sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Guerra Civil - Stuart Moore


Sinopse

Quando uma trágica batalha deixa provoca a morte de centenas de pessoas, o governo americano exige que todos os super-heróis revelem sua identidade e registrem seus poderes. Para Tony Stark o Homem de Ferro é um passo lamentável, porém necessário, o que o leva a apoiar a lei. Para o Capitão América, é uma intolerável agressão à liberdade cívica. Assim começa a Guerra Civil. Os dois amigos se tornam então adversários, cada um liderando uma equipe numa batalha de proporções épicas.

Resenha

Confesso que quando me deparei com essa onda de novelizações de histórias em quadrinhos, não me entusiasmei. Assim como alguns livros baseados em filmes não deram certo, achei que transformar algo essencialmente visual num livro, resultaria numa bananada só. Imaginei o autor se embaralhando todo ao tentar descrever uma daquelas empolgantes cenas de batalha e assim, confundir totalmente o leitor. Mas tive uma ótima surpresa ao descobrir que o texto era muito fluído, que as páginas voavam sem que eu percebesse e que cada cena de batalha era transmitida de modo preciso, sem desperdiçar palavras, comunicando apenas o que interessava. Stuart foi muito feliz ao traduzir para a linguagem literária toda a emoção dos quadrinhos.

O autor se esforçou em não retratar o Homem de Ferro como um vendido, já que ele está do lado do governo, usando todos os seus recursos para obrigar os heróis a obedecerem a nova lei de registro, que revelaria ao público suas identidades secretas e restringiria suas ações. Tony Stark tem de usar todo o seu poder de fogo para capturar os rebeldes liderados pelo Capitão América e isso resulta num conflito com consequências catastróficas, inclusive, custando a vida de um de seus adversários. Mas, apesar de Tony demonstrar sentir um profundo pesar por ter de atacar seus antigos parceiros, eu não me sensibilizei com seu sofrimento e nem concordei com as suas razões. Acho que ele até poderia concordar com a lei de registro e enquadrar-se nela, mas daí a obrigar seus colegas a segui-lo, já há uma grande distância. Homem de Ferro não precisava se aliar ao governo e à S.H.I.E.L.D para fazer com que a lei fosse cumprida. Fiquei com uma puta raiva de Tony e concordei plenamente quando Demolidor o comparou a Judas. Outro acerto do autor foi a construção do Homem Aranha. Stuart transmitiu toda a leveza do personagem, que oscilou entre os dois lados da batalha e cuja participação foi fundamental no desenrolar dos acontecimentos. Ele foi o coringa do jogo e desempenhou seu papel sem perder seu jogo de cintura.

Quanto ao final, o incidente que deu fim à batalha foi totalmente inesperado para mim. Não esperava que o conflito fosse resolvido daquela maneira, sutil por um lado e impactante por outro. Foi um bom desfecho, mas o anticlímax que senti me incomodou. Já do final reservado ao Capitão América, meu querido Capitão, detestei. Sei que foi coerente com seus ideais, mas ele merecia mais.

Guerra Civil foi minha feliz incursão nesse novo gênero literário e espero que essas novelizações tenham vida longa. É mais uma maneira de atrair um novo público para o mundo dos livros. Sem falar, que encontrar personagens tão conhecidos à cada página (foram muitos os heróis que marcaram presença), cria uma expectativa maravilhosa durante a leitura. É claro que, quanto mais conhecemos os heróis e seus conflitos, melhor é o sabor da leitura, mas mesmo se você os conhece apenas dos desenhos que via quando era criança, vale a pena se aventurar.

Um comentário:

  1. Oii Ronaldo, tudo bem???? Eu nunca li os quadrinhos e nem nada dos heróis. Mas curto bastante pelos desenhos e filmes. E estou ansiosa para conferir Guerra Civil. Te entendo perfeitamente a respeito da desconfiança quanto a novelização. Mas ainda bem que funcionou :)
    Um beijão
    http://profissao-escritor.blogspot.com.br/

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