terça-feira, 17 de maio de 2016

Objetos Cortantes - Gyllian Flynn


Sinopse

A repórter Camille peaker saiu há pouco tempo de um hospital psiquiátrico, onde foi internada para tratar a tendência à automutilação que deixou seu corpo todo marcado, quando recebeu um novo desafio. Frank Curry, o editor-chefe da publicação, pede que ela retorne à cidade onde nasceu para cobrir o caso de uma menina assassinada e outra misteriosamente desaparecida. Desde que deixou a pequena Wind Gap, no Missouri, oito anos antes, Camille quase não falou com a mãe neurótica, o padrasto e a meia-irmã, praticamente uma desconhecida. Mas, sem recursos para se hospedar na cidade, é obrigada a ficar na casa da família e lidar com todas as reminiscências de seu passado. Entrevistando velhos conhecidos e recém-chegados a fim de aprofundar as investigações e elaborar sua matéria, a jornalista relembra a infância e a adolescência conturbadas e aos poucos desvenda os segredos de sua família, quase tão macabros quanto as cicatrizes sob suas roupas.

Resenha

O enredo é repleto de ingredientes que me atraíram a ponto de eu passar o livro na frente de outras leituras mais urgentes. O assassinato de duas garotas cujos dentes lhes foram extraídos, uma protagonista que sofria de uma insólita compulsão de se cortar, talhando palavras sobre a pele e uma família repleta de conflitos. Tudo isso ambientado numa cidade interiorana, à qual a personagem principal retorna para fazer uma matéria sobre os violentos homicídios.

No início fiquei bastante interessado pelos dramas de Camille, sua estranha patologia que a levava a marcar o próprio corpo com palavras emblemáticas. Cada centímetro de seu corpo era coberto por cicatrizes, não restando quase nenhuma parte livre, o que a levava a viver de roupas longas. Isso, obviamente, impactava em sua vida afetiva, pois, por medo da reação dos homens quando se deparassem com sua pele mutilada, ela fechara-se para qualquer relação amorosa. Fiquei angustiado com os detalhes sobre esse seu hábito e muito curioso em descobrir quais traumas do passado, envolvendo sua família, desencadearam essa doença.

Ao conhecer sua mãe, Adora, logo percebi o motivo de Camille ser tão surtada. Uma mulher manipuladora, que me tirou do sério do início ao fim da leitura, sempre fazendo alusões à morte de sua filha Mariann, vítima de câncer, como se tal tragédia pudesse justificar seu comportamento. A frieza com a qual tratava a filha, a maneira como não disfarçava sua contrariedade em ter Camille hospedada em sua casa, as freqüentes alfinetadas e até mesmo suas tentativas em sabotar a matéria que a filha viera fazer na cidade me revoltara. Tive vontade de afogá-la. Outra personagem insuportável era Amma, a irmã caçula de Camille. Irritiante, cruel, dissimulada e muito, mas muito chata. E é esse um dos problemas do livro. Nenhum personagem me cativou.

Gyllian joga em cima do leitor uma enxurrada de personagens, que não contribuem em nada para a história e só servem para tornar a leitura mais confusa. Aliás, uma palavra para definir o livro é “desengonçado.” A autora não conseguiu definir um tom para contar a história. O livro não tem foco, a história não te instiga, a investigação não evolui com o decorrer dos capítulos, pelo contrário, tanto o policial Richard, quanto a jornalista Camille só fazem rodeios durante todo o livro, para que no final, em poucas páginas tudo seja desvendado. Não vou dizer que o final foi surpreendente, porque a essa altura eu já nem me importava com quem era o responsável pelos crimes. Objetos Cortantes é o primeiro livro de Gyllian, e me admiro com o quanto ela progrediu em tão pouco tempo, já que em seus outros livros a escrita, embora um tanto arrastada, se tornou muito mais concisa, bem diferente desse livro todo desconjuntado.

3 comentários:

  1. Sim, o livro é um pouco lento, mas eu me questionei algumas vezes até que ponto eu podia confiar na narrativa, pois você acompanha a história na perspectiva de uma personagem totalmente abalada, com aquela compulsão de escrever palavras pelo corpo todo e tudo mais.

    Não gostei muito do desfecho, mas assim mesmo esse livro possui vários pontos positivos, como a relação da personagem principal com sua família, em especial com a sua mãe. Uma personagem, como você mesmo falou, manipuladora.
    Gostei da sua resenha, realmente o livro é um pouco desengonçado.

    Estou iniciando um blog sobre resenhas, caso se interesse: naciadelivros.blogspot.com

    Obrigado

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    1. Também desconfiei muito da Camille e até criei algumas hipóteses que a envolvia nos crimes. Eu visitei seu blog e achei o conteúdo excelente. Abraço.

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    2. Sim, também tive minha hipóteses. Garota exemplar está na minha lista, vamos ver se a narrativa flui.
      Obrigado pelo apoio.
      Um abraço.

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