quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Sete melhores leituras de 2015





 Nunca sei quantos livros leio por ano, mas 2015 foi bem produtivo. Li muita coisa boa e aqui estão os que mais se destacaram. Todos foram resenhados no blog, por isso não vou repetir a resenha, mas falar brevemente de minhas experiências lendo cada um deles.


O Vilarejo

 O único defeito desse livro é que ele é curto demais. Sei que às vezes reclamo dos livros longos de Stephen King, mas nesse caso, os contos de Raphael não tem mais que quinze páginas cada um e as histórias são tão absorventes que você  quer mais. Mas o cara tem uma capacidade de concisão, que cada conto é amarrado primorosamente. Recomendo muito e o preço é bem convidativo.


 O Colecionador de Peles

 Jeffery Deaver se superou com esse livro. Eu devorava as páginas tamanha a sua capacidade de criar situações intrigantes. Sabe aquele livro que te surpreende à cada página? Reviravoltas das mais inesperadas tornaram essa leitura um turbilhão de emoções. Só não curti os spoilers gravíssimos de O Colecionador de Ossos. Por mais que as alusões ao outro livro fossem necessárias, acho que o autor deveria ser mais reticente.




Histórias Para Noites Sem Luar

 Essa foi uma releitura. Adorava pegar na biblioteca pública os livros dessa coleção e esse foi um dos que mais marcaram minha adolescência. E revisitá-lo foi delicioso. Consegui resgatar a sensação que tive ao lê -lo pela primeira vez, há quase vinte anos, quando a leitura era ainda um mundo novo e cada novo livro iniciado era como se lançar numa aventura. Hoje, sou mais crítico e nem tudo me impressiona tanto, mas com essa releitura viajei no tempo e voltei a ter aquela entusiasmada ingenuidade.


Guerra Civil

 Sou suspeito para falar de quadrinhos, porque adoro esse universo. Não chego a ser um nerd, tanto que não chamo quadrinhos de HQ, mas gosto das histórias e, principalmente, fico fascinado pela dimensão que os personagens tomam, invadindo as séries de TV, o cinema e até protagonizando musicais. Mas quando soube dos livros, não botei muita fé. Quadrinhos e literatura são áreas muito diferentes. Porém, resolvi arriscar e me dei bem. Lia cada página com um entusiasmo que há muito não sentia e perdi o preconceito quanto a esse novo gênero que está crescendo tanto.


O Peão

 Sou grato a Mari do blog S2 Ler por essa indicação. Steven James não tem um texto dos mais caprichados, mas esse livro é pura adrenalina e, pelos comentários que leio por aí, todos os outros são assim. Ainda não li mais nenhum, mas O Peão foi o suficiente para me convencer a acompanhar essa série.


O Predador

 Acompanho essa série desde o início e, apesar de ter curtido os últimos volumes, achei que Tess estava perdendo a mão. Muitos dos elementos que mais me atraía em seus livros estavam desaparecendo, como os detalhes forenses, a intimidade de Rizzoli e seu marido e as revelações inesperadas à cada capítulo. Mas Tess recuperou sua velha forma e assim, manteve a fidelidade de mais um fã.


Escuridão Total Sem Estrelas

 Um livro de Stephen King é sempre algo muito esperado e o lançamento de um livro de contos do mestre tem um sabor ainda mais especial. Apesar de gostar de escrever seus famosos tijolões, Stephen manda muito bem quando escreve textos curtos e esse livro é uma prova de que ele não precisa de muitas páginas para nos apavorar. Melhor leitura do ano!


 Esses foram meus sete melhores momentos na literatura em 2015. E vocês, quais livros mais lhes marcaram esse ano? Comentem e quem tiver um blog e fez também sua lista de top 2015, coloque o link que vou lá conferir. Um feliz ano novo e desejo a todos ótimas leituras em 2016.







sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Guerra Civil - Stuart Moore


Sinopse

Quando uma trágica batalha deixa provoca a morte de centenas de pessoas, o governo americano exige que todos os super-heróis revelem sua identidade e registrem seus poderes. Para Tony Stark o Homem de Ferro é um passo lamentável, porém necessário, o que o leva a apoiar a lei. Para o Capitão América, é uma intolerável agressão à liberdade cívica. Assim começa a Guerra Civil. Os dois amigos se tornam então adversários, cada um liderando uma equipe numa batalha de proporções épicas.

Resenha

Confesso que quando me deparei com essa onda de novelizações de histórias em quadrinhos, não me entusiasmei. Assim como alguns livros baseados em filmes não deram certo, achei que transformar algo essencialmente visual num livro, resultaria numa bananada só. Imaginei o autor se embaralhando todo ao tentar descrever uma daquelas empolgantes cenas de batalha e assim, confundir totalmente o leitor. Mas tive uma ótima surpresa ao descobrir que o texto era muito fluído, que as páginas voavam sem que eu percebesse e que cada cena de batalha era transmitida de modo preciso, sem desperdiçar palavras, comunicando apenas o que interessava. Stuart foi muito feliz ao traduzir para a linguagem literária toda a emoção dos quadrinhos.

O autor se esforçou em não retratar o Homem de Ferro como um vendido, já que ele está do lado do governo, usando todos os seus recursos para obrigar os heróis a obedecerem a nova lei de registro, que revelaria ao público suas identidades secretas e restringiria suas ações. Tony Stark tem de usar todo o seu poder de fogo para capturar os rebeldes liderados pelo Capitão América e isso resulta num conflito com consequências catastróficas, inclusive, custando a vida de um de seus adversários. Mas, apesar de Tony demonstrar sentir um profundo pesar por ter de atacar seus antigos parceiros, eu não me sensibilizei com seu sofrimento e nem concordei com as suas razões. Acho que ele até poderia concordar com a lei de registro e enquadrar-se nela, mas daí a obrigar seus colegas a segui-lo, já há uma grande distância. Homem de Ferro não precisava se aliar ao governo e à S.H.I.E.L.D para fazer com que a lei fosse cumprida. Fiquei com uma puta raiva de Tony e concordei plenamente quando Demolidor o comparou a Judas. Outro acerto do autor foi a construção do Homem Aranha. Stuart transmitiu toda a leveza do personagem, que oscilou entre os dois lados da batalha e cuja participação foi fundamental no desenrolar dos acontecimentos. Ele foi o coringa do jogo e desempenhou seu papel sem perder seu jogo de cintura.

Quanto ao final, o incidente que deu fim à batalha foi totalmente inesperado para mim. Não esperava que o conflito fosse resolvido daquela maneira, sutil por um lado e impactante por outro. Foi um bom desfecho, mas o anticlímax que senti me incomodou. Já do final reservado ao Capitão América, meu querido Capitão, detestei. Sei que foi coerente com seus ideais, mas ele merecia mais.

Guerra Civil foi minha feliz incursão nesse novo gênero literário e espero que essas novelizações tenham vida longa. É mais uma maneira de atrair um novo público para o mundo dos livros. Sem falar, que encontrar personagens tão conhecidos à cada página (foram muitos os heróis que marcaram presença), cria uma expectativa maravilhosa durante a leitura. É claro que, quanto mais conhecemos os heróis e seus conflitos, melhor é o sabor da leitura, mas mesmo se você os conhece apenas dos desenhos que via quando era criança, vale a pena se aventurar.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

A Desconhecida - Peter Swanson


Sinopse

Uma história sombria, em uma atmosfera romântica e um quê de Hitchcock, sobre um homem que fora arrastado para uma trama irresistível de paixão e assassinato quando um antigo amor reaparece.de mentiras.Em uma noite de sexta-feira, a rotina confortável e previsível de George Foss é quebrada quando, em um bar, uma bela mulher senta-se ao seu lado. A mesma mulher que desaparecera sem deixar vestígios vinte anos atrás. Agora, depois de tanto tempo, ela diz precisar de ajuda e George parece ser o único capaz de salvá-la. Será que ele a conhece o suficiente para poder ajudá-la?

Resenha 

A referência aos filmes de Hitchcock foi o motivo decisivo para que eu comprasse o livro. Sou fã do diretor e a promessa de uma narrativa repleta de suspense, ação e uma pitadinha de romance me deixou com água na boca. Logo de início senti uma certa influência dos filmes de suspense das décadas de 50 a 70. Um mocinho ingênuo, que se apaixona por uma mulher de índole duvidosa e que o envolve numa trama cheia de perigos; Um gângster violento, perseguindo esse rapaz; Mistérios, um roubo e um assassinato. Ou seja, um típico romance noir. Senti bastante semelhança com o estilo de Cornell Woolrich, principalmente na ênfase aos sentimentos do personagem principal. George é um cara solitário, apaixonado por uma colega de faculdade com quem teve um conturbado romance.  

O livro é dividido entre o passado, quando George conheceu a misteriosa Liana na faculdade e o presente, pegando como ponto de partida o reencontro de George com essa mulher. Dá muita raiva da ingenuidade e passividade de George que age como uma marionete nas mãos de Liana. Já de início o autor deixa claro que não há nenhuma dubiedade no caráter da personagem, ou seja, não há dúvidas de que ela é uma salafrária, evidenciando o quanto George se deixa manipular. Conforme vamos conhecendo mais sobre o passado de ambos, ficamos mais certos de que George sabe que sua ex namorada não vale um centavo, mas mesmo assim ele se deixa enveredar por suas maquinações. E aí não dá para ter empatia pelo protagonista.

A narrativa é bem movimentada, há enigmas bem intrigantes com soluções satisfatórias que nos vão sendo apresentadas no decorrer da leitura, enquanto outras perguntas ficam com as respostas guardadas somente para o final. É uma trama bem inteligente, apesar de nos momentos finais o autor criar alguns lances bastante forçados que tiraram muito do meu entusiasmo. Mesmo assim o classificaria como um bom livro policial, não fosse o final inconclusivo. Quando virei a penúltima página e me deparei com os agradecimentos do autor me senti como uma criança cujo brinquedo foi arrancado das mãos no melhor da brincadeira. Esperava um final apoteótico para compensar os tropeços finais do autor, mas esse não veio. Na verdade, nem sei se dá para chamar aquilo de final.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Sete falsianes da literatura

Eve

Apesar de ser uma graduada HBS e um gênio da tecnologia, Eve era apenas uma assistente na revista de moda Glossy. Mas era ambiciosa, queria subir de cargo e a oportunidade surgiu quando sua editora chefe, Imogen, se afastou devido a uma licença. Apesar de boa gente e muito competente, Imogen mal sabia usar um celular e Eve se aproveitou disso para usar todo o seu conhecimento digital para transformar a revista num aplicativo e roubar a função de sua chefe. Ao voltar de licença, Imogen vê seu cargo ameaçado por uma pirralha e terá de se adaptar às novas tecnologias para derrotar essa falsiane.

Greta

Quando a vizinha Nacy apareceu, Greta logo notou que havia algo de estranho. A jovem não parecia ser quem dizia. Sua história não a convencia, seus óculos eram falsos, o cabelo mal tingido e muitas vezes ela não atendia pelo nome de Nancy quando a chamavam. Greta não se importou muito com isso, mas quando percebeu que a misteriosa mulher tinha uma grande quantidade de dinheiro escondido, as coisas mudaram. Se no começo se mostrou bem intencionada, tentando identificar os problemas de Nancy, logo revelou-se uma oportunista capaz de lucrar em cima dos segredos de sua colega. Mas em se tratando do caráter da vítima " Nancy", até gostei do que essa falsiane fez.



Polly

Após ficar viúva, Polly e seus filhos são acolhidos na casa de Rose, uma velha amiga que mesmo com a desaprovação do marido, se dispõe a recebê-los por um breve período. Mas, apesar de toda a ajuda que recebe, Polly não demonstra a mínima gratidão. Vendo suas explícitas demonstrações de egoísmo, Rose começa a questionar o quanto conhece a amiga. E quando percebe que Polly está tentando sutilmente assumir o seu lugar, o estrago já é grande e parece ser tarde demais para reagir. Logo Rose se vê perdendo o controle de sua próprio lar, que é tomado pela presença devastadora de sua hóspede.


Kate

Uma das mais queridas personagens de Sidney Sheldon é também uma das maiores falsianes da literatura. Uma mulher que nunca mediu esforços para conseguir seu maior objetivo: o sucesso da empresa da família. Para isso, enevenenou o noivado de David Blackwell, não só para impedir que ele deixasse a diretoria e seguisse outro rumo profissional, mas porque o queria como seu marido; fez com que seu filho sofresse uma grande decepção e continuou-o manipulando até que ele tomou uma atitude drástica; e foi capaz de apelar para seus encantos pessoais para impedir um funcionário eficiente de se demitir. E, mesmo cometendo todas essas maldades, Kate conquistou o coração do público. Aprendam com ela, sejam falsianes, mas com dignidade.


Nelly O”Hara

Nos tempos das vacas magras, Neely dividia o apartamento com a amiga Anne. Ambas lutavam pelo sucesso profissional, cada uma em sua área. Anne como executiva e Neely como artista. Mas após estourar como atriz e cantora, Neely mudou e, a jovem sonhadora se tornou uma mulher mesquinha, frívola e amarga. E, mesmo sabendo que o casamento de sua amiga Anne estava em crise, não hesitou em contribuir para afundar ainda mais a relação do casal, tendo um caso com o marido da outra. Tudo bem que Lyon era um galinha desavergonhado, mas amiga que é amiga não se aproveita da situação dessa forma. 

Julianna

Julianna é uma jovem imatura, que engravida do homem errado e decide entregar a criança para adoção. Ao ler o perfil do casal candidato à  ficar com seu filho, ela se sensibiliza com a descrição do amor que Richard sente pela esposa Kate e se apaixona por ele, mesmo sem conhecê-lo. Decidida a se aproximar do homem que será o pai de seu filho, ela se emprega como sua secretária, mas isso não é o suficiente. Juliana decide roubar o marido de Kate e faz de tudo para minar a relação dos dois. Aproveitando-se do ciúme que Richard desenvolve  o ver Kate se dedicando exclusivamente ao bebê e deixando-o em segundo plano, Juliana se  torna cada vez mais presente na vida do rapaz e ao mede esforços para afastá-lo da esposa.

Natalie

Num dia a pessoa está chorando em seu ombro após descobrir que é adotada. No outro ela toma o seu namorado, sem demonstrar o mínimo remorso, desfilando com ele pela escola e te fazendo pagar de chifruda. Essa é Natalie, que apesar de nunca ter sido amável com Callie, recorreu a ela num dos momentos mais difíceis de sua vida e teve todo o apoio. Para logo depois seduzir seu namorado Harry. É o que dá baixar a guarda quando um falsiane se aproxima.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Até Você Ser Minha - Samantha Hayes


Sinopse

A assistente social Claudia Morgan-Brown está prestes a dar à luz uma menininha e, atribulada com seu trabalho, precisa de uma babá para os gêmeos Oscar e Noah, filhos do primeiro casamento de seu marido James. Eles decidem contratar uma babá. Zoe Harper quer muito o emprego. Com as melhores recomendações, ela conquista os gêmeos e se muda para o lar do casal. Mas Claudia logo percebe que a mulher tem outros motivos para se aproximar da família. As suspeitas de Claudia se transformam em verdadeiro terror quando começa a ocorrer uma série de ataques brutais a mulheres grávidas na cidade. Os investigadores Lorraine Fisher e Adam Scott, casados e com problemas conjugais, são forçados a deixar suas questões pessoais de lado e correr contra o tempo para  encontrar o assassino antes que ele cometa mais um crime.

Resenha

Achei esse livro espetacular, porém grande parte do impacto do final se perdeu devido a algumas resenhas que li. Os blogueiros até que foram cuidadosos para não soltar spoilers, mas apenas pelas reações diante do desfecho da história, adicionadas à estrutura do enredo, já me deixaram preparado para a surpresa final. Desse modo, não comentarei detalhadamente o que achei do final, apenas que ele faz o livro valer muito a pena.

Mas esse romance policial, com toques de drama, não se destaca apenas pelos acontecimentos chocantes das últimas páginas. Até Você Ser Minha é cuidadosamente escrito, uma espécie de bordado literário, com três protagonistas que nos fascinam cada uma por um atrativo diferente.

Temos Claudia, o fio condutor da história, uma mulher sofrida, que tem um intenso desejo de ser mãe e, após ter perdido seu bebê, conseguiu novamente engravidar. Casada com um viúvo, tem como enteados, dois garotos gêmeos, a quem deseja conquistar, mas cuja aproximação é sempre difícil. A outra personagem é Zoe, a babá contratada por Claudia para cuidar dos gêmeos devido ao avanço de sua gravidez. Zoe é um completo mistério. Logo a autora deixa claro que a babá não é quem diz ser, que forjou sua identidade e que tem propósitos escusos dentro daquele lar. E, por último, mas não menos importante, há Lorraine, a detetive que investiga o caso de mulheres grávidas sendo atacadas por algum maníaco, que as mata retalhadas, arrancando as crianças de seu ventre. Uma mulher dedicada ao trabalho, cujo casamento está em crise.

O livro alterna os pontos de vista dessas três personagens à cada capítulo, sendo que no caso de Claudia e Zoe a narrativa é em primeira pessoa. No caso da detetive, mesmo sendo suas cenas narradas em terceira pessoa, a sua proximidade com o leitor é tão intensa quanto a das outras personagens. O universo de cada uma é muito bem explorado. Conhecemos o difíicl trabalho de assistente social de Claudia, nos intrigamos com os mistérios envolvendo Zoe e nos emocionamos com os dramas pessoais de Lorraine. Tudo convergindo para um final estarrecedor. Um macabro passeio pelo lado sombrio da mente humana.