sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Uni-Duni-tê - M.J.Arlidge



Sinopse

Um assassino está à solta. Sua mente doentia criou um jogo macabro no qual duas pessoas são submetidas a uma situação extrema: viver ou morrer. Só um deverá sobreviver. Amy e Sam, um jovem casal, foram dopados, capturados, presos e privados de água e comida. E não há como escapar. De repente, um celular toca com uma mensagem que diz que no chão há uma arma, carregada com uma única bala. Juntos, eles precisam decidir quem morre e quem sobrevive. Em poucos dias, outros pares de vítimas são sequestrados e confrontados com esta terrível escolha. À frente da investigação está a detetive Helen Grace, que, na tentativa de descobrir a identidade desse misterioso e cruel serial killer, é obrigada a encarar seu passado. Em uma trama violenta que traz à tona o pior da natureza humana, ela percebe que a chave para resolver este enigma está nos sobreviventes. E ela precisa correr contra o tempo, antes que mais inocentes morram.

Resenha

Comecei a leitura desse livro com desconfiança. Parecia bom demais pra ser verdade e achei que o autor não daria conta do recado. Ou seria um livro muito bom ou muito ruim, sem meio termo. Mas, por incrível que pareça esse livro conseguiu ser as duas coisas. A trama é muito boa. Uma história de assassinatos em série com alguns elementos curiosos. A ideia de usar as vítimas como peças de um jogo mortal. As vítimas sendo assassinadas, não pelas mãos de um serial killer, mas pelo seu companheiro de cárcere. A dificuldade do sobrevivente em lidar com a culpa. Tudo isso faz com que a história seja envolvente.

O livro tem um ritmo febril, não há nenhum momento tedioso e, com um texto fluído, as páginas correm sem que se perceba. O autor sabe muito bem conduzir a trama. Cada sequestro gera uma nova pista, que desencadeia um novo desdobramento na história, fazendo com que se veja com cada vez mais clareza o padrão entre os crimes.

Porém, apesar da excelente trama, o livro me decepcionou em vários aspectos. As cenas nas quais as vítimas estão presas são mal exploradas. Momentos que poderiam nos proporcionar um grande jogo psicológico se tornam banais, tanto pela superficialidade com que são narradas, quanto pela frequência com que ocorrem. Ao invés do autor colocar um par de vítimas em cativeiro e mostrar seu desespero se intensificando quanto mais tempo elas ficam presas, ele faz com que tudo aconteça rápido demais e parte logo para as vitimas seguintes. Além do livro ser muito mal escrito. Os personagens são apáticos e a tentativa do autor de dar-lhes profundidade os tornou patéticos. Tudo é muito corrido, os capítulos não tem mais que cinco páginas, pois o autor não sabe desenvolver as situações. Falta clima, faltam personagens convincentes, falta segurança na escrita. Os detalhes forenses são muito evasivos, evidenciando a falta de um trabalho de pesquisa da parte do autor sobre o assunto.

Porém, apesar de todos os defeitos foi uma boa leitura. Uma história com cara de lenda urbana que manteve meu interesse à cada capítulo. Mesmo com os diálogos ridículos, o melodrama de alguns personagens e os absurdos, que na verdade até me divertiram. Poderia ter sido um livro muito melhor, claro, mas mesmo assim valeu.

4 comentários:

  1. Olá Ronaldo!
    Confesso que esperava ansioso pela resenha desse livro desde o dia que você postou a foto.Me chamou a atenção desde que vi a sinopse e tinha altas expectativas em relação a ele.Com a sua resenha vou dar uma baixada nessas expectativas mas ainda assim com muita vontade de ler.Pra quem gosta de livros desse gênero uma sinopse dessas é o mesmo que jogar carne aos leões ehehe!!
    Abraço e parabéns pela resenha.

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    1. O livro não foge ao que anuncia na sinopse, só o texto é que está abaixo do esperado. Mas pra nós que curtimos esse tipo de enredo, não dá pra resistir. Vai nele que acredito que vá gostar.

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  2. Vi na livraria e fiquei mega curioso para ler!
    Depois de ler sua resenha, acho que vou esperar um tempo antes de ler.
    Abraço
    Blog do Ben Oliveira

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    1. Não sei se sou eu que ando exigente demais, porque muita gente curtiu.

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