domingo, 17 de abril de 2016

As Gêmeas do Gelo - S. K. Tremayne


Sinopse

Um ano depois de Lydia, uma de suas filhas gêmeas idênticas, morrer em um acidente, Angus e Sarah Moorcroft se mudam para a pequena ilha escocesa que Angus herdou da avó, na esperança de conseguirem juntar os pedaços de suas vidas destroçadas. Mas quando sua filha sobrevivente, Kirstie, afirma que eles estão confundindo a sua identidade — que ela é, na verdade, Lydia — o mundo deles desaba mais uma vez. Quando uma violenta tempestade deixa Sarah e Kirstie (ou será Lydia?) confinadas naquela ilha, a mãe é torturada pelo passado. Qual é a verdade sobre o dia em que aquela tragédia mudou para sempre suas vidas?

Resenha

Tenho uma queda por thrillers psicológicos, por isso, fiquei muito curioso quando li a sinopse de As Gêmeas do Gelo. Prometia ser um livro intrigante, com personagens complexos e uma trama muito bem amarrada. E o livro cumpriu tudo o que foi proposto.

Tremayne tem um texto bem preciso. Em menos de cinquenta páginas ele coloca o leitor por dentro de toda a situação dramática que os personagens estão vivendo. Um casal que perdeu recentemente uma de suas gêmeas num acidente doméstico, os problemas psicológicos que a irmã sobrevivente vem apresentando, suas dificuldades financeiras, já que a instabilidade emocional do marido o fez perder o emprego, tudo isso culminando num casamento em crise. Porém, mesmo sendo objetivo ao situar o leitor dentro deste cenário, Tremayne não trata os personagens e nem seus dramas com superficialidade. Ele encontra o ponto exato entre dar profundidade ao enredo, sem comprometer o ritmo do livro.

A história é alternada entre a narrativa da esposa Sarah, em primeira pessoa e o ponto de vista do marido Angus, em terceira pessoa. Achei a Sarah muito chata. Até concordo que sua tragédia seja terrível o suficiente para justificar seu estado de ânimo, mas a personagem se vitimiza demais. O tom de sua narrativa é muito melodramático, soando sempre como uma longa queixa sobre sua vida miserável. Sua lamúria é tão apelativa que é como se estivesse exigindo que tivessem pena dela. Não consegui sentir nenhuma simpatia por Sarah.

Já em relação a Angus, senti uma empatia maior por seu sofrimento. Embora em seu papel de homem viril não demonstrasse seus sentimentos, sua tristeza era mais franca. A tragédia o afetou de modo muito mais intenso, a ponto de destruir a sua próspera carreira como arquiteto. Porém, a maneira que Angus encontrou de superar a morte da filha,foi se mudando para uma ilha que herdara de seus avós e assim, recomeçar a vida.

A ambientação do livro é um dos elementos que deram um sabor especial à leitura. Mais uma vez, Tremayne foi assertivo, descrevendo os cenários, o clima e a cultura do local, sem se prolongar demais. Não há descrições desnecessárias, daquelas que só servem para preencher páginas e sim uma ambientação que serviu para realçar o clima de mistério do livro.

Chega um momento em que percebi que havia algo de muito estranho naquela família, mas não conseguia definir o que. A dúvida sobre a verdadeira identidade da gêmea que sobreviveu é o catalisador de uma série de conflitos e a menina, inocentemente ou de propositalmente, não dava para saber, começa a jogar seus pais um contra o outro conforme vai revelando segredos envolvendo tanto à si própria, quanto à irmã morta. Uma aura de desconfiança paira entre o casal. É muito interessante o duelo psicológico entre Sarah e Angus. Um desconfiando do outro ao mesmo tempo em que tentam esconder seus verdadeiros sentimentos. E esse jogo de esconde-esconde  envolve também o leitor, o que praticamente nos joga no meio daquele conflito doméstico. Temos a narrativa em primeira pessoa de Sarah, mas ela demonstra em algumas atitudes, que não é uma narradora confiável. Nosso acesso ao ponto de vista de Angus é indireto, mas ele parece muito mais sincero do que a esposa. E pra dificultar ainda mais essa equação, temos a grande dúvida sobre o que realmente aconteceu com as gêmeas. Será que a menina sobrevivente é Kirstie ou Lydia? Estaria a garota manipulando os pais? Estaria ela enlouquecendo? Haveria alguma explicação sobrenatural para todos aqueles acontecimentos?

À cada capítulo novas revelações vão surgindo, uma mais chocante que a outra, mas a resposta só vem nos momentos finais, de forma impactante. O autor mantém o suspense até a última página, com revelações sendo feitas nas últimas linhas. Exatamente o tipo de livro que gosto, sem aquelas prorrogações desnecessárias após a resolução dos fatos. Um suspense requintado, que me conquistou.


A edição é ilustrada com fotografias representando a locação da história. Não curto ilustrações em livros, mas nesse caso serviu para reforçar a ambientação tão bem trabalhada. As fotos tem um tom sombrio, tornando a leitura mais vívida.

4 comentários:

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    1. Pelo que você posta em seu blog, acredito que vá gostar, Thalita.

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  2. Parece tão interessante que vou começar hoje mesmo. Obrigada pela indicação. :D

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    1. Por nada, eu que fico feliz em fazer com que esses livros cheguem às pessoas.

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