segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Traição - Karin Alvtegen


Sinopse

Eva é uma empresária bem sucedida que, ao descobrir que seu casamento terminou devido ao envolvimento de seu marido com outra mulher, decide se vingar. Seu caminho se cruza com o de Jonas, um jovem solitário que durante os últimos dois anos mantém vigília ao lado da namorada em coma. Porém, Jonas quer muio mais do que uma noite de sexo inconsequente e esse jogo amor, vingança e traição leva os integrantes a consequências imprevisíveis.

Resenha

A narrativa em terceira pessoa é dividida entre o ponto de vista de uma esposa traída, do marido que decide abandoná-la e de um rapaz com sérios problemas psicológicos que passa seus dias num hospital ao lado da namorada em coma. No início senti certa empatia por Eva que, desesperada com a distância do marido, faz de tudo para recuperar o clima de romance entre os dois. Henrik, por sua vez, sente uma raiva crescente de sua mulher por ela ter o mau gosto de demonstrar seu sofrimento, enchendo-o de culpa num momento em que deveria estar desfrutando da felicidade de um novo romance. Ou seja, o cara trai a esposa e ainda a culpa pelo seu próprio remorso. Desprezível, pra dizer o mínimo.

Porém, a pouca simpatia que senti por Eva, foi se esvaindo conforme ela não demonstrava nenhum amor próprio. E, como se não bastasse, quando ela decide reagir é para se empenhar numa vingança contra o marido e sua amante, que é a professora de seu filho, Linda. Eu compreendo que uma traição, principalmente num casamento de anos, deva ser algo muito doloroso, mas é algo que acontece. Se a relação terminou, que cada um vá para o seu lado. Ela poderia xingá-lo, jogar um vaso em cima dele, arrancar até suas cuecas no divórcio, mas seguir com a sua vida. Porém Eva se lança numa vingança mesquinha, o que só a faz perder a razão. Vingança de mulheres abandonadas geralmente dão ótimos enredos, mas em situações completamente diferentes. Uma jovem que tenha sido iludida, abusada ou mesmo lesada por um homem, tem de ir à forra mesmo. Mas uma mulher que uma hora está rastejando atrás do marido e na outra querendo se vingar, não demonstra nenhuma convicção no que deseja. Sem falar que a vingança é tão amadora que parece coisa de colegial.

Jonas, o rapaz com a namorada em coma, é outro que me irritou.  De início ele é apresentado como um namorado dedicado, que além de passar horas velando a namorada, tem de lidar com o TOC. Está aí um assunto que achei que tornaria sua história interessante, mas a autora explorou superficialmente o transtorno e transformou-o num personagem caricato. Seu caminho cruza com o de Eva e acreditei que a partir dali a história ficaria mais instigante, mas uma série de mal entendidos leva a um final decepcionante. Acompanhar toda aquela comédia dos erros para me deparar com um desfecho daqueles, foi de matar. A única vantagem é que o livro é bem curto.

Como ponto positivo, devo ressaltar as questões sobre fidelidade que a autora consegue levantar através dos diálogos entre Eva e Jonas. A autora conseguiu tocar num ponto sensível que nos leva a boas reflexões sobre onde começa a verdadeira traição. Será que trair é continuar com alguém, mesmo não havendo mais amor? Traição levanta essas questões, mas de uma maneira desajeitada, que não me cativou nem um pouco.

2 comentários:

  1. Poxa, acho que a capa me iludiu um pouco hahaha Cheguei achando que seria uma parada, e quando li a resenha encontrei algo totalmente diferente. Infelizmente esse não faz o meu tipo de livro.

    http://magoevidro.blogspot.com.br/

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