sexta-feira, 15 de abril de 2016

Sete verdadeiras máquinas de escrever

Ler o novo livro de seu autor favorito é um dos melhores momentos da vida de um leitor. Mas quando o livro acaba, dá aquela tristeza em saber que se terá de aguardar um, dois ou até três anos por um novo lançamento. Mas quem é fã de algum dos escritores dessa lista não sofre desse mal. Ou não sofreu, já que alguns deles já não estão mais entre nós. É claro que há autores muito mais prolíficos que esses, mas aqui estão os mais famosos. Uma galera que não deu descanso para o teclado.



Stephen King

De todos os autores dessa lista, Stephen é o que menos tem livros publicados. Cerca de cinqüenta. Mas vocês já viram o tamanho de seus calhamaços? Escrever mais de um livro por ano já é uma proeza, mas escrever uma obra de setecentas páginas atrás do outra é só para os melhores. Sem falar que são livros com personagens bem construídos que certamente exigem um esforço maior. Fico admirado com a dedicação de King em manter seus leitores sempre saciados da fome de novos livros. O autor sempre escreve 10 páginas por dia, todos os dias do ano (até mesmo nos feriados e finais de semana). Ele se dedica diariamente, 365 dias por ano, em criar novas maneiras de assustar seus fiéis leitores. Isso é que é viver para escrever.



Danielle Steel

Eu lia compulsivamente os livros de Danielle Steel numa determinada época, o que me rendeu deliciosos momentos, saboreando seus romances açucarados e tão cheios de drama quanto uma novela mexicana. A autora publicou mais de cem livros, dos quais devo ter lido mais de cinqüenta. Porém escrever muito e escrever bem é uma talento para poucos. A fórmula de Daniellle se desgastou com o tempo. Mesmo hoje, com quase quarenta anos de carreira, a autora ainda é capaz de criar enredos originais, porém na hora de desenvolvê-los, cai sempre na síndrome do mais do mesmo. Você nem precisa chegar na metade pra descobrir que já leu aquele livro antes. E o que é pior: por dezenas de vezes.





Agatha Christhie

Nem sempre fórmulas prontas resultam em enredos repetitivos. Agatha Christhie é uma prova disso. A estrutura de seus livros varia muito pouco. A autora tinha um método muito peculiar de encobrir a identidade de seus criminosos, desviando a atenção do leitor, como uma boa ilusionista. Porém, se o método que usava para elaborar crimes quase perfeitos era limitado, cada enredo era de uma imaginação prodigiosa. Em seus mais de oitenta livros, Agatha nos presenteou com as mais intrincadas tramas. Intrigas familiares, histórias de espionagem, escândalos da alta sociedade, tortuosas histórias de amor. E os cenários então! Ilhas misteriosas, trens luxuosos, cidades do interior cheias de personagens pitorescos, países exóticos. E o que é melhor, seus livros tem um sabor tão especial, que mesmo quando os relemos, já sabendo quem é o assassino, o encanto não se perde.



James Patterson

Quem nunca escreveu um livro com o James Paterson? Escrever livros em parceria com esse autor virou moda de uns tempos pra cá. Tenho minhas dúvidas a respeito dessa “escrita a quatro mãos”. O único livro da franquia Paterson e Friends que li foi Zoo e realmente deu pra sentir ali o estilo de dois autores se revezando. Porém acredito que na maioria dos casos, o autor venda seu nome como uma marca para alavancar a venda de livros de novos autores, tendo a mínima, ou nenhuma, participação no processo de escrita. Especulações a parte, o fato é que Patterson já era um autor extremamente produtivo muito antes dessa onda de parcerias. Sua série Alex Cross conta com 21 livros. A série Private, oito. Bruxos e Bruxas, quatro. E muitos outros individuais.


Nora Roberts

Nora começou sua carreira em 1980, quando a editora Silhoute passou a receber manuscritos que a poderosa Harlequin esnobava. Foi o início de uma proveitosa parceria que rendeu mais de vinte livros e o começo da carreira de uma das autoras mais produtivas da atualidade. Nora escreveu mais de 200 livros, muitos usando pseudônimos como  como Jill March, Sarah Hardesty  e, um dos mais conhecidos, J. D. Robb, na sua famosa  Série Mortal. A autora escreve mais de sete livros por ano e é nessas horas que, exceto pela Série Mortal cujo primeiro livro eu adorei, fico feliz de não ser seu fã. Meu bolso agradece.


Edgar Wallace

Edgar foi um jornalista, dramaturgo e romancista que escrevia em ritmo industrial. Escreveu 175 livros, 24 peças de teatro e muitos contos policiais para jornais. Na década de 1920,  um dos seus editores afirmou que um quarto de todos os livros lidos na Inglaterra haviam sido escritos por Wallace. Seus livros tinham um forte apelo popular, com um texto sem nenhuma profundidade, mas repletos de ação. Histórias onde heróis estereotipados enfrentavam organizações criminosas, onde gênios do crime bolavam planos mirabolantes e onde as tramas eram inverossímeis, mas muito divertidas. Livros ingênuos e descartáveis que até hoje podem ser encontrados nas prateleiras dos sebos. Mas seu trabalho de maior sucesso não foi no meio literário e sim, como roteirista, escrevendo o argumento de King Kong, o gorila que devastou Nova York e que é um dos símbolos da cultura pop.


Janet Dailey

A carreira de escritora de Janet teve início através de um desafio. A autora era uma traça de biblioteca e um dia afirmou ao marido que era capaz de escrever um livro melhor do que daqueles inúmeros romances que lia. O marido desafiou-a a provar isso e não tardou que ela não apenas concluísse o livro, mas o vendesse para a  editora Harlequim, que na ocasião não dava oportunidade a autores americanos, já que o que vendia na época eram romances nos moldes britânicos, geralmente histórias de época, com mocinhas frágeis e romances açucarados. Janet introduziu no catálogo da editora sua visão da mulher americana moderna, o que agradou o público feminino. Daí em diante foram mais de cem livros demonstrando uma criatividade aparentemente sem fim. Porém, em 1997 um episódio escandaloso colocou em dúvida toda essa prolificidade. A autora foi processada por sua colega romancista Nora Roberts, sob a acusação de copiar o seu trabalho ao longo de um período de mais de sete anos. Um leitor notou as semelhanças e fez uma postagem na internet, o que trouxe tudo à tona. Dailey reconheceu o plágio e culpou um distúrbio psicológico.

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