domingo, 9 de agosto de 2015

A Garota no Trem - Paula Hawkins

                                                         

                                                                         Sinopse

Rachel pega o mesmo trem todos os dias. Ela sabe que ele vai fazer um parada no mesmo sinal toda vez, com vista para uma fileira de quintais. Ela até começa a sentir como se conhecesse as pessoas que vivem em uma destas casas, um jovem casal. A vida deles como ela vê é perfeita. Se ao menos Rachel pudesse ser tão feliz assim. E então ela vê algo chocante. É apenas um minuto antes do trem se mover, mas é o suficiente. Poucos dias depois, ela descobre que a mulher, chamada Megan, está desaparecida. Ela então vai à polícia e conta o que viu. E acaba não apenas participando do desenrolar dos acontecimentos, mas também da vida de todos os envolvidos.

                                                                         Resenha


A sinopse, apesar de não ser mentirosa, dá uma ideia totalmente diferente do enredo. De acordo com o que está escrito na contracapa, dá para se supor que Raquel, a protagonista, testemunha um crime enquanto viaja de trem e tenta avisar a polícia. Não é nada disso. Sem soltar spoilers, já que esses fatos que estou mencionando acontecem antes da página 70, o que ocorre é que Raquel realmente testemunha algo que lhe deixa chocada e após acontecer um crime, ela passa a ser suspeita e não uma testemunha buscando convencer a polícia do que presenciou.

As comparações com Garota Exemplar, que estão na própria capa do livro não são totalmente infundadas. O mote do livro é praticamente o mesmo, somente as perspectivas são diferentes. E é claro, a qualidade do texto de Paula não se compara ao de Gillyan. A obra é narrada sobre o ponto de vista de três mulheres, sempre em primeira pessoa. Raquel é uma heroína nada convencional. Uma bêbada, que foi mandada embora de seu trabalho após chegar no serviço embriagada e desde então perambula pela cidade para preencher seu tempo e também para fingir para a amiga com quem divide o apartamento que continua trabalhando. Seu estado físico e psicológico são lamentáveis. É alvo de deboche das pessoas, percebe isso, mas não consegue fazer nada para mudar. Sua autoestima é zero. Raquel muitas vezes me tirou do sério com suas atitudes desastrosas. A moça não dá uma dentro, tudo o que ela faz acaba se virando contra ela e isso faz com que ela fique cada vez mais emaranhada em sua autopiedade. Não consegui gostar da protagonista por um instante que fosse, até porque é difícil gostar de alguém que não gosta de si mesmo. O outro ponto de vista é de Megan, uma mulher casada, insatisfeita com o marido, que procura sexo com outros homens. Outra personagem que me irritou. Essa não sabia o que queria da vida. Tinha uma boa casa, um bom marido, uma certa estabilidade, mas lhe faltava algo que nem ela conseguia definir.  Mais tarde ela mostra que não é apenas uma mulher leviana e fútil, mas que seus problemas são mais profundos e que há um segredo aterrador em eu passado, mas mesmo assim, não consegui me simpatizar com ela. E a terceira mulher é Anna, nova esposa do ex-marido de Raquel. Uma mulher insegura, que vive com medo, cuja vida está centralizada no marido. Anna não é muito explorada no livro, os capítulos narrados por ela são poucos e geralmente está sempre reagindo à Raquel, cuja presença lhe incomoda. Ou seja, o livro carece de personagens interessantes e esse é um dos motivos por eu não ter gostado muito.

No entanto o li compulsivamente, pois a prosa é envolvente e o mistério é bastante intrigante. O livro é composto na sua maior parte de diálogos interiores. Me senti sugado pela mente dessas mulheres, procurando em suas reflexões alguma pista sobre o crime. Sentia que estava deixando passar algo, mas não conseguia definir o que era, o que só aumentava minha vontade de chegar logo no final, onde constatei que a autora não jogou sujo e realmente deixou várias pistas ao logo do caminho.

O final tem bastante emoção, alcançado um clímax vibrante. Mas, apesar dessas qualidades, não é um livro com o qual eu tenha criado empatia. Em muitos momentos o comparei com Restos Humanos, de Elizabeth Haynes, que apesar de eu ter curtido, tinha uma protagonista que não me agradou, Anabel. Tanto ela, quanto Raquel eram um poço de autopiedade. Mulheres com o ego lá embaixo, sem vaidade, sem propósito na vida, totalmente perdidas, servindo de marionete para qualquer um que quisesse manipulá-las. A Garota no Trem é um livro amargo, com uma trama bem construída, uma recriação dos modelos convencionais de heroínas, mas onde tudo é meio nublado. Pessoas infelizes, fatos obscuros e pensamentos imprecisos. Até a capa, de cores apagadas, reflete isso. Um livro com algumas qualidades, mas que não foi uma leitura das mais satisfatórias.








2 comentários:

  1. Nossa, sua resenha é exatamente o que eu achei do livro. A autora não consegue trazer o personagem para próximo do leitor, tudo é muito deprimente. Esse livro causou tanto frisson por nada. :)

    http://primeiroscapitulos.blogspot.com.br/

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    1. É que o livro teve uma grande campanha de marketing, por isso soou tão atraente.

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