segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Sete trechos curiosos de Dissecando Stephen King


Dissecando Stephen King é uma coletânea de entrevistas concedidas pelo mestre do terror a jornais e revistas, contando fatos sobre sua origem humilde, falando sobre seu fascínio pelo medo, explicando seu processo criativo e discorrendo sobre outras paixões, como o rock and roll. Por ser um livro composto por diversas entrevistas, é uma leitura ágil, que vai saltando de assunto em assunto, não se demorando demais em nenhum dos temas. E também por ser um apanhado de diferentes entrevistas, em diferentes épocas e ocasiões, muitos assuntos retornam frequentemente à baila, como a história da publicação de seu primeiro livro, episódios de sua infância, sua opinião sobre as adaptações de seus livros para o cinema, o que fica um tanto repetitivo. Mas mesmo assim é uma das mais agradáveis obras de não ficção sobre o processo criativo que já li. Perguntas diretas e pertinentes, com respostas sólidas do autor. King não é aquele entrevistado que sai pela tangente. Ele encara as questões e as responde de modo satisfatório. O livro tem muitas observações curiosas e separei aqui aquelas que achei mais interessantes:

Sexo, mulheres e casais

Stephen admite que tem grande dificuldade em escrever cenas de sexo, criar casais convincentes e compor heroínas bem estruturadas que estejam na faixa etária entre 17 e 60 anos e que não sejam uma garota tímida ou uma mulher que ferra com tudo. Nos dois primeiros casos eu concordo (não que cenas hot façam falta), mas no que concerne a heroínas mal trabalhadas ele tem outras personagens femininas que fogem ao padrão Carrie e Annie Wilkies e que são bem retratadas. As protagonistas de Eclipse Total, Rose Madder e Jogo Perigoso são ótimos exemplos de personagens complexas e fora desses estereótipos. Mas, deve-se ressaltar que essa entrevista foi anterior a esses livros.


Alfinetadas nada sutis

Stephen King declara sua desaprovação ao estilo de Harold Robbins, criticando a falta de motivação dos personagens em seus livros, onde, segundo ele, quase que se vê a mão do escritor forçando as atitudes dos personagens. Stephen defende que os personagens devem ser sempre aprofundados, para que conheçamos seus conflitos interiores e compreendamos assim cada atitude tomada. Realmente seus livros mergulham no universo interior dos personagens e os tornam sólidos, com vontade própria e, por isso, suas ações são sempre coerentes com o que eles acreditam.


Conexões


Um dos entrevistadores faz uma conexão entre Christine, o carro, e o Overlook Hotel de O Iluminado, dizendo que ambos são elementos catalisadores da mudança de comportamento dos personagens, com o que King concordou, apesar de não tê-lo feito de modo consciente.



Coincidência

Um dos jornalistas comenta que na edição americana de O Iluminado, a cena da mulher na banheira no quarto 217, se encontra curiosamente na página 217.





                                                            
Plágio

Na época do lançamento do livro A Incendiária, foi levantada a acusação de que o livro era um plágio de A Fúria, de John Farris. Stephen elogia o livro (que já está na minha fila de leituras há um tempo), mas nega que tal acusação tenha qualquer embasamento. Pela sinopse do livro de John Farris, realmente não parece ser uma cópia, apenas temas similares. 




Unindo o útil ao rentável

A deia de escrever Dança Macabra partiu de seu editor. Este lhe disse num telefonema: “Você não se chateia quando ficam sempre lhe perguntando como surgiu o seu fascínio pelo horror? Então, escreva um livro sobre isso e aí quando lhe perguntarem, basta você mandá-los lerem essa obra. Assim você se poupa de responder a essas questões e ainda tem a oportunidade de vender mais um livro.” 




Apavorante demais

Stephen King não queria publicar O Cemitério por achar aterrorizante demais. Ao ler o manuscrito, Tabitha concordou com ele e o livro ficou engavetado por anos. Mas, mesmo após tê-lo lançado o autor não se sente confortável com a obra. Segundo King, a cena mais aterrorizante é a do pai exumando o corpo do filho.










10 comentários:

  1. Mestre é mestre, né?! hahahaha.
    Abraços!

    www.bravuraliterariablog.blogspot.com.br

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  2. Amo Stephen King e Cemitério Maldito é um dos meus favoritos, ainda bem que ele publicou mesmo achando aterrorizante :)

    www.primeiroscapitulos.blogspot.com.br

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  3. Excelente post Ronaldo ! Sempre é bom saber um pouco mais sobre o King e seus livros.

    bomlivro1811.blogspot.com.br

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    1. É muito bom saber mais sobre livros que amamos.

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  4. Muito legal Ronaldo!
    Gostei bastante, acho King incrível, meu escritor favorito. E ele é um mestre.
    Estou kendo atualmente Tudo É Eventual, logo farei uma resenha do mesmo no meu Blog.
    Um abraço e continue escrevendo do King, tenho uma breve biografia lá também da uma olhada.
    Abraço!

    http://resenhandocomluke.blogspot.com

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  5. Conheço seu blog, Lucas, e fico impressionado com suas postagens, parabéns.

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  6. King é demais, ainda não li muitos livros dele mas já estou consertando este erro, rsrs. Até o momento acho que meu favorito dele foi o "Misery" mas realmente, "O Cemitério" foi terrível, e concordo que a parte mais aterrorizante é a que ele citou, foi muito sinistro... O que me incomodou um pouco o fim, que foi um tanto quanto aberto e eu tenho uma fome enorme de respostas, rsrs!! Outra coisa que me iritou também foi o fato de que a história às vezes demora pra engatar porque ele fica fazendo comentários e constatações que honestamente não trazem relevância para a história e só te deixa mais ansioso e nervoso porque você quer muito sabe o que vai acontecer! Agora "Celular" ele realmente demora mais que o necessário em descrições e comentários e isso irrita um bocado porque o enredo é tão interessante e sombrio que você não consegue mesmo ver um fim feliz para ninguém e quer muito saber o que vai vir no final. Agora depois dos eu post eu tô na dúvida se leio primeiro "Dança Macabra" ou "A Metade Negra"... Já ouviu falar em um jogo chamado The Cat Lady? O criador dele é fã do Stephen, e você pode perceber isso claramente no andar macabro e sombrio do jogo, que puxa mais pra um lado psicológico que o "visual", digamos assim.

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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