domingo, 29 de maio de 2016

Sete dicas para desvendar crimes nos romances policiais



Para mim, o bom livro policial é aquele que me surpreende no final. É muito emocionante quando nas últimas páginas o detetive desvenda todo o mistério e aponta como culpado aquele personagem do qual você nunca desconfiou. Essa surpresa resulta numa das melhores experiências literárias para os fãs do gênero. Mas de vez em quando é bom acertar o culpado. A gente se sente inteligente quando mata a charada do autor. Mais de vinte anos lendo romances policiais me fizeram perceber alguns macetes que os autores usam para despistar o leitor. E aqui vão minhas dicas.

(Cito vários livros para exemplificar as dicas,  mas não há risco de spoiler, já que não menciono o título das obras, nem os personagens e comento o enredo apenas por alto)

Narrador não confiável

Na leitura de um romance policial, não confiem em ninguém, mesmo que este seja o narrador da história. Livros em primeira pessoa tem o poder de criar uma intimidade muito grande entre o narrador e o leitor e por isso não questionamos o que nos está sendo contado. Principalmente quando o narrador faz com que você sinta empatia por suas desventuras. Quem é fã de Agatha Christie sabe que em pelo menos três de seus livros a autora apresentou como culpado o narrador. Mas nem sempre o assassino nos engana de má fé. Há livros em que o próprio assassino não sabe que cometeu o crime. Casos de esquizofrenia, múltipla personalidade, privação de sentidos pelo uso de drogas e amnésia fazem com que o próprio criminoso não tenha conhecimento de sua culpa. Portanto, fiquem de pé atrás com o narrador.


Álibi Perfeito

Esse foi um dos recursos mais utilizados por Agatha Christie para despistar o leitor. Num bom livro policial, o culpado deve ser sempre aquele menos provável. Quando se fala isso, as pessoas geralmente pensam naquele personagem bonzinho, que não teria perfil ou mesmo motivos para cometer um assassinato. Mas quer culpado mais improvável do que aquele que fisicamente não poderia ter cometido o crime? Agatha usou e abusou desse recurso, fazendo com que o leitor sequer cogitasse como culpado quem tivesse um álibi perfeito e desviasse sua atenção para os outros personagens. Eu demorei a perceber essa fórmula e confesso que depois que a descobri, os livros de Agatha perderam um pouco o encanto. Mas é claro que há uma grande distância em acertar quem é o assassino e descobrir como ele conseguiu forjar aquele álibi.


Frases Soltas

Na época de Agatha Christie, os livros policiais eram totalmente focados na investigação de um crime. Não havia tramas paralelas, a vida pessoal dos detetives não era explorada, as histórias tinham poucos desdobramentos. Dessa forma, os autores não desperdiçavam palavras. Tudo o que era narrado era pertinente à investigação. Por isso, qualquer informação solta, aparentemente ao acaso, é uma pista importante.

O Culpado é o Mordomo

Nunca li um livro policial onde o culpado fosse o mordomo, mas esse axioma existe pra exemplificar que, muitas vezes, aquele de quem menos se suspeita é o assassino. Alguns autores elegem o personagem bonzinho como culpado, porque ninguém sequer cogitaria essa possibilidade e o final seria surpreendente. É um recurso bem fraco, geralmente usado naqueles livros de suspense para iniciantes, ou mesmo em livros onde a trama policial não seja o principal atrativo. Mas há outros tipos de personagens que ficam fora de suspeita. Empregados, pessoas fisicamente debilitadas, os próprios detetives e até mesmo crianças. Tanto que Agatha Christie chegou a criar uma assassina infantil num de seus livros.

Personagens com Sete Vidas

Se um personagem escapar de alguma tentativa de homicídio, considere isso como algo muito suspeito. Há diversos livros de Agatha em que esse truque engana o leitor. Num deles, uma personagem sofre vários atentados, um deles debaixo do bigode de Hercule Poirot e este, após seguir diversas pistas, descobre que era tudo uma grande armação. Na verdade, a jovem armou toda essa encenação para cometer um assassinato que lhe traria algum lucro financeiro, ficando acima de suspeitas, já que todos presumiriam que vítima morreu confundida com ela própria. Desconfie daqueles personagens que parecem ter sorte demais. Se alguém escapa vivo da ação do assassino, geralmente aí tem coisa. E os que, aparentemente, morrem também não estão totalmente fora de suspeita caso haja novos crimes.

Seja Cético

Não acredite em tudo o que os personagens dizem. As pessoas mentem e quando o assunto é assassinato, elas mentem muito mais. Enredos policiais se assemelham a uma equação. Se você colocar um número errado no decorrer da resolução, não importa o quanto conheça a fórmula, o resultado sairá errado. Não tire personagens de suspeitas apenas porque alguém disse algo que ponha abaixo as suas teorias.


Um Estranho no Ninho

Famílias onde haja madrastas, padrastos, filhos adotivos, geralmente escondem algum segredo. Na hora de escrever um livro é mais simples para o autor seguir pelo caminho mais convencional. Por isso se num livro houver alguma relação familiar não natural sem que haja uma razão explícita para isso, desconfie. Há também livros onde alguns personagens parecem estar sobrando, parecem desnecessários no enredo. E uma terceira variante desse tema: triângulos amorosos. Livros policiais não tem como principal intuito criar histórias de amor. Por isso, se a protagonista se envolver com mais de um homem, é bem possível que um deles seja o assassino e no final ela ficará com o outro. O mesmo vale para os protagonistas masculinos. Se pintar muita mulher na vida do cara, uma delas é cilada.


6 comentários:

  1. Olá! Li sua postagem sobre os macetes para desvendar histórias de suspense, de crime... principalmente da Agatha Christie. Pois bem, sou escritor e gosto muito de desafiar a mente do leitor. Vejo que você é um leitor assíduo e também gosta de se surpreender. Estou disposto a oferecer meu livro gratuitamente para você caso queira resenhar, tem interesse? Procure meu nome completo na Amazon e leia a descrição do produto, é mais certeiro achar. Se gostar, eu envio um exemplar de cada. Um grande abraço! :D

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  2. Ronaldo, não consegui visualizar seu email. Acho que não veio ou estou procurando no lugar errado. Se puder me mandar novamente para jeremiasbimbattifilho@gmail.com, eu agradeço. :D

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  3. Gostei do texto, Ronaldo.
    Direto ao ponto. Acho que a maior surpresa em livros do gênero é quando a história é em primeira pessoa e você cria um vínculo com esse personagem para no final descobrir que ele é o assassino. Agatha Christie sempre fornecendo os melhores exemplos para Romances Policiais.

    Um abraço.
    naciadelivros.blogspot.com.br

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  4. Haha, adorei! Tive minha fase de policiais, hoje n]ao leio tanto mas adorava Agatha Christie e Conan Doyle, são maravilhosos. Gostei muito do blog, vou seguir! Bjss

    literalizza.blogspot.com

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    1. Também tenho diversificar mais ultimamente. Obrigado pela visita. Vou conferir seu blog.

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