domingo, 29 de maio de 2016

Sete dicas para desvendar crimes nos romances policiais



Para mim, o bom livro policial é aquele que me surpreende no final. É muito emocionante quando nas últimas páginas o detetive desvenda todo o mistério e aponta como culpado aquele personagem do qual você nunca desconfiou. Essa surpresa resulta numa das melhores experiências literárias para os fãs do gênero. Mas de vez em quando é bom acertar o culpado. A gente se sente inteligente quando mata a charada do autor. Mais de vinte anos lendo romances policiais me fizeram perceber alguns macetes que os autores usam para despistar o leitor. E aqui vão minhas dicas.

(Cito vários livros para exemplificar as dicas,  mas não há risco de spoiler, já que não menciono o título das obras, nem os personagens e comento o enredo apenas por alto)

Narrador não confiável

Na leitura de um romance policial, não confiem em ninguém, mesmo que este seja o narrador da história. Livros em primeira pessoa tem o poder de criar uma intimidade muito grande entre o narrador e o leitor e por isso não questionamos o que nos está sendo contado. Principalmente quando o narrador faz com que você sinta empatia por suas desventuras. Quem é fã de Agatha Christie sabe que em pelo menos três de seus livros a autora apresentou como culpado o narrador. Mas nem sempre o assassino nos engana de má fé. Há livros em que o próprio assassino não sabe que cometeu o crime. Casos de esquizofrenia, múltipla personalidade, privação de sentidos pelo uso de drogas e amnésia fazem com que o próprio criminoso não tenha conhecimento de sua culpa. Portanto, fiquem de pé atrás com o narrador.


Álibi Perfeito

Esse foi um dos recursos mais utilizados por Agatha Christie para despistar o leitor. Num bom livro policial, o culpado deve ser sempre aquele menos provável. Quando se fala isso, as pessoas geralmente pensam naquele personagem bonzinho, que não teria perfil ou mesmo motivos para cometer um assassinato. Mas quer culpado mais improvável do que aquele que fisicamente não poderia ter cometido o crime? Agatha usou e abusou desse recurso, fazendo com que o leitor sequer cogitasse como culpado quem tivesse um álibi perfeito e desviasse sua atenção para os outros personagens. Eu demorei a perceber essa fórmula e confesso que depois que a descobri, os livros de Agatha perderam um pouco o encanto. Mas é claro que há uma grande distância em acertar quem é o assassino e descobrir como ele conseguiu forjar aquele álibi.


Frases Soltas

Na época de Agatha Christie, os livros policiais eram totalmente focados na investigação de um crime. Não havia tramas paralelas, a vida pessoal dos detetives não era explorada, as histórias tinham poucos desdobramentos. Dessa forma, os autores não desperdiçavam palavras. Tudo o que era narrado era pertinente à investigação. Por isso, qualquer informação solta, aparentemente ao acaso, é uma pista importante.


O Culpado é o Mordomo

Nunca li um livro policial onde o culpado fosse o mordomo, mas esse axioma existe pra exemplificar que, muitas vezes, aquele de quem menos se suspeita é o assassino. Alguns autores elegem o personagem bonzinho como culpado, porque ninguém sequer cogitaria essa possibilidade e o final seria surpreendente. É um recurso bem fraco, geralmente usado naqueles livros de suspense para iniciantes, ou mesmo em livros onde a trama policial não seja o principal atrativo. Mas há outros tipos de personagens que ficam fora de suspeita. Empregados, pessoas fisicamente debilitadas, os próprios detetives e até mesmo crianças. Tanto que Agatha Christie chegou a criar uma assassina infantil num de seus livros.

Personagens com Sete Vidas

Se um personagem escapar de alguma tentativa de homicídio, considere isso como algo muito suspeito. Há diversos livros de Agatha em que esse truque engana o leitor. Num deles, uma personagem sofre vários atentados, um deles debaixo do bigode de Hercule Poirot e este, após seguir diversas pistas, descobre que era tudo uma grande armação. Na verdade, a jovem armou toda essa encenação para cometer um assassinato que lhe traria algum lucro financeiro, ficando acima de suspeitas, já que todos presumiriam que a vítima morreu confundida com ela própria. Desconfie daqueles personagens que parecem ter sorte demais. Se alguém escapa vivo da ação do assassino, geralmente aí tem coisa. E os que, aparentemente, morrem também não estão totalmente fora de suspeita caso haja novos crimes.

Seja Cético

Não acredite em tudo o que os personagens dizem. As pessoas mentem e quando o assunto é assassinato, elas mentem muito mais. Enredos policiais se assemelham a uma equação. Se você colocar um número errado no decorrer da resolução, não importa o quanto conheça a fórmula, o resultado sairá errado. Não tire personagens de suspeitas apenas porque alguém disse algo que ponha abaixo as suas teorias.


Um Estranho no Ninho

Famílias onde haja madrastas, padrastos, filhos adotivos, geralmente escondem algum segredo. Na hora de escrever um livro é mais simples para o autor seguir pelo caminho mais convencional. Por isso se num livro houver alguma relação familiar não natural sem que haja uma razão explícita para isso, desconfie. Há também livros onde alguns personagens parecem estar sobrando, parecem desnecessários no enredo. E uma terceira variante desse tema: triângulos amorosos. Livros policiais não tem como principal intuito criar histórias de amor. Por isso, se a protagonista se envolver com mais de um homem, é bem possível que um deles seja o assassino e no final ela ficará com o outro. O mesmo vale para os protagonistas masculinos. Se pintar muita mulher na vida do cara, uma delas é cilada.


domingo, 22 de maio de 2016

A Cor Púrpura - Alice Walker


Sinopse

Premiado com um Pullitzer e cuja adaptação cinematográfica é uma das obras primas de Steven Spielberg,  A Cor Púrpura é a história da difícil vida de Celie, uma mulher negra no sul dos Estados Unidos da primeira metade do século XX. Pobre e praticamente analfabeta, Celie foi abusada desde a infância pelo padrasto e depois pelo marido. Um universo delicado, no entanto, é construído a partir das cartas que Celie escreve e das experiências de amizade e amor, sobretudo com a inesquecível Shug Avery. Apesar da dramaticidade de seu enredo, A cor púrpura se mostra muito atual e nos faz refletir sobre as relações de amor, ódio e poder, em uma sociedade ainda marcada pelas desigualdades de gêneros, etnias e classes sociais.

Resenha

O livro é narrado de forma epistolar. Em sua vida desalentadora, Cellie tem como única válvula de escape as cartas que escreve para Deus. Nelas, em sua escrita rudimentar, cheia de erros de ortografia, muitas vezes com frases desconexas, Cellie discorre sobre sua vida sofrida, tendo de se submeter aos abusos físicos e psicológicos de um padrasto e saindo das mãos dele para se casar com um homem que não a trata nem um pouco melhor. A narrativa desajeitada de Cellie compromete a fluência da leitura nas primeiras páginas, mas logo você se acostuma e descobre que aquela escrita dá uma autenticidade dilacerante aos seus relatos. Com seu jeito simplório, Cellie nos transmite a sua visão de mundo, retratando uma sociedade opressora em relação aos negros e duplamente opressora em relação à mulher negra, já que esta é subjugada tanto na rua, como dentro de seu lar.

Os personagens são de uma riqueza impressionante. Uma delas é Sofia, a mulher que não se deixa dominar pelo marido, Harpo, o que para ele é visto como uma aberração a ponto do rapaz não saber como lidar com essa situação. Afinal, cresceu vendo as mulheres como criaturas subservientes, a começar por Cellie, sua madrasta. Esta chega a se sujeitar à extrema humilhação que é a de cuidar da amante do marido, que se recupera de uma enfermidade. Porém, o que não se poderia esperar eram os frutos que a relação entre as mulheres lhe traria.  A amizade entre elas não tarda a acontecer.  Shug lhe apresenta um mundo novo e ensina a Cellie que ela tem todo o direito de ser amada, de ser tratada com respeito e carinho. É muito bela a transformação de Cellie, que aos poucos começa a enxergar o marido como ele realmente é, não o seu dono que tem o direito de lhe agredir porque a sustenta, mas um boçal.

Nessa fase do livro, as cartas de Cellie passam a ser dirigidas à sua irmã, Nellie, que é missionária na África. E temos também acesso as cartas que Nellie envia, relatando sua vida no outro continente. Essas cartas trazem um panorama da cultura africana, descrevendo lindamente os costumes de um povo, a opressão que também acomete os negros em sua própria terra de origem e os conflitos que surgem em seu caminho, do outro lado do mundo.

Apesar da seriedade dos temas abordados, Cellie tem um humor ingênuo, o que diminui o impacto de sua narrativa sobre a dura realidade dos negros no Sul dos Estados Unidos, mas não mascara a crueldade com que estes eram tratados pelos brancos. Além disso, é um livro que trata do feminismo com um admirável discernimento, sem os extremismos que vemos hoje em dia.  Mas, além disso, A Cor Púrpura é um livro de uma profunda humanidade, a jornada de autoconhecimento de uma mulher que narra de um modo singelo seu desabrochar.


quinta-feira, 19 de maio de 2016

Menina Má - William March



Sinopse

Um livro polêmico, que se tornou o maior sucesso de um autor até então obscuro, Menina Má fala sobre a maldade infantil. Pouco depois de ganhar uma medalha em um concurso de caligrafia, almejada intensamente por sua colega Rhoda, o pequeno Claude é encontrado morto. Não tarda para que Christine, mãe de Rhoda, desconfie de que a filha tenha algum envolvimento com o acidente que vitimou o garoto. Porém  a ingênua mulher não está preparada para enfrentar a dura realidade que é a de descobrir as verdades perturbadoras que escondem aquela enganosa inocência infantil.

Resenha

Embora o tema da maldade infantil ainda seja um tabu na vida real, fazendo com que muitas pessoas ainda resistam a aceitar o fato de que crianças sejam capazes de cometer crimes, na cultura pop, o tema é muito comum, tendo sido explorado por diversas perspectivas nos mais variados estilos literários e em diversas mídias. Mas na década de cinqüenta, abordar um tema tão controverso quanto a psicopatia infantil, ainda era algo muito ousado e esse foi um dos motivos de toda a polêmica que o livro de maior sucesso de Willian March suscitou. Menina Má foi publicado numa época em que a psicanálise estava em voga, assunto nas rodas de festas, principalmente os estudos de Sigmund Freud e a influência das teorias do psicanalista na obra de Bill é evidente.

O início da narrativa é bastante dispersivo, o que acredito que pode testar a paciência do público mais acostumado aos thrillers modernos. Embora a primeira cena já traga uma alusão ao temperamento excepcionalmente maduro da garota Rhoda, o autor apresenta uma larga galeria de personagens imersos em diálogos paralelos ao enredo principal, que pode chatear alguns leitores. Mas logo se percebe que tudo o que é dito naquelas longas conversas de salão é relevante para o enredo. Willian na verdade usa esse artifício para preparar o palco para o grande drama psicológico que vem a seguir. Ele pinta um mundo insano, onde as pessoas escondem os maiores conflitos interiores por trás de uma aparente descontração. Onde há propósitos obscuros por trás dos gestos mais banais, onde as pessoas demonstram atitudes de uma extrema mesquinhez, como a dama da alta sociedade que pisa no vestido de uma mulher numa festa por ciúme do próprio irmão, ou o zelador que pratica atos de vandalismo por um mero ressentimento social. O autor discorre por diversos motes da psicologia no decorrer do livro como homossexualidade “incubada”, incesto e complexo de Édipo. Um exemplo desse último tema é quando Claude, um ingênuo menino apresenta o costume de chamar sua mãe Hortense de “minha namorada”.

Mas quando estamos por volta da página 70, Rhoda diz ao que veio e somos lançados no meio de um turbilhão de acontecimentos desencadeados pela mal explicada morte de uma criança. A partir daí o lado sombrio da menina começa a emergir a ponto de sua mãe Christine começar a encarar a verdade de que sua filha é realmente uma menina má. É dilacerante a maneira como acompanhamos o sofrimento de uma mulher dividida entre se iludir ou aceitar o fato terrível de que colocou no mundo alguém com uma índole assassina. E o que é pior, que apresenta essa tendência desde a infância. Mas os pontos altos do livro são os confrontos entre Christine em Rhoda. O desespero da mulher em contraste com a frieza da filha, que tem uma habilidade incrível de sair pela tangente, sempre adulando a mãe quando ela a coloca contra a parede, dão uma dramaticidade teatral ao livro. Sem falar num recurso narrativo que hoje em dia é até clichê, principalmente por ter sido utilizado exaustivamente em telenovelas, mas que serve muito bem a esse livro, que é a famosa arma de fogo na gaveta. O autor por diversas vezes menciona uma pistola que Christine guarda em sua cômoda e o conhecimento desse detalhe, adicionado ao clima tenso do livro, dão uma aula de suspense. Tenho de ressaltar uma personagem interessantíssima que vive borboletando pelo livro que é Monica, vizinha de Christine, uma senhora que vive falando de psicologia, posando como uma grande entendedora da alma humana, mas que não percebe todo o sofrimento pelo qual sua amiga vem passando. Toda sua racionalidade não tem nenhuma utilidade prática na vida cotidiana e senti na construção dessa personagem uma crítica do autor aos profissionais da psicanálise. Monica acha que sabe de tudo por ter acesso a um conhecimento acadêmico, mas na verdade, não consegue enxergar o óbvio.

O que senti falta no livro foram mais desdobramentos. Embora o autor nos prepare revelações surpreendentes no decorrer da trama, o enredo tinha potencial para muito mais acontecimentos. A maioria da ação é psicológica e eu gostaria muito de ver Rhoda aprontando mais algumas de suas artes criminosas. Não que o que ela tenha feito nessas 261 páginas tenha sido pouco, mas esperava que sua capacidade para praticar o mal fosse mais desenvolvida, já que fica claro logo no início que ela não se detém diante de nenhum dilema moral. Mas isso não impacta em nada na qualidade da leitura. À cada página eu ficava mais ansioso em saber no que todos aqueles acontecimentos iam dar, até chegar na última página e me deparar com um final que, apesar de não ter me surpreendido, foi perversamente irônico.


terça-feira, 17 de maio de 2016

Objetos Cortantes - Gyllian Flynn


Sinopse

A repórter Camille peaker saiu há pouco tempo de um hospital psiquiátrico, onde foi internada para tratar a tendência à automutilação que deixou seu corpo todo marcado, quando recebeu um novo desafio. Frank Curry, o editor-chefe da publicação, pede que ela retorne à cidade onde nasceu para cobrir o caso de uma menina assassinada e outra misteriosamente desaparecida. Desde que deixou a pequena Wind Gap, no Missouri, oito anos antes, Camille quase não falou com a mãe neurótica, o padrasto e a meia-irmã, praticamente uma desconhecida. Mas, sem recursos para se hospedar na cidade, é obrigada a ficar na casa da família e lidar com todas as reminiscências de seu passado. Entrevistando velhos conhecidos e recém-chegados a fim de aprofundar as investigações e elaborar sua matéria, a jornalista relembra a infância e a adolescência conturbadas e aos poucos desvenda os segredos de sua família, quase tão macabros quanto as cicatrizes sob suas roupas.

Resenha

O enredo é repleto de ingredientes que me atraíram a ponto de eu passar o livro na frente de outras leituras mais urgentes. O assassinato de duas garotas cujos dentes lhes foram extraídos, uma protagonista que sofria de uma insólita compulsão de se cortar, talhando palavras sobre a pele e uma família repleta de conflitos. Tudo isso ambientado numa cidade interiorana, à qual a personagem principal retorna para fazer uma matéria sobre os violentos homicídios.

No início fiquei bastante interessado pelos dramas de Camille, sua estranha patologia que a levava a marcar o próprio corpo com palavras emblemáticas. Cada centímetro de seu corpo era coberto por cicatrizes, não restando quase nenhuma parte livre, o que a levava a viver de roupas longas. Isso, obviamente, impactava em sua vida afetiva, pois, por medo da reação dos homens quando se deparassem com sua pele mutilada, ela fechara-se para qualquer relação amorosa. Fiquei angustiado com os detalhes sobre esse seu hábito e muito curioso em descobrir quais traumas do passado, envolvendo sua família, desencadearam essa doença.

Ao conhecer sua mãe, Adora, logo percebi o motivo de Camille ser tão surtada. Uma mulher manipuladora, que me tirou do sério do início ao fim da leitura, sempre fazendo alusões à morte de sua filha Mariann, vítima de câncer, como se tal tragédia pudesse justificar seu comportamento. A frieza com a qual tratava a filha, a maneira como não disfarçava sua contrariedade em ter Camille hospedada em sua casa, as freqüentes alfinetadas e até mesmo suas tentativas em sabotar a matéria que a filha viera fazer na cidade me revoltara. Tive vontade de afogá-la. Outra personagem insuportável era Amma, a irmã caçula de Camille. Irritiante, cruel, dissimulada e muito, mas muito chata. E é esse um dos problemas do livro. Nenhum personagem me cativou.

Gyllian joga em cima do leitor uma enxurrada de personagens, que não contribuem em nada para a história e só servem para tornar a leitura mais confusa. Aliás, uma palavra para definir o livro é “desengonçado.” A autora não conseguiu definir um tom para contar a história. O livro não tem foco, a história não te instiga, a investigação não evolui com o decorrer dos capítulos, pelo contrário, tanto o policial Richard, quanto a jornalista Camille só fazem rodeios durante todo o livro, para que no final, em poucas páginas tudo seja desvendado. Não vou dizer que o final foi surpreendente, porque a essa altura eu já nem me importava com quem era o responsável pelos crimes. Objetos Cortantes é o primeiro livro de Gyllian, e me admiro com o quanto ela progrediu em tão pouco tempo, já que em seus outros livros a escrita, embora um tanto arrastada, se tornou muito mais concisa, bem diferente desse livro todo desconjuntado.

sábado, 14 de maio de 2016

Resultado - Sorteio As Gêmeas do gelo


Galera, saiu o resultado do Sorteio do livro As Gêmeas do Gelo, em parceria com o grupo do facebook Literatura Policial/ Mistério/ Suspense. O ganhador foi o Matheus Fellipe, que, conforme as regras, está no grupo, é seguidor do blog e curte a página do Porque Livro Nunca Enguiça no facebook (o link é esse aí atrás mesmo). Aguardo os dados de entrega no e-mail rsetembro@hotmail.com e, conforme as regras, o prazo para envio dos dados é de até cinco dias. Caso não o seja, será realizado um novo sorteio.

Agradeço a participação de todos e continuem acompanhando o blog e comentando os posts, pois a próxima premiação será um top comentarista. Divulgarei em junho, mas vão interagindo porque, possivelmente os comentários de maio também serão levados em conta.

Valeu, pessoal, e parabéns ao Matheus.

E torçam para ele não me mandar o e-mail, pra que tenham uma nova chance de concorrer.


terça-feira, 10 de maio de 2016

O Rouxinol - Kristin Hannah


Sinopse

Em 1939, na França, Vianne Mauriac se despede do marido, que ruma para o fronte. Quando o país é tomado, um oficial das tropas de Hitler requisita a casa de Vianne, e ela e a filha são forçadas a conviver com o inimigo ou perder tudo. De repente, todos os seus movimentos passam a ser vigiados e Vianne é obrigada a fazer escolhas impossíveis, uma após a outra, e colaborar com os invasores para manter sua família viva. Isabelle, irmã de Vianne, é uma garota contestadora que leva a vida com o furor e a paixão típicos da juventude. Enquanto milhares de parisienses fogem dos terrores da guerra, ela se apaixona por um guerrilheiro e decide se juntar à Resistência, arriscando a vida para salvar os outros e libertar seu país. Seguindo a trajetória dessas duas grandes mulheres e das pessoas ao seu redor, O Rouxinol é uma narrativa sensível que celebra o espírito humano e a força das mulheres que travaram batalhas diárias longe do fronte.

Resenha

Comprei esse livro sem conhecer nada da autora, nem mesmo de nome, somente pelo tema: a Segunda Guerra Mundial, e mais especificamente, a ocupação nazista na França. Adoro livros sobre essa época e decidi arriscar. O livro ficou meses na fila, e finalmente resolvi lhe dar uma chance, pois estava sentindo a necessidade de uma leitura dramática. E logo no início me veio aquela sensação de “porque eu não peguei esse livro antes?”

A história se foca principalmente na diferença de temperamentos entre as irmãs Isabelle e Vianne, e nas divergências que essa incompatibilidade de gênios acarretam. Isabelle é contestadora, desde criança deu trabalho na escola, vive em conflito com o pai, por quem sente uma grande mágoa por tê-la negligenciado após a morte da mãe e tem uma aversão a qualquer tipo de autoridade. Vianne é o oposto. Medrosa, passiva e tudo o que almeja em sua vida é uma vida tranquila com sua família. Quando os nazistas ocupam a França, Isabelle vai morar com a irmã, cujo marido partiu para a guerra meses antes e então os conflitos entre elas começam a surgir. Mas o enredo é grandioso, não se limitando apenas às desavenças domésticas, mas se estendendo por diversos cenários.

Tudo vai acontecendo de forma gradual. Primeiro um oficial requisitando a casa de Vianne e ali se instalando, obrigando-a a conviver com o inimigo. Os primeiros sinais de perseguição aos judeus franceses, começando com demissões nos cargos públicos, logo depois as estrelas amarelas, marcando pessoas como gado e, finalmente, a deportação. A violência dos nazistas à cada capítulo se torna mais cruel. Os oficiais se sentem primeiro como os donos da cidade, para logo depois se sentirem donos das pessoas que ali habitam, deixando que o poder e a impunidade revelem os monstros que escondem dentro de si. Por outro lado, há o movimento da resistência francesa, no qual Isabelle e seus companheiros arriscam a vida em difíceis missões. À cada nova investida dos nazistas, Isabelle se torna mais corajosa, como se a ameaça só intensificasse sua vontade de lutar. Da menina rebelde ela se transforma no Rouxinol, uma lenda da Segunda Guerra, perseguida incessantemente pelos nazistas. As cenas em que a jovem passa por situações de perigo, conduzindo oficiais ingleses feridos em combate para locais seguros tem um delicioso sabor de livros de espionagem. Mas Vianne também aprende a ser forte durante esse período. Como todo ser humano, cometia seus erros, mas tinha um grande senso de responsabilidade. Se por um lado se sentiu desleal com quem amava, cedendo à constante ameaça dos nazistas, por outro, foi capaz de capaz de gestos de extrema bravura por lealdade a uma amiga. Uma mulher movida pelo amor, e foi nele que encontrou a sua força. Foi por amor aos filhos, legítimos e adotados, que ela arriscou sua segurança muitas e muitas vezes.

Kristin nos presenteia com personagens formidáveis, num enredo extremamente dramático, que explora sem reticências os horrores do nazismo. O livro mantém um ritmo intenso do início ao fim. Seja nos conflitos familiares, seja nas aventuras dos rebeldes,  que não desistem de ver a França novamente livre da ocupação alemã, seja nos acontecimentos históricos que impactam nas vidas dos personagens,  cada capítulo nos prepara uma surpresa, com os personagens cada vez mais imersos na miséria humana, até o final redentor. O Rouxinol não é apenas mais um livro sobre o Holocausto, é uma história sensível, repleta de aventuras, permeada de fatos históricos e com muita emoção. Uma leitura que fala ao nosso coração e mostra que nem mesmo o horror de uma guerra é capaz de romper laços afetivos.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

A Profecia do Paladino - Mark Frost



Sinopse

Will West faz de tudo para passar despercebido. A pedido dos pais, ele se esforça para tirar notas medíocres e não se destacar. Mas quando sua escola o obriga a fazer uma prova de desempenho geral, ele acaba se esquecendo de errar algumas respostas. Seu resultado espetacular atrai o interesse de uma das escolas particulares mais exclusivas do país, que o procura para oferecer uma bolsa de estudos. No entanto, assim que recebe essa oferta, começa a ser seguido por homens misteriosos e sedãs pretos. Ao tentar escapar de perseguidores, seus pais desaparecem e Will acaba se matriculando às pressas no misterioso colégio. Chegando à sua nova escola, ele percebe possuir talentos físicos e mentais que beiram o impossível e descobre que suas habilidades estão conectadas a uma batalha milenar entre forças épicas.

Resenha

Nunca fui muito chegado a livros juvenis, exceto aos títulos da maravilhosa Coleção Vaga-Lume, que até hoje me fascinam. Mas vez ou outra me enveredo em alguma aventura escrita para o público adolescente que acaba me fisgando. Foi o caso de A Profecia do paladino, escrita pelo renomado roteirista Mark Frost. Confesso que decidi pelo livro ao verificar o admirável currículo do autor. O cara é um dos autores da série Twin Peaks, para terem uma ideia.

O texto leve, fluído, com um humor ingênuo te conduz à saga de Will West, um adolescente superdotado, que desde pequeno foi orientado pelos pais a esconder as suas habilidades extraordinárias. Esse fato já é intrigante por si só, até que coisas muito estranhas começam a acontecer, como o garoto ser perseguido por homens de preto e seus pais demonstrarem uma súbita mudança de comportamento, como se houvessem sido substituídos por réplicas, o que me remeteu ao clássico Os Invasores de Corpos. O autor abusa da imaginação, com os vilões a todo instante lançando mão de armas engenhosas na perseguição a Will.

Assim que a história se desloca para o colégio para adolescentes superdotados onde Will é admitido, o livro se torna ainda mais cativante. Surgem outros personagens com habilidades extraordinárias e toda a adaptação do garoto ao novo ambiente te repleto de cenas muito curiosas. Nova rotina, novas amizades e pequenos conflitos típicos de um adolescente.

O livro não prima pela originalidade, é uma história até mesmo bem batida. Alguém que leva uma vida pacata de repente se vê diante de grandes mudanças, descobre potenciais que não conhecia, reluta em utilizá-lo e conta com a ajuda de um sábio amigo para ajudá-lo a se autoconhecer e enfrentar grandes desafios. Mas Mark tem uma maneira bastante inusitada de descrever as aventuras de seu herói, além de caprichar na construção psicológica de seus personagens. Will amadurece consideravelmente no decorrer da trama e isso faz com que o leitor tenha empatia por ele. Esse é o primeiro livro de uma trilogia e é uma boa pedida para o público adolescente e aqueles adultos que querem uma leitura descomprometida.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Sorteio de maio - As Gêmeas do Gelo





Galera, chegou a hora de retribuir o acesso diário de vocês, premiando um dos membros com um exemplar de As Gêmeas do Gelo, lançamento da Record que está se tornando uma sensação aos amantes de trhrillers psicológicos.

Para participar é necessário:

  • Ser um seguidor do blog Porque Livro Nunca Enguiça pelo google + (clicar em "participar desse site, logado no google+)";






  • Confirmar participação no sorteio. Basta ir nos comentários desse post e escrever "participando". Vocês recebem um número. Se fizerem um comentário no post da promoção no grupo Literatura Policial/ Mistério/ Suspense, recebem outro número e se comentarem no post da página no facebook, recebem um terceiro número. Ou seja, triplicam as chances.


  • A promoção se inicia hoje, dia 03/05/2016 e vai até 15/05/2016.


  • O vencedor será notificado em até uma semana e tem até cinco dias para enviar ao e-mail rsetembro@hotmail.com os dados de entrega, que devem ser em território nacional.



    Aguardo seus comentários e boa sorte.