terça-feira, 28 de julho de 2015

Sete adoráveis criminosos da literatura

Dexter

Ele é implacável. Mata a sangue frio, com requintes de crueldade. Não costuma cometer erros e sua sede de sangue não tem fim. Pelo menos não enquanto houver assassinos soltos por aí. Dexter é um justiceiro, que caça criminosos e o leva para sua sala dos horrores, extirpando com precisão cirúrgica os tumores que assolam a humanidade. Dexter teve um excelente professor, seu padrasto, que o ensinou a agir sempre dentro do rigoroso código de Harry, que prega fazer justiça com as próprias mãos. Mas apesar desse lado sombrio, o Dexter que vive em sociedade é um competente  profissional, um irmão cuidadoso, um namorado carinhoso e um pai postiço exemplar. Um personagem tão querido que faz sucesso em qualquer mídia em que apareça. Nos livros, na série e agora também nos quadrinhos.


Ripley

Ele é o assassino que sempre se sai bem e ao invés disso nos revoltar, ficamos é muito satisfeitos. Pois não dá para não torcer por Ripley. Ainda mais pelo fato de que cometer crimes é inevitável para ele. O rapaz não tinha uma má índole, pelo contrário, é um bom garoto. Mas as circunstâncias estão sempre o incitando a seguir pelo caminho criminoso. A partir do momento em que cometeu seu primeiro assassinato, ele se emaranhou tanto em seu próprio erro, que outras mortes foram se sucedendo para tapar os buracos que deixava. Matar para ele não é um prazer, é um mal necessário. E foram tantas as pessoas de quem ele se livrou, que eliminar pedras no seu caminhos se tornou um hábito, no qual ele se aprimorou à cada novo livro.




Teo

Ele era aparentemente inofensivo. Um pacato estudante de medicina que vivia com a mãe deficiente e tinha como única ambição se formar e seguir com sua profissão. Mas tudo mudou quando Clarice cruzou seu caminho. O desejo foi instantâneo e ela se tornou a sua obsessão. A jovem deu um novo sentido à sua vida e ele não poderia conceber a possibilidade de não estarem juntos. Por isso, após um ato de violência não houve outra opção que não fosse sequestrá-la e levá-la para um lugar só deles. Mas mesmo sendo tão metódico, seu plano tinha falhas e ele não teve o menor pudor em cortar estas pontas soltas, mesmo que para isso fosse preciso cometer novos delitos. Um psicopata que se permitiu ser romântico e foi até as últimas consequências para viver um grande amor. Ou pelo menos algo que ele acreditava ser amor.


Jeff Stevens

Ele é o ladrão mais charmoso de todos os tempos. Sedutor, ágil e cheio de lábia é capaz de sair de uma festa levando as joias de todas as convidadas sem que elas percebam. E sua habilidade é tão grande, que conseguiu passar a perna numa colega de profissão. Mas ele nunca usou de violência e nem roubou pessoas necessitadas. Seu alvo são os milionários e seus métodos são sempre engenhosos. Um verdadeiro ilusionista, que passa a perna em suas vítimas sem derramar uma gota de suor e não deixa rastros. Porém, apesar de sua profissão não convencional, é uma boa pessoa, com um passado marcado pela desilusão e capaz de  grandes sacrifícios pela pessoa que ama.



Rhev

O Zero Sun é uma boate barra pesada localizada em Caldwell, onde boa parte dos frequentadores são vampiros. E o dono desse estabelecimento é nada menos que Rhev, o Reverendo, um ser híbrido, metade vampiro, metade sympatho (uma espécie de manipulador de emoções), que usa o local como fachada para um negócio muito mais lucrativo: tráfico de drogas. Porém, apesar ser um violento criminoso, capaz de mandar arrebentar qualquer um que tente atravessar seu caminho, ele é uma figura atormentada por sua própria natureza mestiça. Uma criatura que não tem um lugar nem de um lado e nem do outro, vítima de uma chantagem que o transforma em escravo sexual e portador de uma doença que o torna dependente de dopamina, uma droga que amortece os sentidos. Mesmo sendo um fora da lei, ele é honrado, valente e ao encontrar um grande amor, mostra o seu lado mais nobre.

Locke Lamora

O órfão Locke Lamora tinha tudo para ser apenas mais uma das inúmeras crianças que, abandonadas, acabam se desviando para a marginalidade. E, na verdade, ele seguiu esse caminho, mas não se tornou um ladrão comum. Treinado nas artes criminosas desde pequeno, roubar não é apenas uma necessidade, mas um talento que manifesta com orgulho. Locke nos apresenta uma visão de mundo politicamente incorreta, mas fascinante. Isso porque o personagem foge de qualquer maniqueísmo. É um ser humano com alguns desvios de conduta, mas com muitas qualidades que o tornam um herói pouco convencional, mas mesmo assim merecedor da nossa simpatia. Ele não tenta se justificar, comete delitos sim, mas aceita-os como uma ação necessária, aproveitando as oportunidades quando elas surgem. Um vigarista que exerce sua função com elegância, ironia e muito charme.
Dmitri

Filho de um anarquista, Dmitri decide seguir os ideais do pai e, por indicação do próprio, entra no grupo terrorista Mão Negra, onde aprende as habilidades mais perigosas... para ele próprio, já que ele é um desastre nos treinamentos. E seus modos desastrados o acompanham em sua carreira de assassino profissional. Assim que é contratado para matar uma vítima, essa não dura muito tempo. Não porque ele seja implacável, mas porque costuma chegar atrasado na execução e quando percebe, o serviço já foi feito por outro. Dmitri tem seis dedos em cada mão e talvez seja essa a causa de sua inabilidade, mas nem mesmo o fracassos levam-no a desistir de sua carreira nada promissora de assassino de aluguel. Porém, se por um lado ele não é muito eficaz em suas missões, por outro, sua vida é uma grande aventura, encontrando em suas aventuras as mais diversas personalidades da História.

sábado, 25 de julho de 2015

Sete fabulosas criações de J.R.Ward

Os Irmãos


Fortes, poderosos e letais, eles são os responsáveis por proteger a sua espécie vampírica. Unidos não só por uma causa em comum, mas por laços de amor e amizade, eles protegem uns aos outros, agindo sempre com lealdade e respeito. Como uma grande equipe, somam suas habilidades individuais na luta contra seus inimigos. E, assim como cada um deles tem um poder ou talento especial, tem também uma fraqueza para equilibrar. Um é viciado em drogas, outro tem fetiches sadomasoquistas, um dos mais novos membros é mudo, o mais belo deles sofre a maldição de transformar-se em um dragão e o rei deles é cego. Porém essas fraquezas, paradoxalmente, só fortalece o grupo, tornando-os mais unidos. Além disso, os torna mais “humanos”, aproximando-os de nós. Como se o fato de serem lutadores honrados, corajosos e viris já não fosse o suficiente para ganhar nossa empatia e também nossos corações.
Sympathos


Também são conhecidos como devoradores de pecados. Uma subespécie dentro da raça vampírica que se alimenta de emoções, geralmente negativas. Tanto que para eles o mundo é visto como uma tela bidimensional vermelha composta por sentimentos. Eles manipulam as emoções alheias e essa proximidade com o íntimo de outra criatura resulta numa troca de energia que lhes beneficia. Discriminados pelos vampiros por serem criaturas nocivas, foram praticamente extintos, sobrando apenas alguns espécimes, que foram enviados para uma colônia, salvo raríssimas exceções que permaneceram soltas. Por isso, todo cuidado é pouco.




Virgem Escriba

Ela é uma das personagens mais odiadas da série, mas não há como negar que é uma criação fascinante de JR Ward. Virgem escriba é a genitora da raça vampírica, mas não é uma mãe caridosa, que se compadece dos filhos. Ela é rigorosa, não hesitando em punir suas criações. E para despertar sua fúria não é preciso muito. Basta lhe fazer uma pergunta direta que qualquer criatura sua é severamente castigada. E o pior é que é difícil resistir a tentação de lhe fazer perguntas, já que ela é a detentora de todas as informações sobre a história da espécie. A Virgem é uma caixinha de surpresas e guarda segredos que geralmente são revelados em momentos críticos. E o que a torna tão malquista pelo público é que apesar de ter o poder para consertar tudo e tornar mais fácil a existência de seus filhos, ela geralmente complica as coisas. Até resolve algumas situações, mas cobra um preço alto por isso.

Sombras

Eles, assim como os Sympathos, são uma raça à parte na sociedade vampírica e sua característica mais marcante é a invisibilidade. Eles conseguem controlar o reflexo da luz em seus corpos de modo que sua presença não é percebida. Conseguem driblar até o Sympathos e assim como esses têm sangue azul e são dotados de poderes mentais. Pouco se sabe sobre essa raça, mas há um detalhe bem grotesco: são canibais. Não que saiam por aí devorando quem encontrem pelo caminho, mas têm o costume de comer carne de seus iguais em algumas cerimônias. Têm olhos verdes, pele morena  e possuem presas. E tem uma vantagem em relação aos vampiros, podem andar normalmente sob a luz do sol. Com todas essas características, que bom que não são violentos.




Redutores

O público feminino da série, que é o de 99,9 por cento, detesta as passagens com os redutores, tanto que aos poucos eles foram desaparecendo da série. Mas são criaturas bem curiosas, que movimentavam a saga, trazendo muita ação. Criados por Ômega, são humanos recrutados e submetidos a uma metamorfose. Depois da transição, ganham uma força imensa, seu sangue se torna negro e se tornam impotentes (talvez seja esse o motivo de sua impopularidade). Com o passar do tempo vão perdendo a pigmentação até se tornarem praticamente albinos. Exalam um odor adocicado, como o de talco,  algo nem um pouco másculo e no caso de cometerem algum erro que desagrade seu criador, recebem um castigo bem humilhante, que é o de serem sodomizados pelo seu mestre. Ou seja, os redutores são a antítese dos Irmãos e, por mais que se reproduzam, não conseguem vencê-los, nem nas batalhas e nem no coração das fãs.


Lassiter

Ele é um anjo, com cabelos coloridos, cheio de vincos e piercings, formando um visual ultra moderno. É irônico, debochado, mas seu humor é sempre bem vindo, para nós é claro, pois vive às turras com os Irmãos. Devido aos seus abusos no céu, como forma de penitência foi designado para resgatar um dos Irmãos que havia fugido após ficar viúvo, levá-lo de volta à companhia da Irmandade e cuidar para que este encontrasse uma nova esposa. Por esse motivo ele se acha no direito de se meter na vida sentimental de seu protegido, mesmo levando uns “chega pra lá”. Pouco se sabe sobre a origem do anjo, mas desde que surgiu, é uma presença constante e muito bem-vinda na série.

Ômega

É irmão da Virgem Escriba e, assim como ela, é uma divindade. Porém ele se dedica às trevas e devido a um ressentimento de milênios atrás, cria um exército de redutores para extinguir os vampiros, que são a criação de sua irmã. Ou seja, é um tio que quer matar os sobrinhos. Tão severo quanto a Virgem, ele não demonstra nenhuma piedade ao punir os malfeitos de suas criações e para isso recorre a castigos brutais. E sempre que uma de suas criações morre, a sua essência retorna ao criador. Ômega também andou flertando com o vampiros, tanto que concebeu um filho dessa espécie, que assim que se tornou adulto se bandeou pra o lado do pai. Um ser misterioso, que guarda um rancor que enegreceu sua essência e é capaz de dizimar uma espécie em nome de uma vingança.   

domingo, 19 de julho de 2015

Sete amigos que todo mundo gostaria de ter


Hassan

O mais leal de todos os amigos, que mesmo diante de um ato de extrema ingratidão, deslealdade e crueldade, manteve seu sentimento de amizade para com seu querido companheiro Amir. Hassan se sacrificou em nome de uma amizade que era unilateral, mas descobrir isso não mudou seus sentimentos. Para guardar tanta generosidade e desprendimento, somente um coração imenso, uma fonte inesgotável de amor e perdão.









Windsor Lock III

Um amigo psicopata, mas um grande amigo. Quem não gostaria de estar sob a proteção de Win?
Influente, letal e sem o menor senso de moral quando se trata de defender Myron Bolitar, seu grande parceiro. Mexer com o protegido de Win é no mínimo garantir alguns ossos quebrados. Um cara que não dá demonstrações de afeto, mas segundo ele próprio, é um verdadeiro “amigo super herói”.








Dennis Guilder

Esse merece um troféu por além de suportar a mudança e comportamento do amigo, ainda se esforçar para tirá-lo das enrascadas em que Christine o metia. Dennis era o único amigo de Arnie, um nerd inseguro e sem atrativos. Mas foi só comprar um carro usado, Christine, que o rapaz mudou radicalmente, se tornando agressivo, provocador e inconsequente. Tudo era por causa do carro e  para livrar o companheiro de sua influência devastadora, ele não mediu esforços, até mesmo arriscando sua vida.








Sam Gangee

Um grande parceiro, que esteve ao lado de seu amigo nos momentos mais difíceis da jornada do anel. Sam nunca foi corajoso e seu interesse em acompanhar o outro hobbit era mais por curiosidade do que por heroísmo. Mas Sam cresceu durante a caminhada e sua amizade com Frodo se intensificou tanto que houve uma espécie de simbiose entre os dois. A presença de Sam foi fundamental para que a missão de Frodo fosse bem sucedida.





Paige

Paige, Kat e Beth formavam um grupo de três amigas médicas que vivam juntas e trabalhavam no mesmo hospital. Em matéria de amizade, todas eram ótimos exemplos, mas Paige se superava em questão de lealdade. Afinal, suspeitar que uma de suas amigas foi assassinada e virar a cidade do avesso para encontrar provas e punir o assassino, não é qualquer proeza. Uma amiga que prestou um grande tributo à sua companheira, mesmo que póstumo.








Sancho Pança

Sancho representava para D. Quixote a sua conexão com a realidade. Era ele quem mantinha o amigo com pelo menos um dedinho no chão, quando o herói se perdia em suas fantasias de grandeza. Mesmo sabendo que as promessas de riqueza feitas pelo “nobre” eram pura fantasia, ele não o abandonou. Permaneceu defendendo seu companheiro como um bom escudeiro, mas principalmente, como um grande amigo.







Alasca

Alasca foi a responsável por apresentar a Miles um mundo novo e de uma maneira generosa, poética e despretensiosa. Alasca é cheia de mistério, mas não há nenhuma dúvida quanto às suas boas intenções. Para Miles ela é a cura para sua depressão, é a luz que surge quando ele tem de fazer alguma escolha e é seu divã quando precisa desabafar seus anseios mais íntimos. Sempre com a palavra certa, no momento certo. Uma figura fundamental para o seu crescimento, que deixou uma marca não só no rapaz, mas nos leitores.



terça-feira, 14 de julho de 2015

Joyland - Stephen King



                                                                    Sinopse
Em 1973, o universitário Devin Jones começa um trabalho temporário no parque Joyland, tentando superar o término de um namoro. Mas é outra garota que acaba mudando seu mundo para sempre: a vítima de um serial killer.
Linda Grey foi morta no parque há anos, e diz a lenda que seu espírito ainda assombra a cena do crime. Não demora para que Devin embarque em sua própria investigação e, paralelamente a isso conhece Mike, um menino com um dom especial e uma doença grave. O caminho de Mike cruza com o da investigação e consequências imprevisíveis estão para acontecer.

                                                                    Resenha

O início é muito ágil, parecendo mais um conto. Escrito em primeira pessoa por Devin, um estudante que abandona a universidade e vai trabalhar num parque de diversões, acompanhamos a vida pregressa e a atual desse personagem. Em poucas páginas conhecemos o essencial sobre sua vida, que inclui uma namorada que o trata como um palhaço, um pai camarada e os novos amigos que ele faz ao se hospedar numa pensão. Essa pensão, por sinal, é um dos toques mais simpáticos do livro. Devin relata sua rotina em Joyland, um modesto parque de diversões, cenário onde nos são apresentados vários personagens pitorescos que dão um sabor especial à leitura. A rotina do parque  também é detalhadamente narrada e dá uma atmosfera lúdica ao livro, porém essa impressão é apenas um dos aspectos daquele lugar. Em meio a brinquedos mecânicos, algodão doce e pessoas fantasiadas, há tristeza, dramas pessoais, mistério e um crime não resolvido.

À medida que a história avança, a narrativa perde a sua característica de conto e vai se tornando mais consistente. Devin vai se mostrando cada vez mais um personagem profundo e é através de suas atitudes que vamos desvendando-o. Suas reações ante as porradas que leva da vida, a sua capacidade de se adaptar à sua nova rotina e, principalmente, sua visão poética e bem humorada do mundo, nos mostram quem é Devin e fazem com que nos apaixonemos pelo personagem. Devin é melancólico, mas isso não o torna um chato. Sua passividade em relação à sua namorada chega a ser irritante, mas também desperta nossa compaixão. É aquele cara que quando você vê na pior faz de tudo para levantar-lhe o ânimo e quando ele te vê na pior, retribui. Um personagem muito rico. Fraco por um lado, mas por outro é capaz de atitudes heroicas. E como é dito no livro, tem “alma de parque de diversões”.

E é com esse jeito inusitado que Devin nos conduz pela história. Porém, há um problema. A descrição da rotina do parque, que no início é interessante, logo se torna um fardo que King nos obriga a carregar por longas páginas. Uma vez ambientada a história, não há mais a necessidade de tantas passagens descrevendo a mecânica do parque, mas o autor insiste em criar as mais diversas situações nos bastidores do local, o que torna a história repetitiva. São muitas voltas que o autor dá. É um verdadeiro carrossel de situações maçantes que só atrasam o progresso da trama. Muita delas tem relevância no final, mas nem por isso deixam de ser enjoativas.

A partir do momento em que Dev conhece Mike, um garoto com sérios problemas de saúde e sua mãe, Annie, o livro mostra a que veio. A relação entre os três foi narrada com delicadeza e sensibilidade e é exatamente essa relação o verdadeiro cerne do livro. Apesar de ter elementos sobrenaturais, de haver um clima investigativo e haver muitas situações de tensão, essas são bem espaçadas. Mas, independente disso, Joyland não é um livro de terror. É uma obra que fala sobre a dificuldade das pessoas em lidar com a perda. A incapacidade de aceitar o término de um namoro, o horror ante a ideia de perder um filho, reação essa que faz uma mãe conservá-lo dentro de uma redoma e até mesmo as mudanças que acontecem com uma pessoa cética, que ao presenciar um fenômeno sobrenatural, perde seu ceticismo e é obrigada a encarar uma realidade cuja existência desconsiderava.

Joyland não é um típico livro de Stephen King, mas também não é algo que fuja totalmente ao seu estilo. Sabemos que quando o mestre do terror mostra que tem um coração, ele nos emociona pra valer. E é isso o que mais encontramos nessa obra sensível e poética. Um livro escrito com uma paixão avassaladora, que mexe com nossos sentimentos.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Sete detetives femininas e seus métodos investigativos









Miss Marple

A mais famosa detetive de todos os tempos, nem é uma detetive profissional. Miss Marple é uma velhinha bisbilhioteira que vive se envolvendo em cenas de crime e passando a perna em muitos investigadores experientes da Scotland Yard. Seu método investigativo consiste em traçar paralelos entre os crimes em questão e acontecimentos prosaicos que ela testemunhou em sua cidadezinha de Saint Mary Mead. Miss Marple faz comparação entre os personagens dos dois cenários e soluciona os crimes através de sua convicção de que a natureza humana é sempre a mesma em qualquer que seja o ambiente. 









Lisbeth Salander


Lisbeth Salander é uma hacker de capacidade excepcional e seus conhecimentos no cyberespaço a tornam uma grande detetive virtual, trabalhando para uma empresa de segurança. Porém não é isso o que a torna tão especial. Lisbeth é considerada por alguns a maior personagem que surgiu no século 21. Isso porque ela representa  a nossa era de uma maneira visceral.  Ela carrega as marcas que o Estado lhe impôs, mas sua independência é um eco da liberdade de pensar, de viver, de amar e de nos expressar que tanto lutamos pra preservar.








Dana Evans
 
A jornalista impetuosa que roubou a cena em O Plano Perfeito, tirando o brilho da personagem principal é também uma perseverante detetive. Seja investigando crimes no mundo político em Whashington, sendo revelando os horrores da guerra na Bosnia ou cavoucando segredos nucleares na neve da Russia, Dana sempre dá trabalho aos criminosos com sua teimosia que sempre dá resultados. Conforme o ditado: “água mole e pedra dura, tanto bate até que fura.”



Diane Silver

Uma personagem que foge a todos os padrões de detetives femininas com que eu já me deparei. Diane sofre de uma tragédia pessoal que envolve sua filha e isso a calejou de tal forma que ela vê os criminosos como uma espécie a ser exterminada. Ela é radical em suas opiniões e não apenas defende a pena de morte, como é capaz de executá-la a sangue frio. Isso a torna uma detetive voraz, que não sossega até encontrar o criminosos e é capaz de passar por cima das regras para fazer o seu trabalho. Além de ser uma excelente profiler.













Jane Rizzoli
 

Com um passado traumático, no qual enfrentou O Cirurgião, um serial killer dos mais cruéis, Jane Rizzoli conquistou seu espaço na polícia de Boston. Durona, sem atrativos físicos (a morena da foto é a da série) e cheia de complexos, a detetive enfrenta os bandidos a unha, não se deixando intimidar. Seu método de investigação é o ofensivo, não medindo palavras ao interrogar os suspeitos e seguindo sua intuição, que sempre a leva à verdade.
Clarice Starling


Sua afinidade com o terrível assassino Hanibbal Lecter pode ser estranha para alguns. Mesmo não demonstrando nenhuma simpatia pelo canibal, há uma química palpável entre os dois e isso se dá devido ao profundo conhecimento da alma humana que ambos compartilham. Mas ao contrário de Hanibbal, que usa sua habilidade para manipular suas presas, Clarice a utiliza para desvendar crimes. Uma mulher corajosa, que conquistou o respeito de um dos maiores serial killers da ficção.   


Kay Scarpetta


Kay Scarpetta é uma médica legista que contribui com a polícia da Virginia utilizando seu insólito dom de “falar com os mortos” através de seus conhecimentos de medicina forense. Além disso, ela sempre conta com a ajuda de inseparáveis aliados: Marino, um policial calejado, Benton Wesley, um psicólogo forense e Lucy Farinelli, um gênio da informática. E além de desvendar crimes bizarros, ela tem de se esquivar da politicagem que impera em seu ambiente de trabalho.

domingo, 5 de julho de 2015

Benefício na Morte - Robin Cook

                                                               
                                          

                                                                         Sinopse

Pia Grazdani é uma estudante de medicina de temperamento reservado. Em colaboração com o geneticista molecular Dr. Tobias Rothman, da Universidade Columbia, ela trabalha na pesquisa que tenta criar órgãos de reposição para pacientes crônicos, o que poderia revolucionar a saúde pública. Através desse estudo, Pia espera ajudar milhões de pessoas. Porém, quando o laboratório vira palco de uma tragédia, Pia se vê obrigada a interromper suas pesquisas e começa a investigar, com a ajuda de um colega de turma, o que teria causado o desastre no laboratório de biossegurança. Enquanto isso, dois gênios de Wall Street pensam ter achado mais uma mina de ouro na multimilionária indústria de seguros de vida, manipulando dados atuariais para se apropriar de apólices de seguro de vida de idosos e doentes crônicos – uma fonte potencial de fortunas incalculáveis. Quando Pia e George investigam mais a fundo, uma pergunta começa a rondá-los: será que alguém estaria usando informações de seguros de vida particulares para permitir que investidores se beneficiem da morte de terceiros?

                                                                        Resenha

Pia é muito bem construída, talvez uma das mais bem trabalhadas personagens de Robin Cook. Diferente do que ocorre na maioria de seus livros ele interrompe a história principal por diversas vezes para traçar a biografia da jovem. De origem albanesa, a estudante de medicina passou por mais bocados em sua vida e isso é bem explorado e também pertinente ao enredo. Isso, porque Pia é uma mulher indiferente, apática, nada querida por seus colegas de trabalho e sem o menor interesse em mudar a imagem que fazem dela. Porém, mesmo conhecendo seu traumático passado, não consegui justificar o comportamento de Pia. Linda de doer, ela vive sendo cortejada pelos homens em seu ambiente de trabalho, mas tem uma espécie de relacionamento de sexo e amizade com George, um estudante que a cumula de atenções. Porém ela retribui tratando-o com frieza, grosseria e recorrendo a ele somente quando precisa de sua ajuda em suas investigações ou quando quer sexo. Ela o usa descaradamente, comportamento que, se fosse num personagem masculino, seria visto de modo pejorativo. Se fosse um homem que usasse uma amiga completamente apaixonada por ele para tirá-lo de enrascadas e satisfazer suas necessidades físicas, certamente seria taxado como machista, egoísta, cafajeste e daí pra baixo. Porém, acho que independente do sexo e do histórico de vida da pessoa, tal conduta é reprovável.  George também me irritou com sua passividade. Ele corre atrás de Pia como um cachorrinho, servindo de marionete e aguentando os rompantes da quase namorada.

O livro trata de dois temas principais: células-tronco e a política por trás dos seguros de vida. Robin Cook dá uma explicação minuciosa sobre o desenvolvimento das células tronco, fundindo nossos neurônios com detalhes científicos e termos médicos, para logo depois simplificar tudo esclarecendo o que realmente importa na trama: as células-tronco são a base na criação de órgãos para transplantes. E a “fabricação” desses órgãos representa a cura de diversas doenças, como a diabetes, por exemplo. Basta substituir o pâncreas.  Quanto aos seguros de vida, Cook nos lança no meio de diversas intrigas no mundo dos negócios, nos afogando em dados confusos, para logo depois revelar que seus personagens ganham a vida comprando o seguro de vida de pessoas idosas e ficando com o prêmio quando elas morrem. Um negócio perfeitamente lícito. O proprietário do seguro não consegue arcar com a mensalidade, tem como prioridade pagar seu plano de saúde e então os executivos garantem o pagamento de seu convênio e compram o seguro de vida, pagando as prestações e ficando com o prêmio. Embora as explicações minuciosas de Robin Cook pareçam desnecessárias, ele passa credibilidade ao mostrar que sabe do que está falando, tanto em assuntos médicos, quanto no ramo dos negócios. Tanto que logo depois, ele explica tudo em linguagem de gente comum.

A trama então é dividida entre esses dois ambientes. O centro médico, onde estão sendo feitas as experiências para a reprodução de órgãos e o mundo dos executivos, que serão prejudicados com esse avanço na ciência. Dr. Rothman, um verdadeiro gênio, dono de um temperamento excêntrico , é o responsável por esses experimentos e está a um passo de alcançar o êxito, e é aí que o trama tem uma reviravolta.
O que não gostei foi o fato de Robin Cook revelar logo no início quem são os culpados pelos atos criminosos que acontecerão na segunda parte do livro. Assim que as coisas começam a esquentar, os personagens do núcleo  executivo desaparecem por mais de cem páginas, e não fazem a menor falta. Então por que cargas d’água Robin nos apresentou esses pessoal e revelou seus motivos para sabotarem as experiências de Rothman? A história ficaria muito mais intrigante se houvesse mistério, mas não há nenhum. O que vem sendo a tendência de Robin Cook em seus últimos livros.
Com a saída dos engomadinhos do nosso caminho assim que um chocante crime acontece, o livro toma ritmo e então comecei  a reconhecer o velho Robin Cook. A ação fica centralizada no hospital, cenário usual de seus livros mais antigos, e as situações críticas começam a se suceder. Acompanhamos a investigação de Pia, as dificuldades e perigos pelos quais ela passa, até que  sua busca por respostas nos leva reencontrar dois personagens muito queridos da obra de Cook: o casal Laurie e Jack Montgomery. Fazemos algumas breves visitas ao OCME, o necrotério onde eles trabalham, trombando com vários personagens familiares. Adoro esse casal e achei muito oportuna sua participação.

Apesar de Benefício na Morte ser um bom livro, não é o thriller típico de fãs de Robin Cook. Quando achávamos que o autor fosse continuar lançando mais do mesmo, ele se renovou, escrevendo sobre a máfia, sobre negociatas, sobre assuntos jurídicos e dando um espaço menor aos temas médicos, mesmo sendo este ainda o mote de seus livros. O que sinto muita falta em suas obras é aquele medo que espreitava pelos corredores dos hospitais, descrições vivas da tensão que há na execução de uma cirurgia e a exploração de nossos temores ao descrever o pavor dos pacientes diante dessas  situações, vulneráveis nas mãos de desconhecidos. Os diálogos interiores que os personagens mantinham pouco antes de se submeterem a uma operação eram a verdadeira voz do horror médico e isso não existe mais em seus livros. É um autor que não se acomodou, mas que abandonou seus fãs fiéis para se aventurar num caminho menos promissor. Quem quer um bom suspense médico, recomendo que procure os livros da década de 70 ao final da de 90. Mas quem quer um livro com muita ação, mas nenhum mistério, Benefício na Morte é uma ótima opção.