o livro antes de ver o filme, optei pelo mega sucesso Como Eu Era Antes de Você.

A DarkSide não teve estande próprio, mas encontrei alguns de seus livros num outro e comprei o tão aguardado Fábrica de Vespas, livro que levou 32 anos para chegar ao Brasil, que fala sobre um psicopata juvenil.


Quanto as atrações, foram poucas esse ano. A estação do Harry Potter foi o que mais se destacou, houve novamente o trono de ferro, de Game Of Thrones e o espaço da Turma da Mônica estava lindo. Muitos youtubers e poucos escritores de verdade. Até houve a presença de alguns autores que gosto, mas as datas não coincidiram com os dias que fui. Porém, tive o prazer de reencontrar meu querido Vitor Bonini, sempre simpático. Como não levei o livro, pois ele já o autografara em outra ocasião, o Vitor revirou o estande à procura de um exemplar sem etiqueta de preço para tirarmos a foto. Fica a dica para alguns autores metidos a estrelas que se recusam a posar ao lado de quem não compra seus livros.


Entre pontos positivos e negativos a bienal é sempre uma festa. É muito bom estar cercado de milhares de livros e encontrar pessoas que entendem sua loucura. E agora resta aguardar mais dois anos ou economizar uma grana para ir novamente na do Rio ano que vem.

domingo, 11 de setembro de 2016

Flores Partidas - Karin Slaughter



Sinopse

Quando Lydia contou para a irmã que o cunhado havia tentado estuprá-la, Claire não acreditou. Dezoito anos depois, porém, tudo o que Claire achava saber sobre o marido se provou uma mentira. Quando vídeos escondidos no computador de Paul mostram uma face terrível do homem que ela julgava conhecer, Lydia percebe que o drama de sua família tem muitas camadas que precisarão ser descobertas antes que a assustadora verdade por fim venha à tona. Mais de vinte anos atrás, a família Delgado sofreu um grande trauma: a caçula, Julia, desapareceu sem deixar rastros. Até que um acontecimento trágico reaproxima as irmãs, que se unem em uma trégua relutante para, vasculhando o passado, buscar respostas. Mas essa jornada vai trazer à tona segredos que destruíram a família décadas antes, junto com uma chance inesperada de redenção.

Resenha

Atualmente muitos escritores têm seguido uma tendência controversa na literatura em criar heroínas fora do convencional. Digo que é um caminho controverso porque é uma manobra arriscada. Grande parte dos leitores ainda se apega àquelas protagonistas idealizadas, com as quais é fácil se identificar. São poucas as protagonistas fora do convencional que conseguiram me conquistar ou me convencer, mas no caso desse livro, Karin foi muito bem sucedida na construção de suas personagens. Claire é uma mulher na meia idade, que veio de um lar marcado pela tragédia, mas que tem um casamento feliz com um homem rico, poderoso e que a cumula de atenções. Claire tinha tudo para ser uma dondoca fútil, mimada e super protegida. Mas ela não é nada disso. Tanto que logo no primeiro capítulo a encontramos sozinha num bar, aguardando o marido, recém saída em condicional, após uma breve temporada na cadeia. Sua irmã Lydia não fica atrás. Apesar de ter encontrado estabilidade em sua vida, dona do próprio negócio, com uma filha adolescente e um namorado apaixonado, ela já aprontou das suas em sua juventude. Mas o que realmente lhe deixou marcas profundas foi o rompimento com Claire, após ter acusado Paul, marido da irmã, de ter tentado estuprá-la.

Com a morte de Paul, que ocorre de forma dramática logo no início do livro, as duas se reencontram e ao descobrir fatos obscuros sobre o marido ao remexer em seu computador, Claire se reaproxima da irmã. À medida que ela vai chafurdando na lama que o marido deixou pra trás, mais podres vão surgindo e as descobertas atingem Claire de modo tão dilacerante que eu me via cada vez mais emaranhado naquela história, dividindo o sofrimento com a personagem e cada vez mais curioso sobre até onde os segredos de Paul poderiam levar. É comovente a reaproximação das duas irmãs. Dolorosa, hesitante cheia de ressentimentos. Um reencontro que traz à tona muitas mágoas do passado, além de remexer na ferida nunca cicatrizada que é o desaparecimento nunca solucionado de Julia, a irmã caçula. Karin explora todo esse turbilhão de emoções sem cair no melodrama, mantendo a elegância de sua escrita, mas sem nenhuma reticência em exumar todos o sofrimento que permanece enterrado no coração de cada uma daquelas pessoas.

E, como se já não bastasse tanto mistério e emoção, passando da metade do livro a autora dá uma reviravolta, alterando completamente o jogo. Confesso que antecipei essa revelação devido a algumas pistas que foram deixadas no caminho, mas não esperava que esse acontecimento pudesse me deixar em tamanha dúvida a respeito do verdadeiro caráter de um determinado personagem, torcendo para que ele me surpreendesse e se redimisse, mas cada vez mais desconcertado com suas atitudes.

O livro tem um ritmo constante, dando tempo para que absorvamos a intensa carga dramática, nada corrido nem lento demais, exceto nas cem últimas páginas onde a autora se torna excessivamente descritiva nas ações dos personagens, empacando a leitura. É uma página inteira pra narrar alguém atravessando a rua. Isso tirou um pouco do meu entusiasmo, fazendo com que eu demorasse mais do que pretendia para terminar. Mas, mesmo assim, foi uma das melhores leituras dos últimos tempos. Um livro pungente, ricamente escrito que me deixou impressionado com o talento dessa escritora. E quem quiser concorrer um exemplar de Flores Partidas, basta participar do top comentarista de setembro.







sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Sombras de um Crime - Val McDermid


Sinopse

A psicóloga Fiona Cameron dedicou a vida a capturar criminosos para impedir que outras pessoas morressem de forma tão brutal quanto Lesley, sua irmã caçula. Contudo, jurou jamais trabalhar para a Scotland Yard novamente, uma vez que agiram contra seus conselhos e, como resultado, destruíram uma investigação. Porém, ao descobrir que há um assassino à solta liquidando escritores da mesma forma como as vítimas são mortas nos livros, ela não consegue deixar de suspeitar que seu namorado, um premiado autor de suspense, seja um alvo em potencial, e decide investigar.

Resenha

Adoro livros de serial killers, livros com profilers, livros com personagens escritores e esse tem tudo isso e muito mais. Porém, apesar da trama ser repleta de violência desde o início, com crimes acontecendo por toda a parte, eu fui perdendo o entusiasmo à cada página. E o motivo era exatamente esse: coisas demais acontecendo e tirando o foco do livro da tão fascinante trama principal. Fiona Cameron, a psicóloga forense que protagoniza o livro, se divide entre três investigações diferentes, uma delas em outro país, o que torna a trama muito dispersa no início. Eram tantos os crimes que chegou um ponto em que eu nem sabia mais do que os personagens estavam falando. Tanto que no início quase abondonei a leitura pela falta de foco na trama principal. Há livros que se alternam entre diversas subtramas e isso só torna a leitura mais dinâmica. Mas achei a trama principal forte demais para se desviar dessa maneira. É um enredo grandioso, repleto de camadas, com muitos personagens, pra ser interrompida a todo instante por assuntos paralelos. Mas que bom que resisti, pois por volta da página 140 a história se concentra naquilo que interessa e conseguiu me capturar.

O livro é dividido em diversos pontos de vista, entre eles o da psicóloga criminal Fiona Cameron, o de seu namorado, o escritor Kit, um cara sensível dentro de um corpo de um brutamontes, o do assassino, em primeira pessoa e o das vítimas, que entram em cena pouco antes de serem assassinadas. O que torna a leitura muito empolgante é que tomamos conhecimento de quem será a próxima vítima do serial killer pouco antes do crime acontecer e dessa forma, acompanhando o ponto de vista da vitima e seu cotidiano, sabemos que cada passo que ela dá a leva mais perto de cair em uma cilada. Gosto demais desse tipo de jogo narrativo, onde os pontos de vista se alternam e somente nós, os leitores, estamos cientes de tudo. Ou quase tudo. A identidade do assassino é um grande mistério e o que torna esse segredo ainda mais instigante é a personalidade controversa desse assassino. 

Através de sua narrativa nós ficamos sabendo que, apesar de cometer assassinatos de uma violência estarrecedora, ele não sente nenhum prazer com esses atos. Então, por qual motivo esse assassino de escritores está agindo? É esse o maior mistério do livro.

Val conseguiu criar bons personagens, não me apaixonei por nenhum deles, mas me envolvi bastante com suas histórias. Curti a relação sadia entre Fiona e seu namorado, fiquei tocado com o caso amoroso que ela teve com o policial Steve no passado, que parece ter deixado marcas profundas no rapaz, apesar da amizade entre eles ter permanecido. Mas o que me fez desejar ler todas as obras da autora foi seu estilo sombrio, minucioso em explorar os detalhes mais macabros no, repleto de pequenas intrigas e crimes brutais.













quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Top comentarista setembro - Flores Partidas - Karin Slaughter



Galera, o blog tem recebido uma quantidade cada vez maior de acessos, por isso resolvi fazer um top comentarista para conhecer esses visitantes anônimos. O prêmio é esse fenomenal livro de Karin Slaughter, cuja resenha sai em breve, e alguns outros mimos. Vamos então às regras.

¤ O vencedor é aquele que tiver mais comentários nas postagens do mês de setembro de 2016. Em caso de empate, será realizado um sorteio.

¤ É necessário seguir o blog. Basta clicar em " Participar desse site "  no canto inferior diteito. Me seguir não vale, é preciso ser seguidor do site.

¤ Curtir a página do Porque Livro Nunca Enguiça no facebook.

¤ Fazer pelo menos um comentário nas postagens de setembro. As postagens anteriores a essa também valem, sendo de setembro de 2016.

¤ Comentários que não tenham relação com as postagens não serão válidos.

¤ Comentários dessa postagem não são válidos. Mas podem comentar sem problema.

¤ Só será contabilizado um comentário por postagem.

¤ O resultado sairá entre os dias 1¤ e 4 de outubro. Será divulgado aqui e o vencedor terá de me responder em até 3 dias, mandando os dados de entrega.

¤ A entrega será realizada apenas em território nacional.

¤ Resumindo, para participar basta ser seguidor do blog, curtir a página no facebook e fazer pelo menos um comentário válido nas postagens de setembro, com exceção dessa.

Boa sorte a todos.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Ossos - Kathy Reichs



Sinopse

Tempe deveria estar de férias, mas estas são interrompidas quando um bebê é encontrado morto. Pouco depois, um cachorro resgata um saco enterrado repleto de ossos. Não bastando isso, um pequeno avião cai nas vizinhanças e duas pessoas morrem. A hábil Tempe percebe a ligação entre os três casos e a investigação pode por em risco a sua própria vida.

Resenha

À cada livro que leio de Kathy Reichs eu gosto mais de suas tramas repletas de detalhes forenses, de seu humor ingênuo e da protagonista Temperance Brennan. No início tive muita resistência em gostar da personagem, principalmente devido à diferença brutal entre esta e a Temperance do seriado Bones, pois a série é baseada nos livros. Mas à cada livro que leio fico mais encantado com a antropóloga, que apesar da profissão sombria, de lidar com a politicagem no trabalho num mundo dominado pelos homens, de ter enfrentado uma guerra para superar o alcoolismo, leva a vida com muito humor.

O livro é narrado em primeira pessoa por Brennan, que logo na primeira página captura nosso interesse com uma revelação instigante. Ela diz que aquele dia marca o início de uma série de eventos que a levariam a assassinar uma pessoa. Muita gente critica esse tipo de recurso dizendo que é apelativo demais, mas eu gosto de autores que se preocupam em prender a atenção do leitor. E Kathy faz isso muito bem. Cada capítulo termina com um gancho, geralmente alguém ligando para a doutora para revelar uma nova descoberta, que te faz ler mais um capítulo e ali se deparar com um novo desdobramento na trama, alguma nova conexão entre os casos que vão tornando as coisas mais claras, mas também lançando novas perguntas.

A autora consegue coordenar os diversos casos investigados por Brennan sem tornar a trama confusa, com um incrível timing, que a permite alternar as investigações sem negligenciar nenhum dos crimes abordados. Do cadáver carbonizado de um bebê encontrado num forno, ela passa para uma ossada de animais encontrada durante um churrasco, seguindo para a cena de um acidente aéreo, somando-se a isso outra ossada, dessa vez humana. E, diferente dos outros livros que li da autora, nesse ela está menos pedante. Os detalhes mórbidos são transmitidos sem excesso de termos técnicos, tornando a leitura bem fluída.

Como muitos dos mistérios são esclarecidos no decorrer da investigação, a resolução final é bem clara, sem aquele amontoado de informações que encontramos em livros de autores que querem guardar tudo para o final. Há muita ação nas últimas páginas, com Brennan passando por uma situação muito aflitiva, que me deixou agoniado. Foi uma leitura muito ágil, divertida e empolgante que me deixou com muita vontade de ler toda a série. É uma pena que no Brasil só tenham sido publicados cinco livros num período de mais de quinze anos. Mas, como o intervalo entre cada lançamento tem diminuído bastante, tenho esperança que a Record olhe para os fãs com mais carinho e em breve nos traga novos títulos da coleção.


quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Gelo Negro - Becca Fitzpatrick




Sinopse

Britt Pfeiffer passou meses se preparando para uma trilha na Cordilheira Teton, um lugar cheio de mistérios. Antes mesmo de chegar à cabana nas montanhas, ela e a melhor amiga, Korbie, enfrentam uma nevasca avassaladora e são obrigadas a abandonar o carro e procurar ajuda. As duas acabam sendo acolhidas por dois homens atraentes. Os homens, porém, são criminosos foragidos e as fazem reféns. Para sobreviver, Britt precisará enfrentar o frio e a neve para guiar os sequestradores para fora das montanhas. Durante a arriscada jornada em meio à natureza selvagem, um homem se mostra mais um aliado do que um inimigo, e Britt acaba se deixando envolver. Será que ela pode confiar nele? Sua vida dependerá dessa resposta.

Resenha

Adquiri esse livro numa troca num sebo, mas logo depois li tantas críticas negativas sobre ele que quase o ponho pra circular de novo. Mas me apeguei às poucas opiniões positivas e fui em frente. Como já esperava o livro tem um texto muito juvenil, mas não achei que fosse tanto. Depois de um prólogo instigante narrando um encontro que não termina bem, sugerindo uma cena de assassinato, somos apresentados à Britt, uma adolescente que acaba de terminar um relacionamento, mas ainda está apaixonada pelo namorado. Minha antipatia pela jovem foi instantânea. Ela rouba os CDs do ex namorado para arranhá-los, derruba raspadinha no estofado do carro do rapaz, maltrata o atendente do posto de gasolina, lê o diário da melhor amiga escondido. Essa é a nossa heroína.

Por volta da página cinquenta, quando as adolescentes se perdem e pedem abrigo numa cabana ocupada por dois rapazes, o livro começa a envolver. Dá pra se sentir que há algo de muito errado naquele ambiente e quando os rapazes revelam o que estão fazendo ali, a tensão aumenta gradativamente, tornando a leitura magnética. O livro se torna um acirrado jogo psicológico, onde acompanhamos cada atitude dos personagens. Há muito mistério envolvendo a relação entre os sequestradores, pois apesar de serem cúmplices fica implícito que um teme o outro e que um esconde algo do outro. A protagonista se mete em várias ciladas que me deixavam curioso pra saber como ela conseguiria se safar.

O livro é pontuado por alguns flashbacks falando sobre o passado de Britt, principalmente de sua relação desde a infância com a amiga Korbie e seu irmão Calvin, que mais tarde se tornaria seu namorado. Há muita encheção de linguiça nessas cenas, mas há um ponto muito interessante que é o convivio de Calvin com seu pai, que tem um relacionamento abusivo com o filho, submetendo-o a torturas físicas e psicológicas. Em determinado ponto o livro tem uma reviravolta surpreendente, que muda radicalmente o rumo dos acontecimentos. A partir daí passei a prestar mais atenção em um personagem para o qual não havia dado tanta bola. Depois dessa virada o livro perde um pouco do ritmo por algumas dezenas de páginas, focando mais no romance entre Britt e Manson, um dos sequestradores. Um romance permeado de desconfiança, já que estamos falando de um sequestrador e sua vitima. Mas logo acontece outra reviravolta e as peças mudam novamente de lugar.

Excetuando essa revelação inesperada, antecipei muitos dos acontecimentos. A autora não tem habilidade o suficiente pra enganar o leitor por muito tempo, mas eu fiquei numa grande expectativa em confirmar minhas suspeitas. Foi uma boa leitura, Becca tem muita criatividade, conduzindo a narrativa com muita eficiência, mas pecou muito na construção dos personagens. Em nenhum momento torci pela protagonista, pelo contrário, queria que ela sofresse mais pra ver se deixava de ser tão mimada. Uma trama bem armada, que se tivesse um texto mais maduro, seria um grande livro de suspense.