terça-feira, 22 de setembro de 2015

O Dom - Robert Ovies


                                                                   Sinopse

Quando C. J. Walker, um garoto de nove anos, encosta no braço da amiga de sua mãe no velório e sussurra o desejo de que ela não estivesse morta, só está seguindo um impulso. Mas, no momento em que a mulher desperta, a tempestade que se segue não pode ser contida. Em uma única manhã, a mãe de C. J., Lynn, vê sua casa se tornar uma fortaleza e seu filho, um alvo. Indivíduos de luto, desesperados para que a morte abandone seus entes queridos; representantes da mídia e de organizações médicas e científicas; influentes líderes religiosos e poderosas agências governamentais, todos tentam tirar alguma vantagem sobre o dom mais poderoso de que já se teve notícia. Em meio à confusão, Lynn e seu ex-marido, Joe, lutam para encontrar uma maneira de escapar com C. J., para mantê-lo em segurança e de alguma forma tornar possível que ele tenha uma vida normal novamente.

                                                                       Resenha  
Apesar da curiosa premissa, não sabia muito o que esperar do livro. Não tinha ideia de qual enfoque seria utilizado, já que um enredo onde uma criança é capaz de ressuscitar os mortos poderia seguir os mais diversos gêneros: terror, suspense, ficção científica. Mas o livro foge a qualquer uma dessas categorias e é muito difícil classificá-lo. Robert tem uma sensibilidade tocante ao abordar esse inusitado tema, explorando cuidadosamente cada aspecto do drama que envolve o pequeno C.J e seu dom de trazer as pessoas de volta à vida. A história começa lenta, o autor não se apressa em narrar o acontecimentos, preparando o terreno para o turbilhão de emoções que estão por vir. Primeiro a ressurreição de uma senhora vítima de câncer, depois as discussões sobre a autenticidade de sua morte, pondo em dúvida a capacidade dos médicos que atestaram seu óbito. Além da ideia dessa mulher voltar à vida e continuar sofrendo a agonia do câncer. Até que se descobre que a doença desapareceu.

Assim que nos é revelado que essa ressurreição foi obra de um garoto, novas questões são levantadas através da perspectiva de diversos personagens. Seria ele o primeiro de uma nova geração, um salto evolutivo da raça humana? Seria esse dom hereditário? Ele seria capaz de ressuscitar também pessoas mortas há muitos anos? Poderia fazer isso à distância? Além dessas questões, há também as implicações relativas ao ato de interferir mo ciclo da vida. Qual seria o critério para ressuscitar as pessoas? Quem decidiria quem voltaria e quem continuaria morto? Como seria um mundo onde ninguém mais morresse?

À medida que a notícia de que um garoto foi capaz de trazer de volta uma pessoa morta, diversos personagens o cercam tentando tirar algum proveito desse dom. Joe, seu pai, um homem ambicioso que pretende ficar milionário às custas do filho; Cross, um mafioso, pai de um garoto à beira da morte, que pagaria qualquer valor para que C.J o salve; O cardeal Curry, representando a Igreja Católica, que vê em C.J uma chance de recuperar a fé das pessoas; O Serviço Secreto dos Estados Unidos, que teme que o garoto se transforme numa arma nas mãos de nações inimigas, ressuscitando exércitos inteiros para dominar o mundo; E uma multidão de anônimos desesperados que cercam a casa de C.J implorando para que ele traga de volta seus entes queridos ou curem aqueles que estão sofrendo de alguma doença terminal.

O que é mais impressionante na leitura é que não há como presumir onde tudo aquilo vai dar. O livro é totalmente imprevisível. Esperamos ávidos pelas constantes reviravoltas e quando elas ocorrem, criam novas implicações que te faz voar as páginas para saber como todas aquelas situações vão se resolver. O final é surpreendente, com uma solução brilhante do autor. Robert faz uso de um enredo fantástico para discutir diversas questões éticas e fazer uma análise da capacidade do ser humano em pender entre o nobre e o vil, com um texto de qualidade e personagens fascinantes.




10 comentários:

  1. Estou lendo esse livro agora. O texto é muito bom e, realmente, não fazia ideia do que o autor faria a seguir. Fico feliz em saber que ele não perde a mão. :)

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  2. Ótima resenha! Estou com muita vontade de ler esse livro!

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  3. Uou! Fiquei com muita vontade de ler esse livro.
    Achei a premissa bem criativa. E só pelo jeito que você falou sobre ele, com tanto ânimo, não tem como não se fisgar.
    Abraços!

    Blog do Ben Oliveira

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    1. E além de tudo é muito bem escrito, Ben, acredito que você vá gostar.

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  4. Ronaldo cade seus lirvos da bienal??? Posta suas compras seu doido quero ver!!!!!!!!!!!! Se ta vivo??? Vim aqui postar uma tag nova lá para o blog e vim te visitar kkk abraços depois volto pra ver sua resposta... depois vai lá ver se gostou da tag seu sumido

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    1. É que meu computador está me deixando na mão. Mas prometo que farei o post da bienal antes da próxima. Vou lá no seu blog ver a tag.

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    2. Antes da próxima bienal??? Kkkkk cara vc esta enrolando todos nós kkkk. Não acredito que o vilarejo foi o melhor livro que vc leu esse anooooo. Mas ele n é um livro de contos? ?? Eu nunca li um livro assim, n sei n viu. Dá muito medo?? Kkkk

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    3. É que a sua pergunta foi a melhor leitura do mês. Do ano foi Escuridão Total Sem Estrelas, de Stephen King, que permanece imbatível. O Vilarejo dá um pouco de medo sim, mas dá pra aguentar.

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