quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Sete livros para se ler em um dia


No youtube há diversos vídeos com listas de livros para se ler em um dia e certa vez resolvi parar para ver um deles. Nesse vídeo a vlogueira dava ótimas dicas de livros de leitura fácil, que podiam ser devorados em poucas horas. Porém, em grande parte dos exemplos ela citava livros de mais de quatrocentas páginas. É até possível ler esses calhamaços em um dia. Mas, ou você passa oito horas por dia lendo, tempo que quase ninguém tem, ou usa leitura dinâmica e não lê, mas escaneia o livro. Leitura de entretenimento deve ser feita sem pressa, com calma, com prazer, saboreando cada página. Por isso aqui vai uma lista de sete livros que realmente podem ser lidos em um dia.


O Adulto

Esse conto saiu originalmente numa coletânea e finalmente a Intrinseca o lançou individualmente. É curioso ver uma autora de thrillers psicológicos, tramas com estruturas tão complexas, personagens pouco convencionais, escrevendo um conto de terror com uma premissa tão simples. Não é nada fora de série, mas uma boa curiosidade para preencher alguns momentos do dia. O grande problema desse livro é o valor, R$ 24,90 por algumas dezenas de páginas.

Páginas: 64


O Pecado de Todos Nós

Essa é mais uma prova da versatilidade de Taylor Caldwell, uma autora que se aventurou nos mais variados estilos e sempre se saiu bem. Trata-se de uma história apocalíptica, narrada pelo ponto de vista de um jovem fazendeiro que tenta salvar sua família de uma série de catástrofes naturais. Mas, diferente de outros livros do gênero, a resposta para impedir o fim do mundo não está em descobertas científicas, mas em fazer com que cada ser humano do planeta se reconcilie com a natureza. Um livro que fala de espiritualidade, amor, companheirismo e traz uma importante mensagem ecológica.

Páginas: 185


A Pomba

Um livro claustrofóbico, insano e aflitivo. O autor nos joga dentro da mente de um homem que sofre de TOC, escravo de seus próprios rituais, preso ao inferno que é o seu cotidiano. Mas pior do que os hábitos dos quais se torna tão dependente quanto de uma droga, é quando esse ciclo se quebra. Ele se vê totalmente vulnerável quando não consegue cumprir um de seus muitos rituais e faz verdadeiros malabarismos para  continuar cometendo suas loucuras. As poucas páginas são suficientes para te dar uma amostra do que é a rotina de um portador de TOC.

Páginas: 112


O Vilarejo

Não entendo como é que pode caber tanto terror, tanta emoção, tanto conteúdo num livro tão curto. Raphael Montes reúne sete histórias de terror cujo tema são os sete pecados capitais. Todas se passam num vilarejo e, apesar dos contos serem independentes, há uma ligação entre eles. Por isso, recomendo a leitura na ordem. Além das poucas páginas, o livro é pontuado por várias ilustrações, o que torna o texto mais curto ainda. Mas a leitura não é rápida apenas pela quantidade de páginas, os enredos são envolventes demais.

Páginas: 96


Dolores

Conhecida por seus calhamaços como O Vale das Bonecas, Uma Vez Só É Pouco e A Máquina do Amor, Jacqueline mostrou que também é capaz de ser sucinta e mesmo assim escrever boas histórias. Calcada em Jaqueline Kennedy, Dolores é uma viúva que encontra dificuldades ao recomeçar sua vida, mas encara isso com humor. Um livro leve, com uma personagem cativante, que mostra outro lado de uma escritora que, infelizmente, deixou uma obra tão curta.

Páginas: 176


A Outra Face

Foi um dos primeiros livros de Sidney Sheldon que li. Passei da metade numa só sentada e terminei em menos de 24 horas. Fala de um psicanalista que de uma hora para outra se vê cercado por uma série de assassinatos brutais de pessoas ligadas a ele. Para ele a chave desse mistério está em um de seus pacientes. Mas não sabe qual deles. As cenas em que o psicanalista Judd se vê encurralado são alucinantes. O livro tem um ritmo incessante, com uma situação se emendando na outra e você nem percebe as páginas virando até chegar ao final. A Outra Face foi o primeiro romance de Sheldon e ganhou o prêmio Edgar de melhor livro de estreia do ano. Já o li quatro vezes e ele não perde o seu encanto.

Páginas: 192



O Pequeno Principe

Um livro que acompanhou várias gerações de leitores, fez muita gente se apaixonar pela leitura e nos mostrou uma forma descomplicada de enxergar a vida. É um livro indicado para todas as idades, para todos os públicos e que não só pode, como deve ser lido várias vezes no decorrer da vida. Amo essa obra.

Páginas: 96

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Os Condenados - Andrew Pyper


Sinopse

Danny Orchard conseguiu enganar a morte e ganhou uma segunda chance para viver. Só que ele não voltou do inferno sozinho. Danny passou por uma experiência de quase-morte em um incêndio há mais de vinte anos. Sua irmã gêmea, Ashleigh, não teve a mesma sorte. Danny cuonseguiu transformar sua tragédia pessoal em um livro que se tornaria um grande best- seller. Mas, mesmo depois de morta, Ash continua sendo uma garota vingativa e egoísta, como sempre. Danny parece condenado à solidão. Qualquer chance de felicidade é destruída pelo fantasma de seu passado, e se aproximar de outras pessoas significa colocá-las em risco.

Resenha

Andrew não se demora na hora de contar a vida pregressa dos personagens. Em poucas páginas nos apresenta uma família marcada pela tragédia, onde Ash, a filha, desde muito pequena causa um incômodo nos pais e em Danny, seu irmão gêmeo. Uma garota perversa, que emana maldade e de maneira sutil manipula as pessoas para satisfazer seu sadismo. O livro é todo narrado em primeira pessoa, pelo ponto de vista de Danny, cuja convivência com a irmã é angustiante, já que a menina o tem como alvo principal. Porém, achei que o autor explorou muito pouco essa fase do livro, acelerando os acontecimentos para que a parte sobrenatural começasse. Se conhecessemos com mais detalhes Ash em vida e acompanhássemos suas maldades, o livro teria um sabor especial.

Após a morte de Ash e a experiência de quase morte de Danny, que retorna do Paraiso após um coma, sua vida tinha tudo para tomar outro rumo, mas o fantasma passa a assediá-lo. Danny é um rapaz solitário, sem amigos, cuja rotina é dedicada às palestras que ministra relatando sua experiência pós morte. O autor foi muito hábil em ressaltar o quanto a vida de Danny é vazia, para então colocar em seu caminho uma mulher. Willa é uma viúva, com um filho, que se torna muito importante na vida de Danny, tanto que não demora para que eles se casem e formem uma família. É tocante a maneira como Danny vai refazendo sua vida. É linda sua relação com a esposa e, principalmente, com seu enteado Eddie, que é um menino encantador. Eles trazem muita luz à vida de Danny e isso faz com que as investidas de Ash sejam mais temidas. Você não quer que toda aquela felicidade que está sendo construída acabe e dá muita revolta em saber que Ash pode destruí-la com tanta facilidade. O autor cria situações em que eu ficava com o coração na mão. À cada toque de telefone eu ficava sobressaltado ao acreditar que houvesse acontecido algo com um dos personagens, pois Ash não dá trégua em suas investidas contra a família de Danny. Sem falar em suas aparições, que são terrificantes. Apesar do autor não se importar muito com estilo, em criar atmosferas, a naturalidade de seu texto, a assertividade em suas descrições, ele usa de poucas palavras pra descrever um cenário, mas é muito preciso, são arrebatadores o suficiente.

O livro tem um ritmo bom até o final da segunda parte. Danny faz mais uma experiência de quase morte (ele faz várias dessas viagens durante o livro), mas desta vez ele vai para o Inferno. Desse modo, a ação do livro se desloca para lá. E foi aí que perdi o entusiasmo. Não gosto de livros que se passem em mundos mágicos, onde tudo pode acontecer. Gosto, é claro, de histórias com elementos sobrenaturais, mas ambientados num mundo real, sujeito às leis da física, onde tudo tem um limite. Esse tipo de aventura fantástica me cansa muito e por isso a leitura deixou de fluir.  Mas é inegavel que essa cenas sejam muito bem escritas. Achei curiosa a visão que o autor tem do Inferno. Só que essa narrativa de um heroi errante, buscando respostas, estragaram minha leitura que até então estava sendo maravilhosa. O que há de muito interessante nessa fase é que essa viagem ao Inferno reserva revelações estarrecedoras sobre a vida de Ash. Nesse momento eu entendi porquê o autor foi tão reticente no início, pois há surpresas impactantes no final.

Se não fosse essa saga durante a quase morte de Danny, que leva quase oitenta páginas, esse livro estaria entre os meus favoritos. Mas é algo muito pessoal, acredito que quem curte esse tipo de narrativa fantástica vá se esbaldar. Andrew conseguiu seguir por diversos gêneros sem se perder e arrematou tudo isso, o drama, o suspense, o horror, a fantasia, escrevendo um livro de terror à moda antiga, algo que tem feito muita falta atualmente.




segunda-feira, 22 de agosto de 2016

O Fabuloso Círculo do Livro


Se você já entrou num sebo ou numa biblioteca pública, com certeza já topou com vários daqueles livrinhos de capa dura. E tenho certeza de que a maioria de vocês tem pelo menos um em casa. A Círculo do Livro foi fundada no Brasil em março de 1973 através de um acordo firmado entre o Grupo Abril e a editora alemã Bertelsmann. As vendas eram efetuadas no sistema de clube, onde a pessoa era indicada por algum sócio e, a partir de então, recebia uma revista quinzenal com dezenas de títulos a serem escolhidos. O novo sócio teria então a obrigação de comprar ao menos um livro no período.

A ideia deu tão certo que em 1982 as vendas alcançaram cinco milhões de exemplares e em 1983 a editora anunciou um quadro de oitocentos mil sócios espalhados por 2,850 municípios brasileiros. E os motivos desse sucesso eram tantos que dá pra se fazer uma, lista:

¤ A diversidade de títulos era de encher os olhos. A maioria do catálogo era composto por best sellers do momento, com nomes que bombavam na época, como Sidney Sheldon, Harold Robbins Robin Cook, Stephen King, Jacqueline Susann. Hoje seria o equivalente a você receber um catálogo com os maiores sucessos de editoras de peso como a Record, Suma das Letras, Dark Side, Intrínseca e poder comprar esses livros num valor muito abaixo do mercado em edições caprichadas.

¤ A qualidade das edições era outro grande diferencial. Os livros eram todos em capa dura, cuidadosamente encadernados, o papel era resistente, com folhas espessas e quase sem porosidade.

¤ A última página, intitulada " O Autor e Sua Obra" trazia uma pequena biografia dos escritores resumida, mas mesmo assim com muito mais detalhes que as contidas nas orelhas dos livros de outras editoras. Era muito legal conhecer fatos curiosos sobre a vida do autor cujo livro você acabava de ler. Apesar de que eu sempre lia essa parte antes. Além disso, como esses livros não tinham sinopse na contracapa, essa seção dava uma ideia do gênero que o autor escrevia.

¤ A diversidade dos títulos era outro grande atrativo. Quando se fala em aderir a um clube de livros, assumindo o compromisso de adquirir pelo menos um exemplar por mês a gente logo pensa: "e se só vierem bombas pra eu escolher?" Mas no caso do Círculo, isso não acontecia, pois o catálogo incluía não só os grandes bestsellers do momento, quanto muita literatura brasileira, além de alguns clássicos.

¤ E o mais importante: o preço. Os livros custavam cerca de um quarto do preço das publicações de outras editoras. Isso era possível devido à larga produção e por se tratar de um produto com público garantido.

Mas como tudo o que é bom tem de acabar, a Círculo do Livro teve o seu fim nos anos 90. A queda nos lucros fez com que a Bertelsmann vendesse sua parte no negócio, levando a Círculo a encerrar suas atividades editoriais. A empresa, no entanto, continuou a funcionar como gráfica, sob o comando do grupo CLC, até finalmente ser vendida em 2000 à multinacional RR Donnelley.


Mas não são apenas os sócios que tem uma história de amor com essa coleção. Muita gente já adquiriu inúmeros exemplares dessa coleção em sebos. Foi através deles que entrei em contato com muitos dos autores de quem sou fã. E quando entro num sebo e me deparo com diversas edições do mesmo livro, geralmente escolho a da Círculo, não apenas pelas qualidades que mencionei acima, como durabilidade e tal, mas porque  dá a impressão de que a história te envolve mais quando é impressa naquela edição. Sei lá, passa uma certa intimidade entre você e o livro. Mesmo que algumas das capas sejam horrendas, muito devido ao estilo da época, as edições da Círculo do Livro têm a minha preferência. Tanto que não me desfaço de minha edição de Um Estranho no Espelho de Sidney Sheldon, que tenho há quase vinte anos, somado isso ao fato de eu já tê-la comprado usada, mesmo que eu compre uma nova.

Atualmente anda rolando pelas redes sociais um novo projeto que tem sido comparado ao Círculo, no qual o sócio paga 80 dilmas, isso mesmo OITENTA reais, para adquirir um livro surpresa por mês. Dizem que o livro vem acompanhado de viários mimos como marcadores, enfeites, bottons e tal, mas pagar essa grana toda por um livro que você nem sabe qual é não é um bom negócio. Me desculpem os organizadores.

Acho que o Círculo do Livro hoje seria algo impraticável. O mercado editorial da atualidade é muito diferente do que existia naquela época e a disputa por espaço é grande demais para que as editoras cedam os direitos de seus principais autores para um selo que venderia os livros num valor tão inferior. Mas é inegável a importância que essa editora teve para popularizar, qualificar e solidificar a cultura do best seller no Brasil. E, apesar do clube não mais existir, suas crias estão espalhadas por toda a parte, em estantes de todo o Brasil, guardando um pedaço dessa história da qual muitos leitores fizeram parte.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Os Mortos Vivos - Peter Straub



Sinopse

A história se passa na pacata cidade de Milburn, e envolve um grupo de quatro amigos que formam a Sociedade Chowder: Ricky Hawthorne, John Jaffrey, Sears James e Edward Wanderly, que tem o custome de reunirem-se duas vezes por mês para contar histórias de fantasmas. Quando uma série de estranhos eventos começam a acontecer na cidade, eles resolvem pedir a ajuda de Donald Wanderly sobrinho de Edward. Donald é um escritor e seu último livro era sobre esse assunro. Ele chega na cidade e eventos ainda mais estranhos acontecem, alguns deles incluem uma ex-namorada de Donald, uma ex-moradora da cidade e alguns integrantes de uma das histórias de Sear James contada em uma das reuniões da Socidade.

Resenha
Acho esse título em português inadequado, pois se trata de um livro sobre fantasmas, mesmo estes sendo retratados de um maneira como nunca li antes. O início já é intrigante. Um homem e uma menina atravessando os Estados Unidos de carro. Adoro livros que se passam em estradas, principalmente histórias de terror. A relação entre essas duas pessoas me deixou curioso, pois não era revelado o que o rapaz era da garota, nem do que eles estavam fugindo. O que ficava evidente era algo de muito estranho envolvia aquela criança. Após esse prólogo promissor a história se desloca para a cidade Central do enredo. Peter é minucioso na construção de seus personagens. Ele não se preocupa muito em fazer com que o leitor crie empatia por eles, mas que conheça suas motivações, suas personalidades e a história de cada un para que criemos uma grande expectativa sob como eles reagirão em relação aos eventos bizarros que ainda estão por vir.

O terror vai surgindo aos poucos, através de acontecimentos aparentemente desconexos, cujo denominador comum é a cidade de Milburn. Não que os fatos só ocorram ali, mas mesmo quando o mal persegue suas vítimas fora da cidade,  essas pessoas tem alguma ligação com o lugar. O livro tem um ritmo muito inconstante. Em alguns momentos os acontecimentos são tão envolventes que você não quer parar a leitura, mas há também muitas cenas arrastadas. Porém, quando chega nas trezentas páginas, a trama ganha consistência e eu fiquei feliz em saber que ainda faltavam mais de duzentas páginas para o final. Pois personagens que até então estavam dispersos se tornam próximos e se unem para enfrentar um inimigo em comum. Um inimigo que não está sozinho, mas tem aliados que o ajudam a virar a cidade do avesso em poucos dias. Straub abusa tanto do terror, criando cenas que mexe com nossos medos mais pelo que é sugerido, como cadáveres de animais encontrados mortos e sem sangue, quanto do horror, com cenas abomináveis de uma violência brutal. Não sei o que me causou mais medo, o terror daquilo que era presumido através de indícios jogados na minha frente à cada página ou do horror das cenas quando aqueles fantasmas mostravam escancaradamente suas faces. Mas certamente o que me causou uma forte impressão foi a desumanidade daqueles seres, o quanto se divertiam com o sofrimento que causavam.

O livro me arrebatou com sua narrativa vigorosa. Cada vida perdida era lamentável. Sentia uma pena por cada morte. Era desesperador ver os cadáveres de acumulando, pois a cada assassinato brutal era como se os heróis estivessem perdendo uma nova batalha para o mal. E cada investida dos protagonistas contra os seres que os perseguiam era um alento, como se o autor nos tranquilizasse mostrando que aquelas criaturas não eram indestrutíveis.

Peter Straub conseguiu escrever um livro excepcional usando como matéria prima um ingrediente que está dentro de todos nós que é o medo do sobrenatural, aquilo que não conhecemos e, diante do qual nos sentimos totalmente vulneráveis. Esse livro até pouco tempo era uma raridade, havia sumido dos sebos virtuais e quando aparecia, certamente não devia ser num valor atrativo. Mas ele vem reaparecendo e por preços nem tão absurdos. O meu tive a sorte de achar numa banca de livros usados por R$ 10,00 há cerca de um ano. É  um livro essencial para os fãs de terror e, como a Record vem lançando regularmente os livros do autor, tenho esperança em que haja uma reedição, pois essa obra prima merece.

domingo, 14 de agosto de 2016

O Jantar - Herman Koch


Sinopse

Dois casais se encontram em um restaurante elegante e sob o tom gentil e educado, passando por assuntos triviais como o preço dos pratos, os aborrecimentos do trabalho, o próximo destino de férias, se esconde um terrível conflito. Cada casal tem um filho de quinze anos de idade. Os dois meninos estão unidos por sua responsabilidade por um único ato horrível, um ato que provocou uma investigação policial e quebrou as confortáveis e isoladas vidas de suas famílias. E as consequências desse incidente colocam em risco não só o futuro dos garotos e a estabilidade da família, como podem mudar os rumos políticos do país.

Resenha

Li esse livro já faz mais de um mês e por estar sem computador na ocasião fiz apenas uma breve resenha no skoob. Mas foi uma leutura tão incrível que merece um post mais detalhado aqui no blog. Com certeza estará entre as melhores leituras do ano. Quando o vi pela primeira vez no skoob, me interessei pela sinopse, tanto que o coloquei entre os desejados, mas nem me preocupei em ir atrás. Até que li a resenha da Mari do blog S2 Ler e fiquei tão alucinado para lê-lo que imediatamente o comprei.

O início é bastante tedioso. Dois casais, sendo que os maridos são irmãos, marcam um jantar para discutir um assunto muito sério envolvendo seus dois filhos adolescentes. Conforme os preparativos para o jantar vão se desenrolando, somos apresentados a essa família através da narrativa de Paul, um dos irmãos. Através de relatos soltos sobre o passado ele vai traçando o perfil de cada ocupante daquela mesa e também dos filhos de ambos. Fica evidente logo no início do livro que há uma forte rivalidade entre ele e seu irmão. E, assim que o jantar tem início, essa animosidade é posta em prática, através das alfinetadas sutis que eles vão trocando. É mais uma disputa psicológica, daquelas que só pessoas que se conhecem muito bem são capazes. Em alguns momentos essa cenas são interessantes, mas conforme as páginas vão passando e o assunto que levou esses dois casais até ali não é abordado, eu ia ficando cada vez mais impaciente. Pois estava me aborrecendo demais com o livro, que só dava voltas e não chegava a lugar algum. Mas, por outro lado, não conseguia abandoná-lo por causa da curiosidade em saber o que de tão grave aqueles adolescentes haviam feito.

E valeu a pena esperar. Não foi algo tão surpreendente, pois há vários casos como esses na vida real envolvendo jovens de classe alta e eu já esperava algo do tipo. Mas a maneira como a situação ocorreu foi muito inusitada, onde atos impulsivos vão dando lugar a atitudes cruéis, até que a barbárie chegue a um ponto irreversível. Fiquei chocado com a atitude daqueles meninos e curioso quanto aos desdobramentos que aquela situação acarretaria. Mas muito mais chocado eu fiquei ao descobrir um lado obscuro na personalidade de um dos pais. Um deles sofre de uma doença mental que o impele a cometer atos de uma violência tão extrema, que só a possibidade de um dia cruzar com alguém assim me deixou assustado. Apesar de nenhum dos quatro componentes daquele jantar demontrar ser boa bisca, eu não esperava que um deles chegasse a esse nível de periculosidade. E, pra tornar a leitura ainda mais indigesta, a atitude que os pais tomam em relação ao crime que seus filhos cometeram me deixou perplexo.

Um livro curto, mas com um conteúdo impactante. Uma história sobre pessoas sórdidas, onde o autor retrata de forma realista a lógica distorcida de pessoas desprezíveis. Uma narrativa devastadora, que fala sem reticências sobre a maldade humana escondida sob a máscara da hipocrisia.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Um Lugar Chamado Liberdade - Ken Follett


Sinopse

Escócia, 1766. Condenado à miséria e à escravidão nas brutais minas de carvão, Mack McAsh inveja os homens livres, mas nunca teve esperança de ser como eles. Até que um dia ele recebe a carta de um advogado londrino que lhe revela a ilegalidade da escravidão dos mineiros. Porém, para realizar seu sonho de ser um homem livre, Mack precisará enfrentar todo tipo de opressão das autoridades que não estão acostumadas. Já na idealizada Londres, ele reencontra uma amiga de infância, Lizzie Hallim, agora casada com Jay Jamisson, membro da família que tanto o atormentara na Escócia. Lizzie não se conforma em viver submetida aos caprichos dos homens e constantemente escandaliza a sociedade com seu comportamento e suas ideias não convencionais. Quando Mack é acusado injustamente de um crime, ela quebra protocolos e sai em sua defesa. Nesta saga repleta de suspense e paixão, Ken Follett delineia uma época de revoltas contra a injustiça com sua escrita vigorosa.

Resenha

Ken Follett é um autor que nunca me decepcionou em nenhum de seus livros. Um escritor versátil, que em qualquer estilo que se aventure, é sempre bem sucedido. E com Um Lugar Chamado Liberdade não foi diferente. Ambientando a história na Escócia, Inglaterra  e Estados Unidos do século XVIII, o autor faz uma bela reconstituição de como funcionava a sociedade naquela época, onde os mineiros arriscavam suas vidas em cavernas e eram considerados escravos de seus patrões.

De um lado Follet nos apresenta Mack McAsh, um jovem reacionário, que com a ajuda de um advogado descobre que o sistema de escravidão perprerado pelos latifundiários não está inteiramente dentro da lei. Vendo aí a possibilidade de ser um homem livre, Mack desafia seu patrão incitando seus companheiros a lutarem pela liberdade. Um rapaz corajoso, que defende seus ideais e não se intimida diante da opressão. Do outro, temos como cenário a mansão dos Jamisson, proprietarios das terras onde Mack trabalha, e todas as intrigas envolvendo a disputa pelo poder entre dois irmãos, Jay e Robert. No cerne dessa rivalidade está a jovem Lizzie, que também é uma idealista e simpatiza com a luta de Mack.

O livro vai se alternando entre esses dois mundos. As picuinhas da família Jamisson, que dão ao livro um aspecto de folhetim, com um irmão tentando passar a perna no outro, um pai que favorece apenas um dos filhos, desprezando o outro e segredos escabrosos que ameaçam causar grandes estragos caso venham à tona. E a dura luta de Mack, que mesmo após se ver livre da escravidão e fugir para Londres continua enfrentando batalhas diárias, já que mesmo dono de sua liberdade, tem de se submeter à exploração de seu trabalho para poder sobreviver na cidade grande.

Mesmo sendo de mundos diferentes, Mack e Lizzie vivem se esbarrando no decorrer da vida. Apesar da história não ter muito foco é impressionante a habilidade com a qual o autor conduz os acontecimentos, levando os personagens por caminhos tortuosos e sempre criando situações emocionantes. Até que num dado momento, já na reta final, as circunstâncias fazem com que as vidas dos dois protagonistas se entrelacem e o resultado dessa aproximação é bombastico. É muito empolgante a maneira como tudo vai se intensificando. As paixões vão aflorando, as verdades sendo reveladas, o cerco se fechando para os personagens, o que desencadeia atitudes com consequências catastróficas. Uma história onde uma fascinante galeria de personagens vive em um constante conflito, seja por dinheiro, por amor ou por um ideal.