terça-feira, 10 de maio de 2016

O Rouxinol - Kristin Hannah


Sinopse

Em 1939, na França, Vianne Mauriac se despede do marido, que ruma para o fronte. Quando o país é tomado, um oficial das tropas de Hitler requisita a casa de Vianne, e ela e a filha são forçadas a conviver com o inimigo ou perder tudo. De repente, todos os seus movimentos passam a ser vigiados e Vianne é obrigada a fazer escolhas impossíveis, uma após a outra, e colaborar com os invasores para manter sua família viva. Isabelle, irmã de Vianne, é uma garota contestadora que leva a vida com o furor e a paixão típicos da juventude. Enquanto milhares de parisienses fogem dos terrores da guerra, ela se apaixona por um guerrilheiro e decide se juntar à Resistência, arriscando a vida para salvar os outros e libertar seu país. Seguindo a trajetória dessas duas grandes mulheres e das pessoas ao seu redor, O Rouxinol é uma narrativa sensível que celebra o espírito humano e a força das mulheres que travaram batalhas diárias longe do fronte.

Resenha

Comprei esse livro sem conhecer nada da autora, nem mesmo de nome, somente pelo tema: a Segunda Guerra Mundial, e mais especificamente, a ocupação nazista na França. Adoro livros sobre essa época e decidi arriscar. O livro ficou meses na fila, e finalmente resolvi lhe dar uma chance, pois estava sentindo a necessidade de uma leitura dramática. E logo no início me veio aquela sensação de “porque eu não peguei esse livro antes?”

A história se foca principalmente na diferença de temperamentos entre as irmãs Isabelle e Vianne, e nas divergências que essa incompatibilidade de gênios acarretam. Isabelle é contestadora, desde criança deu trabalho na escola, vive em conflito com o pai, por quem sente uma grande mágoa por tê-la negligenciado após a morte da mãe e tem uma aversão a qualquer tipo de autoridade. Vianne é o oposto. Medrosa, passiva e tudo o que almeja em sua vida é uma vida tranquila com sua família. Quando os nazistas ocupam a França, Isabelle vai morar com a irmã, cujo marido partiu para a guerra meses antes e então os conflitos entre elas começam a surgir. Mas o enredo é grandioso, não se limitando apenas às desavenças domésticas, mas se estendendo por diversos cenários.

Tudo vai acontecendo de forma gradual. Primeiro um oficial requisitando a casa de Vianne e ali se instalando, obrigando-a a conviver com o inimigo. Os primeiros sinais de perseguição aos judeus franceses, começando com demissões nos cargos públicos, logo depois as estrelas amarelas, marcando pessoas como gado e, finalmente, a deportação. A violência dos nazistas à cada capítulo se torna mais cruel. Os oficiais se sentem primeiro como os donos da cidade, para logo depois se sentirem donos das pessoas que ali habitam, deixando que o poder e a impunidade revelem os monstros que escondem dentro de si. Por outro lado, há o movimento da resistência francesa, no qual Isabelle e seus companheiros arriscam a vida em difíceis missões. À cada nova investida dos nazistas, Isabelle se torna mais corajosa, como se a ameaça só intensificasse sua vontade de lutar. Da menina rebelde ela se transforma no Rouxinol, uma lenda da Segunda Guerra, perseguida incessantemente pelos nazistas. As cenas em que a jovem passa por situações de perigo, conduzindo oficiais ingleses feridos em combate para locais seguros tem um delicioso sabor de livros de espionagem. Mas Vianne também aprende a ser forte durante esse período. Como todo ser humano, cometia seus erros, mas tinha um grande senso de responsabilidade. Se por um lado se sentiu desleal com quem amava, cedendo à constante ameaça dos nazistas, por outro, foi capaz de capaz de gestos de extrema bravura por lealdade a uma amiga. Uma mulher movida pelo amor, e foi nele que encontrou a sua força. Foi por amor aos filhos, legítimos e adotados, que ela arriscou sua segurança muitas e muitas vezes.

Kristin nos presenteia com personagens formidáveis, num enredo extremamente dramático, que explora sem reticências os horrores do nazismo. O livro mantém um ritmo intenso do início ao fim. Seja nos conflitos familiares, seja nas aventuras dos rebeldes,  que não desistem de ver a França novamente livre da ocupação alemã, seja nos acontecimentos históricos que impactam nas vidas dos personagens,  cada capítulo nos prepara uma surpresa, com os personagens cada vez mais imersos na miséria humana, até o final redentor. O Rouxinol não é apenas mais um livro sobre o Holocausto, é uma história sensível, repleta de aventuras, permeada de fatos históricos e com muita emoção. Uma leitura que fala ao nosso coração e mostra que nem mesmo o horror de uma guerra é capaz de romper laços afetivos.

6 comentários:

  1. Ótima resenha! Adicionei esse livro na minha lista de desejos. Minha vontade de criar uma seção de livros na minha estante só sobre as Guerras Mundiais só aumenta!

    blogleitorit.blogspot.com.br

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    1. É um assunto que, geralmente, rende ótimos livros

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  2. Olá!
    Adorei a resenha! Adoro romances históricos e esse com certeza está na lista.
    Bjs

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    1. Sim, a gente aprende História de uma maneira muito mais motivadora.

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  3. Adorei a resenha! Não costumo ler esse tipo de livro, acho muito triste, me faz chorar. Mas o livro parece ser muito bom. Gostei do título e achei a capa muito bonita.

    www.meuslivrosesonhos.blogspot.com.br

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    1. É uma leitura que mexe muito com as emoções mesmo.

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