terça-feira, 12 de julho de 2016

Carrasco - Faye Kellerman


Sinopse

Peter Decker, detetive do Departamento de Polícia de Los Angeles, e sua esposa, Rina Lazarus, estão de volta. Nesta obra repleta de suspense, a dupla está envolvida em uma série de investigações criminais: o brutal assassinato de uma jovem enfermeira, o enigmático desaparecimento de uma mulher e o assustador retorno de um sociopata bastante familiar. Um romance repleto de mistérios, reviravoltas e assassinatos arrepiantes.

Resenha

Adoro o Jonathan Kellerman e acho uma judiação o fato das editoras brasileiras terem-no abandonado. E foi por sentir muita falta de suas tramas instigantes que resolvi experimentar algum livro de sua esposa, Faye Kellerman, pois já que ela escreve o mesmo gênero, é possível que o marido a tenha influenciado de alguma forma. Li há alguns anos Duplo Homicídio, um livro escrito a quatro mãos pelo casal e confesso que não gostei. Mas como tenho um sério problema com livros escritos por duas pessoas, acredito que tenha sido esse o motivo. E ao iniciar Carrasco, constatei que sozinha, Faye é muito melhor.

O enredo traz duas tramas paralelas, cujo único ponto em comum é o detetive Decker, um judeu quase sessentão, tenente da polícia e um cara muito simpático. O primeiro caso é bastante pessoal para o detetive. Terrie, uma velha conhecida, casada com um pistoleiro, desaparece, deixando para trás o filho de quinze anos. Decker acolhe o garoto em sua casa enquanto investiga o sumiço de sua mãe e toda a relação do rapaz com essa família rende momentos divertidos, curiosos e tocantes. Decker tem uma família imensa e muito feliz. As cenas deles juntos parece um comercial de margarina, trazendo uma certa leveza ao livro. Rina, esposa de Decker, me deixou admirado com a boa vontade com a qual encara a sua profissão. Diferente de algum esposas de policiais que, apesar de saberem em que estavam se metendo ao se casarem, vivem enchendo o saco do marido por estar sempre ausente e blá, blá, blá, Rina não só compreende, como o apoia em tudo. Achei linda essa relação.

 A outra trama  tem contornos mais sombrios.Trata-se do assassinato de uma enfermeira, cujo cadáver é encontrado pendurado numa corda numa construção. Nesse ponto encontrei algumas semelhanças com o estilo de Jonathan, com os detetives interrogando os parentes e amigos da vítima, o perfil de cada personagem sendo bem delineado, cada depoimento conduzindo a novas nuances sobre a vida da vítima. A trama é bem intrincada, com muitos personagens envolvidos e às vezes eu me perdia um pouco com a grande quantidade de nomes. Acho que se os detetives se sentassem e recapitulassem o caso de vez em quando ficariam mais fácil de acompanhar. Mas mesmo assim a história conseguiu manter meu interesse até as páginas finais.

E é agora o momento do balde de água fria. Após Decker e sua equipe percorrerem diversas pistas, num árduo trabalho de investigação, a verdade vem à tona não devido aos esforços dos policiais, mas através do recurso mais amador num romance policial: um dos envolvidos no crime simplesmente confessa sua participação, relatando todas as circunstâncias do assassinato. Isso é imperdoável em qualquer livro de dedução. Se nem o detetive teria chegado à verdade não fosse a confissão de um personagem, como é que o leitor teria alguma chance de desvendar o mistério? Não houve clímax algum no final, sem ação, sem emoção e com uma ponta solta que me deixou com cara de idiota. O que deu uma amenizada na minha revolta foi o final da outra trama, envolvendo o desaparecimento de Tessie. Foi um desfecho redondinho, que me agradou bastante. Mas não o suficiente para desfazer a má impressão. Embora tenha um mestre em casa, Faye não aprendeu a escrever um verdadeiro romance policial.

4 comentários:

  1. Oi Ronaldo, tudo bem?!
    Nossa! Eu estava pensando no decorrer da leitura da sua resenha: "preciso ler esse livro" Mas o balde de água fria me atingiu em cheio...rsrs
    De qualquer maneira eu nunca li nada do Jonathan Kellerman, o marido dessa autora, vou pesquisar mais sobre ele!

    Abraços!

    www.lendo1bomlivro.com.br

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    1. É, a sinopse me instigou bastante, mas me dei mal.

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  2. Olá Ronaldo!
    Quando vi que esse livro ia ser lançado decidi dar uma passada de olhos na sinopse que parecia ser interessante mas nem me animei em ler já que li Olhos Vendados da mesma autora e não gostei.Achei fraco,fraco com personagens que não consegui nutrir nenhuma simpatia,sem contar o desfecho que foi ainda pior.Agora ao ler sua resenha só veio a confirmar meu pensamento:essa autora não convence.Porém sinto muita curiosidade em ler os livros do marido dela.Abraço e parabéns pela resenha!

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    1. O marido dela é muito superior, quem sabe a Harper Collins acabe comprando os direitos de alguns de seus livros, ele tem muitos títulos não traduzidos no Brasil.

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