domingo, 31 de maio de 2015

O resgate e o retorno de Mária Metálica - Resenha





Maria Metálica é uma história lúdica, na qual seres fantásticos permeiam as páginas, nos levando por uma jornada para salvar uma alienígena das garras de um perigoso bruxo. Mais detalhes sobre as sinopses, aqui.

                                                             Resenha


O Resgate de Maria Metálica

O fio condutor do livro é a bruxa do bem Maria Quitéria. Antes de ser apresentado o mote do livro, conhecemos um pouco da vida dessa personagem, da sociedade das bruxas benignas e de suas aventuras combatendo o mal. Quitéria, usando o disfarce de uma bela jovem chamada Ludmilla se infiltra no círculo de bruxos do mal e conhece Petrus, um bruxo mal intencionado. Um dos pontos altos do livro é o esforço que ambos fazem para esconder suas verdadeiras intenções. Ludmilla precisa convencer Petrus de que é apenas uma jovem ingênua e ele precisa esconder sua verdadeira natureza má. As desculpas que ambos arrumam para justificar sua presença em determinado lugar são hilárias. Outro ponto curioso nessa fase do livro é a maneira como a autora humaniza os personagens em seus sentimentos mais mesquinhos. Por exemplo, Ékasi é uma bruxa que ao compartilhar seu conhecimento com seus discípulos, o faz da maneira mais reticente possível. Ela é avarenta com sua sabedoria e ensina o mínimo possível, já que conhecimento é poder e ela quer continuar sendo mais poderosa que seus pupilos. Isso me fez lembrar muitos professores que tive, que agiam da mesma maneira.

Mas o verdadeiro início do livro se dá quando Maria Quitéria recebe a missão de resgatar Maria Metálica do submundo. Nessa missão ela conta com a ajuda de aliados já seus conhecidos e encontra outros durante o caminho. Lorena foi muito habilidosa em incluir várias dificuldades no caminho da bruxa e muito imaginativa ao criar saídas para os obstáculos que surgiam. Também foi muito hábil em controlar a cronologia dos acontecimentos. À cada passo que Maria Metálica dava para fora dos domínios de Lucius, o bruxo, que ainda não sabia da fuga, chegava mais perto de descobrir o embute que a alienígena criou para disfarçar sua ausência. Foi um excelente exercício de suspense e criatividade. De que senti falta foi de conhecer um pouco mais sobre a personalidade de Maria Metálica. Conhecemos sua origem, como ela foi parar nas mãos de Lucius, como eram as coisas no planeta que habitava e porque ela era tão preciosa para o bruxo, mas faltou conhecê-la um pouco mais. Um detalhe interessante foi a incursão da cromoterapia no enredo. Sendo essa a área de trabalho da autora, foi muito interessante vê-la dissertando sobre as propriedades das cores sem que esse assunto fosse colocado de modo impertinente na história. Alguns autores que são especialistas em determinada área muitas vezes mencionam o assunto em seus livros, mas de modo totalmente fora de propósito, além de pedante. Mas não foi o caso de Lorena. O estudo das cores se encaixou perfeitamente no enredo e enriqueceu o livro.Um ponto negativo foram algumas histórias paralelas que surgiram na reta final que não acrescentaram nada ao enredo principal. São contos interessantes, mas faltou um link para lhes dar relevância. Porém foi apenas um detalhe, que não comprometeu a obra. Apesar de se tratar de uma trilogia, o livro tem uma conclusão. Mas garanto que vocês vão se apaixonar pelo universo criado por Lorena Rocque e desejar reencontrar seus personagens numa nova aventura. Além disso, se nesse primeiro livro conhecemos pouco Maria metálica, no segundo a personagem se apresenta com toda a sua graça.



O Retorno de Maria Metálica

Depois e ter sido salva pela bravura de Maria Quitéria, é a vez de Maria Metálica retribuir ao universo o bem que lhe foi feito e agora é ela quem é incumbida de uma arriscada missão, que é a de salvar a jovem Alina das mãos de Lucius. De volta ao seu planeta, Metálica aprende a lidar com seus poderes e se torna muito mais segura de si. A autora narra seu retorno a Marte, sua adaptação, o reencontro com seus familiares e discorre bastante sobre vários aspectos do planeta vermelho. Uma passagem muito bonita é quando ela fala sobre o clima inóspito do planeta, com suas chuvas ácidas que agridem a natureza e a necessidade de haver essas catástrofes para a manutenção do clima. "O criador do universo não faz nada imperfeito: tendo uma aparência agressiva ou não, tudo tem que ser como é, pois quem criou tudo sabe de tudo." Ou seja, tempestades fazem parte da vida e podem ser benéficas, mesmo que nos derrubem. Há uma mistura curiosa de magia e tecnologia. Para alcançar seus objetivos maléficos, o bruxo usa de chips de rastreio, robôs e programas de computador. Além disso, Lorena está muito mais imaginativa do que no livro anterior. Situações das mais absurdas (no bom sentido, pois se trata de uma narrativa onírica) surgem a todo momento, fazendo com que esperemos que tudo possa acontecer à cada virar de páginas. Conhecemos um pouco mais sobre Lucius e sobre o funcionamento do submundo, sua história e geografia, além dos conchavos que unem seus habitantes. Desta vez muito da ação se desenvolve na Terra. Criaturas malignas se infiltram na nossa sociedade, no meio jurídico, médico e acadêmico, sempre manipulando os humanos com as  piores intenções. Temos traições, intrigas, desforras e em meio a tudo isso, Maria Metálica e suas aliadas, combatendo o mal, nos dando uma lição de que a amizade, o bem e a generosidade são o que realmente une as pessoas. Que fora isso tudo é apenas um jogo de interesses, que alianças são desfeitas com facilidade, que os cúmplices de hoje serão os adversários de amanhã e que o que realmente vale a pena é ajudar o próximo sem segundas intenções.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Brutal - Luke Delaney



                                                             Sinopse

Após quebrar sua regra de nunca levar clientes para casa, um garoto de programa é assassinado com 77 facadas. O que parece ser um crime passional, revela-se obra de um  serial killer, cujas vítimas não têm perfil específico. Pode ser homem, mulher, mais velho ou mais jovem. Não importa. O que há em comum, porém, é uma intensa crueldade revelada na brutalidade das mortes e no potencial que ele tem de infligir sofrimento à vítima. À sua caça está o talentoso detetive Sean Corrigan, que usa suas habilidades de profiler para descobrir sua identidade. Porém, isso é mais difícil do que parece.

                                                           Resenha

Luke Delaney, pseudônimo de um agente policial que prefere não se identificar, estreou com um livro que cumpre o que promete. É brutal em todos os sentidos, na descrição dos crimes, na visão de mundo e na criação de personagens que aprenderam a lidar com a violência em seu cotidiano. Seja coibindo-a, sendo vítima ou agressor.
Sean, o detetive que investiga uma série de assassinatos é uma espécie de profiler natural, ou seja, não é uma pessoa que adquiriu suas habilidades apenas com com treinamento, mas devido ao seu histórico de vida. Ele conhece o mal porque foi vítima dele. Sofreu abusos de seu pai e ao invés de se render à violência, se tornando um criminoso, seguiu outro caminho, tornando-se um agente da lei e perseguindo assassinos.
O livro começa com todo o ritual de caça que o assassino faz para se aproximar de Daniel Graydon, um garoto de programa. Ele ganha sua confiança e o convence a levá-lo para o seu apartamento, onde o mata de forma cruel. Os detalhes são de embrulhar o estômago. Luke não mede as palavras e retrata sem piedade a fúria violenta com a qual o assassino trucida sua vítima.
Logo, um suspeito é apontado. Hellier, um executivo em ascensão, é associado à cena do crime e descobrir se ele é o verdadeiro criminoso é um dos grandes ganchos do livro. Hellier é, sem dúvida, o personagem mais fascinante da trama. Bonito, inteligente, charmoso e muito mau. Ele tem tudo para ser o assassino. É ligado à vítima, tem um passado de violência, tem segredos que vão sendo tanto descobertos por Sean, quanto revelados pelo narrador e a dúvida vai permeando o livro. Um dos pontos mais interessantes de toda a narrativa é o duelo entre Sean e Hellier. São dois personagens em polos opostos imersos num jogo de inteligência, onde um tenta antecipar os passos do outro e isso movimenta a trama, nos levando de carona num jogo de xadrez humano, do qual depende a vida de pessoas inocentes.
Além do narrador em terceira pessoa, temos também o ponto de vista do assassino. Em várias passagens ele deixa escapar semelhanças com Hellier, seja em seu modo de pensar, seja sobre o fato de também ser casado e pai, seja pelo fato de ser um homem de preparo físico descomunal. Há crimes anteriores e posteriores à morte de Daniel, todos cuidadosamente narrados, criando uma atmosfera sombria.
Porém, um ponto negativo são alguns desdobramentos que não vingam. Por ser a morte do jovem Graydon o fio condutor do livro, são geradas várias possibilidades sobre seu assassinato, com outros suspeitos além de Hellier. Mas se já no início sabemos que o rapaz foi morto por um serial killer, as demais hipóteses são supérfluas ao leitor e isso torna a leitura um tanto dispersiva em alguns pontos. Acredito que se essas investigações paralelas não tivessem tanto espaço, o livro seria mais objetivo, reduzindo o número de páginas, mas aumentando a emoção.
Brutal não é uma trama com reviravoltas de cair o queixo. Logo de início matei parte da charada, mas o grande trunfo do autor não é revelar a identidade do assassino e sim a seu modo de agir, de pensar, de enxergar o jogo de vida e morte no qual se aventura. Poucas vezes vi a mente de um serial killer ser descrita com tanta clareza e isso chega a ser arrepiante. Como se trata de uma série, acredito, e espero, que os próximos volumes se foquem mais no passado de Sean, pois senti falta de mais detalhes sobre sua infância sofrida. E que a série renda e Luke nos traga não só mais sobre seu detetive, mas novos e apavorantes serial killers.



domingo, 24 de maio de 2015

Novos Talentos Nacionais - Lorena Rocque e sua Maria Metálica

O "Porque Livro Nunca Enguiça" lança uma nova seção, dedicada aos novos talentos da literatura nacional. E quem estreia essa seção é a escritora Lorena Rocque, com a sua trilogia Maria Metálica, uma obra de fantasia que promete conduzir os leitores a uma estonteante viagem através de mundos desconhecidos e apresentar-lhe fabulosas criaturas num clássico embate entre o bem e o mal. Desde o fenômeno Harry Potter a literatura fantástica ganhou uma nova dimensão, atraindo públicos de todas as idades e trazendo à luz novos escritores, não só lá fora, como aqui em nosso país. Haja visto o sucesso de A Batalha do Apocalipse de Eduardo Spohr. Portanto, se você é um fã da literatura fantástica, um fã de literatura nacional ou ( melhor ainda) das duas coisas, lhe convido a conhecer o trabalho de Lorena.


                                                               SINOPSE  


O Resgate de Maria Metálica (Livro Um)

Maria Quitéria, uma bruxa do bem, foi enviada ao submundo, para resgatar uma prisioneira muito especial e poderosa, Maria Metálica. Ela se encontrava no castelo de um mago negro há muitos anos. E era chegada a hora de sua libertação.
O leitor fará uma viagem às profundezas da Terra, onde conhecerá as artimanhas do mal e os desafios vividos pelas personagens nas diversas cidades do submundo. Também verá como agem as forças do bem.



O Retorno de Maria Metálica (Livro dois)  

Maria Metálica está de volta para mais uma aventura fantástica e emocionante, repleta de novos perigos, encontros, desafios e fortes emoções. A intrépida marciana, agora muito mais forte e consciente de seus poderes mágicos, irá juntar-se a sua fiel companheira, a bondosa bruxa Maria Quitéria, e a outros treze bruxos do bem em sua corajosa luta contra as tenebrosas forças do mal.
Nesta nova etapa de sua incrível jornada, repleta de viagens intergalácticas, mundos extraordinários e criaturas quiméricas, a jovem Metálica retornará ao planeta Terra sozinha em sua nave espacial e, ao lado de seus amigos, descerá às profundezas do nefasto e perigoso submundo, onde se deparará com grandes mistérios e ameaças, pois Lucius, o poderoso mago das trevas, será finalmente revelado e tentará consumar seus planos diabólicos de uma vez por todas, mesmo que, para isso, tenha que aniquilar qualquer um que atravessar seu caminho.  
Nossa heroína e sua turma ainda deverão ajudar uma jovem da Cidade do Cimento a libertar-se dos domínios do mal e encontrar seu verdadeiro caminho.
Embarque nessa fabulosa história, plena de magia e fantasia, e deixe-se envolver por um enredo que certamente vai instigar as mentes mais imaginativas e sonhadoras; um verdadeiro convite a um incrível e surpreendente universo paralelo povoado de bruxas, fadas, magos, alienígenas e robôs.

''Maria Metálica e a Libertação", terceira parte que fecha a trilogia já começou a ser escrita e tem lançamento previsto para 2016.

Sobre a autora:

Lorena Ralha Rocque – Natural do estado de São Paulo, mora atualmente no Rio de Janeiro. Atua como Radiestesista e Cromoterapeuta desde 1999. Já publicou a segunda edição do livro: ”Radiestesia Criativa de Lorena Rocque”. Agora se aventura na área da ficção.
Mais informações:
mariametalica.blogspot.com.br/

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Sete famílias que tocaram o terror

Família Corleone

Uma das famílias mais conhecidas na cultura pop, os Corleone foram marcados pela tragédia, sofreram pela perda de entes queridos, sacudiram o mundo do crime com suas negociatas e burlaram habilidosamente a lei. Mario Puzo foi muito bem sucedido em retratar os bastidores das famílias mafiosas, sem cair no caricato, sem apelar para o sensacionalismo e ainda agradar a própria máfia, que segundo ouvi dizer, adorou o livro. Don Vito Corleone, o patriarca da família é um dos personagens mais marcantes do cinema e também da literatura. Um homem que, apesar de seguir um rígido código de ética, também sabe punir os traidores e perseguir seus desafetos. Michael, caçula de D. Vito é outro membro da família que se destaca. Considerado um civil, já que não tem negócios com a máfia, aparenta ser uma pessoa tranquila. Mas mexa com seu pai para ver do que ele é capaz. Sem falar em Johnny Fontane, afilhados do chefão, que dá uma leveza bem vinda ao livro com seu jeito irreverente e sua vontade de ser ator. Porém, negue um papel a ele que você corre o risco de receber seu animal de estimação pelo correio em pedacinhos. Incesto, espancamentos, emboscadas e até um carro bomba compõem a história dessa família criada pelo talento admirável de um escritor e imortalizada pelo público.


Família Hamleigh

Ambiciosos, desalmados e dissimulados, os Hamleigh estão sempre na posição que lhes é mais conveniente. No cerne do poder, quando isso é favorável, ou no bastidores, comendo pelas beiradas e corroendo as relações entre os aristocratas na corte da Inglaterra. Percy Hamleigh, conde de Shiring e patriarca da família, não teve nenhum pudor em entregar seu antigo amigo , o conde Earl Bartholomew, por traição, levando-o à forca. Tudo bem que as relações entre eles estava estremecidas pelo fato da filha de Bartholomew ter rejeitado o filho de Percy, mas isso não justifica. Até porque o jovem Willian era um boçal. Tanto que assim que encontra uma nova noiva e a desposa, dá-lhe uma tremenda surra durante a lua de mel, deixando a pobre traumatizada. E não menos perigosa, pelo contrário, a mais ardilosa de todas, é Lady Regan Hamleigh, a mãe, que abusa de suas artimanhas. A palavra lealdade não está no dicionário da megera, que sempre dá um jeito de se aliar a quem está no comando e desfazer qualquer ligação com os perdedores. Capazes de derrubar um rei, os Hamleugh são uma das famílias mais nocivas da literatura.


Família Lannister

Só o fato de ser a família que originou Jofrey, já dá para se ter uma ideia do nível de caráter desse clã. Logo de cara nos deparamos com o romance incestuoso entre os irmãos gêmeos Cersei e Jaime, que teve início na adolescência e permaneceu em segredo durante muitos anos. Segredo esse que quase custa a vida de uma pobre criança. E se por um lado Cersei ama um irmão até demais, de outro ela odeia seu irmão Tirion, a quem culpa pela morte da mãe. A disputa pelo poder é uma marca dessa família desunida, que esconde por trás das falsas aparências profundos conflitos que acabam por envolver quem não tem nada a ver com isso. Do patriarca Lord Tywin Lannister, que com suas manobras políticas destruiu a vida de muita gente, ao fedelho Jofrey que ao se tornar  rei abusa de sua posição para praticar as maiores barbaridades, a família Lannister se tornou uma as mais infames dos Sete Reinos.


                                                                               
Família Blackwell

O que torna essa família tão pavorosa é o fato de terem cometido atrocidades não com os de fora, mas entre si. Foi mais de um séculos de ódio, mentiras, traição e crueldades. Enganado e quase morto pelo seu futuro sogro, Van Der Mewew, Jamie Mcgregor vingou-se não apenas em seu inimigo, mas também em sua filha. Após se casarem tratou a jovem Margareth com menos consideração com que trataria um burro de carga. Não importa o quanto a jovem se dedicasse a ele, Jamie não lhe dispensava um único gesto de carinho. Com todo esse desamor, uma família não poderia começar bem. E nas gerações seguintes as coisas só pioraram. Kate, a filha de Jamie, manipulou o próprio noivo para desposá-lo, matou os sonhos artísticos do próprio filho e aprontou outras coisas mais, mas a justiça chegou. Através de sua neta Eve, a matriarca dos Blackwell pagou todos os seus pecados. Porém esse não foi o fim. Em A Senhora do Jogo, sequência desse romance, temos mais uma geração de familiares desunidos. Dois primos travando uma guerra pelo poder sem economizar munição, com direito a golpe baixo e tudo.

Família Lockwodd

Os Lockwood sempre foram uma família importante em  Mistic Falls. Tanto que Richard Lockwood era o prefeito da cidade. Um homem rígido, que criou o filho Tyler com excesso de rigor, tornando-o um rapaz revoltado e arrogante. Mas o perigo nessa família não está em seu poder político, nem nas conturbadas relações entre seus membros. O que torna os membros do sexo masculino tão temíveis é o fato de descenderem de uma linhagem de lobisomens. Como Richard nunca cometeu nenhum assassinato, o gene nunca se manifestou. O que não se pode dizer de outros membros da família, como seu próprio filho Tyler, que após matar uma pessoa, se transforma numa fera letal, que vagueia pelas noites da cidade à procura de presas para saciar sua fome de violência. Uma maldição que os Lockwood são obrigados a carregar através de gerações e que contribui para tornar Mistic Falls uma cidade não recomendável a nenhum pacote turístico.



Família Volturi

Eles remontam à antes de Cristo e se proclamam os legisladores da espécie vampírica. São eles quem observam, vigiam e identificam quem foge às regras, e não tem piedade em aplicar as devidas punições. Criado por Aro, um vampiro ambicioso que desejava deter o poder sobre a sociedade vampírica, o clã evoca medo quando mencionado.  Durante toda a vida, Aro foi movido pela ambição e foi devido a essa sua sede que foi transformado, com cerca de 20 anos. Uniu-se a dois outros vampiros, Marcus e Caius e, para engrossar o clã, transformou dois humanos: a irmã, Didyme, e a futura esposa, Sulpicia. Apesar de dividirem a liderança, Aro sempre foi quem esteve no comando, manipulando seus companheiros para que sua vontade prevalecesse. mesmo havendo divergências e dissoluções no grupo, o vampiro sempre cuidou para que o clã continuasse vivo, reinando obre os vampiros durante séculos e não tendo o menor pudor em destruir quem desobedecesse suas leis.



Família Mayfair

A família mais emblemática da literatura de terror, tanto assustou, quanto conquistou gerações de leitores. Rowan Mayfair é o fio condutor dessa saga. Uma mulher com o dom de matar apenas com o pensamento, cuja responsabilidade de ser a 13ª de uma linhagem a colocou diante de escolhas de vida e morte, que a fez abdicar de sua carreira de cirurgiã para entrar num mundo fantástico, onde um espírito terrível a escolheu como mãe, onde teve de abandonar o amor de sua vida para impedi-lo de ser destruído e onde foi obrigada a cometer um pecado imperdoável contra sua prole. Uma família cuja fortuna foi acumulada com a ajuda de uma criatura maligna, que prosperou sob a sua proteção, cujos inimigos foram punidos pela fúria desse ser, mas que pagou duramente por todos esses privilégios.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Escuridão Total Sem Estrelas

                      Resenha                                               

O título não poderia ser mais adequado. Nos quatro contos encontramos o lado mais negro do ser humano. São contos de gêneros totalmente diferentes, mas com uma unidade: todos falam de pessoas diante de um dilema e as consequências de seus atos. Todos estão diante de dois caminhos, o negro, que é simbolizado pela inveja, vingança, apego, omissão e o caminho do bem, simbolizado pelo perdão, pela conciliação, pela resignação ou por cometer um ato heroico para evitar um mal maior. Por se tratar de contos, a linha entre sinopse e spoiler é muito fina, por isso, falarei o mínimo possível sobre o enredo, partindo logo para minhas impressões.

1922

No primeiro conto, o mais sombrio de todos, temos uma família em conflito. Pai e filho amam a terra e não aceitam viver na cidade, enquanto a mãe, detentora dos direitos sobre a propriedade, está decidida a vender a fazenda e deixar o campo. Para evitar que isso aconteça, pai e filho tomam uma decisão drástica, que muda para sempre as suas vidas. O conto fala sobre culpa, sobre como o remorso pode destruir a alma de uma pessoa. O ato cometido por pai e filho os acompanha impiedosamente provocando mudanças em seu comportamento. Com o pai, a culpa o corrói de forma passiva, destruindo sua mente, roubando sua sanidade e tornando-o um esboço da pessoa que fora outrora. Com o filho, a mudança é mais evidente e radical, levando o rapaz a seguir um caminho sem volta, se afundando cada vez mais em seus próprios erros. Algumas passagens são tão fortes que num momento eu tive de reprimir um grito (isso já ocorreu com filmes, mas nenhum livro me provocou essa reação antes). E por mais que a agonia seja intensa, não dá vontade de abandonar a leitura, pelo contrário, é o conto mais longo e foi o que (proporcionalmente) li mais rápido. A narrativa em primeira pessoa é hipnótica, tem um ritmo envolvente, que te aproxima do narrador.  Na verdade é essa a grande particularidade do conto, a força narrativa. Certamente se for adaptado para o cinema não terá o mesmo impacto e será um filme medíocre.

Gigante do Volante

Em Gigante do Volante, Stephen King nos apresenta Tess, uma escritora de livros policiais que após uma palestra recebe de uma das bibliotecárias organizadoras do evento a dica de um atalho para dirigir de volta para casa. Porém cai numa armadilha montada por um caminhoneiro e é estuprada. Após escapar do esconderijo de onde só saiu com vida devido a um descuido de seu agressor, planeja sua vingança. Uma palavra para definir o conto é "superlativo." Nessa história tudo é intenso, as cores são vivas, as marcas físicas e psicológicas da violência são gritantes, a dor é pungente e um caminhoneiro gigantesco mostra o pior lado do ser humano. Tess é uma mulher comum, uma escritora pouco conhecida, sem nada glamoroso em sua vida. Não é descrita como bela nem feia, não é muito jovem e nem velha, está na meia idade e é uma mulher solitária, cuja única companhia é um gato. Uma pessoa que poderíamos conhecer, uma pessoa que poderíamos ser e cuja tragédia, infelizmente, não é algo incomum. As passagens do estupro são perturbadoras e se tiveram tanto impacto sobre mim, o que dirá nas mulheres que lerem o livro. E junto do estupro vem também as consequências: a possibilidade de que lhe atribuam alguma culpa pelo ocorrido, a ideia terrificante de ter engravidado ou ter adquirido uma doença. Todos esses aspectos são bem explorados no conto. Algo curioso em Tess, são os diálogos interiores que tem com seus alter-egos, que são representados por Tom, que nada mais é que o nome seu GPS e por Fritz, seu gato. Essas ponderações dão uma atmosfera surreal em alguns momentos, o que dá uma certa leveza muito bem vinda à narrativa. Pois King não enfeita a realidade e não tem nenhuma sutileza em mostrar o lado sombrio de seus personagens. O conto tem muitas reviravoltas, uma revelação chocante sucedendo a outra e nenhum acontecimento é gratuito. Tudo tem relevância no final, cada peça vai encontrando seu lugar até que tudo seja lindamente amarrado nas últimas páginas. Só achei que o clímax da história deveria ser mais catártico. Porém isso não desmerece o conto, que é primoroso.

Extensão Justa

É o conto mais curto da coletânea e fala de um assunto que me fascina: inveja. Sentimento destrutivo, tanto em relação ao objeto da inveja, quanto a quem a sente. Streeter é um homem sofrendo de câncer que ao se deparar com um vendendor de rua, tem a oportunidade de se vingar de alguém muito próximo, de quem guarda um grande ressentimento. Um dos pontos mais interessantes do conto é o contraste substancial entre os dois núcleos familiares da história. De um lado, um homem que leva uma existência medícore, cheio de complexos de inferiroridade, agonizando em seus últimos dias de vida e em cujo coração há espaço somente para a mesquinhez. Do outro, um homem que leva uma vida glamorosa, bem sucedido profissionalmente, com um casamento feliz e filhos amorosos. E além disso, belo, carismático e saudável. E quando acontece a grande reviravolta na história, somos tomados pelo horror. O horror de que os sentimentos humanos são capazes. A incapacidade do perdão, o egoísmo, o egocentrismo e a crueldade sádica de se comprazer com o sofrimento alheio.


Um Bom Casamento

O último conto é um delicioso suspense doméstico. Darcy, casada a há vinte e cinco anos com um simpático negociante de moedas raras, descobre um terrível segredo de seu marido e as consequências dessa revelação são imprevisíveis. A maneira como Stephen King conta como o casal se conheceu, narra sua rotina durante todos esses anos e descreve o vínculo afetivo que os une resultam numa leitura muito agradável. Ele constrói meticulosamente um lindo castelo para depois derrubá-lo sem dó. Um casamento aparentemente perfeito que corre o risco de ruir após uma inesperada descoberta. Darcy faz uma análise de seu passado juntos, procurando evidências sobre a verdade que se escondia por baixo da máscara de bom marido e, como acontece em todos os contos do livro, é obrigada a tomar uma decisão. Agir e dar um passo em falso pode ter consequências desastrosas, mas se omitir, fingindo que nada aconteceu, pode ser muito pior.

O livro se encerra com um posfácio onde podemos conhecer um pouco sobre como nasceu cada um das histórias. O mecanismo criativo é sempre algo curioso, mas no caso de Stephen King é mais do que fascinantes. A maneira como ele consegue enxergar num fato corriqueiro o potencial para uma grande história é magistral.

Um dos livros mais esperados do ano, Escuridão Total Sem Estrelas não só corresponde às expectativas, como as supera e certamente merece um lugar entre as obras primas do autor.