segunda-feira, 28 de setembro de 2015

O Colecionador de Peles - Jeffery Deaver



                                                            Sinopse

Um novo serial killer espreita pelas ruas de Nova York com sua mente doentia e perturbada. Conhecido como O Colecionador de Peles, ele é um tatuador que arrasta as vítimas para o subterrâneo da cidade, onde pode realizar sua arte sem ser interrompido. O problema é que, para criar suas obras-primas, em vez de tinta, ele desenha com venenos letais, causando mortes lentas e dolorosas.
Convocados para a investigação, o detetive Lincoln Rhyme e sua parceira Amelia Sachs têm apenas as mensagens criptografadas gravadas na pele das vítimas como ponto de partida.
Enquanto tenta descobrir o significado das tatuagens, a dupla segue por um caminho tortuoso em que nada é o que parece ser, e precisa correr contra o tempo para decifrar as pistas que encontram, antes que O Colecionador de Peles faça sua próxima vítima.

                                                             Resenha


O livro começa como uma típica história de serial killers. Um assassino que tatua as suas vítimas e durante o processo injeta-lhes um veneno que causa uma morte dolorosa. Logo de cara o autor já nos apresenta o ponto de vista do maníaco, seu apelido,  Bill, e diversos aspectos de seu cotidiano. Ou seja, não há um mistério em relação à identidade do assassino, porém isso não prejudica a história, pois são tantos os mistérios em relação ao que motiva seus crimes, são tantas questões sobre sua origem,  são tantos os enigmas que vão sendo propostos, que a trama é uma sequência de apertos no coração. O livro é muito movimentado, à todo o tempo acontecem coisas, os assassinatos, ou tentativas, não tem um grande intervalo de páginas entre eles, o que resulta numa leitura compulsiva. À cada crime, a equipe de Lincoln Rhymes entra em ação e a genial mente de seu líder é posta em funcionamento, capturando pistas importantes nas mínimas evidências. Cada milésimo de grama de determinada substância revela informações  vastas sobre o assassino. O problema é distinguir entre pistas verdadeiras ou pistas falsas, plantadas pelo criminoso para atrasar a investigação.

O livro é um emocionante jogo de xadrez, onde Rhymes e o Tatuador calculam cada movimento um do outro. O assassino é como um camaleão, aparecendo nas cenas de investigação sem levantar suspeita e tendo sua presença  detectada somente quando já é tarde demais. Por várias vezes ele faz a equipe de boba e o leitor também.

Faltando cerca de duzentas páginas para o final, a história dá uma virada espetacular. O livro que parecia ser apenas mais uma história de serial killer, tem um desdobramento e somos pegos de surpresa com um novo aspecto do enredo, com uma nova camada que nos deixa atônitos com a quantidade de surpresas que vão surgindo. E assim que começamo a nos situar novamente e quando tudo parece resolvido cerca de quarenta páginas para o final, mais uma vez Jeffery no surpreende com mais uma camada, com mais revelações de cair o queixo. Confesso que essa últma sequência de acontecimentos e revelações cansou um pouco. Tornou a história menos verossímil, mas por outro lado, esclareceu alguns outros pontos que achei forçados no decorrer da trama. Como, por exemplo, a facilidade com a qual o perito Rhyme escapa de uma cilada do Tatuador. Na ocasião atribuí isso à sorte e achei que o autor estava abusando desse recurso, mas no final tudo ficou bem explicado. Outro ponto que me incomodou é a quanidade de vítimas que escaparam do assassino. Tudo bem que ele era ousado demais e por isso corria risco de ser surpreendido no meio de uma execução, deixando a vítima sair viva. Mas foram muitos personagens que escaparam, não ilesos, mas por um fio. Sem falar em um deles que escapou apenas por não estar no local errado, na hora errada e que foi poupado apenas porque ganhou a simpatia do protagonista e, possívelmente, aparecerá em novos livos da série, já que é um personagem com vastos conhecimentos e que pode ser útil futuramente à  Lincoln Rhyme.
Não li O Colecionador de Ossos, só vi o filme, mas adianto que  esse livro tem muitos spoilers dessa obra. Na verdade, na contracapa há a informção de que se trata de uma espécie de continuação, apesar de ser um livro independente. Há também  alusões ao livro Lua Fria, que também não li. Certamente teria sido muito mais emocionante lê-los na ordem, mas gostei tanto de O Colecionador de Peles, que valeu  a pena começar por ele.
Apesar de no iníco aparecerem alguns diálogos que pareciam soltos no meio da narrativa, fazendo com que eu não soubesse do que estavam falando, com o decorrer das páginas fui me situando e a leitura fluiu, pois a narrativa de Jeffery é bem agradável. Um excelente suspense, para os fãs de serial killer e uma trama grandiosa para quem curte algo mais elaborado.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

O Dom - Robert Ovies


                                                                   Sinopse

Quando C. J. Walker, um garoto de nove anos, encosta no braço da amiga de sua mãe no velório e sussurra o desejo de que ela não estivesse morta, só está seguindo um impulso. Mas, no momento em que a mulher desperta, a tempestade que se segue não pode ser contida. Em uma única manhã, a mãe de C. J., Lynn, vê sua casa se tornar uma fortaleza e seu filho, um alvo. Indivíduos de luto, desesperados para que a morte abandone seus entes queridos; representantes da mídia e de organizações médicas e científicas; influentes líderes religiosos e poderosas agências governamentais, todos tentam tirar alguma vantagem sobre o dom mais poderoso de que já se teve notícia. Em meio à confusão, Lynn e seu ex-marido, Joe, lutam para encontrar uma maneira de escapar com C. J., para mantê-lo em segurança e de alguma forma tornar possível que ele tenha uma vida normal novamente.

                                                                       Resenha  
Apesar da curiosa premissa, não sabia muito o que esperar do livro. Não tinha ideia de qual enfoque seria utilizado, já que um enredo onde uma criança é capaz de ressuscitar os mortos poderia seguir os mais diversos gêneros: terror, suspense, ficção científica. Mas o livro foge a qualquer uma dessas categorias e é muito difícil classificá-lo. Robert tem uma sensibilidade tocante ao abordar esse inusitado tema, explorando cuidadosamente cada aspecto do drama que envolve o pequeno C.J e seu dom de trazer as pessoas de volta à vida. A história começa lenta, o autor não se apressa em narrar o acontecimentos, preparando o terreno para o turbilhão de emoções que estão por vir. Primeiro a ressurreição de uma senhora vítima de câncer, depois as discussões sobre a autenticidade de sua morte, pondo em dúvida a capacidade dos médicos que atestaram seu óbito. Além da ideia dessa mulher voltar à vida e continuar sofrendo a agonia do câncer. Até que se descobre que a doença desapareceu.

Assim que nos é revelado que essa ressurreição foi obra de um garoto, novas questões são levantadas através da perspectiva de diversos personagens. Seria ele o primeiro de uma nova geração, um salto evolutivo da raça humana? Seria esse dom hereditário? Ele seria capaz de ressuscitar também pessoas mortas há muitos anos? Poderia fazer isso à distância? Além dessas questões, há também as implicações relativas ao ato de interferir mo ciclo da vida. Qual seria o critério para ressuscitar as pessoas? Quem decidiria quem voltaria e quem continuaria morto? Como seria um mundo onde ninguém mais morresse?

À medida que a notícia de que um garoto foi capaz de trazer de volta uma pessoa morta, diversos personagens o cercam tentando tirar algum proveito desse dom. Joe, seu pai, um homem ambicioso que pretende ficar milionário às custas do filho; Cross, um mafioso, pai de um garoto à beira da morte, que pagaria qualquer valor para que C.J o salve; O cardeal Curry, representando a Igreja Católica, que vê em C.J uma chance de recuperar a fé das pessoas; O Serviço Secreto dos Estados Unidos, que teme que o garoto se transforme numa arma nas mãos de nações inimigas, ressuscitando exércitos inteiros para dominar o mundo; E uma multidão de anônimos desesperados que cercam a casa de C.J implorando para que ele traga de volta seus entes queridos ou curem aqueles que estão sofrendo de alguma doença terminal.

O que é mais impressionante na leitura é que não há como presumir onde tudo aquilo vai dar. O livro é totalmente imprevisível. Esperamos ávidos pelas constantes reviravoltas e quando elas ocorrem, criam novas implicações que te faz voar as páginas para saber como todas aquelas situações vão se resolver. O final é surpreendente, com uma solução brilhante do autor. Robert faz uso de um enredo fantástico para discutir diversas questões éticas e fazer uma análise da capacidade do ser humano em pender entre o nobre e o vil, com um texto de qualidade e personagens fascinantes.




terça-feira, 8 de setembro de 2015

Sete lugares da literatura para nunca se visitar

Castle Rock

Castle Rock é uma cidade rural dos EUA com uma população pacata, conservadora e bastante isolada dos povoados vizinhos. Passar um final de semana nessa cidade seria uma ótima pedida para se afastar do tumulto das grandes metrópoles. Lá tudo é muito barato e há inclusive a opção de poupar seu dinheiro e fazer algumas trocas. Mas fiquem espertos, pois elas costumam ser macabras. Se gosta de cães, vai encontrá-los em abundância. Só cuidado com um que responde pelo nome de Cujo. Se tem algum segredo, fique longe de um tal de John Smith. E se é fã do escritor Thad Beaumont, é melhor não incomodá-lo pedindo um autógrafo. Ele costuma andar em má companhia.





A Ilha do Dr. Moreau

Para Prendick , que sobreviveu a um naufrágio, encontrar uma ilha habitada onde é acolhido e recebe todos os  cuidados, além de dispor de todo o conforto, foi como nascer de novo e se encontrar num paraíso.  Natureza vicejando, a praia livre de poluição, a noite cheia de estrelas. Mas há algo de estranho com os habitantes daquele local. Logo ele descobre que aquele lugar não é o retiro idílico que parecia e que os habitantes  são verdadeiras aberrações, diferente de tudo com o que ele já se deparou. E quanto mais ele descobre sobre a natureza daquelas criaturas, maior é o seu horror perante ao que os abusos da ciência é capaz.



Bates Motel

Pare, entre, escolha seu quarto, tome uma ducha e morra... Um hotelzinho decadente de beira de estrada, administrado por um rapaz de modos delicados e aparência inofensiva, muito dedicado à mãe doente, parece ser um lugar ideal para passar uma noite antes de seguir viagem. Mas cuidado, pois esse local guarda segredos tenebrosos. Não acredite que trancando a porta do quarto haverá privacidade nem segurança. Alguém lhe espia em seus momentos mais íntimos e está pronto para atacar. E não adianta gritar, pois sendo o único hóspede do hotel, ninguém vai lhe ouvir. Um local sombrio, onde nem tudo é o que parece e no qual o preço da estadia pode ser a sua própria vida.



Mystic Falls

Uma cidade conservadora, onde as famílias fundadoras se empenham para manter as tradições, na qual as garotas sempre estão envolvidas em eleições de rainha do baile e líderes de torcida e os meninos em suas competições esportivas. Parece um local pacato, longe dos perigos e tentações que a cidade grande pode oferecer à juventude. Mas é tudo aparência. Mystic Falls é um antro de criaturas letais que se escondem por trás de rostos jovens e bonitos. Vampiros,lobisomens e bruxos convivem em constante conflito, medindo forças, aliando-se e rivalizando-se de acordo com o seus interesses. E se para essas criaturas é perigoso viver ali, para os simples mortais é como andar sobre um campo minado.



Midnight Cove

Midnight Cove é uma cidade muito estranha. Sombras espreitam à noite seguindo as pessoas, criaturas misteriosas forçam a entrada em quartos de hotel, moradores passam a apresentar mudanças bizarras de comportamento e até mesmo as autoridades parecem ser coniventes. O local é um laboratório para uma experiência monstruosa e os habitantes são a cobaia. Pouco a população vai se tornando parte dessa conspiração, fazendo com que aqueles que resistem encontrem cada vez mais dificuldade para lutar contra essa força maligna. À cada dia que se passa a situação fica mais crítica, com uma verdadeira galeria de aberrações mostrando que conhecimentos científicos nas mãos de pessoas dementes podem trazer mudanças catastróficas para o destino da humanidade. Um local um onde você entra e dificilmente sai o mesmo.




Parque dos Dinossauros

A Ilha Nublar é uma reserva biológica na qual se encontra um inusitado parque que alguns cientistas são convidados a visitar. Somente ao chegarem lá descobrem que o local é habitado por dinossauros. Não se trata de nenhuma viagem no tempo e sim de uma impressionante realização da engenharia genética, através da recuperação de DNA. Ter a chance de estar frente a frente com essas criaturas fabulosas é uma experiência estonteante, principalmente sabendo que os animais estão cercados por um eficaz sistema de segurança, foram amansados devido a deficiência de uma substância em seu organismo e são todos fêmeas, impedindo a procriação. Porém todas essas precauções escapam ao controle dos cientistas e quando isso acontece, pobre de quem se encontra naquela ilha.




A Ilha do Negro

O convite para passar alguns dias numa ilha deserta, com todas as despesas pagas e boas acomodações é muito gentil. Porém, não conhecer a identidade do anfitrião torna a situação um tanto insólita. Por outro lado, a curiosidade pode servir como um aspecto motivador para que os convidados aceitem participar dessa aventura. Afinal, o que teriam a perder? Porém, ao chegarem lá ao invés de encontrarem a resposta a respeito de quem os convidou, o que encontram é uma série de enigmas que vai se complicando. Os convidados vão sendo assassinados um a um e, por mais que revirem aquela ilha do avesso, não encontram ninguém além dos hóspedes e da criadagem, indicando que o assassino só pode ser um deles e que a boca livre acabou se mostrando uma grande cilada.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

O Vilarejo - Raphael Montes

                                                                      Sinopse
       
A partir da associação de cada pecado capital a um demônio de nome diferente Raphael Montes cria sete histórias situadas em um vilarejo isolado, apresentando a lenta degradação dos moradores do lugar. As histórias, apesar de independentes, se relacionam de maneira complexa, de modo que ao término da leitura as narrativas convergem para uma única e surpreendente conclusão.

                                                                      Resenha

O livro na verdade é uma tradução de um manuscrito em cimério, adquirido por Raphael através de um livreiro. Não conseguindo alguém para fazer a tradução, o autor decidiu ele mesmo fazer o serviço e o resultado de sua livre tradução foi essa deliciosa e macabra coletânea de contos.
As histórias são curtas, mas muito envolventes e a escrita sedutora de Raphael nos captura já no primeiro parágrafo. Embora cada conto tenha cerca de doze páginas, as pequenas histórias conseguem se desenvolver com muita consistência nesse pequeno espaço, cativar o leitor e ainda apresentar finais bem amarrados. Algo difícil de se fazer em tão pouco espaço. Geralmente contos curtos ou são muito superficiais, narrando tudo às pressas e tirando assim o sabor da leitura, ou substanciais, mas com uma sequência limitada de acontecimentos, ou seja, não acontece muita coisa, o que não proporciona ao leitor emoções suficientes. No caso de O Vilarejo, os contos foram escritos de uma maneira tão habilidosa, que temos histórias muito bem estruturadas e narradas com um cuidado para manter a atmosfera sombria.

Apesar do livro ser de um horror atordoante, os contos falam de pessoas comuns que cedem às suas fraquezas e cometem as mais chocantes atrocidades. E é aí que está um dos motivos de O Vilarejo assustar tanto: ao mesmo tempo em que há a empatia do leitor com os personagens, que são tão comuns quanto o vizinho, o dono do mercado, o colega de escola, o namorado, há o horror pelas atitudes monstruosas de que essas pessoas são capazes. O Vilarejo é um microcosmo do nosso planeta, os moradores, um retrato da humanidade pintado com cores berrantes, mas nem por isso fantasiosas. E o que acontece naquele local é uma arrepiante galeria do que há de pior no ser humano e que, em alguns aspectos, pode estar mais perto do que pensamos. À cada conto cria-se uma expectativa em relação aos personagens, pois sabemos que em cada história alguém cometerá alguma barbaridade, mas nunca sabemos quem, quando e nem porquê. A punhalada pode vir de qualquer lado, por isso ficamos alertas, procurando a primeira pista, tentando vislumbrar a maldade na alma de todos os personagens.

Os contos são todos interligados, não só por se passarem na mesma cidade, mas há um entrelaçamento dos personagens. Raphael diz no prefácio que podem ser lidos em qualquer ordem, mas não recomendo, pois um conto pode entregar o final de outro. Além disso, o último forma uma unidade com todos os outros, dando uma explicação sobre alguns fatos e expondo uma moral da história, que dá ao livro um aspecto de fábula.

Sua escrita tem amadurecido muito à cada livro e em O Vilarejo alcançou uma solidez impressionante. Não sentimos nenhuma hesitação em sua narrativa. Pelo contrário, há uma segurança que permeia cada parágrafo, que constrói cada situação de modo convincente e que arremata tudo num final inesperado.