domingo, 9 de outubro de 2016

Sete heroínas nada convencionais



Raquel

Raquel é uma heroína nada convencional. Uma bêbada, que foi mandada embora de seu trabalho após chegar no serviço embriagada e desde então perambula pela cidade para preencher seu tempo e também para fingir para a amiga com quem divide o apartamento, que continua trabalhando. Seu estado físico e psicológico são lamentáveis. É alvo de deboche das pessoas, percebe isso, mas não consegue fazer nada para mudar. Sua autoestima é zero. Raquel muitas vezes me tirou do sério com suas atitudes desastrosas. A moça não dá uma dentro, tudo o que ela faz acaba se virando contra ela e isso faz com que ela fique cada vez mais emaranhada em sua autopiedade.


Annabel Hayer

Annabel é uma personagem bem diferente das que costumam protagonizar livros de suspense. Apesar de num trecho alguém se referir a ela como dona de "um belo rosto", ela não é descrita como uma mulher bonita. Gorda, já perto da meia idade e sem vaidade nem carisma, Annabel é uma pessoa sozinha, desesperançosa e sem nenhuma autoestima. Vive com seu gato, personificando o velho clichê da solteirona encalhada. Mas os clichês param por aí. Annabel é uma personagem extremamente aprofundada pela autora, uma mulher que convive há tanto tempo com a solidão, que está tão habituada em ser vista como a esquisitona, a ser menosprezada e muitas vezes nem mesmo ser vista como um ser humano, que passou a acreditar em sua insignificância.


Capitu

Uma mulher de personalidade forte, que criou o maior enigma da literatura brasileira: traiu ou não traiu? As ações de Capitu brincam a todo momento com as convicções do leitor, fazendo com que ora duvide, ora acredite na sua inocência. Ela, à primeira vista, pode parecer apenas mais uma mocinha da época do romantismo, subjugada pela opressão masculina, onde tem de se submeter à desconfiança e ao pré julgamento apenas por ser uma mulher bonita. Mas ela é muito mais que isso. Capitu, com sua beleza insidiosa representa a insegurança masculina diante daquilo que ama, mas não consegue controlar. Conforme seu próprio acusador diz: "Capitu era mais mulher do que eu homem".


Noelle Page

Noelle começa o livro como uma típica mocinha romântica, que sai de uma cidade pequena e se aventura na cidade grande, fica deslumbrada com todas as promessas que Paris lhe oferece, encontra um grande amor e sofre uma decepção. A partir daí um outro lado da jovem veio à tona. Um lado mais forte, mais decidido, mas também muito mais sombrio. Noelle nos choca com suas atitudes, abre caminho para conquistar seus desejos das maneiras mais questionáveis, para lá na frente, nos surpreender novamente. Uma mulher movida pela vingança, capaz de terríveis atos em nome do ódio e de pecados mortais em nome do amor.


Jane Rizzoli

Única filha mulher com dois irmãos brutamontes que eram o orgulho do pai, Rizzoli desde cedo aprendeu que seu lugar era ficar em segundo plano. Rabugenta, sem vaidades, sem auto estima, Rizzoli representava a antítese das heroínas. Uma mulher toda complexada, que não faz questão de agradar, impopular em seu ambiente de trabalho e que tem muita dificuldade em conquistar seu espaço na corporação. Mas aos poucos, Rizzoli vai provando seu valor e ganhando o respeito de seus colegas. E ao encontrar um grande amor sua vida tem um novo rumo. É curioso acompanhar a evolução da personagem conforme a série avança. Muitas outras Rizzolis vão surgindo dentro dessa mulher que conquistou o público mesmo com todos os seus defeitos.


Amy

Quem não leu Garota Exemplar deve pular essa personagem, pois é quase impossível falar de Amy sem soltar spoilers. Na minha opinião ela não se enquadra muito na categoria de heroínas, mas o público a aclamou tanto que não dá para deixá-la de fora. Amy é uma das protagonistas mais controversas da literatura moderna, surpreendendo o público ao revelar que não era a vitima inocente que a gente acreditava, mas pelo contrário, era a algoz. Mesmo tendo tomado uma atitude tão mesquinha, imatura e egoísta de simular a morte para incriminar o marido infiel, a personagem se tornou um grande sucesso, principalmente entre o público feminino. Talvez por representar a desforra de uma mulher numa sociedade onde a infidelidade masculina é tratada como um erro insignificante. Os motivos podem ser os mais diversos, mas, por incrível que pareça muitas pessoas dizem que amam a Amy. Enquanto também há quem a despreze. Para mim, ela nada mais é que uma mulher fraca, insana, mentirosa e egocêntrica incapaz de superar uma traição. As opiniões sobre Amy podem variar, mas ninguém fica impassível diante dela.



Lisbeth Salander

Desde a infância Lisbeth teve de lidar com a violência masculina. E desde muito cedo aprendeu a revidar da mesma forma. No início através de atos impetuosos, mas com o passar dos anos, sua maneira de se vingar se tornou mais bem planejada. Adulta, Lisbeth é uma figura que estampa em sua aparência seu passado conturbado, uma figura pálida, anoréxica, de cabelos bagunçados e com o corpo coberto por tatuagens. Lisbeth Salander se torna uma hacker de capacidade excepcional. Porém não é isso o que a torna tão especial. Lisbeth é considerada por alguns a maior personagem que surgiu no século 21. Isso porque ela representa  a nossa era de uma maneira visceral. Ela carrega as marcas que o Estado lhe impôs, mas sua independência é um eco da liberdade de pensar, de viver, de amar e de nos expressar que tanto lutamos pra preservar.

8 comentários:

  1. Olá Ronaldo!

    Dessas heroínas nada "convencionais" a única que ainda não conheço é a do livro A Garota no Trem.As outras conheço todas e uma das mais chamativas é a Annabel de Restos Humanos.Apesar de ter gostado muito do livro em nenhum momento consegui sentir empatia por ela.Lisbeth Salander é a minha favorita dentre essas que citou.Apesar de ainda só ter lido Os Homens Que Não Amavam as Mulheres ela figura entre as mais interessantes e legais que já conheci.Amy tenho a mesma opinião sua sobre ela.O Sidney Sheldon é expert em criar heroínas não convencionais.Além de Noelle eu colocaria também Jil Castle(UM Estranho no Espelho)e a fantástica Kate Blackwell(O Reverso da Medalha).
    Muito legal essas listas que você faz.
    Abraço.

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    1. Sheldon era um mestre nesse assunto mesmo, muito antes de isso virar uma espécie de modernidade entre os autores.

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  2. Olá, Ronaldo!

    Eu conheço três das personagens que você mencionou: Annabel, Noelle e Amy, sendo que a última eu conheço do filme.

    São personagens muito complexas e fora do comum, mas que de modo algum nos deixam indiferentes. Sofri com a Annabel e torci demais por ela, lamentando que o livro não tivesse "aquele" final feliz que eu tanto desejava. Mas como leitora de suspenses, claro que o final não me surpreendeu. E só de lembrar da Noelle... A odeio por tudo de ruim que ela fez, mas a amo demais pela menina que ela foi, a que tinha sonhos, a que se apaixonou... e nunca pude superar o final dela. Até hoje me angustia lembrar. Foi um dos finais mais impactantes dos livros do SS.

    Já a Amy... nunca li o livro, só conheço a personagem que nos mostram no filme e posso dizer que não a amo e nem odeio. Ela me chocou bastante.rs Me surpreendeu muito e não me deixou indiferente. Só que não conquistou nem meu amor e nem o meu ódio.

    Bjs!

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    1. É muito bom mesmo quando o autor foge do convencional, pois torna seus personagens mais humanos.

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  3. Adoro suas listas, Ronaldo! A Amy é aquela personagem que sabe como jogar com a gente muito bem. Estou ansioso para assistir a adaptação. Não vi até agora. Também quero ver a de A Garota no Trem.
    Abraços
    Blog do Ben Oliveira

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  4. Oi Ronaldo! Muito bacana esse post... Li A Garota no trem e odiei Rachel enquanto que Amy realmente me surpreendeu com todo seu fingimento e até fez com que eu admirasse sua coragem! Deu até vontade de ler os livros que você citou!

    Grande abraço, Roberta
    http://SORTEIO NO EVENTUAL OBRA DE FICÇÂO/

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    1. Não consegui ter o mínimo de admiração por ela, mas ser polêmica é uma das características de uma personagem fora do convencional.

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