segunda-feira, 30 de março de 2015

Melodia Do Mal - Muito mais que um livro de terror


                                                                 Sinopse

O produtor musical Lennart Cederström, encontra num bosque à beira da morte, uma diminuta recém-nascida. Logo descobre que a bebê tem um inacreditável talento para a música. Afastado da mulher e do filho, a quem despreza, faz da menina praticamente um projeto musical, instruindo-a e cercando-a da melhor música. A criança responde com surpreendente e quase milagroso talento, dotada de uma belíssima voz. Ao mesmo tempo, demonstra um peculiar interesse em “desconstruir” objetos, conceitos – e, como se vê depois, pessoas. À medida que cresce “longe dos males da sociedade”, ilumina e transforma a vida dos pais postiços... até revelar uma essência perturbadora e sanguinolenta.

                                                                  Resenha

 A sinopse não dá ideia da grandiosidade dessa obra na qual o autor nos leva por locais totalmente inesperados. Do porão de uma residência de um casal de artistas decadentes, aos bastidores de um reality show musical. Das intrigas da blogsfera, às impiedosas leis do submundo do crime. Tendo como ponto de partida a descoberta de uma criança abandonada numa floresta, John nos apresenta uma família insólita. Lennart, o pai, é um músico que sobrevive de trabalhos ocasionais em estúdios, raras apresentações e os direitos autorais de suas obras. Laila a esposa, após um "incidente" doméstico teve o joelho permanentemente danificado e sofre de obesidade mórbida. Jerry, o filho, saiu cedo de casa, mas nunca conseguiu encontrar um rumo na vida e em suas esporádicas visitas sacode a rotina dos pais. E é nesse cenário infeliz que a criança é inserida.
O egoísmo, covardia e ganância dos pais adotivos me deixaram perplexo. Em alguns momentos tentei ver a situação pela perspectiva do casal e também de Jerry, mas não consegui encontrar justificativa para suas atitudes. O que faziam com a criança era algo repulsivo. Principalmente Lennart que, na tentativa de mantê-la longe dos olhares curiosos dos vizinhos toma uma atitude monstruosa, capaz de causar consequências irreversíveis na mente infantil da menina.
Os conflitos entre os personagens são um grande atrativo. Extremamente problemáticos, eles não conseguem se entender e a chegada da criança opera diversas mudanças na maneira como se relacionam. A presença da garota traz à tona o que há de pior e também de melhor em cada um. Os momentos em que Jerrie passa ao lado da menina são os mais interessantes dessa primeira fase do livro. As descobertas que ele faz a respeito do bebê, a maneira como ela o desconcerta e o modo como se tornam próximos, tudo faz com que tenham uma estranha cumplicidade.
A primeira parte termina de modo chocante, algo que eu não esperava e que desconstruiu a maioria das ideias que eu havia pré-concebido a respeito do enredo. E é aí que está uma grande particularidade dessa obra. Até mais da metade do livro, não sabemos aonde todos aqueles acontecimentos vão nos levar. É uma trama imprevisível, na qual histórias aparentemente paralelas vão surgindo e tudo se intercala de forma surpreendente.
Da angustiante rotina da família Lennart, passamos para a história de Therese, uma  menina que nasce numa família afetuosa e, apesar dos complexos comuns de um adolescente, tem uma existência normal. Sofre bullyng na escola, mas não se intimida, conseguindo sempre se impor. Por outro lado, é muito sensível e um comentário hostil nas redes sociais a respeito dos poemas que ela escreve a deixa deprimida. E é essa depressão que a leva para caminhos sombrios.
Conforme os personagens vão se aproximando, cria-se uma instigante trama e cada um tem um papel importante no desenrolar dos acontecimentos. Como a história se passa num período de quase quinze anos, é interessante acompanhar a evolução destes personagens. A adaptação de Theres ao mundo exterior, o talento de Teresa desabrochando, mesmo que não seja reconhecido. A lealdade e generosidade de Johannes que parece não ter limites. Mas de todos os personagens, o que mais evoluiu foi Jerry, que amadureceu com o decorrer dos anos e no final pouco lembrava o adolescente desajustado. Continuou sendo uma pessoa insegura, mas demonstrou que sua índole não era tão má quanto parecia.
Apesar de o final ser de contorcer as entranhas, o que me deixou mais impressionado e ainda me dá calafrios foi algo que aconteceu um pouco antes do epílogo. Um ato perpetrado por Teresa que mexeu bastante comigo. Indignação, choque, tristeza, tudo se misturou e o resultado foi uma sensação amarga. Muitas atitudes de Teresa me chocaram, mas nesse caso foi cruel demais.
John criou uma obra que mescla vários tipos de terror. Não economiza em sangue, mas também mostra que o mal pode ser causado com simples palavras e também com o silêncio da omissão. Que às vezes a loucura pode se instalar na mente de um ente querido sem que percebamos e quando os sinais aparecem já pode ser tarde demais. Um livro que te suga para dentro de um mundo angustiante e quando te devolve te deixa com algumas marcas que vão custar a desaparecer.

                                                            Aspectos Gráficos

Fonte: Pequena, o que cansa um pouco, principalmente sendo as páginas em formato grande.

Papel: Pólen, o que de certa forma compensa as letras miúdas.

Revisão: Não encontrei erros que me chamassem a atenção.

Curiosidades: Apesar do livro ser dividido em várias partes, estas não estão relacionadas no índice.




sexta-feira, 27 de março de 2015

Sete livros sobre o fim da humanidade

Eu Sou A Lenda

Em 1967 uma praga assola a humanidade transformando as pessoas em vampiros. Robert Neville é o único sobrevivente. Durante o dia  ele é um caçador de vampiros, aproveitando-se do momento em que estão vulneráveis para matá-los. Mas a noite o jogo vira e,  sozinho, Neville tem de enfrentar  essa raça sedenta de sangue. Eles o provocam para que saia de casa e os enfrente  e o rapaz tem de compensar sua desvantagem numérica com muita precaução, esperteza e uma  fúria devastadora. Mas não são  apenas os vampiros os seus inimigos. Ele também tem de lidar com a solidão, que o leva a uma constante depressão. Pois  estar sozinho no mundo pode ser muito mais assustador que enfrentar um bando de sugadores de sangue. Afinal, qual a razão de buscar forças para sobreviver, se não há mais nenhum ser humano habitando o mundo. É claro que há a probabilidade de que  ele não seja o único a ter resistido, mas ter esperanças pode ser ainda mais doloroso. E é nesses conflitos que o bravo Neville vaga pelo mundo, mandando bala nos vampiros, suportando a solidão e fazendo pesquisas para descobrir a origem  dessa doença e uma possível cura.


O Último Homem

A autora de Frankeinstein também flertou com as distopias apocalípticas com esse romance  profundo, que nos leva a várias reflexões e trata desse tema de uma maneira muito mais introspectiva. A história se passa no futuro, dois séculos adiante, ou seja, praticamente nos dias atuais. A visão do futuro de Shelley é bastante curiosa. A  monarquia permanece, as convenções sociais são as mesmas e os avanços tecnológicos quase insignificantes. Para se ter uma  ideia, o meio de transporte mais utilizado é o balão, que já era utilizado na época em que o livro foi escrito. Mas, ao contrário de Frankeisntein, não é a ficção científica e as consequências dos avanços tecnológicos o enfoque do livro. Lionel Verney, filho de uma família nobre, é reduzido à pobreza devido ao seu vício pelo jogo e após perder sua posição é desprezado pelos antigos amigos. Surge então uma praga que assola a humanidade e, ironicamente, Verney é o único ser humano  imune a ela. Verney é num primeiro momento um homem de caráter intempestivo, mas que se curva perante as circunstâncias e se torna uma pessoa mais indulgente, responsável e afetuosa. Mas mesmo com o enfoque psicológico em primeiro plano, o  livro tem muito movimento, com batalhas vibrantes, intrigas amorosas, paixões arrebatadoras e a constante luta pela vida. Vale a pena ler o livro e descobrir que Mary Shelley é bem mais que a criadora de Frankeinstein.

Só A Terra Permanece

Um vírus devastador extingue 99,99% da humanidade e apenas cerca de uma pessoa a cada cem  mil  sobreviveu. Apesar de a população da Terra ter sido dizimada, tudo permanece intacto. Supermercados têm seu estoque à disposição, carros abandonados no meio da rua, hotéis cinco estrelas com as portas abertas. O mundo agora pertence aos sobreviventes. Ish, um estudante de Geografia retorna de uma pesquisa de campo nas montanhas, quando se depara com um mundo devastado, onde os  poucos sobreviventes estão abalados pela tragédia que dizimou a humanidade. Ish retorna à casa de seus pais e se une a outros sobreviventes, formando uma pequena sociedade. Mas até onde o a humanidade pode prosseguir sem o imenso contingente  de pessoas que foi responsável pela evolução tecnológica e social de nossa raça? Além disso, o desaparecimento de grande  parte da humanidade afeta a cadeia alimentar e ocorre um grande desequilíbrio ecológico. Ish e seus companheiros precisam construir um novo mundo utilizando o que restou do anterior e nesse novo mundo surge também uma nova cultura e uma nova  relação do ser humano com a natureza. O homem agora depende dela mais do que nunca e de dominador do mundo, se torna um mero animal indefeso.

A Invasão

Uma cepa de um vírus invade os Estados Unidos em grande escala, porém não causa grandes preocupações, já que os efeitos não são mais graves que os de uma gripe. Mas há algo de estranho nessa misteriosa doença, pois é transmitida através do contato  com alguns pedregulhos bastante peculiares, cuja origem é desconhecida. E quando se descobre que o pedregulho não é um pedregulho e a doença não é tão inofensiva quanto parece, já é tarde demais. Humanos vão sofrendo alterações tanto físicas quanto psicológicas e logo a humanidade está sendo dominada por uma raça de características reptilianas lideradas pelo jovem Beau, um estudante que foi uma das primeiras vítimas da doença e que, lentamente, passa a adquirir habilidades monstruosas. Cassie e Pitt, seus antigos colegas de faculdade se unem então ao policial Jesse, a médica Nancy e ao adolescente Jonathan, para tentarem encontrar uma maneira de reverter a situação. Com sua narrativa direta, muito humor e a rara capacidade de abusar dos termos científicos sem alienar o leitor, Robin Cook nos brinda com essa aventura onde a  humanidade é obrigada a lutar bravamente para impedir uma invasão alienígena.


A Menina Que Tinha Dons

Uma menina superdotada é a única esperança da humanidade após esta ter sido assolada por um vírus que transforma as pessoas em  zumbis. O ophiocordyceps unilateralis faz do ser humano o seu hospedeiro e o transforma num monstro cuja única função na  morte vida é a de se alimentar dos seres humanos. Os “famintos”, como são chamados os infectados, são incansáveis, tem uma  velocidade incrível e uma voracidade implacável. Ao mesmo tempo em que os seres humanos precisam se proteger dessas  criaturas, tem também de procurar uma cura para esse mal. E a única esperança são as crianças especiais que vivem na base  de estudos da Dra. Caldwell. Melanie é uma dessas crianças e a que apresenta características mais especiais. Os fãs de thrillers médicos se deliciarão com a quantidade de informações científicas, as descrições biológicas minuciosas e os  momentos de exultação quando algum avanço na cura é descoberto. Mas há também muita ação, suspense e terror. Consagrado  autor de quadrinhos e roteiros da Marvel e da DC Comics, entre eles algumas das mais elogiadas histórias de X-Men, o britânico M. R. Carey estreia como romancista em grande estilo, trazendo uma obra recheada de emoções.

A Dança Da Morte

O ano é 1990. Um vírus é estudado dentro de um laboratório em uma unidade secreta do governo, uma arma biológica denominada  Projeto Azul. Devido a uma falha, há um vazamento e o vírus infecta as pessoas que viviam na base. Antes der ser posta em  quarentena, uma família escapa e espalha a doença pelo planeta. Todos os seres humanos são contaminados, porém 1% da  população é imune. E esses sobreviventes se dividem em duas facções. Alguns seguem Mãe Abigail, que  representa o bem e outros se rendem ao discurso de Randall Flag, símbolo da maldade. Tem-se início então uma clássica luta  entre o bem e o mal e enquanto o confronto se aproxima, vemos os personagens revelando suas qualidades, seus defeitos, contando suas histórias de vida, acompanhamos os efeitos devastadores da Super Gripe na humanidade, nos indignamos com traições de personagens que se deixam levar pelos encantos de Randall, lamentamos as mortes de personagens queridos, mesmo  que tenham sido heroicas. E então o Confronto acontece de forma vigorosa, um pouco previsível em alguns aspectos, mas inesperado em outros. Mas o que torna esse final tão apoteótico é a expectativa que fazemos dele. O livro tem mais de mil  páginas e acompanhamos uma longa saga, na qual o mundo sofre uma mudança sem volta, os personagens amadurecem e cada avanço  rumo a esse final é marcado com sangue, calos nos pés e lágrimas. Por isso o final tão empolgante, pois aquela luta é da  humanidade e a vitória que está em jogo é também nossa.

Caixa De Pássaros

Um thriller psicológico aterrorizante e uma trama apocalíptica com ambientes claustrofóbicos, fugas desenfreadas e bravos personagens tentando sobreviver a uma catástrofe humana. Malorie  é uma destas pessoas que, desesperada, tenta fugir para um local seguro com sua filha. Porém, o caminho é repleto de perigos e basta um passo em falso para ecair nas mãos das criaturas que assolam o mundo com sua violência. E essas criaturas não são nada mais que seres humanos, enlouquecidos após se depararem com uma visão que provocou uma mudança assombrosa em suas mentes. Algo desencadeou um surto terrível nas pessoas, despertando seus instintos mais primitivos, levando-as a atacarem brutalmente quem vissem pela frente e depois cometerem suicídio, das formas mais horrendas. Ninguém  sabe a origem dessa loucura e basta estar de olhos abertos para ser afetado.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Sete maridos que tocaram o terror

Jack Torrance
Jack Torrance tinha lá seus problemas, mas não era má pessoa. Se recuperando do alcoolismo e pretendendo escrever sua peça, o emprego de zelador no hotel Overlook veio muito a calhar. O isolamento para poder escrever e a distância de uma vida social urbana, afastando-o das tentações em seu momento de abstinência, são  tudo de que ele precisa. Porém o lugar não é tão pacífico quanto parece. Há algo sinistro dentro daquela propriedade, que ronda sua família à procura de alguém vulnerável. E ao descobrir as fraquezas de Jack, essa presença se alimenta delas, trazendo à tona o lado mais obscuro de sua personalidade. Tomado pouco a pouco pela loucura, Jack se transforma num monstro que faz de sua família a sua presa. Dentro daquele hotel, sua esposa e seu filho conhecem o pior lado de Jack e nada do que digam pode trazê-lo de volta. Sem viva alma por perto a quem pedir socorro, o jeito é enfrentá-lo ou se esconder.


Dr. Patrick Henry
Esse livro foi baseado num fato real que causou estardalhaço nos tribunais e foi  escrito pelo promotor que trabalhou no caso. Dr. Patrick Henry era um médico respeitado na cidade em que vivia e ao se casar com Cristina Henry, conseguiu esconder sua verdadeira índole durante anos. Mas isso não quer dizer que ela tenha vivido uma rotina pacífica e segura dentro desse período. Cristina passou por diversas situações em que sua vida ficou em risco sem nem desconfiar que esses acontecimentos, aparentemente acidentais, eram planejados pelo próprio marido. Henry lhe preparava armadilhas e a submetia a situações torturantes, sem que a mulher percebesse a sua autoria. Até que descobriu a verdade e aí as coisas ficaram bem piores para o seu lado. Sua vida e a de seu filho passaram correr um perigo ainda maior. E sem que ninguém acreditasse em suas acusações, já que Henry era um pilar da sociedade, a ela só podia contar com a ajuda do dedicado promotor para colher provas contra o médico.

 Cliff Baxter


 Cliff é o Xerife de Spencerville, um homem violento, inescrupuloso e que abusa de sua autoridade. Casado com Annie, com quem tem dois filhos, o relacionamento de ambos está ruindo e  a chegada a cidade de um antigo namorado de sua esposa à cidade é a gota d’água para que ela decida abandoná-lo. Cansada dos abusos frequentes do marido, ela resolve ir embora com Keitty, oficial da inteligência que se aposentou com o fim da guerra fria e retornou à sua terra, reencontrando seu grande amor. E é  então que ela descobre que os defeitos do marido são muito maiores que aqueles com os quais convivia. Um homem misógino, que projeta suas frustrações na esposa e a transforma no alvo de sua fúria. 



Larry Douglas
Se você foi abandonada pelo marido e lhe negou o divórcio, impedindo assim que ele se case com a amante, é melhor desconfiar caso ele apareça fazendo as pazes e convidando-a para passeios em lugares desertos. Larry deixou a mulher para ficar com a linda atriz Noelle Page, com quem se envolveu no passado. Desde então, Catherine, a esposa, foi ao fundo do poço, entrando uma depressão que a fez perder qualquer interesse pela vida. Porém, pouco depois dela lhe negar o divórcio, Larry retorna, todo sorrisos e a convida para uma excursão pelos pontos turísticos da Grécia. É então que coisas bem estranhas começam a acontecer. Larry tenta matar a esposa das mais inusitadas maneiras, chegando à cometer a crueldade de abandoná-la numa caverna cheia de morcegos. E o pior, Catherine sempre escapa da morte sem nem desconfiar de que aqueles estranhos acidentes foram propositais.



Barry Dalston 

Barry se casou com Susan apenas para se aproximar de seu pai, que era uma celebridade no mundo do crime. Porém, mesmo antes do casamento já mostrou sua verdadeira face, chegando atrasado na cerimônia porque estava transando com uma prostituta, e o que é pior, na companhia do sogro. E após trocarem as alianças, foi que Barry transformou a vida da esposa num inferno. Espancava-a diariamente pelos motivos mais banais, mal colocava comida na mesa e ainda passava noitadas na companhia de qualquer uma que lhe desse bola. O resultado dessas orgias, foi contrair uma gonorreia e transmitir a doença para a esposa grávida, o que levou o bebê a morte. Mas isso foi só o prelúdio. Barry foi capaz de coisas bem piores, mas seu castigo veio e pelas mãos de uma das vítimas de sua violência. 

Derek Bellasar

O poderoso comerciante de armas Derek Bellasar tem um estranho fetiche: encomenda retratos de todas as suas esposas. Pode parecer um capricho como outro qualquer, um ato lisonjeiro de um cavalheiro que quer ver a beleza de sua mulher imortalizada num quadro. Mas o problema está no que acontece depois que o quadro é terminado. As mulheres sofrem acidentes bastante suspeitos. Ao se casar com a bela Sienna, Derek contrata o artista Chase Malone para pintar o seu retrato. Primeiramente ele recusa-se, mas ao se deparar com a jovem, fica fascinado por sua beleza e aceita o trabalho. Porém, com o que Derek não contava é que Chase foi persuadido pela CIA a espionar o bilionário e que investiga as misteriosas mortes de suas esposas. Mas com o que Chase não contava, é que Derek é muito mais esperto do que ele e que não pretende deixar o casal sair vivo.


Rashid

Rashid é um sapateiro que se casa com Mariam quando ela ainda é uma adolescente. Se a infância da garota foi uma desolação, com a falta de afeto da mãe e a ausência do pai, sua vida de casada conseguiu ser pior. Rashid representa toda o machismo, a violência e a opressão do regime talibã. É um casamento onde a mulher não tem voz, onde seus sentimentos são anulados e qualquer tentativa de assumir uma identidade é punida com agressão. Ela não precisa ter um nome, uma personalidade ou uma preferência. Sua existência é em função do marido. E, como se não bastasse subjugar uma mulher, Rashid arranja uma segunda esposa. Laila, de temperamento mais forte, reage aos seus abusos, mas o que fazer quando o marido tem o apoio de toda uma sociedade e de um governo ditatorial?

segunda-feira, 16 de março de 2015

Sete escritores de sucesso rejeitados pelas editoras

Você, escritor iniciante... Publicar é difícil, mas não é impossível. E as rejeições fazem parte desse árduo caminho. Ver seu livro exposto na estante de uma livraria, nas mãos de um leitor no metrô ou sendo resenhado num blog é a recompensa por um grande esforço. E em alguns casos, um exercício de paciência e uma prova de perseverança. Mas não desista na primeira tentativa. E se você já enviou seus originais e não teve êxito, saiba que está em ótima companhia. Pois estes sete bem sucedidos autores passaram por isso muitas e muitas vezes.


Agatha Christie

A Rainha do Crime precisou enviar O Misterioso Caso de Styles para seis editoras diferentes e aguardar quatro anos para que seu famoso detetive Hercule Poirot fosse apresentado ao público. Mesmo assim, ela não emplacou logo de cara. Foram necessários mais três romances para que seu trabalho fosse reconhecido. Mas a recompensa por toda a perseverança valeu a pena. Agatha se tornou uma das autoras mais traduzidas no mundo e, certamente, a escritora mais famosa de todos os tempos. Uma mulher que teve a coragem de entrar num mundo dominado pelos homens, se tornou tão respeitada quanto seus colegas do sexo masculino e foi a predecessora de uma geração de grandes damas do crime.





Frank Hebbert 

A série Duna é um marco na ficção científica, mas nem todos os editores são capazes de prever o potencial de um livro quando recebem os originais. Duna foi rejeitado cerca de 20 vezes antes de ser aceito. Um editor, ao rejeitar o manuscrito, chegou a lhe responder :"Posso estar cometendo o erro da década, mas...". Porém Chilton, uma editora de pequeno porte na Filadélfia deu a Herbert um adiantamento de U$7,5 mil e Duna não tardou a virar um sucesso de crítica. Em 1968 Herbert ganhara U$2 mil com suas publicações, muito mais do que os romances de ficção científica da época estavam lucrando, mas não o suficiente para torná-lo um escritor em tempo integral. Porém, isso não o fez desistir da carreira, dizendo: " Um homem é um idiota em não colocar tudo de si, a qualquer momento, no que está criando. Você está fazendo a coisa no papel. Você não está destruindo, está plantando uma semente."


Stephen King

A história de que o original de Carrie, A Estranha foi jogado no lixo pelo próprio autor e resgatado pela sua esposa é bastante conhecida, inclusive é narrada pelo próprio escritor no prefácio do livro. Mas o que nem todos sabem é que, além de escapar da lata de lixo, essa obra recebeu mais de trinta rejeições das editoras. Pra vocês verem! O povo gosta mesmo de provocar bullyng em Carrie. King já havia publicado diversos contos em revistas, mas nunca havia tido um livro seu editado. E após muita luta Carrie foi o primeiro. Mas não pensem que a partir daí ele se consagrou. Seus cinco primeiros romances encontraram dificuldades em ser publicados entre eles A Hora do Vampiro e O Iluminado.





J.K. Rowling                            
No final dos anos 90, J.K. passou por uma grave crise financeira, tendo de contar com a ajuda de familiares para sustentar seu filho. Para quebrar o galho, arrumou um emprego de professora e foi nessa época que começou a enviar os originais de Harry Potter, obra que há quase dez anos vinha desenvolvendo, para as editoras.  Recebeu muitos nãos, alguns delicados e outros nem tanto como: “ Querida, desista dessa ideia de ser escritora e volte ao trabalho”.  Mas após ser rejeitado doze vezes, a editora Bloomsbury lhe deu um voto de confiança, publicando “Harry Potter e a Pedra Filosofal” numa coletânea de literatura infantil.
Rowling recebeu £2,500 por Harry Potter, e lhe foi sugerido assinar apenas as iniciais dos pré nomes, pois o público infantil masculino poderia rejeitar um livro escrito por uma mulher. Depois disso, vocês já sabem. JK ganhou uma legião de fãs e é a responsável por grande parte dessa nova geração de leitores.
  


John Grisham

John Grisham sempre deu duro. Filho de fazendeiros, pegava no pesado e desde muito jovem ganhava seu próprio sustento ajudando em construções, regando plantas por um dólar e até vendendo roupas. Por isso não é de se admirar que ele não desistisse em sua primeira rejeição. Nem na segunda, na terceira e nem na vigésima oitava. O original de Tempo de Matar levou tantos nãos, que Grisham deve ter gasto uma pequena fortuna em malas postais. E olha que na ocasião ele já era advogado formado, com alguns anos de carreira. ou seja, ele tinha amplo domínio sobre o que estava escrevendo. Mesmo assim, penou para conseguir ser publicado. Mas graças à sua persistência o thriller judicial ganhou o seu mais famoso representante.


Stephenie Meyer 
Não fosse a insistência de Stephenie Meyer, muitas adolescentes nunca teriam podido suspirar pelos vampirinhos purpurinados e nem pelos lobos bombados pelo simples fato de que eles jamais teriam saído da gaveta. Crepúsculo foi rejeitado oito vezes. E além da frustração de ver seus originais devolvidos, a autora teve de aturar comentários grosseiros como: “É melhor você parar de escrever e procurar outra atividade para sobreviver”. Mesmo após fechar com uma editora, ela recebeu uma devolução das muitas editoras a qual havia enviado os originais, com um comentário tão maldoso, que a deixou deprimida, mesmo já tendo seu livro aprovado por outra empresa. Sua vontade na ocasião foi a de mandar uma resposta anexando uma cópia do contrato, mas achou melhor não fazê-lo. Além de persistente, ela é uma lady.


Margareth Mitchell

Descobri de quem Scarlet O’hara herdou sua personalidade inquebrantável. De sua criadora, é claro. Margareth levou mais de trinta portas na cara antes de ver seu livro E O Vento Levou publicado. Foi um longo caminho de decepções, mas ela tanto insistiu até que a editora Macmillan acreditasse em sua épica história e aceitasse lançar o livro no mercado. Em menos de um ano a obra se tornou um best-seller e teve seus direitos de filmagens comprados por US$ 50.000, o que na época era uma soma considerável. E para coroar todo o esforço de Margareth, em 1937 o livro foi premiado com o Pulitzer. Lamentavelmente Margareth morreu aos 49 anos, vítima de um atropelamento e essa maravilhosa saga foi a única obra que nos deixou.






quinta-feira, 12 de março de 2015

Sete mães terríveis da literatura


Não há amor maior que o de uma mãe. Sabemos disso e é essa a regra em toda a natureza. O instinto materno é o que as faz proteger seus filhotes indefesos. E é o amor materno que faz com que essas mulheres sempre vejam seus filhos como se fossem bebês desprotegidos não importa a idade que tenham. Mas toda regra tem sua exceção e eis aqui alguns exemplos.


D. Norma Bates
Ser mãe de Norman Bates já é motivo o suficiente para se ficar com o pé atrás em relação à essa mulher. Uma personagem que é apenas mencionada no livro, mas mesmo assim aterroriza. Repressora, moralista e egoísta, transformou seu filho num psicótico com seus excessos. Possessiva, isolou o garoto do mundo e sua educação rígida ficou tão arraigada na alma de Norman, que ela acabou se tornando uma parte de seu filho. O sentimento de posse era tão grande, que até lhe deu um nome parecido com o dela. E se o livro nos deixou com vontade de conhecer mais essa mulher, atualmente podemos encontrá-la em sua juventude na série Bates Motel. Mesmo se tratando de uma releitura, já que se passa nos dias atuais, é curioso ver uma personagem tão misteriosa e ao mesmo tempo emblemática ganhar vida.

Srª Lisbon 
Uma mulher rigorosa, que jamais demonstrava qualquer afeto pelas filhas e cuja intransigência culminou numa grande tragédia. Quando o egoísmo se disfarça de cuidado é difícil argumentar e sair de uma rede de superproteção capaz de sufocar até retirar toda a motivação de um ser humano para seguir em frente. Foi isso o que ela fez. Minou a alegria de viver de suas filhas até que elas não tinham mais razão para continuar naquela amarga realidade e a única fuga foi o suicídio. Se a Sra. Lisbon foi o fator crucial desse ato, não há como afirmar, mas que contribuiu enormemente para isso, não há como negar.
Margaret White

Uma das personagens mais insanas criadas por Stephen King representa de forma chocante as armadilhas que o fanatismo religioso esconde. Desde muito jovem ela mergulhou dentro da religião, passando a dedicar a sua vida a repudiar todos os prazeres que o mundo oferecia. Isolou-se da sociedade e passou a viver uma vida solitária ao lado da filha, hostilizando os vizinhos e afastando a garota das outras crianças. Margaret plantou tantas sandices na mente da filha, que esta se tornou uma pária. E qualquer deslize na sua rígida cartilha moral acarretava à Carrie duros castigos. Margaret  não tinha nenhum remorso fazer a filha  passar horas trancada num armário a pão e água. Uma mulher miserável que em sua visão distorcida de fé, cometeu pecados terríveis.



Kate Blackell
Kate Blackwell pode ser uma das heroínas mais amadas de Sidney Sheldon. Uma mulher forte, determinada e completamente dedicada à sua empresa, a corporação Krugger and Brent LTDA. Mas como mãe deixa a desejar. Kate ama a empresa mais do que tudo em sua vida e não há exceção nem para o seu filho. Para ela a felicidade de Tony é menos importante do que o fato de ele se tornar seu sucessor na direção dos negócios. E quando ele sai de suas asas e vai para Paris estudar arte, Kate entra em ação, bolando um plano tão cruel para trazê-lo de volta, que até parece que ela guarda um diamante no lugar do coração. Kate destrói os sonhos artísticos do filho sem piedade e não para por aí. Em nome da corporação ela continua tentando manipular os membros de sua família até os últimos dias de sua vida. Foi só o bisneto demonstrar interesse pela música, que lá veio a Sra. Blackell com uma conversinha estranha sobre apresentá-lo a um famoso maestro. 
Sra. Boytone
A matriarca da família Boyntone era uma mulher sádica, que demonstrava um mórbido prazer em atormentar psicologicamente seus filhos, ameaçando deserda-los caso não atendesse seus desejos. Seu domínio sobre eles era total. Não podiam dar um passo sem seu consentimento e suas vidas eram todas projetadas de acordo com os planos que ela traçava para cada um. Em sua juventude trabalhou como carcereira e levou seus modos autoritários para o seio de sua família. Prepotente, arrogante e muito cruel, a Sra. Boytone ganhou inúmeros inimigos ao longo da vida. E, em se tratando de Agatha Christhie, é claro que todas essas “qualidades” a tornaram a candidata ideal para ser vítima de um assassinato. Suspeitos era o que não faltavam, principalmente entre os membros de sua família. 

Amalthea
Condenada à prisão perpétua pelo homicídio de duas mulheres, uma delas grávida, Amalthea Lank é mãe da famosa Legista Maura Isles. Uma mulher que apresenta sintomas de esquizofrenia, mas que na verdade esconde uma mente sagaz e uma índole terrível. Para sorte de Maura, esta foi abandonada pela mãe ainda bebê e só descobriu sua verdadeira origem através de uma investigação criminal. Mas ao conhecer a mãe o que mais abala Maura é a possibilidade de ter escolhido a carreira de médica legista devido a alguma tendência mórbida congênita. Amalthea tem informações privilegiadas sobre uma série de assassinatos de mulheres grávidas que ocorre em Boston e a legista, com a ajuda de uma psiquiatra, tenta arrancar-lhe pistas importantes. O que ela não sabe, é que a mesma mulher que lhe deu a vida, é também capaz de tirá-la. 




Eloise
Eloise sente um profundo e inexplicável ódio pela filha Gabriella e transforma sua vida num verdadeiro inferno. Desde que se entende por gente, a garota é espancada pelos motivos mais banais. Isso quando a mãe precisa de um motivo. Sem qualquer tipo de empatia pela menina, a megera a submete as mais diversas torturas e transforma sua rotina num jogo de esconde-esconde cruel, no qual Gabriella vive se esgueirando para dentro de armários, no desespero de fugir de sua fúria. Uma mulher infeliz, que despeja sua infelicidade em cima da pessoa que mais deveria amar. E, por mais que sua conduta pareça exageradamente sádica, a personagem nada mais é que um reflexo de muitos fatos que acontecem na vida real e acabam nem vindo à tona.



segunda-feira, 9 de março de 2015

Sete casais LGBT da literatura

Hoje eles tem um gênero próprio de literatura que vem se expandindo e se dividindo em subgêneros, de forma que cada vez mais atraem um público diverso, exigente, mas de mente aberta. Porém, não é de hoje que os LGBT povoam a cultura. E, diferente do que ocorre em outras mídias, na literatura eles sempre tiveram uma facilidade maior de aceitação. E eis aqui sete representantes do universo colorido que conquistaram o público.

Lestat e Louis

Louis recebeu o presente das trevas das mãos de Lestat e desde então deram início a uma relação conturbada que atravessou séculos. Sem aceitar sua condição de vampiro, Louis vivia às turras com seu companheiro Lestat, culpando-o por sua condição e se recusando a matar para se alimentar. Porém, por mais que abominasse o estilo de vida do outro, não conseguia se afastar dele. Não apenas pela solidão, mas pela  insegurança de não conhecer a extensão de seus poderes e nem as suas fraquezas. Dependia de Lestat, que guardava tanto conhecimento, mas também o odiava. Uma relação entre dois homens onde não havia amor, nem sexo no sentido mais convencional da palavra, mas que durou eras e até hoje ainda acende algumas faíscas. Pelo menos da parte de Louis. E não se pode deixar de salientar que possivelmente foram o primeiro casal gay da literatura a adotar uma criança.

                                                                                         
 Milo Sturgis e Rick

Milo é um policial casca grossa, que na companhia do psicólogo Alex Delaware desvenda os mais intrincados crimes.  Reservado, seco e com um senso de humor sarcástico, intimida seus interrogados com sua altura e seu porte gigantesco que inclui uma barriga de respeito. Obesidade essa alimentada pelas beliscadas que vive dando na geladeira de seu companheiro de trabalho. Milo custou a conseguir o respeito de seus colegas pelo fato de ser homossexual. E mesmo sendo um policial conceituado em seu distrito, ainda lida com o isolamento, piadas  e boicotes em sua carreira. Casado com o médico Rick eles tem uma relação estável, apesar de exercerem profissões que tomam tanto seu tempo. Um casal tranquilo, que não dá demonstrações de afeto em público, mas vive bebem... quando conseguem se ver.



Qhuinn e Blay

Amigos desde a infância, Qhuinn e Blay têm muita história para contar. Noitadas, pegações, bebedeiras e muita pancadaria contra os redutores. Dois lindos vampiros, dois amigos inseparáveis. Mas havia mais que amizade. Blay sempre nutriu um carinho especial pelo seu companheiro, que percebia isso, mas fingia não ver, fosse para não abalar a amizade ou porque tinha medo de seus próprios sentimentos. Mas um dia essa verdade vem à tona, Qhuinn joga na cara do parceiro que este sempre o desejou e a amizade é abalada. É a partir daí que se tem início a história de amor mais complicada da Irmandade da Adaga Negra. Um se sente ofendido e se afasta, o outro não quer dar o braço a torcer. Blay se envolve com outro vampiro e Qhuinn com uma Escolhida. Um morre de ciúme do outro, mas não se entendem. As rinhas entre os dois garotos se estende por vários volumes da série, até que o casal tem seu livro próprio. E o título Amante Finalmente não poderia ter sido mais bem escolhido. Depois de tantos desencontros, enfim esses guerreiros se rendem e nos brindam com uma linda reconciliação.


                                                                   
Romero e Mozart 

Romero é um jovem de 14 anos, ingênuo, inexperiente, que não aceita sua homossexualidade. Filho de Silas, um homem intransigente e de Noêmia, uma mulher fraca, que acata todas as ordens do marido, o rapaz só conta com a irmã Judite para desabafar sobre seus anseios e dúvidas. Até que, após uma sessão de cinema é violentado por Junior, um marginal. Proibido pelo pai de tocar no assunto ele é obrigado a  conviver em silêncio com toda a dor causada pela violência tanto física como emocional, até que conhece Mozart, um jovem bem resolvido com sua sexualidade, que lhe ensina o outro lado do universo gay. Mozart lhe mostra toda a beleza de um amor verdadeiro e que ambos têm o direito de lutar pela sua felicidade. Um casal que se completa, com Mozart dando à Romero a força de que ele precisa para trilhar esse caminho e superar seus traumas e Romero trazendo ao companheiro a base de que ele tanto precisa.



Cellie e Shug

Cellie teve uma vida sofrida. Abusada sexualmente pelo pai, teve com ele três filhos, dos quais o velho se desfez. Contra sua vontade, é entregue pelo pai a Alberto, um completo estranho e mutos anos mais velho, com quem se casa à força. E em sua nova vida a única coisa que muda é o cenário. Sofre constantes agressões e humilhações, levando uma vida miserável ao lado de um homem cruel e pervertido, que a faz de escrava. A vida de Cellie é fazer serviços pesados e cuidar dos filhos do marido. E absurdo maior: é obrigada a tratar da amante do marido que está doente. Mas é através dessa relação que a vida da jovem muda. Ou melhor, começa. Apesar da animosidade inicial as duas se tornam amigas. Shug lhe traz a música, o riso e o amor. É nos braços de uma mulher que ela descobre o prazer do sexo, que também merece ser tratada com carinho e que o mundo tem sua porção de beleza. É na relação com Shug que Cellie descobre sua autoestima e aprende a enfrentar o mundo de peito aberto, com orgulho de ser mulher, de ser negra e de amar outra mulher.

Carol e Therese 

Therese tinha uma relação sem muitos emoções com seu namorado, até conhecer Carol na loja onde trabalhava. A vida simples e insípida que levava foi iluminada pela presença dessa mulher sofisticada, com quem passou a ter uma amizade insólita. Carol passa por um divórcio, porém não parece nada fragilizada. É uma mulher forte, vivida, que desenvolve de início uma relação maternal com a insegura Therese. Mas conforme elas vãos e aproximando, se conhecendo e se tornando amantes, ocorre uma simbiose. Therese se torna mais segura de si e é o ponto de apoio da companheira, que passa a ser perseguida pelo marido. E Carol, em toda sua elegância e autossuficiência logo mostra o quanto pode ser dependente da moça mais jovem. É fascinante a gradual troca de papéis entre as duas. À medida que os acontecimentos avançam e a relação se estreita, Carol se mostra menos glamourizada e Therese ganha uma segurança que não demonstrava no início. Até chegar o ponto em que vemos Carol praticamente correr atrás da mulher mais jovem, o que parecia impensável.Toda essa relação e suas nuances são apresentadas de forma muito sutis. Afinal estamos falando da década de cinquenta. E, além da sutileza, a narrativa lenta torna a evolução do relacionamento e as mudanças nas personagens quase imperceptíveis. Mas ao final da leitura, vemos que essas mudanças foram consideráveis


Lady Di e Sem Chance

Lady Di é um transexual com tudo a que se tem direito. Silicone, maquiagem e roupas femininas. Sua cela é um capricho, cheia de adornos delicados. Pouco se sabe sobre a vida que ela levou lá fora, mas é evidente a rejeição que sofre do pai. Ao procurar o médico da cadeia, que se trata do próprio Drauzio Varella, para fazer um exame de Aids ela se aproxima de Matias, outro presidiário que desempenha a função de auxiliar do doutor e acabam desenvolvendo uma relação curiosa.  É espantosa a naturalidade com que “Sem Chance”, apelido do auxiliar, se entrega ao romance, mesmo sabendo do passado promíscuo de Lady Di.  É claro que as dificuldades de uma vida na prisão derrubam barreiras que existiriam aqui fora, mas o que encanta Matias é o jeito doce de Lady. Sua serenidade em meio a  todo aquele caos lhe dá a paz e a esperança que ele necessita. Enquanto que para ela, estar ao seu lado é uma forma de redenção para os abusos que se permitiu.  Um bela história de amor  que contrasta com aquele ambiente inóspito repleto de dor, maldade e violência.