quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Sete livros favoritos de Dean Koontz escolhidos por ele próprio

Em entrevista a Michael McCarty, publicada originalmente no livro Giants of Genre em 2003, Dean foi indagado sobre seus cinco livros favoritos. Ele mencionou então sete, ou, como ele mesmo diz, se considerar a trilogia Cristopher Snow como livros separados, 9. Segue aqui os livros mencionados e o que o autor tem a dizer sobre eles. Confesso que concordei com boa parte dos livros citados, entre eles, meu favorito: Intrusos.


" O Guardião foi o maior desafio técnico que eu já enfrentei. Considerando a natureza tremendamente complicada do elemento de viagem no tempo, eu acho que consegui me absolver o suficiente para não ficar constrangido. Mas eu também tenho um carinho especial pelo livro por causa dos personagens, por causa da trágica história de amor de Danny e Laura e a história de amor angustiada de Laura e Stefan, sendo que ambas as abordagens foram totalmente anti-comerciais, o tipo de coisa que os editores advertem-no a não fazer. Mas deu certo. E neste livro, eu comecei a usar o humor num grau explícito, o que eu nunca tinha antes me atrevido em um romance de suspense e que já se tornou um elemento  presente na maioria dos meus melhores livros."





" Para mim, escrever Intrusos foi um sonho. Durante a última metade eu estava imerso numa espécie de transe.  Isso não significa que eu estava tendo perturbações intestinais. Era um estado de fluxo psicológico, o que os atletas chamam de estar na zona. Eu gosto do livro, porque os personagens soam reais para mim e porque consegui desenvolver diversas camadas de temas e linhas metafóricas do modo mais discreto que já havia feito."


"A Casa do Mal foi uma viagem muito estranha do início ao fim, e apesar disso, leitores e críticos demonstraram que esse tipo de enredo deu certo. Isso me mostrou que qualquer coisa bizarra num romance funciona se você preparar o leitor para isso e se você triturar o tema até ele se transformar numa mero detalhe do mundo real com o qual o leitor tenha referência e assim possa digerir. Assim ele acaba aceitando o estranho como algo verossímil. E, claro, eu amei a personagem de Thomas, o menino com Síndrome de Down. Esta foi a primeira vez que eu usei uma pessoa com deficiência em um papel principal, e foi emocionante trabalhar com esse material que pra mim era fresco, lutando para criar um ponto de vista para ele que transmitisse verdade. O mundo está cheio de pessoas que nunca foram retratadas numa obra de ficção, ou pelo menos na literatura popular. Há um propósito socialmente útil em escrever sobre eles, mas há também uma enorme euforia criativa por abordar um material tão complicado."



" Eu gosto de conduzir o leitor através de surpresa após surpresa, e esta linha de história fantasiosa me atraiu. Mais uma vez, isso só funciona se os personagens convencem, e o desafio foi manter Jim como o herói carismático, mesmo estando ele envolto em mistério, escondendo elementos centrais do seu passado, e deixando a porta aberta para a possibilidade de que ele representava de alguma forma uma ameaça para Holly. E o público se envolveria mais se Holly fosse uma personagem  atraente, divertida, capaz fazer o leitor se apaixonar por ela. Dessa forma, quando ela se apaixona por Jim, você também passa a gostar dele, simplesmente porque ela gostou."


" Os caminhos escuros do coração foi difícil de escrever, devido à sua complexidade, mas eu gostei de trabalhar nele, porque foi o primeiro livro em que cada metáfora, cada símile, cada imagem funcionou. Não só na descrição, mas nos temas subjacentes da novela, embora isto não seja algo que o leitor deva ser capaz de ver no curso de uma leitura normal. Eu era capaz de integrar texto e subtexto, história e técnica, a um grau que eu nunca tinha sido capaz de fazer antes, dessa forma, escrevê-lo me manteve entretido. Como eu não sou um masoquista, eu preciso me divertir enquanto estou trabalhando e consegui isso através dos desafios desse livro."



" Eu tenho um fraco por Intensidade porque ele traz meu ponto de vista anti-freudiano à superfície, também porque foi um exercício de ritmo divertido, e porque as estruturas dos dois personagens eram um desafio. Eu sabia que a imprudência heroica, de Chyna Shepherd seria uma das características primárias que a definem, mas eu nunca antecipei alguns dos passos que ela tomou, como a história evoluiu e, por vezes, sua ousadia me deixou perplexo. Eu estava consternado, mas não surpreso quando alguns usuários disseram achar difícil acreditar em algumas ações de Chyna, porque "ninguém iria colocar a sua vida em risco por um estranho." Bem, antes de tudo, a jovem por quem Chyna arrisca sua vida é, para Chyna, a imagem de si mesma como uma criança indefesa. Ninguém jamais esteve ao lado de Chyna quando ela estava crescendo sob circunstância terríveis, e ela construiu uma vida nova e decente para si mesma, se esforçando para ser tudo o que sua mãe não era. Isso significa viver de forma responsável, tanto a nível público e privado. Na primeira vez, Chyna só quer sair do alcance do assassino em casa e ela o faz. Mas na cena da estação de serviço, ela vê uma foto da jovem que Vess está mantendo presa, e naquela foto ela se vê como uma menina; não é apenas um estranho que Chyna está tentando salvar. . . ela está tentando se salvar. De qualquer forma, quando um leitor diz que ninguém iria arriscar sua vida por um desconhecido, ele na verdade está nos dizendo que ele próprio não o faria, portanto, não pode compreender qualquer um que aja dessa maneira e, assim revela uma verdade desagradável sobre si mesmo. Na semana que eu tinha que sair e fazer entrevistas para divulgação de Intensidade, o ator Mark Harmon arriscou sua vida para tirar dois completos estranhos de um carro em chamas. A mídia fez um estardalhaço do incidente e eu fiquei também impressionado! Mas eu comentei que somos uma cultura cínica, pois a única vez que um ato heroico é notícia nacional é quando se trata de celebridades; Ainda todos os dias, em todo o país, as pessoas fazem o que Mark Harmon fez e são congratulados por isso só a nível local, se tanto."

Não publicado no Brasil

" Eu recusei ceder os direitos da trilogia Cristopher Snow para filmagem porque eles estão muito próximos a mim ainda e eu não posso suportar vê-los sendo estragados. Além disso o maior problema na adaptação desses livros para o cinema está no fato de que o ponto de vista em primeira pessoa não pode ser recriado e esse ponto de vista é crucial para o sucesso da história. Em segundo lugar, tudo acontece à noite e diretores de cinema odeiam limitações extremas e preferem histórias que eles possam expandir em várias locações e condições de luz. Além disso, locações noturnas custam muito caro. Em toda a minha carreira disseram que eu tento simplificar, simplificar e quanto mais eu simplificar, maior será a bilheteria. E eu sempre interpretei isso como um mode de dizer que eu escrevo o livro já planejando uma adaptação, o que não é verdade."

7 comentários:

  1. Excelente matéria Ronaldo ! Gostei de A Casa do Mal estar na lista, o livro é realmente muito bom mesmo. Os restantes eu tenho mas ainda não li, com exceção de Os Caminhos Escuros do Coração e esta trilogia que não possuo.

    bomlivro1811.blogspot.com.br

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    1. Os Caminhos Escuros do Coração é bom, mas meio arrastado em algumas partes.

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  2. Cara excelente post!! Confesso que essa lista me surpreendeu. Fogo Frio nela? Esse é um dos livros do Koontz que mais vi críticas pelo menos por alguns leitores nacionais, li há muito tempo atrás um pouco antes de Fantasmas ( Que não está na lista?!!!!) e como esse segundo me impressionou mais acabei esquecendo sobre ele... Quanto a Os caminhos escuros do coração eu tenho e só pelo que ele falou o livro pulou anos luz a frente da minha lista de leitura. Quanto aquela Trilogia sempre tive vontade de ler, é elogiadíssima! Pena que a Record resolveu publicar Frankenstein primeiro e como não vendeu bem eles passaram por ela direto para Odd Thomas, que infelizmente parece que já foi abandonada também...

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    1. Também estranhei alguns títulos aí, ele tem verdadeiro clássicos que não foram mencionados.

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  3. Oi, Ronaldo! Que post fantástico. Confesso que não conhecia o autor. Fiquei encantado por ele falando sobre o processo criativo dos próprios livros. Acho uma delícia quando encontro esses materiais 'bônus' ao final das obras. Nos livros internacionais essas entrevistas, ensaios e posfácios são mais presentes do que no Brasil, o que é uma pena.
    Abraços!

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    1. Ben, compartilho sua opinião em gostar muito desses materiais bônus nas obras. Não sei se você curte Stephen King, pois teve alguns livros dele que li que possui alguns bônus muito interessantes.

      bomlivro1811.blogspot.com.br

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    2. Também adoro ler sobre o processo criativo dos autores, tanto que nos umas das coisas que me deixa mais empolgado quando vou ler um livro de contos de Stephen King são seus textos sobre cada obra.

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