sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Sete animais que tocaram o terror

Church

Ele era um gato fofinho, pertencente à família Creed, que após se mudarem para a nova propriedade, vivia se aventurando pela perigosa autoestrada próxima à residência. E numa dessas excursões foi atingido em cheio por um caminhão. O corpinho foi resgatado e, como forma de gratidão por Dr. Creed ter ajudado sua esposa, o vizinho lhe prepara uma cova no misterioso cemitério de animais. E então Church volta dos mortos. Mas, para desespero de seus donos, não é o mesmo. Tem um jeito soturno, se torna arredio e tem um fedor insuportável. Logo se percebe que o felino doce e mimado deu lugar a uma fera horrenda, que não vê mais seus donos como seus protetores e sim como sua caça.



Laracna


Ela quase coloca a perder todo o esforço de Frodo em chegar até a Mordor e dar fim ao anel mais valioso e perigoso da Terra Média. Laracna é uma aranha anabolizada, cujo covil se situa em Cirith Ungol. Mais antiga que Sauron, mas livre de sua influência, ela é um bicho autossuficiente. Ele próprio beneficiava-se de sua presença na proximidades, pois era uma espécie de guarda, impedindo que seus inimigos se aproximassem. Shelbe, esse é seu verdadeiro nome, passou sua existência  bebendo o sangue de elfos e homens, crescendo, engordando e tecendo suas teias para capturar tudo o que fosse vivo. 








Tubarão

Ele foi o responsável por uma grande comoção. Fez com que uma equipe se reunisse e dispendesse os maiores esforços para caça-lo após os constantes ataques no pequeno resort costeiro em Long Island. Mas mesmo com toda essa campanha para matá-lo, o bicho não se amedrontava. E o que o tornava mais medonho era o fato de que ele era imprevisível, nunca se sabia quando ia atacar. Seus ataques silenciosos espalhavam o terror, mutilando e matando pessoas incautas e pela velocidade com a qual desaparecia não dava nenhuma chance de retaliação aos seus captores.






Abelhas Africanas

Um enxame de abelhas africanas invade  Nova York e transforma a cidade num caos. Diferente das abelhas comuns, elas não picam apenas para defender sua colmeia. Elas atacam é de maldade mesmo. Em sua fúria, não perdoam ninguém, homens mulheres e crianças viram alvo desses insetos incontroláveis. São mais fortes e resistentes  que suas parentes comuns e seu número só aumenta à medida que invadem as colmeias, contaminando as outras com sua natureza fora do normal. E o que é pior: três ferroadas são o suficiente para matar um adulto.

                                                                           



Basilisco

Sua origem já é bizarra. Nascido de um ovo de galinha chocado por um sapo, o Basilisco é uma serpente dotada de habilidades muito mais perigosas que a de soltar veneno. Apesar das presas letais, sua arma mais implacável é seu par de olhos amarelos. Basta encará-los que a pessoa sofre morte instantânea. E, como se não bastasse, podem viver até novecentos anos. Portanto, se virem por aí uma cobra com pluma vermelha na cabeça, desvie logo o olhar e fuja.






Águia Assassina

O símbolo de um país que se torna o seu flagelo. Bela e imponente a águia representa os Estados Unidos pela sua liberdade, seu dinamismo e seu vigor. Mas o que pode acontecer quando a rainha dos céus se volta contra os seres da terra? Um banho de sangue, com pessoas sendo covardemente perseguidas por um animal capaz de voar, sendo subitamente atacadas por garras letais e impiedosamente mortas por uma criatura cuja fúria é inexplicável. Obs: Apesar do nome diferente e da história se passar nos Estados Unidos, o autor é brasileiro.

                       



 Pastor Alemão

 Cães abandonados por seus donos se unem formando uma matilha e vagam pelas florestas duma cidadezinha no interior dos Estados Unidos, se protegendo e caçando juntos. Parecem apenas um bando de animais ariscos, que não oferecem perigo a menos que alguém se meta com eles. Mas eles não são meros animais que atacam para se defender. Eles sentem ódio da espécie humana e passam a atacá-los não só gratuitamente, mas planejadamente. Dilaceram quem encontram pelo caminho e agem como verdadeira falange, lideradas pelo terrível pastor alemão, um animal tão ardiloso que até parece humano.






quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Tannöd: Horripilante, sombrio e original



                                            Sinopse
Uma família inteira é brutalmente assassinada numa fazenda na Alemanhã. A Tannöd do título. Nem mesmo as crianças são poupadas. Não há qualquer indício do assassino e muito menos do motivo. Os moradores da região se perguntam o que aconteceu naquela casa e o enredo se desenvolve através do ponto de vista de diversos personagens ligados de alguma forma à vítimas da tragédia. A história foi baseada num crime real e nunca esclarecido. O misterioso caso conhecido como “Assassinatos de Hinterkaifeck”.

                                            Resenha
Uma história que poderia descambar para o lugar comum, não fosse a maneira original com que foi contada. O livro não tem uma estrutura linear. A narrativa é baseada nos testemunhos dos moradores do vilarejo onde ocorreu o crime. Há um interlocutor oculto que ouve os relatos e não fica claro se trata-se de um policial, um jornalista ou alguém interessado na história fazendo perguntas. Portanto, quem acaba sendo esse interlocutor somos nós, os leitores. É como se essas testemunhas estivessem nos contando o que sabem, o que viram e o que acham. Isso cria uma grande afinidade com o livro, que torna a leitura envolvente.
Mas não são somente os vizinhos que nos contam suas histórias. Em alguns trechos o ponto de vista é das vítimas. Ficamos sabendo um pouco sobre suas vidas e sobre os momentos que antecederam os crimes. Tudo isso forma um quadro fascinante e ficamos ávidos por cada nova informação.
Assuntos como incesto, violência doméstica e a questão dos refugiados são abordados, retratando os profundos conflitos que ocorrem dentro daquela fazenda.
A atmosfera do livro é densa, um clima de terror, como se algo de sobrenatural pairasse sobre os acontecimentos, mesmo que saibamos que não se trata de uma obra de fantasia. Sempre tem alguém vislumbrando algum vulto, ouvindo sons estranhos, percebendo que há algo errado. Alguns trechos são de gelar o sangue.
O final é satisfatório, com uma explicação clara do que aconteceu e que só vem nas últimas páginas.
É uma leitura rápida, mas dilacerante e que não se esgota na primeira lida. Ou seja, não é um livro de mistério que se baseia somente na identidade do assassino e sim uma obra com muitos outros predicados. Por isso merece futuras releituras.

                                          Aspectos Gráficos: 
159 páginas;
Papel amarelo e bem espesso, as folhas chegam a ser duras, o que dá a impressão de estarmos diante de um livro antigo, retirado de algum porão;
Fonte grande, com linhas bem espaçadas, o que faz as páginas correrem com rapidez.
Não encontrei erros de revisão.
                                                               Sobre A Autora  
Andrea Maria Schenkel nasceu em 1962. Vive com a família nas proximidades de Regensburg, Alemanha. Tannöd,  seu romance de estreia, foi premiado com o Deutschen Krimi Preis (prêmio alemão de thrillers). Tem cinco livros publicados.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Sete detetives e seus métodos investigativos


Alex Delaware
Alex Delaware é um psicólogo que presta consultoria à polícia e ao lado de seu amigo, o detetive homossexual Milo Sturgis, desvenda os mais intrincados crimes. Alex é um homem refinado, que vive com Robin, uma restauradora de instrumentos musicais e o buldogue francês Sparks, que morre de ciúme de sua dona. Como psicólogo forense, seu método investigativo não poderia ser outro que não o de fazer abordagens psicológicas, criando empatia com suas testemunhas e extraindo o máximo de informações possíveis. Depois, senta com seu amigo, faz um apanhado de tudo o que apurou e juntos criam várias teorias. Geralmente a opinião dos dois diverge, cada um desenvolvendo uma hipótese, mas é claro que é sempre Alex quem está certo.





Padre Brown 
Ele é uma figura frágil, que caminha com sua batina esvoaçante, o chapéu de abas largas, uma cabeleira arrepiada e um indefectível guarda chuva. Um velhinho que chega no cenário dos crimes, faz poucas perguntas com sua falinha mansa e, sempre subestimado pela polícia, esclarece crimes espantosos. Muitas vezes os crimes são tão bizarros, que se chega a atribuir a causa a algum evento sobrenatural. Mas o velhinho dá uma explicação racional que deixa a todos de queixo caído. O que torna Padre Brown tão eficiente na elucidação de crimes é seu profundo conhecimento da alma humana. Segundo ele próprio num dos contos que protagoniza, “como alguém que passou a vida sem fazer nada além de ouvir confissões, pode desconhecer a natureza dos homens?”



Sherlock Holmes
Sherlock é um inglês bastante esnobe, arrogante, aparentemente frio, mas que de vez em quando se descuida e deixa transparecer algum traço de emotividade, mesmo que seja por segundos. Mas, por incrível que pareça, tem um carisma impressionante. Para se ter uma ideia, após seu autor Conan Doyle ter a infeliz ideia de mata-lo, foi obrigado a ressuscitá-lo tamanho foi o inconformismo do público. Seu método de investigação é o de base científica e lógica dedutiva. Vê em detalhes insignificantes pistas promissoras, às quais encaixa num todo com uma exatidão geométrica. E o melhor combustível para mover seu raciocínio é o cachimbo, com o qual se recolhe num canto e é a única companhia em suas ponderações.
Lincoln Rhyme
O ex-perito criminalista Lincoln Rhyme fica tetraplégico após um acidente, mas nem assim deixa de lado a área investigativa. Mal humorado, parece às vezes indiferente e muitas vezes é ríspido com quem o cerca. Mas é um gênio e põe todo seu talento a serviço da polícia na solução de crimes. Como não pode se locomover, usa outros detetives para colher informações que ele digere e processa em sua mente prodigiosa, extraindo resultados impressionantes. Tem um vasto conhecimento de perícia criminal e é baseado em pistas físicas que elabora suas teorias. O que há de mais admirável em Lincoln é sua determinação em desvendar os casos, compensando suas deficiências físicas com seu raciocínio exercitado. É um detetive incansável que enfrenta e derrota os mais perigosos assassinos à quilômetros de distância.
Mandrake
Mandrake é um oficialmente um advogado criminal, mas cuja verdadeira atividade é a de detetive. Um homem atraente, que vive às voltas com muitas mulheres e dá trabalho para sua namorada Berta. Geralmente é contratado por pessoas da alta sociedade, meio no qual, apesar de saber circular com desenvoltura quando preciso, não lhe deixa muito à vontade, pois seu território são as camadas socialmente inferiores da sociedade. É em meio a cafetões, prostitutas, traficantes e ladrões pé-de- chinelo que ele se sente em seu ambiente. E é esse conhecimento do submundo que o auxilia em suas investigações. Seus contatos são de extrema valia em seu trabalho e é flertando com a boca do lixo que ele consegue desvendar os crimes. É um cara durão, mas com um coração de manteiga derretida, que presta seus serviços de advogado gratuitamente para os pobres, e os de detetive para quem pode pagar.


Myron Bolitar
O mais charmoso detetive da atualidade, ou até mesmo de todos
os tempos, conquistou o público com seu bom humor, seu jeito bonachão e sua ousadia. Ex-jogador de basquete, Myron Bolitar teve de abandonar o esporte devido a uma lesão no joelho e se as quadras perderam um grande jogador, os criminosos ganharam um implacável inimigo. Seu atrevimento é uma de suas características mais marcantes. Sem qualquer cerimônia ele aborda as testemunhas e quando algumas são mais agressivas, não tem qualquer pudor em usar a sua sutileza de gorila. É um detetive esquentado, sempre pronto para uma boa briga e que não falha em desvendar os crimes, mesmo que a resposta venha em meio a tropeços. Myron é uma bomba relógio, que só não explode porque tem sempre ao seu lado o amigo Wyn, que com sua frieza de sociopata, calibra as engrenagens de seu parceiro, servindo de um perfeito contraponto para o ex-jogador.


Hercule Poirot
O detetive belga é até hoje um dos personagens mais conhecidos e queridos da literatura policial. Baixinho, com seu bigode impecável, bem vestido e a cabeça em formato de ovo, ele transita pelas mansões da aristocracia inglesa, se aventura em lugares exóticos e visita cidades do interior com uma vitalidade inesgotável. Seu lema para conduzir uma boa investigação é “ordem e método”. E é com toda essa organização que ele desvenda os crimes mais bem arquitetados. Puxa conversa com as testemunhas, mas raramente seu assunto é o crime em questão. Ele faz seus rodeios e deixa o interrogado falar, divagar, baixar a guarda e sem querer revelar fatos relevantes para a solução do mistério. Mas não adianta a gente prestar atenção nesses diálogos procurando pistas, porque só Poirot consegue enxerga-las. Só ele sabe usar as células cinzentas e transformar diálogos inocentes em verdadeiras confissões. Quanto a nós, temos de nos contentar em devorar as páginas e aguardar ansiosamente pelas revelações do detetive mais convencido do mundo.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Sete filmes tão bons quanto os livros


A Culpa É Das Estrelas
O Livro
Nas primeiras páginas o livro parece não trazer nada de novo. O velho clichê de que devemos aproveitar cada dia como se fosse o último. Mas John Green me surpreendeu. Ele levou a história do casal de adolescentes para um rumo inesperado. O medo de se entregarem ao amor já era um elemento esperado, a revolta dos personagens contra o câncer, já era esperado, a esperança através do amor, já era algo esperado. Mas eu me surpreendi com o humor ácido de Hazel, com sua rabugice que a tornou mais humana, mais real, que a tirou do estereótipo de doente sofredora, mas resignada. A maneira como John entrou no coração de uma adolescente foi impressionante.



O filme

Nem todas as frases escritas soam bem quando ditas em voz alta. Podem ficar piegas, ridículas ou sem efeito. Mas não foi o caso do filme A Culpa É Das Estrelas. Alguns diálogos do livro foram fielmente transportados para o roteiro e o resultado foi ótimo. Não pela competência dos atores, pois são bons, mas nenhum deles digno de Oscar, mas pela sensibilidade do roteiro. Pelo cuidado em se criar o tom certo, dramático, mas não deprimente, romântico, mas não piegas. A presença de John Green na produção colaborou muito para que a alma do livro fosse captada. A direção esteve muito comprometida com o livro em passar a mensagem de ser feliz na medida do possível e isso foi feito em todas as linguagens possíveis. Na expressão dos atores, na trilha sonora, na fotografia e na edição. Tal qual o livro, é um filme para ser sentido.


Garota Exemplar
O livro
Quem me segue sabe que tenho algumas reservas em relação a “Garota Exemplar.” Achei o livro arrastado demais nas primeiras 150 páginas, não achei nada original a revelação sobre o desaparecimento de Amy, já que esse mesmo recurso foi utilizado em vários livros de Agatha Christhie e tive repulsa pela personagem principal. Na verdade, minha raiva de Amy foi tão grande que, injustamente, acabei por pegar bronca do livro. Digo injustamente porque o texto de Gyllian é de excelente qualidade e ela foi muito habilidosa em conduzir a trama. Sem falar na construção primorosa dos personagens. É um grande livro, mas Amy ferrou com tudo. E aquele final foi revoltante. Esperava mais da Gyllian, aguardava uma grande virada, já que o livro foi repleto de reviravoltas.  


O filme
O filme também se arrasta bastante no início. Porém pega fogo após a primeira revelação. O livro era cheio de altos e baixos. Se as passagens com Amy eram instigantes e repletas de surpresas, os momentos com Nick eram mais tediosos. A partir do momento em que descobrimos o que aconteceu com Amy, todo o esforço de Nick em encontrá-la perde a graça. E a grande sacada do filme foi a de focar a trama quase que cem por cento em Amy assim que ela aparece. As interpretações também contribuíram. Quando li imaginei o Nick como o  Joshua Bowman porque não conseguia pensar em um ator mais cara de pateta. Mas Bem Afleck conseguiu superá-lo. Muita gente achou-o apagado demais, mas ele apenas reproduziu o Nick do livro que tinha essa característica. Sua expressão deprimida e a aparência meio decadente completaram a composição. Rosamund Pike desempenhou o papel de Amy magistralmente. O que mais me chamou a atenção foi seu olhar assustador. E Carrie Coon fez uma Margo tão carismática quanto a do livro, formando um interessante contraponto com Ben. Ele fraco, ela forte. Ele perdido, ela esperançosa. Certamente o filme não é tão relevante quanto o livro, não será um marco, mas conseguiu se sobressair. 


O silêncio dos Inocentes
O livro
O que torna esse livro tão marcante é o fato de haver dois personagens fortes em uma situação ambígua. São aliados, mas estão em lados opostos da lei. São pessoas de índoles diferentes, mas tem uma afinidade arrepiante. Clarice é uma mulher comum, sem nenhuma habilidade especial que não a de se dedicar ao seu trabalho e desenvolver empatia pelas vítimas, mas sem deixar que suas tragédias a abale. Não mantém uma distância emocional dos casos, mas usa suas emoções como instrumento de trabalho. A grande diferença entre Clarice e Hanibbal é que ela mergulha na alma das pessoas e ele mergulha em suas mentes. Faz uma análise fria do ser humano, um estudo matemático baseado em gestos, expressões e tons de voz. Mas cada um ao seu modo é um grande conhecedor do ser humano e é isso que cria essa afinidade e torna o livro tão instigante.


O filme

E o filme captou o âmago do livro focando o roteiro na relação entre Clarice e Hannibal. Os momentos mais tensos do filme são justamente os diálogos entre os dois. Fica evidente o fascínio que o médico sente pela detetive, não pela sua aparência ou sua juventude, mas por se identificar com a moça. E também é notável o desconforto que Hannibal causa em Clarice. A postura rígida de Jodie Foster é mais do que a rigidez profissional. É o incômodo de olhar nos olhos de Hannibal e ver o mesmo que suas vítimas viram. Mas, por mais que sejam pessoas de índoles diversas, há química entre eles. Não é um filme com um ritmo intenso, mas com uma atmosfera de expectativa e cenas chocantes como a do guarda estripado pendurado nas grades. Um filme que, consegue alcançar a profundidade do livro, o que é raro.


O Retrato De Rita Hayworth e
a Redenção De Shawshank
O livro
O conto extraído da coletânea As Quatro Estações de Stephen King é uma bela demonstração da competência do mestre do terror em escrever obras de qualidade sem elementos sobrenaturais. É uma história policial ambientada dentro de um presídio, onde o personagem principal planeja uma fuga com a o auxílio de um grande amigo. É um conto bem enxuto (característica que qualquer conto deveria ter, mas não no caso de Stephen, que tem a capacidade de divagar mesmo em histórias curtas), que traça rapidamente o perfil dos personagens e cria uma expectativa em relação à empreitada do protagonista. King nos faz gostar de Andy, mesmo o conhecendo pouco e nos faz torcer para que ele consiga escapar.
O filme
Já no filme não apenas torcemos por Andy, mas vibramos por ele. O roteiro é muito mais elaborado que a história original, mas temos de dar um desconto, pois se trata da adaptação de um conto de  pouco mais de cem páginas para um filme de mais de duas horas. Há tempo para desenvolver os personagens e trabalhar as relações entre eles. O filme enfatiza muito a amizade que nasce entre Andy e Red. Um detalhe, no livro o personagem não é negro e sim um irlandês. É tocante a ligação entre ambos e revoltante as injustiças pelos quais os personagens passam nas mãos dos guardas e do diretor da prisão, um cara detestável. O filme também tem mais reviravoltas, como o surgimento de uma testemunha que pode inocentar Andy e que acaba tendo um fim trágico. Nesse caso, temos um filme bem superior ao livro, não só pelo motivo que já mencionei, mas devido ao apelo dramático da história. Dramático e não melodramático.

Psicose

O livro
O que mais me impressiona no livro é a maneira como Robert Bloch conduziu a história. O início é muito inusitado, com a funcionária de um escritório roubando uma pequena fortuna para garantir seu futuro com seu amante, fugindo pela estrada tentando desastradamente ocultar seu rastro, indo parar num hotel sinistro e então conhecendo o proprietário, um rapaz gentil, tímido e aparentemente inofensivo. Ele é Norman Bates e é então que o livro realmente começa. Um rapaz cheio de conflitos que esconde uma natureza doentia, o arquétipo do lobo em pele de cordeiro.




O filme

E Anthony Perkins deu vida a esse personagem tornando-o imortal. A sensibilidade do ator em compor Norman Bates em seus mínimos detalhes foi o que o tornou tão marcante. É um personagem para ser estudado, que em cada gesto dá sinais de sua psicose, que guarda nos olhos um desespero que chega a ser agoniante. É muito difícil encontrar num filme uma simbiose tão perfeita entre ator e diretor. Anthony diz com palavras, movimentos e expressões tudo o que Hithcock quer transmitir. E Hithcock dá ao ator todo o espaço que ele precisa para interpretar esse papel tão delicado. O resultado é uma obra prima que não apenas se equipara ao livro, mas em muitos aspectos o supera.



Jogos Vorazes
O livro
O livro Jogos Vorazes tem uma premissa muito pertinente aos dias de hoje, que é os limites do bom senso no show business. É uma crítica nem um pouco sutil à mídia. Uma comparação dos programas de TV à carnificina do coliseu. E as vítimas jogadas aos leões para delírio da audiência são os adolescentes daquele mundo distópico. Distopia não é um gênero novo. O clássico Admirável Mundo Novo é uma prova disso. Mas Susan Collins descobriu uma nova maneira de desenvolver o tema, levando-o para o público teen que tanto procura novos mundos na literatura. Conquistou o público com sua heroína Katniss e é a precursora de uma nova onda de livros do gênero. Mas Susane tem um vício na escrita que me incomoda bastante, a redundância. Ela volta diversas vezes ao mesmo ponto para fixar uma ideia que já está bem definida.

O filme
E a vantagem do filme é essa. O filme não é amarrado em nenhum ponto. No roteiro, escrito pela própria Susane Collins, a trama fica mais objetiva, dando ênfase ao que mais atrai o público: a aventura, as reviravoltas e o clima de romance. As intrigas políticas, os dados históricos são apenas delineados. Mas o melhor do filme é que ele nos coloca justamente no lugar da audiência que acompanha a luta pela sobrevivência dos casais. Somos nós que assistimos ao mórbido reality show e isso desenvolve uma espécie de meta linguagem. Ao mesmo tempo que o sufoco dos personagens nos faz criticar a estupidez daquele jogo, destinado a satisfazer o prazer sádico dos espectadores, nós mesmos estamos nos deliciando com toda aquela corrida desenfreada. É isso o que torna o filme algo muito maior que uma simples projeção do livro. 


O Senhor Dos Anéis

O livro
Leitura obrigatória para os amantes da fantasia, O Senhor dos Anéis é um livro completo e complexo, que agrada diversos públicos, com personagens que representam os mais variados arquétipos e com uma trama muito bem elaborada. Três volumes pode parecer muito, mas é o necessário para o desenrolar dessa história mágica. O primeiro volume é destinado a apresentar a rica galeria de personagens e a formar a Sociedade do Anel. A partir do segundo volume essa sociedade se separa e ao alternar a narrativa entre os grupos de personagens, cada um num local, cada um com uma tarefa diferente o livro se torna mais dinâmico. E no terceiro volume temos o clímax, que se estende por páginas e páginas sem perder o fôlego.



O filme

E o filme segue essa mesma estrutura. Fidelíssimo ao livro, com apenas algumas mudanças na ordem dos acontecimentos, reconta para os fãs de Tolkien sua fábula em grande estilo e conquista os que ainda não a conhecia, levando o público a encarar os três calhamaços para saber um pouquinho mais sobre a Terra Média. A direção foi cuidadosa em todos os detalhes. Na escolha do elenco fisicamente apropriado, de apostar em novos talentos, evitando escalar artistas com imagem desgastada, de não economizar em produção, criando uma Terra Média em toda a sua opulência e até convidando Enya para cantar  o tema principal. Um filme que foi aclamado por crítica e público e que rendeu muitos frutos como reedições de outros volumes de Tolkien, animações e a nova franquia O Hobitt.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Sete guerreiras da literatura

Katniss

Katniss não é só uma guerreira em situações extremas, é também uma batalhadora no seu dia a dia. Aos 16 anos, sua principal ocupação é caçar ilegalmente na floresta para alimentar sua família, já que o pai morreu numa mina de carvão há cinco anos. Todo ano os jovens são inscritos na Colheita, uma forma de recrutamento para que mais tarde um casal seja sorteado para representar seu distrito nos Jogos Vorazes, uma competição sádica, na qual cada casal tem de sobreviver matando os demais. A irmã mais nova de Katniss, Primm é sorteada. Porém a garota se desespera com a ideia de participar dessa carnificina e sua irmã mais velha se voluntaria em seu lugar. Dizer se Katniss vence ou não a competição é soltar spoiler, mas que ela conquistou o coração de uma geração de leitores, não é segredo pra ninguém.

Éowin

Éowyn é a sobrinha do rei Théoden. Seu pai morreu lutando contra os Orcs e tanto ela, como o irmão Éomer foram adotados pelo rei, por quem tinham não só lealdade, como uma imensa devoção. Sua vontade sempre foi o de enfrentar os campos de batalha e quando surgiu a oportunidade, não a deixou passar. Disfarçada de homem partiu para Pelennor ao lado dos Cavaleiros de Rohan, sob o pseudônimo de Dernhelm. Seu grande feito foi destruir o terrível Rei Bruxo de Angmar. Segundo a profecia, nenhum homem vivo seria capaz de matá-lo e foi o que ele disse ao enfrentar o  “guerreiro” Dernhelm. "Mas eu não sou nenhum homem! Você olha para uma mulher. Éowyn, filha de Éomund[...]”foi o que ela respondeu antes de cravar-lhe sua espada. Mas a batalha do coração ela não venceu. Seu amor por Aragorn não vingou, o que não significa que ela não tenha sido recompensada por sua bravura. Desposar o Príncipe Faramir é bem mais que um prêmio de consolação.

Xhex

Segurança do clube Zero Sun, Xhex vivia enquadrando os frequentadores que passavam da conta, levando-os para um canto e os intimidando com sua pose de mulher durona. Mas ela é muito mais que uma leoa de chácara. Filha de um Sympatho com uma vampira, Xhex teve de aprender a lidar com a condição de mestiça, o que a manteve imersa numa cápsula protetora temendo se envolver com alguém, já que seria repelida tanto por uma raça como pela outra. Sofreu uma decepção amorosa ao ser abandonada pelo amante Murder assim que ele descobriu sua natureza mestiça e, não bastasse essa dor, ainda tinha de manter um esforço diário para reprimir seu lado mau, herança dos sympathos. Foi torturada por humanos, servindo de cobaia em suas experiências, foi sequestrada e estuprada pelo terrível Lash e enfrentou seus parentes Sympatho para salvar seu fiel amigo
Rhevenge. Mas desafio mesmo é o que enfrenta em sua relação com o mudo John, seu grande amor. Um romance cheio de altos e baixos, cujas crises ela enfrenta constantemente em nome de uma felicidade que custou tanto a alcançar.

Brienne 
Desajeitada, grandalhona e pouco feminina, Brienne de Tarh deu muito trabalho ao seu pai quando este tentou lhe arrumar um noivo. Além de sua aparência pouco atraente, sua resistência em ceder aos apelos da idade e desposar um homem foram mais um obstáculo para que formasse sua própria família. Até que conheceu Ser Humfrey Wagstaff, que a pediu em casamento e prometeu que a faria se tornar mais feminina após se tornar sua esposa. Mas Brienne não se rendeu facilmente. Propôs uma luta e somente se perdesse aceitaria o pedido de casamento. E não deu outra, ela venceu o pretenso noivo e sua última chance de se tornar uma distinta mulher casada foi para o espaço. Sua trajetória como soldado é rocambolesca. Após ganhar um torneio recebe como prêmio sua admissão na guarda pessoal de  Renly Baratheon. É injustamente acusada de assassinato e então acolhida por Catlyn Stark, por quem passa a dispensar uma grande lealdade. E é em nome dessa lealdade que se empenha na busca por Sansa. Uma personagem bastante controversa, que apesar do aspecto embrutecido, tem uma certa infantilidade e apesar de repudiar o casamento, se apaixona por
Reinly quando ele a trata com cortesia.

Hermione

Muito estudiosa, a ponto de ser considerada pedante pelos colegas de escola, Hermione não era muito popular entre os alunos de Hogwars. Mas com o passar do tempo fez dois grandes amigos, Harry e Rony Weaslley, e protagonizou situações bastante inusitadas. Como o uso do Vira -Tempo para poder comparecer a diversas aulas simultaneamente. Também causou o ciúme de seus dois amigos ao se envolver com o jogador de Quadribol Vicor Kum. Mas sua estada em Hogwats rendeu momentos muito mais emocionantes do que as intriguinhas amorosas. Se recuperou da petrificação após se tornar vítima do basilisco que foi solto com a abertura da Câmara Secreta. Abraçou a causa de defesa dos elfos domésticos que, segundo ela, mereciam um melhor tratamento e assim fundou a associação F.A.L.E. Agitou a galera de Hogwarts na criação da Armada de Dumbledore, e lutou bravamente em diversas batalhas. Mas seu feito mais impressionante foi o de, ao lado de Rony, renunciar ao seu ultimo ano de escola para acompanhar Harry em sua busca pelas Horcruxes de Lord
Voldemort. Vindo de uma CDF como ela foi um tremendo sacrifício. E a grande prova para merecer a medalha de guerreira foi destruir a taça de Helga Lufa-Lufa, prova pela qual passou com mérito.

Beatrice

Numa sociedade onde as pessoas são divididas em apenas cinco categorias e segregadas de acordo com uma delas, pertencer a mais de uma categoria é perigoso, é estranho, é inaceitável, é divergente. Ao chegar aos 16 anos e fazer o teste obrigatório para definir sua verdadeira aptidão, ou melhor, para definir qual será seu rótulo, Beatrice descobre que se enquadra em três categorias diferentes. Algo inédito naquele mundo distópico. Ao descobrir que essa sua peculiaridade, ela é aconselhada a mantê-la em segredo, pois corre risco de morte se seu segredo vier à tona. Beatrice pode escolher entre ficar com a facção dos Audaciosos, dos abnegados ou dos Eruditos. Mas mesmo tendo sido criada entre os Abnegados, fazendo grandes concessões em prol do próximo, entre pessoas passivas e obedientes, ela decide se unir ao Audaciosos. E é então que tem de enfrentar desafios e assim fazer jus à coragem que existe dentro de si.

Isabel

Ela não tinha lá muito boa índole. Era ciumenta, invejosa e rancorosa. Mas era uma mulher valente. Uma mulher que, quando se embrenhava na mata, era comparada a uma onça. Criada pelo tio, o Bandeirante D. Brás, Isabel cresceu entre espadas, facões e espingardas. E convivendo com os índios aprendeu a manusear o arco e flecha. Uma bela mulher que acompanhava os homens em suas viagens ao sertão e mesmo com suas madeixas negras se misturava a eles e não deixava nada a dever, mesmo sendo inferior em matéria de força. Mas ainda assim era uma mulher e era difícil esconder sua atração pelo primo Tiago, com quem tinha uma relação hostil. Porém, como uma guerreira, ela venceu essa animosidade e o fez se render à sua sensualidade. O livro A Muralha já teve diversas adapatações para o rádio e por duas vezes para a TV, na primeira como novela e depois como minissérie. Uma grande obra que fala sobre uma época fascinante da História do Brasil.