sexta-feira, 24 de abril de 2015

Sete adolescentes que tocaram o terror


Jofrey

Nem bem saiu das fraldas e ele já virou rei. Como era de se esperar, não estava preparado para isso. Fraco, inseguro e atrapalhado, o primogênito de Cersei Lannister não conseguia manter as rédeas dos Sete Reinos e por isso espalhou o terror, acreditando que assim teria seu povo sob o seu cabresto. Jofrey é um fraco, um garoto que se esconde por trás da coroa para cometer os atos mais vis, mas não desempenha a sua função que é a de comandar, proteger e orientar seu povo. Vingativo, ao descobrir a traição de Stark, transformou sua noiva, filha do rebelde, em refém e a fez passar por diversas torturas psicológicas. Mas suas maldades não ficaram somente em seus círculos mais próximos. O rapaz usou e abusou de sua autoridade, derramando sangue por onde passava.

Tyler

Filho do prefeito de Mystic Falls, Tyler é o típico filhinho de papai arrogante.Um valentão, que vive arrumando brigas com os jovens da cidade. Se acha superior, é extremamente egoísta e trata as mulheres com desprezo, usando as que caem em sua lábia e menosprezando as que não lhe dão bola. Até aí ele seria um  adolescente rebelde como outro qualquer. Mas Tyler não herdou de sua família apenas a influência e a capacidade de sair impune devido à sua posição. O rapaz também herdou uma característica genética bastante bizarra: é um lobisomem. E quando assume sua forma lupina, se torna exponencialmente mais boçal do que em sua forma humana. Poderoso, selvagem e impulsivo, ele espalha o terror na cidade quando sofre sua transição. Enquanto o Tyler do seriado acaba por se redimir e mostrar um lado simpático e ter atitudes heroicas, o dos livros é uma criatura desprezível, que ao assumir sua forma lupina, não perde as piores características da sua terrível índole humana.

Charlie
Charlie Decker é um aluno do colegial numa pequena cidade chamada Placerville, no Maine. Após ser expulso de seu colégio ele volta armado com uma pistola, mata sua professora e coloca uma classe como refém. Do rapaz introvertido, que acumulava dentro de si todo o sofrimento pelas pequenas, mas significativas humilhações por que passava, se torna o algoz de seus colegas e sob sua ameaça, todos devem entrar em seu jogo. Charlie faz com que cada um exponha seus ressentimentos mais profundos, sejam eles contra a família, contra os amigos, contra os objetos de sua paixão ou contra o sistema. É então que nos compadecemos não só dos reféns, mas do próprio Charlie, cuja existência tão comum o aproxima de nossa realidade. A intenção de Stephen Kinh talvez não tenha sido a de justificar os atos violentos de seu personagem e sim o de mostrar que acontecimentos como aquele podem ocorrer em qualquer lugar. Porém, devido à sua própria convicção de que sua obra possa ter, mesmo que levemente, influenciado casos reais semelhantes ao de Charlie, o autor baniu o livro, proibindo sua reedição.

Tique Taque
“Tique-Taque. Você vai estar morto dentro de 16 horas.” Tique taque tem a capacidade de assumir as mais diversas formas, mas a sua preferida é a de um mendigo que assombra a vida do policial Harry, lançando-lhe a maldição acima. Ao cruzar o caminho de um aparentemente inofensivo jovem, Harry não imaginava a sinuca de bico em que estava se metendo. TiqueTaque tem um poder mental que vai além da telecinese. Ele é capaz de brincar com a realidade, montando o mundo de acordo com a sua vontade. É com a ajuda de seus poderes que se torna dono de uma imensa fortuna e adquire uma opulenta mansão, que transforma em seu quartel general de onde vigia seus desafetos e de onde se desloca em questão de segundos para cometer as piores atrocidades. Uma criatura mesquinha e imatura, que vê o resto da humanidade como peças de um jogo com o qual quebra o tédio de sua solitária existência.

Max Webster
  
Filho de Eve Blackwell (já citada numa outra lista nada lisonjeira, aqui do blog) o garoto herdou sua índole e só não se tornou um dos maiores vilões da literatura contemporânea porque Tilly Bagshawe não tem o mesmo talento de Sidney Sheldon para compor personagens imortais. Mas isso não quer dizer que ela não tenha sido bem sucedida em criar um detestável vilão. Desde pequeno ele deu um claro sinal de sua má índole: idolatrava a mãe. Pra alguém idolatrar a megera da Eve é porque sofre de alguma distorção de caráter. E é exatamente o caso desse rapaz. Morre de inveja da prima Lexi, com quem desde jovem disputa o controle da empresa da família e não tem escrúpulo algum nessa luta pelo poder. E o que dizer do que ele fez com o próprio pai, o pobre Keith que sempre o tratou com todo o carinho. Uma peste cuja adolescência foi apenas um estágio para a sua carreira de vilão profissional.
Sétimo

Ele é o caçula de uma grupo de sete vampiros que após séculos no fundo do mar, foram despertados em pleno Brasil e agitaram o país e a literatura de terror nacional. E, apesar de ser o mais jovenzinho, é o pior e todos. Sétimo é um vampiro renegado, que devido a uma mágoa do passado, se afasta de seus outros seis companheiros e sozinho acaba dando tanto ou mais trabalho do que todos os seus companheiros juntos. O que o torna tão perigoso é a combinação de um poder imensurável e o comportamento de um típico adolescente. Sétimo é mimado, caprichoso, tem uma extrema necessidade de autoafirmação e muito ciumento. Vá mexer com uma das namoradas dele pra ver o que acontece. É capaz de estraçalhar quem atravessar seu caminho. E, como se não bastasse, ainda tem a capacidade de assumir a forma de um monstro tão horrendo, que só de olhar suas pernas virariam gelatina.

Draco Malfoy

Filho de grandes patrocinadores no Ministério da Magia, Draco não deixa de jogar sua condição privilegiada na cara de todo mundo e abusa da impunidade que sua linhagem lhe proporciona. Grande apoiador de Lord Voldermort, ele é um aprendiz de suas maldades desde criança e ao alcançar a sua adolescência, demonstra que já está pós-graduado no assunto. Após seu pai ter doado à equipe um lote de vassouras Nimbo 2011, conseguiu uma posição no time de Quadribol como apanhador. Sua rivalidade com Harry Potter é algo lendário em Howgarts, mas apesar das perseguições ao simpático bruxinho, nunca consegue superá-lo, o que só aumenta seu ódio. Em seu currículo de maldades estão crimes como: Usar a Maldição Cruciatus e a Imperius, tentar matar Alvo Dumbledore e envenenar uma garrafa de hidromel que quase matou Rony Weasley.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Cura - Robin Cook


Sinopse

Depois de uma longa licença, a Dra.Laurie Montgomery volta ao trabalho no Gabinete de Medicina Legal. Insegura sobre sua capacidade, ela se depara com um caso aparentemente simples: um homem não identificado é encontrado morto no metrô, possivelmente de causas naturais. O que a médica não sabe, é que Satohi, um cientista que fugiu do Japão trazendo consigo uma importante descoberta sobre células pluripotentes, foi assassinado pela máfia, devido a um perigoso jogo de interesses. E à medida que ela chega perto da verdade, sua segurança e a de sua família é posta em risco.

                                                                     
                                                                  Resenha

Robin Cook consegue misturar espionagem industrial, guerras entre mafiosos e investigação médica sem que o livro se torne uma salada de estilos. Confesso que inicialmente achei a leitura desagradável. As passagens sobre a máfia japonesa foram uma tortura. Eram tantos nomes complicados, que eu mal conseguia distinguir quem era quem. Tantas intrigas entre as famílias e diálogos intermináveis entre os chefões e seus subalternos que era um alívio quando esses capítulos terminavam. As cenas sobre o mundo corporativo também não eram nada empolgantes. O jogo de interesses pela patente de uma nova descoberta científica era tão intrincado, que foi preciso muita atenção para compreender pelo que aquela turba de personagens estava brigando.
O que dava um gás eram as passagens com Laurie e Jackie. Foi muito bom reencontrar o casal de legistas, saber que eles tiveram um filho, que ele se recuperou milagrosamente de uma grave doença e que a doutora estava de volta à ativa. Além disso, foi bacana rever o pessoal do necrotério, estar de novo dentro da rotina do Instituto e acompanhar as relações entre os funcionários. Inicialmente Laurie está bastante insegura pelo fato de ter passado tanto tempo afastada do trabalho, além disso, deixar seu bebê de pouco mais de um ano nas mãos de uma babá não é nada fácil para ela. Esse comportamento faz com que a doutora soe chata, principalmente para os leitores que não acompanharam os demais livros da série, mas eu sabia que tudo não passava de um problema de adaptação e que a esperta e audaz legista continuava  ali e logo viria à tona. E não deu outra. Assim que ela recebe um cadáver anônimo, cuja causa da morte é desconhecida, a médica não sossega até encontrar respostas. Essas respostas levantam a suspeita de um assassinato e então Laurie, como de costume, começa a dar trabalho para a máfia, que está interessada em abafar o caso.
A medida que o livro avança, vai se formando uma envolvente trama, com os diferentes núcleos se aproximando e as relações entre eles ficando mais claras. As trapalhadas dos mafiosos, que criam uma confusão atrás da outra, são impagáveis. O livro tem uma série de mal entendidos que vão levando os personagens a tomar atitudes imprevisíveis. É uma constante de encontros e desencontros que acaba sempre em desastre.  Uma viagem narrativa que nos leva para caminhos que, embora sejam previsíveis em alguns aspectos, em outros nos deixa extremamente curiosos.
 O livro não tem nenhum grande mistério, desde o início sabemos quem é assassinado, quem matou e qual é o motivo. A história se baseia nas implicações daquele crime e isso rende muita ação. Contudo, isso não quer dizer que o livro não reserve surpresas. É um livro bem movimentado, cujas tramas vão ganhando vários desdobramentos e nos leva a um desfecho vibrante.  Por mais que em alguns aspectos o livro siga a uma fórmula já batida do autor, há lances bem inusitados que dão uma individualidade a esta obra. Apesar de muitas opiniões negativas na web, é um livro com muitas qualidades: empolgante, divertido e, em alguns momentos, impactante.

                                             

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Sete coisas que você encontrará em Prince Lestat

Após dez anos de silêncio, a voz de Lestat volta a soar e através da prosa sofisticada de Anne Rice, o vampiro mais irreverente, irresponsável, apaixonado e apaixonante da literatura de terror retorna ao mundo dos vivos para matar a saudade de seus fãs. Eu me surpreendi com a notícia de que Anne Rice retornaria ao mudo dos vampiros, já que ela parecia taxativa em suas declarações de que enterrou esses personagens e se dedicaria apenas a escrever para Deus. Mesmo quando ela enveredou pelo mundo dos lobisomens, mostrando que a velha Anne Rice ainda estava na ativa, não esperei que os vampiros tivessem lugar em suas próximas obras. Por isso, foi com uma mistura de surpresa e emoção que ouvi a primeira notícia sobre Prince Lestat, o 11º volume das crônicas vampirescas. Desde então fiquei alucinado por informações sobre o livro e foi com reverência que me deparei com a versão em inglês no expositor da Livraria Cultura, num lugar de honra, como merece qualquer obra de Anne Rice. Não vejo a hora do livro ser traduzido e lançado no Brasil, pois a menos que você tenha um inglês perfeito, o que não é o meu caso, a leitura no original não é tão agradável quanto em nossos próprio idioma. Mas compartilharei com vocês um pouco do que essa obra, que uns amaram e outros detestaram, nos reserva.



Ação

O livro tem muita ação. Apertem os cintos porque a história promete ser tão movimentada quanto A Rainha dos Condenados, que para mim é o livro mais dinâmico das Crônicas Vampirescas. Temos vampiros renegados matando indiscriminadamente, temos uma grande ameaça que exige a união das forças dos vampiros mais antigos, tem passagens curtas, alternando personagens e uma narrativa radiofônica protagonizada por Benji que dá um toque bem vibrante ao livro.






Reencontro da Velha Guarda  

Todos eles estarão lá. Apenas não encontraremos os vampiros dos livros mais recentes, como Quynn de A Fazenda Blackwood. Mas teremos o prazer de reencontrar a bela Pandora, o apaixonante Armand, o sensível Louis, a arredia Gabrielle, todos unidos por uma causa nobre: salvar o mundo de uma grande ameaça. É vibrante ver cada um deles usando suas melhores habilidades, os conhecimentos adquiridos em séculos e mostrando as qualidades de suas personalidades nos momentos mais oportunos. Parece até uma versão gótica de Os Vingadores. 
    
A Talamasca 

A Talamasca estará presente. O livro falará um pouco mais sobre a origem da ordem, sobre seus fundadores e também sobre o que os levou a dedicarem suas vidas a investigar o oculto. Algo que eu costumo dizer é que a Talamasca merecia um livro próprio, com histórias de arrepiar os cabelos, tiradas de seus arquivos secretos. Seria muito bacana revisitar as Crônicas Vampirescas ou a saga dos Mayfair, pelo ponto de vista dos “Talatalkiers” e também conhecer novas criaturas. Em O Vampiro Lestat, são mencionadas criaturas que vivem entre humanos, ocupando cargos de grande influência e que são dotados de super poderes, mas Anne nunca mais tocou no assunto. Que maravilha seria se esses seres fossem desenvolvidos em outras obras.




Os Vampiros Menos Famosos        

Também encontraremos vampiros de menor destaque. Jesse, que brilhou em A Rainha dos Condenados e nunca mais deu as caras, Thorne, que foi tão negligenciado em Sangue e Ouro, já que a sinopse prometia que o livro seria dele e de Marius, mas ele acabou sendo apenas um figurante; Bianca, figura importante na história de Marius e Armand, além de Alessandra, Eugenie, Eleni, Arjun. O lado ruim é que nenhum deles tem importância na história, servindo apenas como audiência. Mas, de qualquer maneira, seria necessário um livro de mais de mil páginas para poder se demorar em cada um desses. Só o fato de mencioná-los já é uma grande consideração por parte de Anne Rice.


Novos Personagens

O livro também traz novos personagens, como Gregory, Sevraine, Viktor e Rose. Viktor é devotado a Lestat e tem um interesse científico pelos vampiros. Sua inclusão nas crônicas abre uma porta para uma nova direção nas história desses seres noturnos que é a possibilidade de Anne Rice dar explicações científicas sobre a biologia dos vampiros, o que pode atrair um novo público para sua obra. Ela não disse nada a esse respeito, que fique claro. Foi apenas um potencial que eu enxerguei através da inclusão de Viktor no elenco de personagens. Assim como a saga dos bruxos Mayfair teve seu lado científico explorado é possível que o mesmo ocorra nos próximos livros das Crônicas. 

Um Lestat Mais Brando


Lestat começa o livro num estado depressivo, em uma crise existencial que o afasta do contato com outros vampiros. O que é de se admirar, pois ao contrário de Louis, Armand e Pandora, Lestat sempre foi um vampiro muito bem resolvido. Sempre dedicou sua além-vida a explorar o mundo, a conhecer mais sobre o natural e o sobrenatural, a fazer suas artes como um moleque travesso. Por isso me espantei com sua apatia inicial. Porém ela dura pouco. Assim que a ação do livro começa, ele volta a ser o Lestat que conhecemos e abraça o mundo, com toda uma sofreguidão que parece se intensificar à cada página. Ele ama como nunca amou antes. Ama sua mãe Gabrielle, ama seus antigos companheiros e, principalmente, ama seus novos seguidores humanos.

Sensualidade

Uma das características das crônicas é a extrema sexualidade que emana de seus personagens. Afinal eles são vampiros, mas não estão mortos. Morto-vivo não é totalmente morto. Há muito magnetismo entre as criaturas da noite e isso é bem explorado em Prince Lestat, sem cair na vulgaridade. Anne tem uma capacidade incrível de mostrar o lado bissexual dos personagens sem soar apelativa, sem levantar bandeiras, mostrando o quanto é natural criaturas da mesma espécie se sentirem atraídas umas pelas outras e o quanto é irrelevante o gênero dessas criaturas. O que não se aplica só aos vampiros, claro, mas à humanidade também. E em Prince Lestat, Anne continuará abordando com delicadeza a sensualidade dos vampiros, mesmo que a mecânica do sexo entre eles não seja a convencional, dada algumas características de sua condição de mortos-vivos. 




Apesar de muitas opiniões negativas, vejo com otimismo essa ressurreição dos vampiros de Anne Rice. Não esperem que Prince Lestat tenha a mesma qualidade dos primeiros volumes das Crônicas Vampirescas, pois se decepcionarão. O livro passa longe do estilo poético, filosófico e sofisticado dos romances anteriores, mas tem seu lado introspectivo equilibrado com as passagens de ação, tem reencontros emocionantes entre nossos queridos personagens e tem uma linguagem mais moderna que certamente atrairá um novo público. Torço para que o livro faça muito sucesso, motivando Anne Rice a prosseguir com a saga. 

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Sete super blogs literários








Blog do Ben Oliveira


Ben Oliveira é jornalista e escritor. Inicialmente, o foco de seu blog era o jornalismo, mas atualmente está centrado em literatura. E o que é mais louvável, na nova literatura nacional. Ben dá um apoio muito grande aos novos escritores, divulgando trabalhos de todo o Brasil e mostrando com suas resenhas o conteúdo de alta qualidade de obras muitas vezes desconhecidas para o grande público. Mas ele não se limita apenas à nossa literatura. Ben também resenha livros de autores estrangeiros, clássicos e bestsellers e o faz de maneira primorosa. Seu texto é elegante, profundo, suas análises são perspicazes. Ele também é muito honesto em suas opiniões. Um cara bem antenado, que demonstra discernimento em suas opiniões e escolhas literárias, o que faz de seu trabalho um trabalho sério, profissional, mas ao mesmo tempo um espaço descontraído, dinâmico. Tanto que ele não se limita apenas a resenhas. Ben também divulga lançamentos, mostra as suas leituras do mês e escreve sobre cinema e séries de TV. Além das ótimas entrevistas com autores. São bate papos leves, objetivos e com perguntas relevantes, que só despertam mais a vontade conhecer o trabalho desses escritores.
Como já disse no início, Ben Oliveira também é escritor. Tem diversos contos publicados em antologias de terror, suspense e temática LGBT, que é outro gênero ao qual ele apoia fortemente. Há em seu blog muitas indicações de romances LGBT, o que é importante para que esse gênero tão rico se expanda cada vez mais. Recentemente Ben fechou uma parceria com a editora Empírio e teve um novo conto publicado na coletânea Remetente nº 15.

Melhor post: Blogs Literários e Parcerias com Editoras e Autores: Colocando o dedo na ferida












Eu acho impressionante o quanto o texto do Guto é ao mesmo tempo descontraído e coeso. Parece que estamos falando sobre livros com um amigo, numa bar de esquina, tamanha a coloquialidade de suas resenhas. Enquanto costumamos encontrar resenhas frias e extremamente técnicas, nas do Guto sentimos paixão, desinibição e nenhum receio de expor suas opiniões. São resenhas muito pessoais. Eu sei que todas resenhas são, mas ele fala muito de si, dos seus hábitos, dos seus valores, até da sua criação. Apesar de ser um blog mais direcionado à literatura teen, que não é meu gênero preferido, é um espaço que me conquistou pela sua informalidade. Entro sempre para dar uma arejada e acabo descobrindo muita coisa boa. É um blog muito interativo, seja em suas tags, em suas postagens bem humoradas ou mesmo nas resenhas. Um espaço muito feliz. Entrem que vocês certamente vão se divertir e de quebra ainda ganhar o famoso abraço de urso do Guto.










O maior atrativo do blog da Leila para mim é seu gosto literário que é muito parecido com o meu. Quando o acessei pela primeira vez fiquei encantado em encontrar ali tantos livros conhecidos e queridos. Mas não é só pela afinidade que eu recomendo o blog. É pela objetividade das resenhas. Leila tem um texto enxuto, que vai sempre direto ao ponto. Ela descreve o ritmo do livro, se é eletrizante, se é mais parado, suas impressões sobre os personagens e os defeitos, que não podem ficar de fora. E tudo de uma maneira ágil, sem ser superficial. Confesso que não consigo escrever resenhas curtas, até porque só gosto de resenhar livros que me causaram uma forte impressão, seja negativa ou positiva, e quando isso acontece, sempre tenho muito a dizer. Mas, por outro lado, fico meio desanimado em ler resenhas imensas. No skoob sempre vou nas mais curtas. E foi justamente através do skoob que encontrei o blog da Leila. Ela também divulga lançamentos e seu blog tem um layout bem prático, dividindo seus posts em editoras, gêneros e resenhas. Um espaço bacana, com um texto maduro, sóbrio e que demonstra um senso crítico apurado.









Sem dúvida o melhor blog de terror da atualidade. E quem sabe de todos os tempos. O Rafa é um profundo conhecedor do gênero. Suas resenhas são ótimas, muito detalhadas, mas sem soltar spoilers, o que exige muita habilidade na hora de escrever. Curto demais suas análises sobre a estrutura de cada enredo, sobre as motivações dos personagens, sobre os diferentes tipos de horror. Seu texto demonstra toda a paixão que sente pelo gênero e às vezes é até engraçado como ele consegue colocar tanto amor ao comentar sobre livros de terror. Esse espaço foi o responsável por eu ampliar meus conhecimentos sobre o gênero, sendo apresentado a livros maravilhosos (ou terríveis, depende do ponto de vista), de tantos autores promissores que não vingaram. Muita coisa boa dos anos setenta e oitenta vem à tona nas resenhas e listas feitas pelo Rafa, que é o responsável por eu deixar boa parte do meu salário na Estante Virtual. E por falar em listas, há pouco tempo ele aderiu a elas e eu tenho adorado. Se bem que eu seja suspeito para falar em listas, pois é essa a alma do meu próprio blog. Mas acessem e tirem suas próprias conclusões.
Rafa é parceiro da DarkSide e sempre traz novidades maravilhosas sobre os próximos lançamentos.







Livros e Opinião é um dos blogs de melhor conteúdo da atualidade. José Antonio tem completo domínio sobre o que escreve e é um verdadeiro amante da literatura, daqueles que não tem preconceitos literários e leem tudo o que lhe cai em mãos. Tem um texto irreverente, conta muitos “causos” sobre sua vida e demonstra muito amor pelos livros. Em seu blog encontramos de tudo, até uma resenha do Harold Robbins encontrei. Aliás, me identifico muito com o valor que ele dá aos best sellers da década de 60 a 80, os chamados romances baratos, obras desconhecidas de terror, obscuros livros policiais. Muito bacana um post seu sobre o assalto que fez ao armário de seu irmão, de onde tirou diversas pérolas como os Contos da Kripta, Vinte Mil Léguas Submarinas e até o Almanaque Do Biotônico.








Listas Literárias pode ser considerado o pai de Porque Livro Nunca Enguiça. Sempre adorei ler as listas que o Douglas faz e então resolvi criar as minhas. Por escrever contumazmente, suas listas não se demoram muito na descrição dos itens. Geralmente ele se limita a descrever algumas características dos personagens citados, ou a sinopse do livro mencionado. Mas, por outro lado, esse cara é uma máquina de escrever. praticamente todo dia tem lista nova. Douglas também é super atualizado nos lançamentos e chega na frente comentando os livros que acabaram de sair. Um tema que se destaca entre suas listas são as dez considerações sobre determinado livro. Douglas escolhe um romance recém lançado e menciona dez pontos importantes a respeito do livro, sejam eles positivos ou negativos. Um site pra você entrar e perder a noção do tempo. 
Douglas é também escritor, publicou o romance Morgan, O Único e diversos contos.











Fico impressionando com o quanto MRVentura lê. Ela devora livros imensos em poucas horas, acompanha dezenas de séries literárias, acompanha todos os lançamentos da Editora Vestígio e ainda tem tempo para escrever. Seu blog é super movimentado, todo dia tem resenha nova e geralmente seus textos são bem entusiasmados, muito detalhistas e muito cuidadosos no intuito de evitar spoilers. Os livros para ela são reais, ela defende bravamente alguns personagens, não tem pudor em demonstrar sua antipatia por outros, é fã de Garota Exemplar com todas as suas forças e tem um caso de amor com Steven James. Sua preferência são livros policiais e é aí que ela me conquistou, pois suas resenhas me fizeram prestar mais atenção a autores que me passavam batidos.  Ocasionalmente ela faz algumas listas bem bacanas e toda semana nos mata de vontade com sua seção “Caixa De Correio”, no qual posta as fotos dos livros que recebe de suas parcerias.  Muito curiosas também são suas crônicas literárias. Ela fala sobre livros que está lendo aos poucos (Tripulação de Esqueletos de Stephen King é um deles), livros que não consegue terminar, suas compras e suas trocas. Um blog de sucesso que consegue manter a autenticidade.


Os logotipos foram retirados dos próprios blogs e caso os proprietários não autorizem sua exibição, basta solicitar a retirada por comentário ou enviando um e-mail para "rsetembro@hotmail.com".


terça-feira, 7 de abril de 2015

Histórias Para Noites Sem Luar - Coletânea de Alfred Hitcchcock


Resenha


Li esse livro há cerca de vinte anos e retornar a ele foi uma experiência maravilhosa, na qual senti de volta um pouco das emoções que me assaltaram na época. Nem todos os livros que relemos continuam nos impressionando, pelo contrário, muitas vezes nos decepcionamos e nos perguntamos como pudemos gostar tanto de determinada obra. Nossa evolução literária tende a relegar alguns livros lidos há muito tempo a uma posição inferior em nossa avaliação, mas não foi o caso de Histórias Para Noites Sem Luar.

O primeiro conto é “Uma Vida Boa”, uma história que virou um episódio de Além da Imaginação há muitos anos e, inclusive, teve uma continuação numa temporada mais recente. Trata-se de um vilarejo aparentemente pacato, onde o pequeno Anthony torna os moradores reféns de seus caprichos infantis. Isso porque o garoto tem uma habilidade muito especial. O que aquela criança é capaz de fazer a torna um dos monstros mais assustadores da literatura. Um poder tão grande que é capaz de consequências apocalípticas.

”A Cidade Está Dormindo”, de Ray Bradbury, mostra a versatilidade desse grande nome da ficção científica, que conseguiu criar uma obra prima do suspense em apenas poucas páginas. O conto fala sobre um estrangulador que apavora uma pequena cidade. Uma mulher corajosa, ou teimosa, decide não ceder aos seus medos e isso resulta numa aventura noturna de causar calafrios.

“O Casulo” é daqueles contos que começam tediosos, narrando as experiências que uma criança faz com mariposas, mas que de um instante para o outro enche as páginas com um terror crescente. Aquele medo cujo objeto é indefinível e que explode num final violento.

“Os Turistas da Tragédia” é um bom conto, porém é longo demais, dando muitas voltas até chegar ao que interessa. Não que essas voltas não tenham sido importantes para o desenrolar da história, mas acho que umas dez páginas a menos o tornariam bem mais objetivo.

“Nossos Amigos Emplumados” conta a história de um casal que se aventura numa floresta e se depara com um perigo vindo de animais aparentemente inofensivos. O conto tem uma atmosfera tensa que só aumenta o horror vivido pelos personagens. Quem gostou do filme Os Pássaros certamente vai curtir.

"No Meio do Mato" é um conto que me deixou perplexo. Um homem encontra na floresta algo bizarro e logo descobre que algumas aberrações podem podem ter sentimentos muito parecidos com os nossos. Tanto os bons, quanto os mais mesquinhos.

“O Assalto” Um conto bem fraco, mas que não chega a decepcionar. Não me lembrava desse conto, e quando vi o título achei que fosse mais uma daquelas tediosas histórias sobre roubos de banco ou algo assim, mas não era nada disso. Uma história que fala sobre imprevistos.

“Ladra! Ladra!” Uma jovem criada que trabalha para uma mulher inválida. O cenário e o título me fizeram pensar em vários tipos de roubo, mas nenhuma das minhas hipóteses chegaram perto do tipo de ladra ao qual o conto se refere.

“Uma Noite Na Cobertura” fala sobre uma cruel armadilha e sobre a maneira engenhosa com a qual a presa consegue escapar.

“A Mulher do Vizinho” conta uma história que vez ou outra estampa as manchetes dos jornais. Mas é narrada sob o ponto de vista de uma vizinha curiosa de uma forma bastante irônica.

“Dia D” o único conto ruim do livro, um frenético relato de fatos violentos que são o prelúdio de um terrível momento histórico.

“O Homem Que Gostava De Dickens” se passa na Amazônia, onde um aventureiro encontra abrigo numa aldeia isolada e logo descobre que há algo de doentio em seu anfitrião. É um conto vibrante, aflitivo e em alguns momentos revoltante que encerra em grande estilo essa apavorante coletânea.

É difícil achar coletâneas dessa série que cumpram realmente o que é prometido em seus títulos sombrios. A maioria é composta de contos policiais repetitivos, narrando esquemas complicados de assaltos, investigações de assassinato ou planos mirabolantes de vingança. Nada contra esses temas, mas não é o que se espera destas capas horrendas, mas bastante instigantes. Geralmente as edições mais antigas, da década de 60 e até metade da de 70 são as melhores  e mesmo assim, é difícil acertar. Mas não custa arriscar.