quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Os Cães - Robert Calder


Sinopse

Numa pacata cidade de Nova Inglaterra, Alex Bauer, um professor universitário, encontra um cachorrinho abandonado, levando-o para casa e, como tempo, afeiçoa-se extremamente a ele - ignorando que de uma estação experimental de criação de cães, a uns 150 metros de distância, desaparecera um filhote de um cruzamento especial. E então, certo dia, após um incidente, o cão foge para o mato e volta à sua natureza primitiva.O que se segue é um cataclisma de terror que domina uma região e se torna para Alex Bauer um verdadeiro inferno.

Resenha

O livro está longe de ser uma história de terror, ao contrário do que é anunciado na capa. A impressão que tive é a de que o autor usou o tema de cães ferozes atacando seres humanos, para discutir suas ideias existencialistas. Até aí, tudo bem, é bacana você descobrir que um livro de entretenimento, tem algo mais profundo por trás. Colin Wilson fazia isso muito bem, personificando correntes filosóficas através das atitudes de seus personagens. Mas Calder não obteve o mesmo êxito. O autor se mostrou tão desajeitado ao expor suas ideias, que elas destoam completamente da história. Num momento o personagem principal, Professor Bauer, está às voltas com seu cão de estimação, notando algo anormal em seu comportamento. No outro, está sentado com sua ex-mulher, ambos fazendo dissertações sobre relacionamento que parecem ter sido retiradas de algum livro de psicologia e coladas dentro do diálogo. Os personagens despejam textos herméticos, com uma linguagem rebuscada e altamente técnica, só para comentarem sobre o casamento que não deu certo. Num momento estão bebendo descontraidamente, no outro, agindo como estudantes na apresentação de um seminário. Conversas que seriam simples e agradáveis transformam-se em verdadeiros tratados.

Os personagens robóticos se movimentam a esmo pela história. Os conflitos são mal expostos, tudo narrado com um distanciamento acadêmico. Parece que estamos lendo um texto de um livro escolar de História. As cenas de ação, nas quais os cães atacam as pessoas incautas que atravessam seu caminho, são até que bem sacadas, mas mal contadas, o autor não passa nenhum entusiasmo. O livro não tem ritmo algum. Muitas cenas são interrompidas assim que começam a ficar interessantes, para não serem retomadas. Nos momentos que seriam mais dramáticos, o autor dá um salto na narrativa, resumindo com breves palavras a conclusão das cenas anteriores.

Nos últimos momentos o autor tenta dar emoção à história, apelando para miséria a humana em que se sente imerso Bauer, lamentando um casamento infeliz e o fato de seu cão, a quem deu tanto amor, ter desfigurado o rosto de seu filho. Mas aí já era tarde demais. O autor ignorou o potencial dramático de sua própria história durante toda a narrativa e quis apelar para a emoção somente nos últimos momentos.

E, além disso, o texto é pesado demais. Ler uma dezena de páginas era um grande esforço e só o terminei rápido porque queria me livrar logo do livro. Não costumo depreciar livros sem pelo menos mencionar alguns pontos positivos, mas esse, não me rendeu nenhum bom momento.

4 comentários:

  1. Gosto muito de ler resenhas e fico extremamente admirado quando encontro a sinceridade explicita nelas.
    Parabéns.

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    Seja muito bem vindo.
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    1. Obrigado, credibilidade é algo importante. Visitarei sua página sim e colocarei meu link lá. Parabéns por ajudar a divulgar o trabalho dos colegas.

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  2. Comprei este livro acreditando que sua estória seria similar à Matilha Assassina ou A Praga de Hefesto, mas me decepcionei totalmente, não consegui nem terminar a leitura, com tantos livros bons na fila senti uma dor no coração de terminar algo tão ruim! Hahaha A estória é uma cópia barata de O Chamado da Floresta com a diferença de que o autor adicionou o medo da engenharia genética como justificativa.

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    1. Também quis abandonar, mas como era curto, resolvi encarar. E que luta foi terminar esse livro. Uma das minhas piores leituras.

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