terça-feira, 27 de outubro de 2015

Zoo - James Patterson e Michael Ledwige



                                                                       Sinopse

Uma misteriosa doença se espalha pelo mundo, atingindo os animais, que passam a apresentar um inexplicável comportamento, caçando os humanos e matando de forma brutal. A princípio, parece ser algo que se dissemina somente entre as criaturas selvagens, mas logo os bichos de estimação também demosntram agressividade e as vítimas se multiplicam.Apavorado, o jovem biólogo Jackson Oz vê nessa bizarra realidade, a comprovação de uma previsão sua, que foi desprezada por todos. Com a ajuda da ecologista Chloe Tousignant, Oz inicia uma corrida contra o tempo para alertar os principais líderes mundiais, sem saber se as autoridades acreditarão em um fenômeno tão surreal.

                                                                         Resenha

Não sou fã de livros escritos a quatro mãos. E também não curto o James Patterson. Seu único livro que consegui ler inteiro foi Na Teia da Aranha e mesmo assim não achei grande coisa. Vocês então devem estar se perguntando por que cargas d’água decidi ler Zoo. Porque o tema é irresistível. Adoro livros onde bichos se voltam contra o ser humano e a premissa em que animais no mundo todo estavam adquirindo um comportamento anormalmente violento foi suficiente para me atrair.

A trama é narrada na primeira pessoa pelo protagonista, o biólogo Jackson Oz, e na terceira pessoa por diversos outros personagens. Minha primeira impressão de Oz foi ótima. O cara é espirituoso, irônico, um tanto cínico e isso cria uma empatia automática com o leitor. Apesar de em alguns momentos ele forçar no bom humor, fazendo com que situações extremamente perigosas soem como brincadeira de criança, seu temperamento me agradou bastante. Porém o livro é muito superficial. O romance de Oz com a ecologista Chloe, que no início promete render bons momentos e criar outro ponto de interesse no livro além da trama principal, acontece rápido demais. Eles se conhecem durante uma situação de perigo, voltam juntos para a América e praticamente já estão namorando. Não há profundidade nos personagens, pouco sabemos sobre suas personalidades, seu passado, seus conflitos. E Chloe praticamente não contribui em nada na trama. Além disso, a batalha de Oz em provar que algo de errado está acontecendo na natureza é também tratada superficialmente. Não sentimos sua ânsia em fazer com que as pessoas acreditem em suas teorias, sua frustração em ter suas hipóteses desprezadas, seu esforço em procurar aliados e nem seu alívio quando alguém compartilha de sua opinião.

Há outro problema na narrativa. Após a trama dar um pulo de cinco anos, a personalidade de Oz muda radicalmente. O rapaz brincalhão dá lugar a um homem sério, quase apático. É como se fossem duas pessoas diferentes.

Zoo é um livro desconjuntado, onde claramente se percebe as características de dois escritores que não conseguiram fazer uma simbiose e criar uma unidade. Não há como criar um vínculo com os personagens e mesmo sendo Oz um herói nobre, que luta por uma causa justa, ele não consegue transmitir vitalidade, é oco, e aí não dá pra se envolver com sua luta. Somente nos últimos momentos, em que ele toma uma atitude abnegada, negando-se o direito de encontrar sua família, pois isso colocaria em risco a estratégia montada para conter os animais, é que consegui criar uma empatia mais forte pelo protagonista. Os únicos momentos que realmente valem a pena são as cenas em que personagens aleatórios são atacados pelos mais diversos tipos de animais. Essas cenas permeiam o livro e dão uma atmosfera contagiante à narrativa. Fora isso, é um livro onde tudo acontece rápido demais, com muita ação e pouca emoção.
     

6 comentários:

  1. Eu ainda não conhecia o livro, amei sua resenha, mas não é um livro que me chama atenção...

    Beijos,

    http://sweetlikecaramel.blogspot.com.br

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  2. Realmente não é todo mundo que gosta do tema, mas se os autores se esforçassem, o livro seria bem melhor.

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  3. Adoro suas críticas sinceras! A princípio, a premissa do livro parece ser boa... Mas como você disse, se não for bem construída pode perder o leitor. Também não sou fã de livros escritos por mais de uns autores... Nem todo mundo consegue amarrar as pontas bem.
    Abraços
    Blog do Ben Oliveira

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    1. Pois é, Ben, livros a quatro mãos geralmente deixam a desejar.

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  4. Olá Ronaldo, parabéns pela resenha, só vejo coisas boas a respeito dessa obra e fico cada dia com mais vontade de lê-la.

    Beijokas da Quel ¬¬
    Literaleitura

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    1. Na verdade eu não falei bem do livro na resenha, desse modo, não o recomendo.

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