terça-feira, 14 de julho de 2015

Joyland - Stephen King



                                                                    Sinopse
Em 1973, o universitário Devin Jones começa um trabalho temporário no parque Joyland, tentando superar o término de um namoro. Mas é outra garota que acaba mudando seu mundo para sempre: a vítima de um serial killer.
Linda Grey foi morta no parque há anos, e diz a lenda que seu espírito ainda assombra a cena do crime. Não demora para que Devin embarque em sua própria investigação e, paralelamente a isso conhece Mike, um menino com um dom especial e uma doença grave. O caminho de Mike cruza com o da investigação e consequências imprevisíveis estão para acontecer.

                                                                    Resenha

O início é muito ágil, parecendo mais um conto. Escrito em primeira pessoa por Devin, um estudante que abandona a universidade e vai trabalhar num parque de diversões, acompanhamos a vida pregressa e a atual desse personagem. Em poucas páginas conhecemos o essencial sobre sua vida, que inclui uma namorada que o trata como um palhaço, um pai camarada e os novos amigos que ele faz ao se hospedar numa pensão. Essa pensão, por sinal, é um dos toques mais simpáticos do livro. Devin relata sua rotina em Joyland, um modesto parque de diversões, cenário onde nos são apresentados vários personagens pitorescos que dão um sabor especial à leitura. A rotina do parque  também é detalhadamente narrada e dá uma atmosfera lúdica ao livro, porém essa impressão é apenas um dos aspectos daquele lugar. Em meio a brinquedos mecânicos, algodão doce e pessoas fantasiadas, há tristeza, dramas pessoais, mistério e um crime não resolvido.

À medida que a história avança, a narrativa perde a sua característica de conto e vai se tornando mais consistente. Devin vai se mostrando cada vez mais um personagem profundo e é através de suas atitudes que vamos desvendando-o. Suas reações ante as porradas que leva da vida, a sua capacidade de se adaptar à sua nova rotina e, principalmente, sua visão poética e bem humorada do mundo, nos mostram quem é Devin e fazem com que nos apaixonemos pelo personagem. Devin é melancólico, mas isso não o torna um chato. Sua passividade em relação à sua namorada chega a ser irritante, mas também desperta nossa compaixão. É aquele cara que quando você vê na pior faz de tudo para levantar-lhe o ânimo e quando ele te vê na pior, retribui. Um personagem muito rico. Fraco por um lado, mas por outro é capaz de atitudes heroicas. E como é dito no livro, tem “alma de parque de diversões”.

E é com esse jeito inusitado que Devin nos conduz pela história. Porém, há um problema. A descrição da rotina do parque, que no início é interessante, logo se torna um fardo que King nos obriga a carregar por longas páginas. Uma vez ambientada a história, não há mais a necessidade de tantas passagens descrevendo a mecânica do parque, mas o autor insiste em criar as mais diversas situações nos bastidores do local, o que torna a história repetitiva. São muitas voltas que o autor dá. É um verdadeiro carrossel de situações maçantes que só atrasam o progresso da trama. Muita delas tem relevância no final, mas nem por isso deixam de ser enjoativas.

A partir do momento em que Dev conhece Mike, um garoto com sérios problemas de saúde e sua mãe, Annie, o livro mostra a que veio. A relação entre os três foi narrada com delicadeza e sensibilidade e é exatamente essa relação o verdadeiro cerne do livro. Apesar de ter elementos sobrenaturais, de haver um clima investigativo e haver muitas situações de tensão, essas são bem espaçadas. Mas, independente disso, Joyland não é um livro de terror. É uma obra que fala sobre a dificuldade das pessoas em lidar com a perda. A incapacidade de aceitar o término de um namoro, o horror ante a ideia de perder um filho, reação essa que faz uma mãe conservá-lo dentro de uma redoma e até mesmo as mudanças que acontecem com uma pessoa cética, que ao presenciar um fenômeno sobrenatural, perde seu ceticismo e é obrigada a encarar uma realidade cuja existência desconsiderava.

Joyland não é um típico livro de Stephen King, mas também não é algo que fuja totalmente ao seu estilo. Sabemos que quando o mestre do terror mostra que tem um coração, ele nos emociona pra valer. E é isso o que mais encontramos nessa obra sensível e poética. Um livro escrito com uma paixão avassaladora, que mexe com nossos sentimentos.

6 comentários:

  1. Ronaldo, estou ansioso para ler este livro. O meu adquiri na pré-venda e nos próximos dias chegará, e de imediato já vou devorá-lo.

    bomlivro1811.blogspot.com.br

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    1. Nas livrarias físicas ele já está disponível, Maurilei, por isso é que não gosto muito de comprar em pré-venda.

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  2. Terminei a leitura ontem. Uma história muito comovente e bem escrita.

    bomlivro1811.blogspot.com.br

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    1. Sabia que você iria gostar, vou conferir sua resenha.

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  3. Olá Ronaldo! Adorei sua resenha, você conseguiu transmitir exatamente aquilo que senti ao ler o livro. É realmente bem diferente de outras obras do autor, mas gostei muito da forma como ele abordou a questão da amizade e o sentimento de perda.. Obrigada pela visita lá no blog!

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    1. Essa versatilidade de Stephen King confirma seu talento.

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