segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

A Metade Negra - Stephen King




Sinopse

Cansado de escrever livros de terror, o escritor Thad Beaumont decide por um fim a essa fase de sua carreira, matando simbolicamente George Stark, o pseudônimo que utiliza para escrever essas mórbidas histórias. Para ele, basta o reconhecimento que tem dos críticos, escrevendo alta literatura sob seu próprio nome. Mas seu pseudônimo não gosta nem um pouco de da ideia de deixar de existir. A metade negra de Thad ganha vida e clama por vingança.

Resenha


A Metade Negra é um dos muitos livros raros de Stephen King, que só são encontrados em sebos por valores extorsivos. O tinha em PDF, mas não consegui avançar com a leitura, pois ler nesse formato sempre foi uma tortura para mim. Até que tive a sorte de encontrar esse volume na Estante Virtual por um preço razoável e então não resisti. Foi com emoção que recebi o meu exemplar e pude então conhecer na íntegra essa história que é uma das mais macabras escritas pelo mestre. Porém, de tanto reclamar do PDF acabei pagando a minha língua, pois a fonte do livro é tão pequena que chega a parecer brincadeira de mau gosto da editora. A leitura não rende e por causa disso levei quase dez dias para terminar um livro de 358 páginas.

Stephen King nos traz uma premissa que nas mãos de um escritor menos habilidoso chegaria a ser ridícula. Thad Beaumont é um escritor famoso, reconhecido por suas obras de alta literatura, que usa um pseudônimo para escrever thrillers repletos de violência. Chega um momento em sua vida que ele passa a se sentir incomodado com esse outro lado de sua carreira e decide então revelar a identidade de seu pseudônimo George Stark, enterrando-o simbolicamente. O pseudônimo porém, revela ter uma identidade própria e retorna dos mortos em busca de vingança. Ou seja, um cara que nunca existiu (será?) ganha vida e passa a assassinar pessoas ligadas a Thad Beaumont, colocando o escritor sobre suspeita. Muita gente pode achar o enredo sem noção, eu também acharia se fosse escrito por outro autor, mas não é que Stephen King realmente transformou essa bizarrice num excelente suspense!

O livro começa com uma cena perturbadora. Thad, ainda criança, é operado de um tumor no cérebro e quando, na sala de operação, seu crânio é aberto, a enfermeira vê algo tão aterrador em seu interior que a faz sair correndo da sala de cirurgia. Anos depois, nos deparamos com Thad já adulto, casado, pai de um casal de gêmeos e reconhecidamente um escritor talentoso. Nessa ocasião, Thad havia acabado de renunciar ao seu pseudônimo de George Stark, após ter lucrado uma verdadeira fortuna com seus livros repletos de violência. E é a partir daí que sua vida perfeita começa a ruir. Os assassinatos cometidos por George são de uma violência extrema. E algo que me impressionou muito na narrativa de King é o recurso pouco usual de que ele lançou mão para dar mais impacto a essas cenas. Ao invés de dar destaque às vítimas, dando um perfil psicológico delas antes do assassinato, o autor se fixou nas testemunhas, nas pessoas que encontraram os corpos. Stephen dá um amplo retrato de cada uma delas e então as coloca na cena do crime, o que dá um grande. É como se as testemunhas fossem nossas conhecidas, o que nos torna mais próximos de toda ação.

George Stark, o grande vilão da história vai surgindo gradualmente. Primeiro sua existência é apenas presumida. Depois, ele é apenas um vulto visto por uma das testemunhas, uma voz ao telefone, até que ele aparece em toda a sua opulência e toma as rédeas da vida de Thad e sua família. Conforme o livro segue rumo à reta final, vamos ansiando cada vez mais pelo confronto entre Thad e George e quando esse acontece, as emoções afloram das páginas. O final é arrebatador, um dos desfechos mais espetaculares de King. O único defeito foi o excesso de profundidade nos personagens, o que comprometeu o ritmo da narrativa. King imergia em suas mentes e ali perdia a noção do tempo. São páginas e mais páginas tomadas pelas ponderações de seus personagens, o que tornou a leitura um tanto enjoativa em alguns pontos. Uma narrativa mais enxuta teria tornado o livro muito mais empolgante. Mas mesmo assim curti demais a leitura e torço para que a Suma das Letras reedite essa obra. Com uma bela capa, páginas amarelas e é claro, fontes legíveis.

8 comentários:

  1. Cara, que linda a sua edição! Os livros raros do King são um mais especiais que o outro, queria muito ser rica para enfeitar minha estante com eles hahaha
    Eu ainda não conhecia a estória desse livro, ela me parece bem interessante, mas sou suspeita de falar já que sou uma fã em construção do autor. Entretanto, diferente da maior parte dos livros dele que já li, esse parece ter um terror mais latente.
    Quando houver uma reedição - ou caso eu encontre ele com um valor mais baixo - também lerei, rs.

    http://magoevidro.blogspot.com.br/

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    1. Também gostaria de ter todos, mas são tantas as raridades.

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  2. Nossa que droga cara as folhas são brancas e as letras super pequenas??????kkkkkkkk morri. Eu e vc estamos num eterno dilema, eu nunca pretendo ler um livro desse autor e vc nunca lerá aqueles livros adolescentes que eu indico lá no blog kkkkkkkkkkkkkkkkkk...

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    1. É Guto, assim vai ser difícil comentarmos os mesmos livros.

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  3. Olá!
    Que show! Parabéns pela compra! Li esse livro a taaaaaaaaaaaaanto tempo, emprestado pela minha tia super fã de King, que nem me lembrava da historia! Também espero que a Suma faça uma nova edição *.*
    Bjs

    EntreLinhas Fantásticas - SORTEIOS NO BLOG! PARTICIPE :)

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    1. A Suma tem mandado bem no que se refere a Stephen King, acho que é bem possível uma reedição.

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  4. Ronaldo já tinha gostado da capa só de ver a chamada do post..esse livro é cheio de histórias por dentro e por fora então...kkkk esse lance da raridade fechou a avenida...Agora o lance de descrever todos os personagens e de forma minuciosa já se tornou marca do autor né? Em It a coisa acontece e a personagem nem é tão protagonista assim..kkkk...amei a resenha fiquei com vontade de ler...PS: estou te tagueando e ansiosa pra ver suas respostas segue o link:
    http://theluckstar.blogspot.com.br/
    grande abraço

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    1. É verdade, King costuma caprichar na composição dos personagens. Mas aqui ele extrapolou um pouco. Eu não costumo fazer tags, mas vou lá conferir a usa.

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