terça-feira, 20 de outubro de 2015

O Predador - Tess Gerritsen





                                                                          Sinopse

Um grupo de turistas desembarca em Botsuana para um safári e, sem que ninguém suspeite, há entre eles um assassino cruel, um predador que, ao fim de uma semana, transforma uma aventura na selva numa luta pela sobrevivência. O que ele não sabe é que, nessa caçada humana, uma de suas presas consegue escapar. Seis anos depois, em Boston, um homem é pendurado e eviscerado em sua própria garagem. A descoberta de um esqueleto enterrado em um quintal em outra parte da cidade faz com que a detetive Jane Rizzoli e a patologista Maura Isles desconfiem de que as duas mortes estejam relacionadas e de que o assassino vem cometendo seus crimes há anos. Todos os indícios apontam que a solução do caso está na África, e Jane precisa convencer a única sobrevivente do massacre a enfrentar a morte mais uma vez.

                                                                          Resenha

O Predador traz novamente a velha fórmula dos livros da série Rizzoli e Isles: assassinatos, um serial killer, detalhes forenses de revirar o estômago e a já costumeira testemunha que sobrevive a um massacre e tem papel fundamental na caça ao assassino. A sobrevivente da vez é Millie, uma personagem bastante cativante, que escapa de uma matança na África e é peça chave na solução de uma série de assassinatos que se deslocam até Boston, terra da dupla Jane Rizzoli e Maura Isles.
A história se divide entre esses dois ambientes e entre o passado e o presente. No passado, Millie narra suas desventuras em primeira pessoa, o que dá um sabor especial  à leitura. Conhecemos a fundo seus anseios, suas dúvidas e seus medos. Embora não admita isso para si mesma, Millie se sente atraída pelo seu guia de viagem, um homem rústico, impetuoso, destemido, mas cheio de mistérios. À medida que os membros da excursão vão sendo encontrados mortos um a um, a suspeita de que esse homem esteja por trás dos assassinatos aumenta, o que deixa a jovem Millie num grande dilema, dividida entre seu desejo de entregar sua segurança nas mãos desse estranho ou ficar do lado de seus companheiros. O suspense vai se intensificando, bem naquele estilo “O Caso dos Dez Negrinhos”, onde os personagens vão sendo vítimas de violentas mortes e as suspeitas aumentando entre os sobreviventes. Não posso deixar de ressaltar as cenas de Millie perdida na selva. Não gosto muito de descrições de paisagens e nem de cenas de perseguição, sou meio dislexo em acompanhar esse tipo de narrativa, mas o texto é tão visceral, que não há como não ficar envolvido. Era como se eu estivesse ao lado da personagem, dividindo com ela aqueles perrengues e buscando um meio de escapar daquele ambiente inóspito. Os perigos à que a jovem estava exposta, diante da possibilidade de cruzar com aquela variedade imensa de animais ferozes resultaram em cenas tão empolgantes que decidi ler Zoo de James Paterson logo em seguida.

No presente, nos deparamos com Rizzoli e Isles investigando um crime bárbaro. Para quem sentia falta das cenas nojentas que quase não tiveram espaço nos últimos livros, vai se esbaldar em muito sangue. Logo nos primeiros capítulos temos Maura fazendo o que faz de melhor: vasculhando a cena de um crime e chafurdando pistas em meio aos restos mortais da vítima e, logo em seguida, dissecando o cadáver e fazendo descobertas instigantes que mudam o rumo da investigação.
Em relação à vida pessoal das protagonistas, não esperem muitas emoções. Rizzoli está às voltas com os conflitos entre seus pais. Frank cada vez mais insuportável, querendo reatar o casamento e Ângela Rizzoli dividida entre fazer o que é certo e fazer o que deseja.  Quanto à Maura, está mergulhada numa crise existencial, deprimida e solitária, a ponto de perder o seu brilho. É uma personagem fascinante, mas que já está se tornando chata devido à sua tendência a se apegar àquilo que a faz sofrer.

A trama é bem intrincada, repleta de personagens e assassinatos acontecendo ou sendo descobertos à todo instante. É preciso ficar atento aos fatos e nomes para não se perder. Acho que alguns crimes eram desnecessários e só complicaram a história. Preferia menos assassinatos e uma trama mais enxuta. O ritmo é empolgante. Não há marasmo, seja no tempo presente ou nos flashbackcs narrados por Millie.

Apesar de ser um livro independente, O Predador terá um sabor especial para quem acompanha a série, pois há muitas referências a livros anteriores. Mesmo não acertando quem era o assassino, consegui pescar algumas pistas deixadas pela autora e cheguei perto de desvendar o mistério. Mas não chega a ser um livro totalmente previsível e ver Tess recuperando a velha forma me deixou otimista com os novos rumos da série.



15 comentários:

  1. Amo livros nesse estilo, sempre fico tentando acertar quem é o assassino haha melhores livros <3

    Amei sua resenha, deixou tudo bem explicado sobre o livro!

    Beijos,

    http://sweetlikecaramel.blogspot.com.br

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    1. Que bom que a resenha ficou bem esclarecedora, é minha intenção mesmo. Obrigado, Nazare. Beijos.

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    2. Também amei a resenha. Sou fã da série.. Devoro todos os livros. Sabe me dizer onde encontro a lista completa dos nomes dos livros lançados aqui no Brasil?

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    3. Bruna, você pode encontrá-los em ordem aqui:

      http://verbo-ler.com.br/2013/04/sequencia-dos-livros-da-tess-gerritsen/

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  2. Gosto muito quando tem algo acontecendo o tempo todo e com muitos assassinatos. O livro parece ser mesmo muito bom !

    bomlivro1811.blogspot.com.br

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    1. Os livros da Tess costumam ser muito movimentados mesmo.

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  3. Toda vez que entro no seu blog, sinto um aperto no peito por não ler mais livros deste gênero! Quando vou ver, estou lendo outras temáticas :( Estou com muita vontade de ler a maioria dos livros que você recomenda.
    Ah, estou lendo Eu Vejo Kate e adorando... PQP! Livros com serial-killer são uma delícia.
    Abraços

    Blog do Ben Oliveira

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    1. Serial killers são um assunto fascinante mesmo, Ben. Vou aguardar sua resenha de Eu vejo Kate. Esse já está em meus desejados, como comentei com você.

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  4. Gostei muito de ler a sua resenha. Vi este livro na livraria e resolvi ver uma resenha antes de comprar. Não sabia que se tratava da dupla da série, pois esta série é uma das poucas (!) que não acompanho.
    Certamente vou comprar o livro (e adicionar esta série para a minha grade!). Obrigada.

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    1. Advirto que a série não tem nada a ver com os livros. Abordagem é bem diferente. Mas gosto de ambos.

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  5. Amei a resenha :) confesso que comprei achando que era parte da série, mas ainda com dúvidas porque a tradução não tem nada a ver com o titulo original, mas agora vi que é independente. Enfim, gostei da história, afinal foi a Tess que me apresentou o mundo da leitura.

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    1. Esse é parte da série sim, quando digo que é independente é porque dá pra entender perfeitamente sem precisar ler os anteriores.

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  6. Gosto mais da Tess sanguinária, comecei a ler O Fio do Bisturi, e nem parecia ela escrevendo, desisti. Vou encarar esse porque os livros da dupla Rizzoli Isles sempre foram melhores, apesar daqueles assuntos nunca acabados, a mãe, o padre.

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    1. Também não curto esses suspenses românticos dela. A série Rizzoli dificilmente deixa a desejar. Quanto a essas histórias pessoais dos personagens, acho que é um dos encantos da série.

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    2. Mas o livro O fio do bisturi é ótimo tb, o final é surpreendente....

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